Gravy Train - Inglaterra - 1971
No mágico ano de 1971, o excelente grupo de rock progressivo Gravy Train, surgido na bela região de Lancashire, noroeste da Inglaterra, lançava seu segundo álbum, A Ballad of a Peaceful Man, uma verdadeira obra prima do gênero. A banda havia sido selecionada para o valoroso cast do lendário selo Vertigo, que revelou notáveis grupos e lançou álbuns fantásticos no começo daquela década, incluindo os primeiros do Sabbath, do Uriah Heep e do Jethro Tull. O disco de estreia, também lançado pelo famoso selo no ano anterior, já tinha sido maravilhoso. Mas a banda não triunfou comercialmente em nenhum dos dois trabalhos e foi dispensada. Migrou para o selo Dawn, por onde lançaria mais duas pérolas até 1974, quando encerrou suas atividades e adentrou no ostracismo. O mundo do rock deixava de conhecer melhor a excelência daquele quarteto e seu trabalho soberbo.
O disco homônimo de estreia do Gravy Train traz arranjos primorosos, porém mais crus e pesados. Entretanto, o flerte com o prog já é mais do que evidente. Em Ballad of a Peaceful Man a banda atinge o esplendor de sua musicalidade, com canções que misturam peso, suavidade, melodias agradáveis, refrões certeiros e arranjos que envolvem passagens orquestrais e solos de sax e flauta executados com rara beleza por J. D Hugues, que também pilotava os criativos teclados. Vale ressaltar, ainda, o exímio trabalho de Norman Barrat, vocalista e guitarrista do grupo. Seu timbre vocal muito remete ao do colega de selo, David Byron, do Uriah Heep. A guitarra também não fica abaixo, com um grau de criatividade que faz dele o grande condutor desse trem (sic). Não se pode deixar, também, de destacar o baixo de Lester Williams e a segura bateria de Barry Davenport.
Em oito belas músicas, o Gravy Train trafega (sic de novo) com desenvoltura pelo folk, hard e prog, remetendo a momentos do Uriah Heep e do Jethro Tull, mas com muita personalidade. O álbum se desenvolve deforma agradável, com faixas que revelam grande sofisticação musical e certamente satisfazem os mais exigentes ouvidos, tanto aqueles afeitos ao mais melodioso prog ou ao mais estimulante hard setentista.
Second Rebirth de 73 e Staircase to the Day, do ano seguinte, são discos acima da média. O primeiro lembra muito o álbum de estreia da banda e o segundo (cm capa do mestre Roger Dean) revela elementos que apontam para uma direção mais pop, mas com muito equilíbrio e bom gosto. Tenho todos os 4 discos do conjunto e se tivesse que resumir sua discografia em duas palavras seriam qualidade e beleza. Uma obscuridade não merecida, tanto que parte da tribulação desse trem (uau, sic novamente) continuou na indústria musical, com múltiplas funções, de arranjadores e session men, a produção de eventos musicais e agenciamento de carreiras. Nos anos 90, o tardio e ainda pequeno reconhecimento foi possível com o lançamento de seus trabalhos nos formatos digitais (cd e, posteriormente, plataformas de streaming). Recentemente, a gravadora paulista Helion Records lançou seus trabalhos em bonitas edições slipcase com direito a pôster e preços convidativos. Valem muito a pena.


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