Mais polido e também mais influenciado pelo prog do que sua estreia. Além disso, é menos psicodélico e mais próximo do Wishbone Ash, uma banda da qual normalmente não gosto porque soa muito sem graça para o meu gosto.
O eco de um trovão perdido: A eletricidade de Stray
O segundo ataque do Stray é um manifesto de poder, uma descarga de energia pura que abala os alicerces do Hard Rock do início dos anos 70. O suicídio não é um simples exercício de riffs e distorção; É um álbum que, sem reinventar a fórmula, a executa com tanta precisão e elegância que soa fresco, vibrante e com um toque quase premonitório do que mais tarde se tornaria um som metálico.
Aqui não há meias medidas: as guitarras dominam com força esmagadora, exibindo um equilíbrio perfeito entre o melódico e o cru. Você pode sentir a influência de Hendrix, a energia do Zeppelin e a energia do Cream, mas com uma identidade própria que dá ao Stray seu lugar na história. Entre progressões constantes, flashes de blues e um leve aroma psicodélico, o álbum se torna uma jornada eletrizante, que você não apenas ouve, você vivencia. Uma performance quase perfeita, irradiando energia em abundância e deixando claro que Stray não estava lá para brincar, mas para incendiar o palco.
Impressão pessoal: Um culto chamado Suicídio
Retornar ao Suicídio depois de tanto tempo foi como abrir uma porta fechada há anos e encontrar do outro lado uma chama intacta e acesa, como se nunca tivesse se apagado. Houve um tempo em que esse álbum passou rapidamente pela minha vida, um flash de riffs e trovões que ficou preso na névoa daqueles dias. Mas agora, com nossos sentidos bem abertos e nossos espíritos prontos, a experiência foi diferente, quase revigorante. Senti a energia deles percorrer meu corpo, o pulso de cada música sincronizando com as batidas do meu coração, despertando uma vertigem elétrica que só o melhor Hard Rock consegue provocar.
Stray não veio para brincar. Cada nota neste álbum é carregada de intenção, com uma ferocidade que não apenas ataca, mas arrasta e eleva. O hard rock vigoroso está entrelaçado com progressões inesperadas, mudanças de ritmo e uma atitude que beira o território do proto-metal, com a confiança de alguém que sabe que está deixando sua marca. A vibração do Suicide é energética, direta e melódica; um vendaval retumbante que não deixa trégua. E o mais surpreendente é que, longe de perder força com o tempo, seu impacto permanece intacto. Nunca deixo de me surpreender como uma banda como Stray pôde ser deixada de lado enquanto outras alcançaram o Olimpo do rock pesado. Mas é aí que reside o verdadeiro culto: não no misticismo da banda, mas na coragem e convicção com que eles criaram cada música. Isto não é apenas música, é uma declaração de princípios, uma explosão de atitude pura. Basta ouvir "Jericho" para entender: esta não é apenas mais uma banda; isto é fogo puro, uma manifestação vibrante de uma época que, embora pareça distante, ainda ressoa com a mesma intensidade. Uma obra altamente recomendável, daquelas que transcendem o tempo e as expectativas. E como sempre, até breve.
01. Son Of The Father
02. Nature’s Way
03. Where Do Our Children Belong
04. Jericho
05. Run Mister Run
06. Dearest Eloise
07. Do You Miss Me?
08. Suicide
CODIGO: H-38

Sem comentários:
Enviar um comentário