Kansas é uma das melhores bandas de rock progressivo dos EUA onde Robby Steinhardt se destaca pelo seu violino entre tantos grandes músicos como Steve Walsh nos teclados e Rich Williams nas guitarras. Seu primeiro álbum em 1974 obteve excelentes críticas e é reconhecido por muitos críticos como cult. Em 1976 editam " Loftoverture " um álbum que considero não só o melhor da banda, mas também o melhor da sinfónica progressiva nos EUA. No final dos anos 70 os seus trabalhos orientam-se para um som AOR mas sem deixando o progressivo.
Disc one
1."Song for America" (Livgren) – 7:29 2."Point of Know Return" (Walsh, Ehart, Steinhardt) – 3:07 3."Paradox" (Livgren, Walsh) – 4:09 4."Icarus--Borne on Wings of Steel" (Livgren) – 5:58 5."Portrait (He Knew)" (Livgren, Walsh) – 5:18 6."Carry On Wayward Son" (Livgren) – 4:38 7."Journey From Mariabronn" (Livgren, Walsh) – 8:55 8."Dust in the Wind" (featuring Richard Williams acoustic guitar solo) (Livgren) – 6:17 9."Lonely Wind" (featuring Kerry Livgren piano solo) (Walsh) – 4:29 10."Mysteries and Mayhem" (Livgren, Walsh) – 4:00 11."Excerpt from Lamplight Symphony" (Livgren) – 2:38 12."The Wall" (Livgren, Walsh) – 4:58 13."Magnum Opus" (Ehart, Hope, Livgren, Steinhardt, Walsh, Williams) – 11:14
Disc two
1."Hopelessly Human" (Livgren) - 8:42 2."Child Of Innocence" (Livgren) 7:47 3."Belexes" (Livgren) 4:34 4."Cheyenne Anthem" (Livgren) 6:55 5."Lonely Street" (Walsh, Ehart, Hope, Williams) 8:20 6."Miracles Out Of Nowhere" (Livgren) 7:59 7.Phil Ehart Drum Solo/"The Spider" (Ehart/Walsh) 7:41 8."Closet Chronicles" (Walsh, Livgren) 6:55 9."Down The Road (Walsh, Livgren) 3:44 10."Sparks Of The Tempest" (Walsh, Livgren) 5:19 11."Bringing It Back" (J.J. Cale) 7:07
King Crimson - Islands Remasterizado + Bonus 2010.
Hoje quero apresentar a vocês mais um álbum histórico do rock progressivo King Crimson "Islands" remasterizado... ou seja, com o melhor som que você pode encontrar até hoje e com faixas bônus!!!!
As características de experimentação, a contracultura estilística que define o KING CRIMSON como um dos grupos mais originais e influentes de todos os tempos é definida desde a primeira fase da banda onde encontramos entre outros "Ilhas".
01 – Formentera lady 02 – Sailor’s Tale 03 – The Letters 04 – Ladies Of The Road 05 – Prelude Song Of The Gulls 06 – Islands 07 – Islands (studio run through with oboe prominent) 08 – Formentera Lady (Take 2) 09 – Sailor’s Tale (Alternate mix) 10 – A Peacemaking Stint Unrolls (Previously unreleased) 11 – The Letters (Rehearsal outtake) 12 – Ladies Of The Road (Robert Fripp & David Singleton remix)
Minha resenha em relação a esse disco é daquelas que parecem ser feitas para causar algum tipo de discórdia em relação aos fãs mais ardorosos da banda que consideram seus dois primeiros discos, The Inner Mounting Flame e Birds of Fire como a maior expressão artísticas de McLaughlin e companhia, mas devo ser sincero, e apesar de amar seus primeiros discos, esse vai além.
Muitos descrevem a formação original da banda algo perto da perfeição e outros acham que depois da saída de Goodman, Gobham e Hammer a banda deveria ter mudado de nome. Respeito essas opiniões, mas respeitosamente eu também discordo de todas, pois acho Visions of the Emerald Beyond o melhor disco da banda.
Verdade seja dita que Jerry Goodman é um violinista brilhante, mas a adição de Jean-Luc Ponty com sua incrível formação clássica e seu estilo melódico adicionou algo que a banda exigia. Eles deixaram de ser principalmente uma banda de jazz que adiciona outros gêneros, para ser de fato uma música progressiva que mistura completamente jazz, rock e até música clássica de maneira delicada, menos frenética do que trabalhos anteriores, mas mantendo seu som bastante coerente.
Apesar da banda ter “sacrificado” o espírito jazzístico o preço que pagaram foi bastante justo, se tornando uma banda mais estruturada, sólida e melódica, algo mais fácil de ouvir por aqueles que admiram, mas não chegam a ser aficionados por fusion, deixando tudo fluir de maneira mais prazerosa e compreensiva. Se nos seus primeiros registros as habilidades são o que mais me impressiona, aqui de fato a música é o que me captura, a beleza mística combinada entre o jazz, rock e o clássico agora soa mais perto do sinfônico.
É um tipo de álbum que comove do começo ao fim, mas acho que sempre vale a pena ressaltar uns destaques quando não vejo a necessidade de falar faixa por faixa. “Eternity Breath Part I and II” abrem o disco com dois lados de uma mesma moeda, a força da guitarra de McLaughlin junta-se ao sentido melódico de Ponty em um ponto intermediários pra ambos os músicos, cada um tocando seu próprio estilo, mas o segundo tornando-o mais suave, em uma cadencia sutil e estruturada, simplesmente fantástico, tudo acrescentado de uns cantos misteriosos.
" Can't Stand Your Funk " é uma canção deliciosa de ponta a ponta, o elemento funk os colocam em um território até então inexplorado pela banda, mas isso não significa que eles esquecem suas raízes. Eles encontraram o equilíbrio perfeito com a brilhante participação de Michael Walden, que até pode fazer os fãs mais ávidos sentirem saudade, mas não falta de Cobham. "Pastoral" é a confirmação de que estamos diante de uma banda diferente, Ponty executa um solo de tirar o fôlego em que os elementos do clássico e do jazz combinam como se ambos os gêneros fossem criados para fundir em algum momento, a musicalidade e a melodia forte são a marca registrada dessa fase da banda.
“Faith” é uma daquelas curtas músicas que desejamos que tivessem terem sido um épico, mesmo quando a banda adiciona tudo que eles têm eu seu repertório a música é completamente estruturada e coerente, sem abuso de interferência. "Earth Ship" traz uma melodia incrivelmente bela com Ponty, adicionando seu violino experimental e alguns cânticos na veia de Magma, outra contribuição mística.
Apesar de citar apenas algumas, jamais pensem que as demais faixas não possuem o mesmo valor, pois esse disco é fundamental do primeiro ao último segundo, da primeira a última nota. O conjunto geral de sentimentos misturados com a improvisação é surpreendente e edificante, deixando o ouvinte em um estado de êxtase. Indispensável.
Track Listing
1.Eternity's Breath Part 1 - 3:10 2.Eternity's Breath Part 2 - 4:48 3.Lila's Dance - 5:34 4.Can't Stand Your Funk - 2:09 5.Pastoral - 3:41 6.Faith - 2:00 7.Cosmic Strut - 3:28 8.If I Could See - 1:18 9.Be Happy - 3:31 10.Earth Ship - 3:42 11.Pegasus -1:48 12.Opus 1 - 0:15 13.On The Way Home To Earth - 4:34
Lembro-me também do receio com a saída do mestre Dickinson. Várias notícias foram divulgadas anunciando o início de sua carreira solo e sua consequente saída do Maiden. Quem o substituiria? Quem poderia fazer frente a tão imenso legado construído ao longo de dez anos como frontman da maior banda de heavy metal de todos os tempos? A dúvida pairava no ar e o coração dos fãs se apertava a cada lembrança de que isso realmente aconteceria; foram tempos difíceis que somente os verdadeiros fãs puderam suportar…
Iron Maiden em 1992: Dave Muray, Steve Harris, Bruce Dickinson, Nicko McBrain e Janick Gers
Pairava no ar um clima de fim de festa: somadas à saída de Dickinson notícias da saída de Halford do Judas Priest em nada ajudavam a cena do heavy metal. Seria o fim? Teríamos de nos render as bandas de Seattle (EUA) que despontavam na cena mundial? Não gosto muito de lembrar desses fatos e prefiro ficar com as lembranças da viagem de formatura.
Fear of the Dark foi o primeiro álbum do Maiden a não ter uma capa desenhada por Derek Riggs: a banda preferiu o trabalho de Melvin Grant, que desenhou um aterrorizante Eddie-árvore. Particularmente achei o trabalho muito bom e completamente relacionado ao tema do disco.
A princípio, a música de maior sucesso foi “Be Quick or Be Dead”, que de forma rápida e avassaladora falava sobre as consequências de alguns escândalos financeiros que ocorriam à época. O primeiro single do álbum, lançado um mês antes, continha essa música e uma versão de “Nodding Donkey Blues”, além de uma faixa chamada “Bayswater Ain’t a Bad Place to Be” e a regravação de “Space Station #5”, do Montrose. O single chegou ao topo das paradas na Inglaterra, ganhou versão em videoclipe e não parava de tocar na MTV (inclusive na brasileira).
O single para “Be Quick or Be Dead”
Posteriormente outras músicas do álbum passaram a ser exploradas: “Wasting Love”, a única “balada” do Maiden, fez muito sucesso nas rádios e também ganhou um videoclipe. Apesar de não ter agradado muito aos fãs, a música não deixa a desejar, mantendo a atmosfera soturna da banda e contando a história de um homem que se entrega ao amor sem limites.
“From Here to Eternity” é uma canção que conta mais um capítulo da história de Charlotte the Harlot. Dessa vez, a periguete Charlotte parte para uma jornada com o demônio em sua poderosa motocicleta. A faixa também ganhou um videoclipe e foi bastante executada nas rádios.
“Fear of the Dark”, música-tema do disco, se transformou talvez em uma das mais populares canções do Maiden, graças ao desempenho inigualável de Bruce Dickinson nos shows. Um clássico que conseguiu atrair toda uma nova legião de fãs para a banda e que até hoje é tocada nas rádios sem nenhum pudor. Para o ouvinte neófito, que nunca conheceu Powerslave (1984) por exemplo, trata-se de uma excelente maneira de começar ouvindo o Maiden.
A turnê para Fear of The Dark passou pelo Brasil: em 31 de julho de 1992 o Maiden tocou no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Já em 1º de agosto aconteceu o lendário show no Parque Antárctica, em São Paulo. Tocando para fãs desesperados em ver as últimas apresentações do mestre Dickinson, o Iron Maiden colocou o estádio abaixo e apresentou todos os merecidos clássicos que o público precisava ouvir. Logo depois, em 4 de agosto, a banda se apresentou no Gigantinho, em Porto Alegre.
Live at Donington em sua versão original
Na sequência da turnê, em 22 de agosto, foi gravado o famoso show Live at Donington, em Castle Donington, na Inglaterra, e que gerou um vinil (triplo!) que soou como a despedida do Mestre…
Com doze músicas, e tido por muitos como um dos mais comerciais álbuns do Maiden, Fear of the Dark teve êxito. Lançou clássicos, agradou o público em geral, mas deixou um gostinho de quero mais para quem estava acostumado a ouvir obras da monta de Powerslave e Somewhere in Time (1986). Seria um prenúncio das mudanças que estavam por vir e dos tempos difíceis que estavam por chegar? Mal sabiam os fãs daquilo que os aguardavam nos próximos anos…
Em 1978 os Kiss já eram uma banda de muito sucesso com seis ótimos discos de estúdio, a saber Kiss, Hotter Than Hell, Dressed to Kill, Destroyer, Rock And Roll Over e Love Gun, além de outros dois gravados ao vivo, sendo que o primeiro deles, Alive! (1975), foi o responsável direto pelo enorme sucesso dos americanos. Para muitas bandas esses são números de anos e anos de carreira, entretanto isso tudo foi atingido em apenas quatro anos. Quem conhece a história do Kiss sabe que nessa época eles estavam extrapolando os limites do rock and roll, tornando-se heróis de histórias em quadrinhos e fazendo sucesso até com as crianças que usavam os mais variados artigos de merchandising dos mascarados.
Nesse ponto aproveito o espaço para fugir um pouco do assunto e comentar algo que sempre me intrigou: o fato de parecer que as coisas aconteciam muito mais rápido nas décadas de 70 e 80 do que atualmente. Procurem ler as histórias das bandas dessa época e talvez todos tenham a mesma impressão. As histórias e acontecimentos narrados durante esse período são inúmeros, muito diferente dos dias de hoje em que as bandas parecem que vivem em marcha lenta. Para corroborar essa teoria cito a própria história do Kiss que em apenas quatro anos tiveram tempo para ralar muito, ficarem super famosos e até começar as brigas internas.
Mas voltando ao assunto principal desse texto. Como todos sabem, o sucesso é algo que pode afetar a cabeça daqueles mais susceptíveis. Os problemas com drogas e egos infladíssimos começaram a afetar o relacionamento interno da banda. O Kiss sempre teve seus líderes muito bem definidos, Gene Simmons e Paul Stanley, mas a abertura, mesmo que limitada, que todos tinham para se destacar, inclusive cantando algumas músicas, incentivava as disputas internas já que todos queriam sempre um pouco mais de evidência. Todo mundo compunha suas canções e tendo quatro compositores em um mesmo grupo é de se imaginar que o número de composições excedia os limites que poderiam entrar em um álbum. Além de que alguns não eram lá grandes compositores e muito do que produziam não tinha qualidade suficiente para brigar com as produções dos outros componentes.
Essa situação estava gerando um clima insuportável no relacionamento entre os integrantes. Paul Stanley e Gene Simmons tinham maior número de canções nos álbuns e Peter Criss e Ace Frehley estavam descontentes. Esse tipo de situação já fez com que muitas e muitas bandas tivessem baixas em seus line up, sendo que a alternativa natural encontrada por muitos para ter liberdade para gravar suas músicas é muito conhecida de todos: as carreiras solo.
Só que Gene Simmons e Paul Stanley, conhecidos estrategistas, sabiam que o grupo e sobretudo a imagem dele como um todo precisava de Ace e Peter. A solução encontrada por eles foi de que cada um teria a liberdade de gravar um disco solo, porém eles sairiam com capas parecidas, cada um dedicaria o seu álbum aos outros três e, principalmente, estariam sob o nome da banda. Esse último detalhe escapa da percepção de muitos e é uma sacada de gênio, afinal os fãs eram praticamente obrigados a comprar todos os quatro discos. Ou seja, a arrecadação que teriam em um eventual novo disco foi multiplicada por quatro. O sucesso de um disco em especial seria colhido não só pelo autor do álbum, mas seria também relacionado à banda. Por outro lado um eventual fracasso seria diluído e amortecido pelo nome de prestigio que o Kiss já possuía. Além de que esses discos solos acabariam servindo para dissipar um pouco a animosidade que havia entre os componentes já que passar um tempo longe um do outro poderia curar algumas feridas.
Mesmo com algumas amarras todos tiveram liberdade para fazer o que quiseram e com músicos de suas preferências. Alguns preferiram trabalhar com diversos músicos convidados e muita gente conhecida, e até importante para a própria história do Kiss nos anos posteriores, acabou participando desses álbuns. Para combinar com a megalomania típica de Gene Simmons, ele acabou convidando uma legião de pessoas para participarem do álbum, enquanto Ace Frehley foi muito mais contido nesse quesito. Musicalmente o Kiss sempre se mostrou influenciado pelo glam rock e southern rock, mas esse último apareceu mais nesses álbuns. A seguir um breve comentário sobre cada um deles.
Gene Simmons
O baixista do Kiss não quis saber de tocar baixo em seu próprio disco solo. O posto ficou a cargo de Neil Jason. Muita gente conhecida participou do álbum como Joe Perry do Aerosmith, Bob Seger, Rick Nielsen do Cheap Trick e a namorada do linguarudo à época, Cher. O álbum de Gene é o que contém o maior número de músicas, onze ao todo. Uma delas foi parceria com outros músicos e outra é uma versão (meia-boca) de uma música da trilha sonora da adaptação de Pinóquio de Walt Disney, “When You Wish Upon a Star”. É também o mais “experimental” de todos os álbuns tendo diversos tipos de músicas juntas sem seguir um estilo definido. O single ficou a cargo de “Radioactive”, que é uma boa música com cara de que entraria em um disco do grupo, mas no meu entender a melhor do álbum é “See You Tonite”. Essa última entrou no disco acústico gravado pela MTV lá em 1994 e ficou ainda melhor, apesar de sem bem fiel, que a original. Outra que é bem legal e ficaria muito boa com o próprio Kiss é “See You in Your Dreams”. Algumas delas chegam a ser embaraçosas de tão ruim como “Tunnel of Love” e “Always Near You/Nowhere to Hide”. O álbum de Gene acabou sendo, pelo menos para mim, a maior decepção, pois apesar de ter algumas boas músicas a expectativa era maior por ter sido feito por um dos líderes da banda e por quem a gente sempre espera coisas boas.
Ace Frehley
Talvez quem mais aproveitou o fato de estar gravando um disco solo foi Ace. Tirando a bateria, que ficou nas mãos de Anton Fig, ele praticamente gravou todos os outros instrumentos. Fig acabou sendo utilizado nas sessões de gravação de alguns dos discos subseqüentes do próprio Kiss. O álbum de Ace acabou sendo a maior surpresa, é certamente o melhor álbum dos quatro e possui a música de maior sucesso entre todas as que foram gravadas: o single “New York Groove”. Por ironia essa música foi o único cover do álbum. É uma composição de Russ Ballard que já havia sido gravada por uma banda britânica chamada Hello. “Rip It Out” é tão boa ou melhor que o single escolhido e facilmente entraria em um álbum do Kiss. Outra que tem a cara de uma canção do Kiss é “Speedin’ Back to my Baby”. Paul Stanley disse que no início do processo de gravação ele temia que Ace não fosse capaz de fazer um álbum completo, muito provavelmente por conta das drogas. Acho que ele quebrou a cara.
Peter Criss
Se Paul achava que Ace não era capaz de fazer um álbum completo sozinho, no fim das contas quem precisou de ajuda foi Peter. É só lembrar que de todos eles, o baterista é o que menos tem material dentro dos discos do Kiss. E isso se refletiu em seu disco. Das dez músicas do álbum ele gravou, ou regravou, quatro músicas que não são de sua autoria e nenhuma delas foi composta somente por ele. Stan Penridge, Vini Poncia e Sean Delaney, músicos que sempre ajudaram o Kiss, tiveram bastante trabalho nesse álbum. Um detalhe muito importante é que metade das músicas que entraram no disco são baladas, em uma evidente tentativa de repetir o sucesso que Peter conseguiu com “Beth”, do álbum Destroyer de 1976. Na intenção de transmitir sentimento essas canções acabam soando um pouco forçadas. Não consigo identificar nenhum destaque evidente entre as músicas, talvez somente “You Matter to Me”, um dos singles, e “I Can’t Stop the Rain” têm um pouco mais de evidência. Foi o único que álbum que acabou tendo dois singles e muito provavelmente o segundo foi lançado para tentar diminuir o fracasso do primeiro, que foi “Don’t You Let Me Down”.
Paul Stanley
O álbum de Paul era o que mais tinha tudo para dar certo. Afinal Stanley é de longe o melhor compositor da banda e o mais centrado também. Enquanto Gene estava pensando em uma possível carreira cinematográfica, Paul Stanley nunca deixou de pensar apenas em música. O seu disco só não é o melhor de todos porque, como foi dito antes, Ace Frehley surpreendeu todo mundo. Paul Stanley gravou nove canções sendo que apenas três delas não foram compostas apenas por ele. Ou seja, enquanto todos os outros acabaram incluindo versões de outros compositores, Paul resolveu não fazer isso e boa parte seria muito bem vinda em um disco do Kiss. O single escolhido foi a melosa e bonitinha “Hold Me, Touch Me (Think of Me When We’re Apart)”, mas novamente acho que se fosse escolhida outra a recepção seria melhor. E nesse caso eu escolheria “Move On”.
A comparação entre os discos foi algo inevitável a ainda continua assim. Se você ler ou assistir alguma entrevista com os quatro sobre o assunto teremos opiniões totalmente diferentes entre eles mesmos. A única opinião que é unânime é a de que Ace surpreendeu, mas podem notar que todos falam que seus respectivos discos foram os que mais venderam (modéstia nunca foi o forte dos integrantes do Kiss mesmo). Mas sobre essa questão podemos ser mais específicos. A seguir vou apontar algumas posições de rankings importante para a música para que cada um tire suas próprias conclusões.
Na Billboard os discos alcançaram as seguintes posições: Gene Simmons (22º), Ace Frehley (26º), Paul Stanley (40º) e Peter Criss (43º). Os singles tirados desses discos, que foram limitados a apenas um por álbum, exceto para o do Peter, tiveram as seguintes posições: do Ace, “New York Groove” (13º); de Paul, “Hold Me, Touch Me (Think of Me When We’re Apart)” (46º); de Gene, “Radioactive” (47º) e, de Peter, apesar de ter dois singles, nenhum deles conseguiu ficar entre os 100 primeiros do chart da Billboard.
A revista Rolling Stone e o site All Music possuem classificação baseada em estrelas para avaliar os álbuns. Esses comparativos em especial são muito interessantes, pois são atuais e ajudam a entender como esses discos envelheceram durante todos esses anos. Na Rolling Stone as notas em geral são baixas sendo que os discos de Peter Criss e Paul Stanley receberam apenas uma estrela, enquanto o de Ace Frehley recebeu duas e o de Gene Simmons duas e meia. O All Music já é um pouco mais generoso dando duas estrelas para Paul e Peter, três para Gene e quatro para Ace. Todos esses dados mostram que as opiniões não conseguem ser unânimes exceto pelo fato de que no geral o disco de Peter Criss não agradou muito.
A seguir vou colocar algumas frases interessantes ditas pelos quatro sobre esses discos. Essa frases foram tiradas do livro Kiss: Por Trás da Mácara – A Biografia Oficial Autorizada, que é uma ótima leitura para os fãs do quarteto. Não estranhem que não transcreverei muitas frases de Peter Criss, isso acontece porque simplesmente não existem, ou foram deixadas de fora, e há comentários dele apenas sobre o seu próprio lançamento.
Sobre o Disco de Paul Stanley:
“Se eu pudesse daria seis estrelas. Acho que é um disco muito bom; as composições são ótimas.” (Paul Stanley)
“…o disco solo que mais gostei foi o de Ace. Eu prefiro quando Paul faz letras mais radicais, mas nele há muita coisa tipo “o amor é isso, o amor blá blá blá”. Quando Paul começa a ficar romântico eu desligo. Duas estrelas.” (Gene Simmons)
“Eu daria cinco estrelas à Paul. Achei o álbum solo dele o segundo melhor de todos”. (Ace Frehley)
Sobre o disco de Gene Simmons:
“Eu daria nota três à Gene.” (Ace Frehley)
“…à vezes Gene fica mais envolvido com a embalagem ou com a impressão de que algo cria do que realmente está ali. Esqueça a lista de trinta celebridades. Acho que ele ficou mais preocupado com a presentação em vez de compor suas melhores músicas. Eu daria três estrelas à Gene.” (Paul Stanley)
“Pessoas como Jonh Lennon, David Bowie, Jerry Lee Lewis concordaram em aparecer no disco. Ouvi que Paul McCartney estava interessado em aparecer. Quando ouço uma música de B. J. Thomas, eu curto. Ao mesmo tempo, eu gostava dos Monkees, do Deep Purple e do Crazy World of Arthur Brown. Se você gosta de Led Zeppelin, você não pode gostar de B. J. Thomas?” (Gene Simmons)
Sobre o disco de Ace Frehley:
“Eu daria nota cinco. Paul e Gene são parcialmente responsáveis por eu ter feito um disco tão bárbaro, porque, imediatamente após nos separarmos para fazer o disco, eles realmente deixaram implícito para mim que eu não daria conta do recado.” (Ace Frehley)
“Eu daria nota próxima a três para o álbum solo de Ace poruqe pelo menos ele é honesto. Quando ouvi “Rip It Out” pensei, ‘muito bem Ace’.” (Paul Stanley)
“Acho que ele nem conseguia distinguir o pé esquerdo do direito nauqela época. Ainda acho que ele vive um pouco fora da realidade. Três estrelas.” (Gene Simmons)
Sobre o disco de Peter Criss:
“Eu daria nota cinco, não por ser meu ou por eu ser egoísta, mas porque na verdade, eu trabalhei muito. Eu tinha acabado de ter um acidente de carro, todos os meus dedos estavam quebrados. Quebrei a costela, tive afundamento dos ossos do crânio. Tive que fazer uma plástica. Eu toquei todas as faixas muito bem, merecia tirar um A, mesmo com todas aquelas braçadeiras e esparadrapos.” (Peter Criss)
“Eu daria nota três para Peter.” (Ace Frehley)
“Acho que o disco de Peter resume bastante qual era o problema com a banda, afinal de contas. Não consigo achar nada do álbum. Não posso dar nenhuma estrela à ele.” (Paul Stanley)
“Zero. De todos os discos que fizemos sozinhos ou em grupo, acho que este mostrou que o cara que estava por trás dele não tinha a mínima noção do que fazer.” (Gene Simmons)
Como dito lá no início do texto, a idéia dos álbuns foi tentar curar algumas feridas e apaziguar ânimos entre os músicos, porém isso ajudou a manter a formação original apenas por mais um ano. Já que Peter Criss saiu no final de 1979. Ace ainda ficou até o lançamento de Creatures of the Night e logo saiu também.
Espero que vocês se interessem novamente em ouvir esses discos. Podem não ser clássicos como os álbuns do próprio Kiss, mas são registros importantíssimos de uma das maiores e mais amadas bandas de todos os tempos originados de uma atitude inédita na história da música.
O prolífico guitarrista, vocalista e produtor Joe Bonamassa, um dos principais nomes das seis cordas na atualidade, dá prosseguimento em sua discografia solo pouco mais de um ano após o lançamento do excelente “Royal Tea”. Desta vez, o músico apresenta ao ouvinte “Time Clocks”, décimo quinto álbum gravado em estúdio.
Produzido pelo parceiro de longa data Kevin Shirley, onipresente nos trabalhos de Bonamassa desde “You & Me”, álbum lançado no já distante ano de 2006, “Time Clocks” foi gravado em fevereiro de 2021 no Germano Studios, localizado na cidade de Nova Iorque. A produção do disco se revelou um inédito desafio na carreira dos participantes, pois devido às restrições impostas pela pandemia, Shirley não conseguiu viajar de sua casa na Austrália aos Estados Unidos. A solução encontrada foi produzir o trabalho remotamente, valendo-se de muitas horas de reuniões online e trocas de arquivos pela internet. Apesar da citada dificuldade, o resultado do trabalho é impecável.
Como sempre, o guitarrista foi acompanhado por excelentes músicos, marcam presença o baterista Anton Fig, o tecladista Lach Doley, o baixista Steve Mackey, o percussionista Bobby Summerfield, o tocador de didjeridu (instrumento musical de origem aborígene) Bunna Lawrie e as vocalistas de apoio Mahalia Barnes, Juanita Tippins e Prinnie Stevens. Outro detalhe que chama atenção é a bela arte da capa, feita pelo artista gráfico Hugh Syme, conhecido pelos trabalhos realizados para o Rush, Aerosmith, Dream Theater e outros.
A mixagem do álbum foi realizada com maestria pelo experiente engenheiro Bob Clearmountain (Bruce Springsteen, Tina Turner, Rolling Stones e David Bowie), utilizando a tecnologia Dolby Atmos, que confere uma sonoridade riquíssima em texturas.
“Time Clocks” não pode ser considerado um álbum conceitual, mas o assunto que permeia todas as dez faixas são reflexões sobre a passagem do tempo. No alto de seus quarenta e quatro anos de idade, mais de trinta dedicados a carreira (iniciada aos doze), Bonamassa tem muito a dizer.
A viagem sonora se inicia com “Pilgrimage”, uma faixa instrumental enxuta e cinematográfica que transborda um sentimento lúgubre que tomará conta de todo o disco. A faixa seguinte é “Notches”, uma composição feita com a colaboração do guitarrista e vocalista Charlie Starr (Blackberry Smoke), que traz um riff de guitarra memorável. Na sequência Bonamassa engata o blues “The Heart That Never Waits”, coescrito pelo velho parceiro James House.
As baladas estão muito bem representadas no álbum pelas intensas “Time Clocks” e “Mind’s Eye”. A primeira delas possui um ar épico que mistura country, blues e rock com maestria, a segunda, por sua vez, conta com um solo de guitarra repleto de feeling.
O blues rock mais tradicional também marca presença com “Questions and Answers” e “Hanging On A Loser”, essa última com uma vibe Allman Brothers.
Bonamassa expõe suas influências progressivas em “Curtain Call” (um rock grandioso repleto de passagens orquestradas) e “The Loyal Kind”, uma parceria com o guitarrista Bernie Marsden (ex-Whitesnake) que traz uma fração do DNA do Jethro Tull impregnado no riff introdutório de violão e flauta.
O álbum fecha com “Known Unknowns”, um rock suave com tempero gospel.
Joe Bonamassa é um artista que surpreende pela regularidade superior apresentada em cada trabalho em que põe as mãos, e “Time Clocks” é mais um exemplo cristalino dessa constatação. Além dos riffs e solos de guitarra executados com técnica refinada e intensidade, o guitarrista apresenta um apanhado de boas letras que refletem sobre a passagem do tempo. Eis aqui um candidatíssimo a figurar no topo das tradicionais listas de melhores do ano elaborada pelas publicações musicais.
O Gov’t Mule é uma banda americana que transita por variadas vertentes do rock e de outros gêneros musicais. Suas apresentações são marcadas por longas improvisações musicais, seguindo a escola de bandas como Grateful Dead e The Allman Brothers Band.
Atualmente o grupo é formado pelo guitarrista e vocalista Warren Haynes, (ex–Allman Brothers), por Matt Abts (bateria), Jorgen Carlsson (baixo) e Danny Louis (teclado, guitarra, trompete).
“Heavy Load Blues” é o primeiro da banda integralmente dedicado ao blues. O repertório apresenta uma mescla de canções originais e versões para clássicos de artistas como Tom Waits, Howlin’ Wolf, Elmore James, Junior Wells, Ann Peebles, “Bobby Blue” Bland e The Animals.
A produção ficou a cargo do experiente John Paterno e do próprio Warren Haynes. O álbum foi gravado ao vivo de maneira analógica e foram utilizados muitos instrumentos musicais e equipamentos vintage, resultando numa sonoridade crua e sem arestas aparadas digitalmente.
Gov’t Mule.
O tracklist é composto de 13 canções, sete delas regravações. O álbum abre com “Blues Before Sunrise”, música da lavra do bluesman Elmore James, cujos destaques são as linhas de guitarra slide. Já que estamos falando de versões, temos aqui uma excelente versão para “Snatch Back and Hold It”, extraída do repertório do gaitista Junior Wells, a faixa é intercalada por uma jam espontânea que demonstra toda a musicalidade pungente dos integrantes da banda.
Ainda nesta seara dos covers, merecem destaque “Ain’t No Love In The Heart Of The City”, balada soul composta por Bobby Bland; “Make It Rain”, um blues lisérgico de Tom Waits e a mastodôntica versão feita para “I Asked Her For Water (She Gave Me Gasoline)” de Chester Burnett, popularmente conhecido como Howlin’ Wolf.
Dentre o material original, brilham o delta blues “Heavy Load e as cortantes baladas “Hole In My Soul” e If Heartaches Were Nickels. “Love Is A Mean Old World”, por sua vez, remete ao blues garageiro praticado pelo saudoso R.L. Burnside nas espeluncas do Mississippi. “Wake Up Dead” tem um quê de Allman Brothers. O encerramento da experiência sonora fica por conta do country blues acústico “Black Horizon”.
Direto, orgânico e pesado em alguns momentos, “Heavy Load Blues” é mais um petardo na discografia do Gov’t Mule
FICHA TÉCNICA
Artista: Gov’t Mule
Álbum: Heavy Load Blues
Produtor: Warren Haynes e John Paterno
Data de lançamento: 12 de novembro de 2021.
Gravadora: Fantasy Records
Duração: 77m50s
Faixas:
01. Blues Before Sunrise (James/Josea)
02. Hole In My Soul (Haynes)
03. Wake Up Dead (Abts/Carlsson/Haynes/Schliftman)
04. Love Is A Mean Old World (Haynes/Huckaby/Sisk)
05. Snatch It Back and Hold It/Hold It Back (Ab.ts/Carlsson/Haynes/Schliftman/Wells)
06. Ain’t No Love In The Heart Of The City (Price/Walsh)
07. (Brother Bill) Last Clean Shirt (Leiber/Otis/Stoller)
08. Make It Rain (Brennan/Waits)
09. Heavy Load (Haynes)
10. Feel Like Breaking Up Somebody’s Home (Jackson Jr./Matthews)
11. If Heartaches Were Nickels (Haynes)
12. I Asked Her For Water (She Gave Me Gasoline) (Burnett)