As raízes do Kayak estão na cidade holandesa de Hilversum (cidade próxima de Amsterdam e Utrecht), onde os membros fundadores e amigos de vizinhança Ton Scherpenzeel (teclados, baixo) e Pim Koopman (bateria, piano, guitarra) tocaram juntos em várias bandas como "Balderdash" (em 1967) e "High Tide Formation" (em 1970). O guitarrista Johan Slager tocou na formação final do HTF até o grupo se separar em 1971. Nesse mesmo ano, Ton, Pim e Johan começaram a gravar várias demo tapes (num projeto chamado 'Ten Ride Ticket') e ocasionalmente tocavam ao vivo (como "Alta Quies"). Por volta dessa época, Ton e Pim começaram a estudar na Hilversum Music Academy, onde o colega Max Werner uniu forças com a dupla emprestando sua voz única àqueles esforços musicais (ali, enquanto Ton estudava contrabaixo, Pim e Max estudavam percussão). Quando o baixista Cees van Leeuwen (substituindo o francês Jean Michel Marion) completou a primeira formação, o grupo que ganharia o nome Kayak conseguiu, em 1972, um contrato de gravação com a EMI Records holandesa (após ser demitido da Phonogram que tinha um interesse inicial na banda e até mesmo gravou algumas demos com eles, mas no final desistiu quando Ton e Pim se recusaram a gravar outro material que não fosse o autoral deles mesmos).
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| Cees van Leeuwen, Pim Koopman, Max Werner, Ton Scherpenzeel e Johan Slager |
O álbum de estreia, de 73, intitulado "See See the Sun", trouxe a banda atestando sua alta capacidade técnica: Max Werner, além dos vocais, tocava mellotron e percussões; Johan Slager, além das guitarras, também tocava violão clássico; Ton Scherpenzeel desfilava ampla gama de teclados (piano, órgão, sintetizadores Moog e Davoli, piano elétrico Fender, Harpsichord, acordeão); Cees van Leeuwen, além do baixo, tocava harmônica; Pim Koopman, além da bateria e percussões, tocava sintetizador, órgão e cantava. Além disso, a banda contou com músicos convidados (para violinos e violoncelos). Um álbum totalmente Prog, com domínio amplo dos teclados. Havia ali algo do Yes (e também do Genesis e Supertramp) e toda aquela musicalidade superior, no melhor estilo sinfônico/exuberante, tudo muito melódico, acessível, bem Prog britânico, com uma atmosfera jazzy em alguns momentos. Sob produção de Gerritt-Jan Leenders, "See See the Sun" tinha uma sensibilidade quase "Canterbury Sound" por vezes, mas era Scherpenzeel quem dominava o álbum. "Éramos como crianças numa loja de brinquedos, enquanto testávamos o que poderíamos fazer com o equipamento de 16 canais do estúdio", contou ele. De fato, um álbum cheio de ideias, nem todas trabalhadas da melhor maneira (tudo foi feito em duas semanas e depois a masterização/mixagem aconteceu no Abbey Road Studios, feita pelo eng. Alan Parsons, então super elogiado por seu trabalho no "The Dark Side Of The Moon", do Pink Floyd). "Reason For It All" abria o álbum com uma sonoridade Yes, "Lyrics" era bem leve, "Moldy Wood" já era tempestuosa e o lado 1 fechava com "Lovely Luna" com mais de 8 minutos, esparsa, sonhadora e dramática, talvez o maior destaque do disco. "Hope for a Life" abria o lado 2 com mais energia R'n'R, "Ballet of the Cripple" era repleta de Mellotron, "Forever Is a Lonely Thought" (bem sentimental) e "Mammoth" vinha na sequência com várias seções e mudanças e o álbum fechava com a faixa título.
Em 74, a mesma formação lançou o segundo álbum, "Kayak" (mas que ficou conhecido como "Kayak II". A dupla Scherpenzeel/Koopman ainda dominava as composições e a produção manteve-se com Gerrit-Jan Leenders. A música também permaneceu melódica, não tão complexa (às vezes até algo Pop), tudo muito harmonioso, acessível, casando perfeitamente as tendências mais Hard Rock com todos os elementos sinfônicos deslumbrantes e o meio-termo aventureiro. O resultado era um Rock Progressivo animado/empolgante com um lado sinfônico/erudito e outro quase Pop (pense Todd Rundgren/Supertramp/The Alan Parsons Project). "Alibi" abria o álbum num ritmo acelerado, energético, boa melodia, guitarras e piano em destaque (criando algo do Canterbury Sound). "Wintertime" era uma faixa mais lenta, algo melancólica, com ótimas harmonias vocais e um refrão empolgante (fez algum sucesso na época). "Mountain Too Rough" era bem diferente, uma viagem por atmosferas folky com Scherpenzeel brilhando no piano clássico e efeitos sonoros. "They Get to Know Me" fechava o lado 1 com mais de 9 minutos e toda uma estrutura bem Prog, sinuosa, com partes, interlúdios e variações. Momento matador, sinfônico, com partes mais agressivas (especialmente graças às guitarras de Johan Slager), sem dúvida um dos pontos altos. "Serenades" abria o lado 2 lembrando Uriah Heep e com novo destaque para a performance excelente da banda. "Woe and Alas" era um destaque do álbum, poderosa e bonita melodia, memorável e com ótimos e apaixonados vocais de Max Werner. "Mireille" era uma curta faixa instrumental relativamente lenta (um lado mais suave do Kayak) que desembocava em "Trust In The Machine", com mais de 6 minutos, incríveis teclados, vocais dementes, guitarras Frippianas e um clima Space-Prog (considerada uma das favoritas dos fãs, uma verdadeira viagem sonora cheia de paranoia e triunfo). "His Master's Noise" fechava o álbum quase soando como Paul McCartney. Musicalidade robusta, teclados dominantes (muito Mellotron e órgãos, mas também sintetizadores), climas orquestrados/sinfônicos, guitarras chorosas, elaboradas melodias, harmonias vocais, composições ricas e variadas, com reminiscências aqui e ali de Genesis/Yes, com vibrações Pop (demonstrando que tais flertes não necessariamente têm o condão de arruinar um álbum de Prog-Rock).






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