sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Tesouros perdidos


Nem é preciso reafirmar quão pródiga foi a Inglaterra na explosão do rock progressivo setentista. Além dos muitos nomes consagrados, gerou um sem número de bandas excelentes que não tiveram a mesma sorte do sucesso. Um deles vem de Coventry, nas Midlands. E o quarteto Indian Summer teve o azar (sim, isso mesmo) de ser empresariado pela mesmo escritório do Black Sabbath. Com o sucesso inicial da banda que apontaria o Heavy Metal, eles simplesmente abandonaram o grupo de nome estranho. Mas pelo menos em 1971 eles conseguiram gravar e lançar seu único e maravilhoso álbum que mistura hard com progressivo  com muita categoria e feeling.

Na irresistível mistura, o Indian Summer é mais progressivo do que hard. O fio condutor de sua sonoridade é o inspirado e criativo teclado pilotado Bob Jackson. As melodias são lindíssimas e contagiantes. Não à toa Jackson futuramente estaria ao lado de John “Goldenfingers” Entwistle em trabalhos solos do baixista do Who e também em álbuns solo do lendário vocalista do Heep, David Byron, além de integrar as fileiras do Badfinger e ser mãos de confiança do fabuloso saxofonista Mel Collins (Crimson, Camel, Dire Straits) em diversas empreitadas.



Mas o Indian Summer não é só o Hammond de Jackson. A guitarra de Colin Williams se faz presente em diversos momentos, abrilhantando todo o trabalho que tinha em Malcom Harker um baixo pulsante e em Paul Hooper uma bateria agressiva, com belas em empolgantes viradas, ao melhor estilo prog sofisticado de VDG e ELP. A voz principal da banda também é de Bob Jackson. Se não é das mais sensacionais ao tentar emular Peter Gabriel (nem de longe), seu timbre levemente rouco e grave não compromete. Muito pelo contrário, casa muito bem com a massa sonora executada pelo conjunto.

 O disco traz momentos de grande brilho, que podem ser comparados aos grandes clássicos do gênero, caso da matadora sequência Glimpsie/Half Changed Again/Black Sunshine /From the Film of the Same Name. A sonoridade do Indian Summer chega a lembrar os precursores do Procol Harum (inclusive a voz de Jackson lembra bem a de Gary Glitter), mas a riqueza leva a banda muito além das fronteiras do que de melhor o rock progressivo da terra do rei Charles III produziu.


Infelizmente essa pepita ainda não consta nas minhas louváveis prateleiras de raridades. Conheci esse tesouro não faz muito tempo (como o rock desse período insiste em nos surpreender!!!). Por enquanto se resume à minha biblioteca virtual. A mídia encontra-se esgotada. Até pouco tempo atrás, localizei algumas unidades disponíveis no Discogs com custo médio a proibitivos 650 reais para importar, edição simples (1993 ou 2000, Alemanha e Japão) em capa acrílica, nada deluxe ou com material bônus ou libreto informativo.  O LP, então, beira o ataque cardíaco. Um verdadeiro tesouro perdido!




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