quinta-feira, 15 de maio de 2025

FADOS do FADO...letras de fados...



Adágio

Ary dos Santos / Tomaso Albinoni
Repertório de Teresa Silva de Carvalho


Quanto caminho andado
Desde o primeiro poema
Ai quanto amor amassado
Com mãos de alegria e pena
Ai quanto caminho andado… serena

Quanto verso ensanguentado
Quanta distância de mim
Quanto amor desesperado
Quanto secreto jardim
Ai quanto caminho errado… sem fim

Morro por ti mas tu não vens
Dentro de mim te chamo
Mas tu não estás
Mas tu não vês o que arranquei de mim
meu amor tu não és quem amo

Ai quanto caminho andado
Sozinha dentro de mim
Ai quanto caminho errado… sem fim

Canto por ti mas tu não és
Dentro de mim te chamo
Mas tu não estás, mas tu não vês
já te arranquei de mim
E é só por te não ter que eu morro


Adeus

José Galhardo / Raúl Ferrão
Repertório de Ana Laíns

Meu amor na vida
Sem vida eu fico aqui
Desde que à partida
Meu bem, fiquei sem ti
Bem peço aos retratos socorro
São mudos, ingratos
Vem tu, se não morro

Nem mesmo a saudade 
Me traz consolação
Quero uma verdade
Não quero uma ilusão
Na alma ainda me dói, meiga a tua voz
Quando o barco foi tão mau p’ra nós

Adeus
Não afastes os teus olhos dos meus
Até quando ao longe a bruma 
A pairar se consuma 
Entre as ondas do mar e os céus
Adeus
Não afastes os teus olhos meus
Dá-lhes carinhos
Que partem ceguinhos de amor
Pelos teus

Sei que tu existes 
E sei também, meu Zé
Que há palavras tristes
E que uma delas é
A que me tortura, a distância
Não sei se há mais dura 
Na minha ignorância

Há palavras belas
Mas quase as esqueci
Véu, noivado, estrelas
Altar, e outras pr’aí
Quando as ouvirei todas sol, Jesus
Hoje apenas sei estas sem luz



Adeus à mocidade

Manuel de Almeida / Popular *fado menor*
Repertório de Manuel de Almeida

Disse adeus à mocidade
Entre lágrimas e ais
O tempo, grande verdade
Passando não volta mais

Passa breve a mocidade 
O tempo d'ilusões feito
Só não passa esta saudade 
Que trago dentro do peito

Vocês devem perdoar-me 
Umas certas liberdades
Eu bem sei que ando a matar-me 
Mas ando a matar saudades

Não sei, contudo, entender 
Estes balanços da sorte
Estou cansado de viver 
Mas tenho medo da morte


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