sexta-feira, 12 de junho de 2026

Santana: aclamados pioneiros da combinação Blues, Rock e música latina

 

A década de 1980 começou de forma relativamente brilhante para Santana, com o terceiro álbum solo de Carlos, "The Swing of Delight" (lançado em ago/80 -  ele havia lançado "Oneness: Silver Dreams - Golden Reality", em mar/79) e a certificação de disco de platina para o álbum "Zebop!" (lançado em abr/81), que alcançou o Top 20 em vários países e manteve a sonoridade mais Rock convencional. Em "The Swing of Delight", Carlos usou o famoso "segundo quinteto" de Miles Davis (Herbie Hancock, Wayne Shorter, Ron Carter e Tony Williams) mais membros da então formação da época da banda Santana para gravar sessões orientadas ao Jazz. Lançado sob o nome "Devadip", o álbum tinha composições creditadas a Carlos e a seu guru Sri Chinmoy (aliás, seria a última vez que ele usaria este nome e faria parceria com o guru - por volta de 82 ele se desencantou com Chinmoy). Carlos, como habitual, se apresentava em ótima forma e circundado por uma banda absolutamente matadora. Basicamente, era um Jazz-Fusion com uma inflexão latina. Biscoito fino. "Zebop!" era um retorno ao Rock, incluindo o som latino em algumas faixas. "Winning" era uma faixa maravilhosa (um cover da canção de Russ Ballard) e "The Sensitive King" era outra faixa bastante acessível para as rádios. No todo, a sonoridade era mais comercial visando ao grande público. Aliás, esta fórmula manteria a banda viva ao longo de toda a década de 80. 
No ano seguinte, surgiu "Shangó" (décimo terceiro deles, de ago/82). Este álbum marcou um declínio acentuado na sorte comercial da banda, embora ainda tenha conquistado "disco de ouro". Um destaque era o retorno no papel de co-produtor e compositor do tecladista original Greg Rolie. O produtor principal, no entanto, foi Bill Szymczvk, que deu ao Santana uma sonoridade bem diferente (mais Rock moderno) que resultou em dois singles ("Hold On" e "Nowhere To Run"). Um trabalho bem feito e regular. Levaria três anos para outro álbum, a pausa mais longa para eles até então. "Beyond Appearances", de fev/85, foi um fracasso comercial e o primeiro deles a não obter nenhuma certificação por vendas. A explicação estava na produção (Val Garay, com um estilo quente bem anos 80, repleto de sintetizadores e baterias eletrônicas), mudanças na formação (novo baixista, novo tecladista, etc. e o vocalista Greg Walker retornando) e um som amplamente Pop. Os três álbuns seguintes continuariam esse declínio comercial. 
"Freedom" (de fev/87), "Spirits Dancing in the Flesh" (de jun/90) e "Milagro" (de mai/92) foram esses álbuns, todos presos na armadilha comercial. "Freedom" trouxe a banda no formato de noneto. Além de Carlos, os percussionistas Armando Pereza, Orestes Vilato e Raul Rekow, o baterista Graham Lear, o baixista Alphonso Johnson, os tecladistas Tom Coster (retornando) e Chester Thompson, mais os vocais principais de Buddy Miles. Um disco super Pop, distante da qualidade dos primeiros álbuns. Após uma turnê de 20 anos da banda, Carlos reorganizou tudo numa nova formação (ele, o cantor/guitarrista Alex Ligertwood, o cantor/tecladista Chester Thompson, o baixista Benny Rietveld, o baterista Walfredo Reyes e o percussionista Armando Peraza), mais convidados (Vernon Reid, Wayne Shorter, Bobby Womack etc.) e gravou "Spirits Dancing In The Flesh", o último álbum lançado pelo selo Columbia Records. Um álbum bem eclético com covers de Curtis Mayfield, The Isley Brothers, Olatunji, John Coltrane e Jimi Hendrix. Apesar disso, era um disco de Rock direto e com guitarras pesadas do que o normal. Na sequência, a banda assinou com a Polydor em 91 após 22 anos na Columbia. "Milagro" foi o álbum de estreia e trouxe a formação alterada pela adição de Raul Rekow e Karl Perazzols. O álbum trouxe um tom elegíaco, começando com uma introdução de palco feita pelo saudoso promotor Bill Graham (mentor e empresário não oficial do Santana, que havia morrido em out/91 aos 60 anos num acidente de helicóptero) e com dedicatória a Miles Davis (outro que havia falecido em set/91 aos 65 anos pelos efeitos combinados de um acidente vascular cerebral, pneumonia e insuficiência respiratória). Havia ainda trecho de um discurso de Martin Luther King, um cover de Bob Marley e, claro, tudo isso contribuiu para uma sensação da presença de fantasmas. Mas "Milagro" era apenas um lançamento mediano do Santana, soando familiar, porém indistinto. Aqui, neste ponto, a banda parou de gravar material por sete anos (um hiato sem precedentes, até então), mas continuou em turnês. 


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