quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

FADOS do FADO...letras de fado...

 


Sonho dourado

Fernando Teles / Popular *fado mouraria*
Repertório de Alfredo Marceneiro

Eu tenho um sonho doirado
Sonho que minha alma quer
Que é morrer cantando o fado
Nos braços de uma mulher


Que importa que digam mal / Do meu lirismo romântico
E que censurem o meu pecado / Amoroso sensual
Eu só desejo afinal / Uma boca rosicler
Ou então ouvir gemer / Uma guitarra em doce anel
É este um sonho tão belo
Sonho que a minha alma quer

As mais rudes penitências / Que a sorte me pode dar
É não poder alcançar / Do amor puras essências
Assim sofrendo inclemências / Ao ver-se repudiado
Meu coração magoado / Um só desejo inspira
É chorar ao som da lira
É morrer cantando o fado

Morrer dizendo os meus versos / É isto que peço a Deus
Envolvendo os olhos meus / Nuns olhos lindos, perversos
Beijos doirados, diversos / Meu ser lascivo requer
E quando a morte vier / Gelar enfim o meu sangue
Eu quero expirar exangue
Nos braços de uma mulher



Ser outono em primavera

António Calém / Júlio Proença *fado esmeraldinha*
Repertório de João Braga


Secura de te não ver como te via
Com esses olhos teus da cor do mar
Silêncio de não te ouvir como te ouvia
Cantando aberta à noite e ao luar

Loucura, de não seres o que eu sonhei
Cansaço duma vida que vivi
É este o novo mundo a que me dei
Depois desse teu mundo que perdi

É tarde para sonhar uma outra espera
E cedo para sonhar o entardecer
É triste ser Outono em Primavera
Florir aberto em lume e não arder

A tua porta

António Calém / Carlos da Maia
Repertório de Teresa Siqueira


Se o bater da tua porta
Fechou a vida de alguém
Porque voltas, se é já morta
A saudade de ninguém?

Na rua ouço os teus passos / Talvez que o teu coração
Mas fecharam-se os meus braços / Dentro desta solidão

E agora nem sei se vivo / Já que a esperança em mim morreu
Tu foste o sonho perdido / Em que a perdida fui eu

Mais tarde, tempos passados / Repara, repara bem
Se eu trago os olhos pisados / Pela saudade de alguém

Morte ou vida, que me importa / Depois da tua partida
Se o bater da tua porta / Me pôs entre a morte e a vida


The Gard - Madhouse [2018]

 

                                     The Gard - Madhouse [2018]


Formada em 2010, tendo como principal ideia unir música autoral, rock clássico e contemporâneo, a The Gard tornou-se uma das principais atrações da música pesada de Campinas a partir de então. Apesar de ser fortemente reconhecida por seu show Tributo ao Led Zeppelin, o grupo atravessou a década atual em busca de uma gravadora para registrar suas canções. Somente em abril de 2018, em parceria com a NG2 e o Som do Darma, eis que finalmente chega às lojas o álbum de estreia do trio Beck Norder (baixo, guitarras, vocais), Allan Oliveira (guitarras) e Lucas Mandelo (bateria, vocais).

Intitulado Madhouse, o debut auto-produzido apresenta uma sonoridade bem distinta entre suas faixas, com mesclas de diferentes estilos que torna-se difícil de classificar em uma primeira audição, a qual é prazerosa e capaz de te fazer sentir vontade de colocar o CD novamente para rodar. O álbum abre com "Immigrant Song", o clássico do Zep recebendo um arranjo totalmente inovador - obra da mente de Beck, praticamente o líder do grupo - e que de imediato, surpreende positivamente, tornando-se mais pesada, recebendo violões e modificando boa parte das linhas vocais originais de Plant. A canção inclusive virou single, e ganhou um video-clipe para ajudar na promoção de Madhouse.

O grupo no clipe de "Immigrant Song"

"Play of Gods" vem na sequência, apresentando de cara um belo solo de guitarra por Dennis Arthur, e com um riff que lembra muito o Zep. Dennis também surge no segundo solo, rasgado e com muita distorção. A faixa-título já apresenta uma nova cara no som do The Gard, saindo das raízes setentistas do Led para explorar um som mais moderno, próximo de grupos como Skid Row. É um som simplesmente rocker, que certamente irá agradar aqueles que apreciam os grupos americanos dos anos 90.

Chegamos na melhor canção do álbum, a longa "The Gard Song". Sua introdução com violões e bandolim foge totalmente do que havia sido apresentado até então. Após um minuto, surge o riff que nos mostra uma faixa próxima ao prog rock, com os vocais de Beck lembrando um pouco Michael Kiske na fase Avantasia. São 10 minutos e 30 segundos onde você irá parar o que está fazendo e prestar atenção na interessante construção musical feita pelos campinenses, principalmente a partir de sua segunda metade, onde fãs de Helloween irão delirar com a sequência de riffs e solos de guitarra. Por fim, violões e voz encerram essa grande faixa, a qual parabenizo o The Gard por sua criação.

Lucas Mandelo, Beck Norder e Allan Oliveira

O uso do glockenspiel na introdução e a longo da também experimental "Music Box" leva Madhouse para um novo caminho musical, que me remete a bandas britânicas dos anos sessenta, tais como Beatles ou Stones em suas fases psicodélicas, muito por conta do uso de vocalizações. O instrumento foi tocado por Isadora Conte, e quanto a própria "Music Box", confesso que não me chamou tanto a atenção, talvez por vir logo após "The Gard Song". "Back to Rock" faz jus ao nome, e retorna ao rock pesado apresentado anteriormente na faixa-título. Destaque para a longa introdução, caprichando no solo de Allan, e no riffzão para pular pela casa. É mais uma faixa para se sentir em Slave to the Grind, por exemplo, essencialmente no refrão.

Encarte com caricatura da banda, e o CD

Confesso que quando "Kaiser of the Sea" começou, lembrei-me do nosso colega Thiago Reis. Afinal, é uma canção puramente Black Sabbath fase Tony Martin, daquelas saídas de Cross Purposes ou Headless Cross, mostrando toda a versatilidade da The Gard, ainda mais quando inesperadamente, surge um bonito solo de violão. Fecha Madhouse "Panem et Circensis", voltando as inspirações setentistas, mas ligadas agora ao Aerosmith, onde Allan se aventura no slide guitar, e deixando a sensação de que valeu a pena a audição dos pouco mais de 40 minutos de duração.

O encarte, com 8 páginas, é bem caprichado, apresentando as letras de todas as canções e uma caricatura do trio, além de artes por Samir Monroe e a indicação para o site da banda, onde você pode ouvir Madhouse na íntegra de forma gratuita.  Mas detendo-se apenas no som, que é o que importa, a The Gard passa acima da média em sua estreia, a qual deixa boas expectativas para o futuro da banda. E fica a mensagem do release da banda: " ... temos o privilégio de existir em uma época onde Richard Wagner já trouxe ao mundo seu trabalho. Schoenberg, cantos gregorianos, músicas tribais, Beatles. Temos tudo isso com uma facilidade de acesso que nunca vimos antes. Há muito o que combinar ainda, o que se experimentar e aventurar".

Contra-capa

Track list

Immigrant Song
Play of Gods
Madhouse
The Gard Song
Music Box
Back To Rock
Kaiser of the Sea
Panem Et Circensis





RARIDADES


Raik's Progress - Sewer Rat Love Chant (1967)

Baseando-se em influências selvagens e confusas como Capt.Beefheart, Them and the Animals, esses garotos de San Joaquin Valley dirigidos por Steven Krikorian, mais tarde para se reinventar como hitmaker Tonio K gravou um álbum com material melhor descrito como de cair o queixo! Faixas como "Sewer Rat Love Chant" e "Why Did You Rob Us"," e "Tank" vêm juntando poeira desde... Deus sabe quando! circa 66. Freak Emporium

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Freckleface - S/T (1972)

Com certeza, o LP mais raro da Bélgica (apenas 300 foram prensados).. Ótimo blues rock rastejante com faixas longas, guitarra e vocais estranhos de Arno (não muito diferente do Captain Beefheart) .. Este LP é altamente recomendado se você pode gostar de uma mistura entre Savoy Brown e Creepy John Thomas.. Ele vem em uma capa com uma reprodução minúscula de uma pintura do pintor surrealista belga Elias. velhice como um LP de

ringwear e cracles ainda toca muito bem, mas aqui e ali um leve ruído e também entre as faixas, mas se você encontrar uma menta, ouvirá algum ruído, essa não foi a melhor imprensa da época.


BIOGRAFIA DE Carmen McRae

Carmen McRae

Carmen McRae foi uma das primeiras e das melhores vocalistas do bebop. Suas improvisações em scat e a escolha do repertório fazia com que cantasse dentro de uma profundidade emocional em cada momento lírico. 

“Ela tinha um sentido musical para saber que, quando ela tivesse cinco tons para cantar, ela descobriria o tom certo vindo da sua cabeça e seguiria em frente” disse o baterista Joey Baron, que trabalhou com McRae. 

Carmen McRae nasceu em New York no dia oito de abril de 1920. Foi um prodígio no piano; Carmen cantou na orquestra de Benny Carter em 1944 e com as de Count Basie e Mercer Ellington alguns anos depois. 

Durante esse tempo, ela também trabalhou como cantora e pianista no Minton Playhouse, lugar onde ele absorveu as ideias rítmicas dos boppers, que fizeram desse clube de New York o espaço de criação do novo jazz. 

Carmen começou a gravar como líder em 1953 e continuou trabalhando para várias gravadoras e liderou diferentes grupos, por quatro décadas. Em 1988, McRae gravou um álbum especial, só com músicas de Thelonious Monk. Carmen McRae morreu em New York no dia 10 de novembro de 1994. 

Com a morte de Carmen McRae, aos 74 anos, quinta-feira 10/11/1994, o jazz perdeu uma de suas cantoras mais originais. E uma de suas línguas mais afiadas. Há nove anos, um gaiato jornalista brasileiro cometeu a gafe de perguntar se ela se considerava uma "segunda Ella Fitzgerald". A resposta foi curta e fina: "Sou a primeira Carmen McRae". 

Não era exatamente uma frase de efeito. Influenciada de início por Billie Holiday, que conheceu em 1937 depois de vencer um concurso para amadores no mitológico Apollo Theatre, em Nova York, Carmen soube logo firmar sua personalidade musical. Sem jamais precisar imitar ninguém. 

Sua escola foi a mesma de outros grandes cantores e músicos de jazz: os shows em "night clubs" e as "jam sessions" de fim de noite. Durante os anos 40, fez vocais para as "big bands" de Benny Carter, Count Basie e Mercer Ellington, com quem gravou seus primeiros discos. Nessa época ainda usava o sobrenome do marido, o baterista Kenny Clarke, um dos criadores do "bebop". 

O sucesso só veio nos anos 50, quando seu estilo pessoal começou a chamar a atenção da crítica. Dona de uma voz potente e de timbre metálico, com uma dicção precisa que realça as letras das canções, seu know-how de pianista contribuiu para a riqueza harmônica de seus improvisos. 

Exemplos perfeitos de todos esses recursos musicais estão no CD "Carmen Sings Monk" (Novus/ BMG, 1990). Verdadeira obra-prima, traz as originais versões da cantora para 13 composições do genial Thelonius Monk. Uma explosiva reunião de gigantes. 

Aliás, gigantes em vários instrumentos não faltam aos melhores discos de Carmen. O trompetista Dizzy Gillespie (em "At the Great American Music Hall", selo Blue Note), o guitarrista Joe Pass (em "The Great American Songbook", Atlantic/Warner) e os pianistas George Shearing ("Two for the Road", Concord Jazz) e Shirley Horn ("Sarah - Dedicated to You", Novus/BMG) são apenas alguns deles. 

Exigente ao extremo em termos musicais, acabou construindo uma imagem de autoritária, arrogante e antipática. Uma fama compreensível, para quem não aguentava o show terminar antes de acusar um erro, mesmo pequeno, de alguns de seus músicos: desancava o infeliz na frente do público. 

Já a música brasileira não pode reclamar dessa aparente antipatia. Depois de ser presenteada pela cantora Lena Horne com um disco de Dorival Caymmi, Carmen se apaixonou pela MPB. Era amiga de Leny Andrade e fã de Djavan, compositor que passou a integrar seu repertório. "Os brasileiros são loucos, mas eu os amo", dizia. 

Desbocada, às vezes até de modo agressivo, Carmen não tinha receio de criticar modismos do mercado. Ou mesmo chamar de impostores cantores pop que tentam posar de jazzistas, como Harry Connick e Anita Baker. "Não há um meio-termo. É jazz ou não é", alfinetava. 

"Um cantor de jazz é como um músico de jazz. Tem tudo a ver com improviso. É alguma coisa que você tem no seu coração", disse ela em sua última entrevista à revista norte-americana "Down Beat", em junho de 1991, quando seu estado de saúde já a forçava a pensar em desistir da carreira. 

Naquele mesmo ano, escalada para o Free Jazz Festival, ela foi substituída às pressas pelo trompetista Wynton Marsalis, por causa de uma crise de asma. Mas essa troca, todos sabiam, foi só para remendar o programa. Uma Carmen McRae não tem substituto.




Bittersweet (1964)

01. When Sunny Gets Blue (3:51)
02. How Did He Look (3:08)
03. Guess I'll Hang My Tears Out To Dry (3:36)
04. The Meaning Of The Blues (2:50)
05. If You Could Love Me (2:09)
06. Spring Can Really Hang You Up The Most (6:22)
07. Second Chance (3:38)
08. If You Could See Me Now (2:53)
09. Here's That Rainy Day (2:44)
10. I'm Gonna Laugh You Right Out Of My Life (3:23)
11. Ghost Of Yesterday (3:09)
12. I'm Lost (2:53)
13. Come Sunday (2:41)




A OBRA DE AMÁLIA RODRIGUES

 

MINHA COIMBRA, COIMBRA MINHA


IPLAY - IPV 1527 2 - 2010

Coimbra (Alberto Ribeiro) - Fado Hilário (Amália Rodrigues) - No Penedo Da Saudade (Américo Lima) - Samaritana (Ângelo Fernandes) - Fado Do Mondego (Augusto Camach0) - Sonhar Contigo Ó Coimbra (Fernando Rolim) - Santa Clara (Dr. Alexandre Herculano) - Coimbra Dos Meus Amores (António Madeira) - Noites De Coimbra (João Bagão) - Homem Só Meu Irmão (Luiz Goes) - Canção Do Mar (José Afonso) - Avril Au Portugal (Luiz Piçarra) - É Preciso Acreditar (Luiz Goes) - Murmúrios Do Mondego (Domingos Camarinha) - O Meu Menino (Ângelo Fernandes) - Trova Do Vento Que Passa (Amália Rodrigues) - Adeus Coimbra (Américo Lima) - Toada Do Penedo Da Saudade (Augusto Camacho) - Balada Da Despedida (Fernando Rolim) - Balada De Coimbra (Carlos Paredes)

Brada aos céus uma colectânea como esta, que nem o facto de ter sido coordenada pelo meu amigo João Afonso acalma a minha ira!

Como é possível incluir neste CD nomes como Amália Rodrigues, Américo Lima, Ângelo Fernandes, António Madeira, Luiz Piçarra e outros?!



MURAL AMÁLIA


Travessa de Santo Antão, Lisboa.

JARDIM AMÁLIA RODRIGUES


Ao cimo do Parque Eduardo VII, em Lisboa.

FUNDAÇÃO AMÁLIA RODRIGUES


Rua de São Bento, 193, Lisboa.

AMÁLIA THE BEAUTIFUL


COLUMBIA - SLEG 5025 - edição portuguesa (s/data)

Uma Casa portuguesa - Coimbra - Solidão (Canção do Mar) - Barco negro (Mãe Preta9



Os momentos nota 10 da banda Placebo

 

Os momentos nota 10 da banda Placebo

Criada em 1994 pelo vocalista e guitarrista belga Brian Molko e pelo guitarrista e baixista sueco Stefan Olsdal, a banda Placebo é considerada um dos maiores expoentes da atualidade dentro do rock alternativo, junto com Pixies, The Smashing Pumpkins, The Killers etc.


Logo após a banda ser formada, o baterista sueco Robert Schultzberg completou o trio, porém foi demitido em 1996, depois de lançamento e divulgação do primeiro álbum por divergências musicais, sendo substituído pelo britânico Steve Hewitt, que gravou os quatro discos seguintes. O americano Steve Forrest gravou os dois últimos.

O rock alternativo nasceu com bandas abertas a tantas possibilidades musicais, como o Sonic Youth, que não se enquadram em nenhum estilo preestabelecido. Concebidas com criatividade e visceralidade, “Drowning by Numbers” e “Slackerbitch” (1996) foram incluídas como bônus tracks do primeiro álbum em algumas edições.

Placebo lançou ao todo sete álbuns: “Placebo”(1996), “Without You I’m Nothing” (1998), “Black Market Music”(2000), “Sleeping With Ghosts”(2003), “Meds”, “Battle for the Sun”(2009) e “Loud Like Love”(2013). O single “Bruise Pristine” (1995) foi o primeiro lançamento. Aqui, a versão da música regravada em 1996:

Erroneamente tida como britânica, trata-se na verdade de uma banda de rock alternativo multinacional que foi formada em Londres, na Inglaterra, por dois caras que se conheceram em Luxemburgo e cujo nome original era Ashtray Heart, trocado para Placebo um ano antes das gravações do homônimo álbum de estreia.

O segundo CD “Without You I’m Nothing” foi aclamado pela crítica e pelos fãs e é um dos melhores e mais representativos álbuns dentre todos já lançados por bandas alternativas. O hit “Every You Every Me”tocou nas rádios de quase todo o planeta e entrou na trilha sonora do igualmente marcante filme “Segundas Intenções”:


Muita coisa mudou desde que o rock and roll surgiu na década de 50 em 3 acordes ritmados por Chuck Berry, Little Richard e cia, no entanto a rebeldia e a provocação continuam sendo parte necessária deste gênero musical. Este vídeo da música “Pure Morning”, incluída também no segundo CD, de 1998, é bem ousado e surpreendente:

Lançado em 2000, “Black Market Music” é considerado um bom álbum e foi bem recebido pela crítica especializada, apesar da inevitáveis comparações com os anteriores. A canção “Without You I’m Nothing” foi incluída como bônus em algumas edições e conta com a participação camaleônica de David Bowie:


Em março de 2003, o CD “Sleeping with Ghosts” chegava às melhores lojas trazendo belos temas que falavam de tristeza e desilusão, possivelmente por causa da vida cheia de excessos levada pelo vocalista; ele confessaria ter experimentado todas as drogas. Algumas edições trouxeram bons covers de bônus, como este do The Smiths:


“Soulmates” (2003) também é outra de suas poéticas, existencialistas e rebeldes canções, cuja letra critica governos e aborda a vida eterna muito além de religiões. Aqui tem uma versão espetacular gravada ao vivo durante o festival Rock Am Ring na Alemanha, em 2009, com destaque para a voz de Brian e para o baixo de Stefan:

Não se esqueça de ouvir “Meds”

O álbum “Meds”(2006) consolidou ainda mais o Placebo como um dos mais consistentes grupos de rock internacionais da atualidade. Não é o caso de falar de virtuosismo e compará-lo com Led Zeppelin, Yes ou Pink Floyd, mas quantas são as bandas alternativas que possuem um repertório tão bom? Confira “One of a Kind”:

Este quinto trabalho dos dois bons guitarristas marcou a estreia do baterista Steve Forrest e contou ainda com dezenas de músicos eruditos. Outro vídeo impactante e que dificilmente seria produzido para outras bandas de rock famosas desta vez emoldurou perfeitamente a hipnotizante “Song to Say Goodbye”:


A letra da canção título do sexto álbum, “Battle for the Sun”(2009), diz: “I will battle for the sun” (“eu irei batalhar pelo sol”), mas parece dizer “I will battle for the son” (“eu irei batalhar pelo filho”). O papai Brian que dizia ter 20 e poucos anos mentalmente começou a abandonar os excessos e a pensar de forma mais madura.

“Eu tenho que encontrar um caminho do meio, uma maneira melhor de levar a vida”, diz a letra de “Bright Lights”, dando a entender que o vocalista já não dava mais tanta importância à tríade, sexo, drogas e rock and roll, e passava a buscar o famoso equilíbrio das paixões pregado por grandes sábios, como Buda e Aristóteles.

O nascimento do filho de Molko impactou fortemente a vida do vocalista, e suas composições passaram a refletir menos paranóias existenciais do ego de um rock star e mais preocupações com o mundo que deixaremos para a próxima geração: “Nós podemos construir um novo amanhã hoje”, diz em “Speak in Tongues”:

“Loud Like Love” (2013) é um dos melhores trabalhos do Placebo, embora parte da crítica tenha torcido o nariz naquele ano. Abaixo, você vai se emocionar com uma das mais extraordinárias versões da linda “Exit Wounds”, que viaja por errôneas porém sentimentalmente sinceras alternativas trágicas para uma desilusão amorosa.


A ótima “Purify”também está presente no subestimado álbum “Loud Like Love” e conta com outro video pra lá de polêmico envolvendo religião e sexualidade, contudo esta versão com os caras mostrando serviço tocando de verdade e suando a camisa (a camiseta e a regata também) é insuperável, não concorda?

“Scene of the Crime” está no mesmo álbum de 2013:

Outra bonita canção de “Loud Like Love” é “A Million Little Pieces”:









Desde o início, o rock tem em sua essência a defesa da liberdade: “Eu não sou comunista: tenho inclinações socialistas, mas não acredito que o comunismo funcione, numa versão puramente marxista, porque baseia-se na ideia de que todas as pessoas são boas, e eu não acredito que seja assim”, esclareceu Molko.

“Eu cresci ouvindo música de protesto, Bob Dylan. Quando era adolescente, aquela rebelião foi muito importante para mim. É boa a ideia do Placebo ter ultrapassado toda a sexualidade, a maquilhagem e isso tudo, para agora fazer canção de protesto. É uma canção anti-autoritária, anti-governo”, disse Brian.

“Trigger Happy Hands” pode ser um marco e espelhar mudança significativa de paradigma na direção musical do Placebo: em vez de abuso de drogas, rebeldia sem causa, autodestruição e suicídio, temas lamentavelmente interessantes para jovens do século 21, a ideia de canalizar a raiva contra políticos e a guerra.

A banda Placebo passou a refletir temas mais maduros nas letras após o nascimento do filho de Brian Molko
Brian Molko. Imagem: Facebook/Placebo


Bandas Raras de um só Disco

                                      Crazy Mabel (1971)


Banda britânica que lançou seu único álbum em 1971, na Holanda e na Alemanha.

Seu único álbum gravado ao vivo num programa alemão, traz uma mistura de Blues Rock e Jazz Rock, e demonstra a qualidade de seus músicos. Geoff Leigh ainda integraria a banda Henry Cow. 


Integrantes.

Alan Spriggs (Vocal)
Bryn Collinisn (Saxofone)
Tom Parker (Piano)
Geoff Leigh (Saxofone e Flauta)
Mick Connel (Guitarra)
Jim Sullivan (Baixo)
Les Cirkle (Bateria)
 
 
01. Intro Talking Crazy Mabel (3:20)
02. Keep On Rolling' (3:40)
03. Driving Song (3:58)
04. Beat Goes On (6:40)
05. Rag And Bone an (4:55)
06. It's Alright Ma (4:51)
07. You've Never Had It (4:39)
08. Sleepy Feeling (4:27)
09. Tea Time (3:57)
10. Splitting (4:48)
 




Resenha: Blue Mammoth – Blue Mammoth



Disco: Blue Mammoth
Ano: 2011
Selo: Masque Records
Tipo: Estúdio

Faixas:
Blue Mammoth
1. I: Overture – The Awakening Of A Giant – 3’15
2. II: The King Of Power – 6’30
3. III: Winter Winds – 4’23
4. IV: Coda – Back Again – 1’28
5. Metamorphosis – 5’32
Rain Of Change – A Poet Spirit Voyage
6. I: Growin’ – 8’08
7. II: Who We Are – 5’21
8. III: The Sun’s Face Through Dark Clouds – 3’50
9. The Same Old Sad Tale – 5’20
Quixote’s Dream
10. I: Farewell My Lady – 1’19
11. II: Hero – 6’58
12. III: Solitude – The Sad End Of A Dreamer – 0’53
13. Resurrection Day – 5’32
14. Infinite Strangers – 5’09

Formação:
André Micheli – voz e teclados
André Lupac – guitarras e flauta
Julian Quilodran – baixo/violoncelo e flauta
Thiago Meyer – bateria  e percussão

Ouça:

Resenhas:
Inicialmente como um projeto de estúdio dos músicos Julian Quilodran e Andre Micheli, após algumas trocas de formação, em 2009 oficialmente é formado o Blue Mammoth, uma banda que tem como objetivo unir timbres setentistas de guitarras com arranjos sinfônicos e orquestrais, caminhando cuidadosamente entre o Hard Rock e o Rock Progressivo daquela época, mas com uma atenção especial a soar atual.

O debut auto-intitulado foi lançado agora em 2011 pela gravadora brasileira Masque Records, e, com o perdão do trocadilho, é o despertar de mais um gigante do Prog Rock nacional.

‘Overture – The Awakening Of A Giant’ é a introdução de uma epopéia pra progger nenhum botar defeito: sintetizadores criando uma forte melodia com a música crescendo aos poucos. Ou seja, imediatamente ela te transporta para os anos 70, onde você acabou de pegar esse LP e colocou pra tocar. A produção, com as linhas de baixo bem a frente já são um destaque absoluto e dão uma cara de velharia ainda melhor para a vibe criada. ‘The King Of Power’, o carro chefe já traz latentes influências do Yes clássico e, possivelmente vocês acharão a voz um tanto quanto familiar, já que lembra, em muito o timbre de Blaze Bayley, principalmente no álbum The X-Factor (1995). Evidentemente que não temos nada de Heavy Metal aqui, é Rock Progressivo na sua forma mais pura e elegante, com várias mudanças de andamento e passagens grandiosas. No mesmo pé, ‘Winter Winds’ vem com um ritmo mais cadenciado e apostando no lado melódico (quase uma balada), enquanto a virtuosa ‘Coda – Back Again’ faz a ponte com ‘Metamorphosis’, facilmente um dos grandes destaques do disco, principalmente pelo trabalho das guitarras. Interessante notar que essa música por si só é uma ligação entre os conceitos abordados aqui, pois a suíte ‘Rain Of Changes – A Poet Spirit Voyage’ em seguida compreende ‘Growin’’, ‘Who We Are’ e ‘The Sun’s Face Through Dark Clouds’, totalizando aproximadamente 17 minutos de belíssimas passagens, linhas de piano contemplativas, solos melódicos (nada de exibicionismo) e uma evolução natural que deixa facilmente embabacado quem ouve.

Mais um elo, ‘The Same Old Sad Tale’ é mais uma belíssima balada que dá passagem a ‘Quixote’s Dream’, suíte que tem ‘Farewell My Lady’, ‘Hero’ e ‘Solitude – The Sad End Of A Dreamer’, músicas mais calcadas nas guitarras (seja com riffs, solos ou acústica), e soando diferente de ‘Rain Of Changes’, cujas passagens orquestrais/teclado/sintetizadores eram os personagens principais. E não acaba por aí, o disco ainda tem duas músicas “outsiders”, a bonita ‘Resurrection Day’ e a total e completamente setentista ‘Infinite Strangers’, encerrando um disco que significa muito mais do que um dos maiores destaques do ano.

O debut do Blue Mammoth é um trabalho incrível, mostrando que bandas novas de Progressivo surgem a cada dia com potenciais únicos, resgatando a sua maneira a influência de quatro décadas atrás e agregando ao seu som muitos elementos. E a melhor parte, é um álbum completamente produzido no Brasil e por músicos brasileiros, que pisoteia todos os reclamões e ignorantes que falam da falta de apoio ao cenário nacional, mas sequer procuram o trabalho que as próprias bandas daqui tem feito.


Destaque

THE CONTENTS ARE - Live Davenport, Iowa [US RAREST 1968 Hard Blues Acid Rock]

  AQUI TEMOS UMA GRAVAÇÃO AO VIVO NO "THE EAGLES LODGE DANCELAND, EM DAVENPORT, IOWA, EM 1968!! É UMA GRAVAÇÃO INÉDITA RETIRADA DAS MAS...