Onde esteve Ecca Vandal ? Nove anos se passaram desde que a NME classificou o álbum homônimo da artista como "uma das estreias mais brilhantes do ano", pela maneira como ela atacava riffs de guitarra poderosos com a mesma facilidade com que dominava batidas de sintetizador impactantes. Assim como Frank Carter & The Rattlesnakes ou Nova Twins, Vandal equilibrava seu espírito punk ardente com muita destreza vocal, conquistando shows de abertura para Incubus e Queens of the Stone Age. Mas, após a pandemia interromper seu ritmo, ela não saiu correndo para recuperá-lo.
Vandal se recusou a apressar seu segundo álbum. Cuidadosamente produzido no quarto do produtor Richie Buxton em Melbourne – a cidade onde ela cresceu depois de se mudar da África do Sul quando criança – ela recomeçou do zero, esperou o momento certo e o nomeou…
…o álbum de 17 faixas 'Looking For People To Unfollow' surgiu após ela se livrar do excesso de informações negativas em suas próprias redes sociais. O primeiro single, 'Bleed But Never Die', foi lançado há dois anos, dando ao projeto um respiro semelhante, período durante o qual ela foi convidada a se apresentar no Coachella e com Deftones e Limp Bizkit.
Enquanto esses dois artistas icônicos têm suas características marcantes bem definidas, Vandal é mais imprevisível e eletrizante. Depois de "Eyes Shut" e "Sorry! Crash!" apresentarem "Looking For People To Unfollow" como um álbum de punk rock explosivo, as guitarras posteriormente cedem espaço para batidas amplas e graves que remetem ao reggaeton ("Do It Anyway"), ao trap ("Came Here For The Loot") e à sua herança sul-asiática ("Then There's One"). Independentemente da instrumentação, a voz incisiva e sempre presente de Vandal garante que essa mistura caótica mantenha certa consistência.
As 17 faixas do álbum permitem que esse caos se desdobre, em vez de confinar a personalidade multifacetada de Vandal a um pacote compacto. A concisão reside nas canções individuais: 10 delas não ultrapassam os três minutos. Suas letras vão direto ao ponto; "Do It Anyway" examina seus maus hábitos, "Bleed But Never Die" é uma demonstração desafiadora de resiliência e "Cruising To Self Soothe" é um hino de rock inspirador: "Ainda estou voando porque estou melhor do que nunca". Tais afirmações de confiança talvez expliquem por que as escolhas artísticas de Vandal parecem tão decisivas.
Embora essa potência e versatilidade sonora já existissem em sua estreia, essa nova veia implacável torna 'Looking For People To Unfollow' uma reintrodução tão impactante. É uma mudança sutil, mas necessária para confirmar que Vandal estabeleceu sua própria identidade definitiva para construir seu futuro. O que muitos artistas conquistam em dois anos, Vandal poderia ter levado nove. Mas o resultado final justifica sua abordagem, certamente lhe dando a confiança e a paciência necessárias para aprimorar sua arte nos próximos anos
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