quarta-feira, 15 de março de 2023

CRONICA - ROACHFORD | Roachford (1988)

ROACHFORD é a banda liderada desde 1987 pelo cantor/compositor britânico Andrew Roachford. Este, nascido em 1965 em Londres, deu os primeiros passos na música ainda adolescente desde que percorreu os clubes de Jazz aos 14 anos. Em 1987, ele montou ROACHFORD em torno de alguns músicos suficientemente competentes para apoiá-lo.

Em 1988, a situação se acalmou quando a Columbia assinou com a ROACHFORD para 7 álbuns. Nesse mesmo ano, ROACHFORD teve o privilégio de abrir para Terence TRENT D'ARBY, THE CHRISTIANS e gravou seu primeiro álbum sob a liderança do experiente Mike Vernon (desde meados dos anos 60, ele produziu notavelmente John MAYALL, SAVOY BROWN, TEN YEARS AFTER, FLEETWOOD MAC, FOCUS, CLIMAX BLUES BAND, DR.FEELGOOD…), Fayney (com, como bónus, a colaboração de Andrew Roachford). O álbum de estreia sem título de ROACHFORD foi lançado em 9 de setembro de 1988.

O primeiro álbum de ROACHFORD está musicalmente na encruzilhada entre Pop-Rock, Soul e Funk e mostra que Andrew Roachford tem um grão de voz que poderia ser colocado em algum lugar entre Billy OCEAN e Terence TRENT D'ARBY. A faixa mais conhecida deste álbum, e até mesmo do repertório do ROACHFORD como um todo, é "Cuddly Toy". Este é o hit do álbum. É verdade que esse hino funky do Pop-Rock é emocionante, contagiante e se as guitarras aparecem ao fundo nos versos, dominam claramente os debates no refrão, que é viciante, unificando pra caramba. Além do mais, Andrew Roachford é imperial nos vocais e a peça geralmente foi bem arranjada. 'Cuddly Toy', que não fez muito no início quando foi lançado em maio de 1988 (apenas 61º na Grã-Bretanha,

No entanto, seria injusto resumir este álbum a "Cuddly Toy", mesmo que o sucesso deste single tenha ofuscado os outros títulos. Outro título teve o seu pouco sucesso, é "Family Man", uma peça com uma conotação funky/Soul bastante bem conseguida a nível melódico ainda que o som da bateria esteja muito enraizado no seu tempo (é a única coisa em que haveria be to quibble), com um cantor apoiado por coros eficazes. Este título, que também surgiu em 1989 após ter falhado na primeira tentativa em 1988, ocupava o 25º lugar na Grã-Bretanha e o 18º na Irlanda na época. O 3º single, "Kathleen", é por outro lado uma música horrivelmente afinada com os tempos com esta bateria de papelão que salta aos ouvidos e estraga o todo, até porque tinha uma boa base melódica e, portanto, maneira de fazer algo excelente, especialmente em comparação com as qualidades vocais de Andrew Roachford. Quando se trata de Soul, há muito melhor e o lugar de 43º nas paradas britânicas é bem pago, se você me perguntar. O último single do álbum, "Find Me Another Love", é um mid-tempo na encruzilhada entre a modernidade da época (teclados, sons sintéticos, tambores de papelão também) e vertente raízes (guitarras de blues, a gaita) e o a renderização é agradável, mas não transcendente: as melodias soam bem, tornando este título aceitável, mesmo que o refrão pudesse ser melhorado, aperfeiçoado. há muito melhor e o 43º lugar nas paradas britânicas é bem pago, se você me perguntar. O último single do álbum, "Find Me Another Love", é um mid-tempo na encruzilhada entre a modernidade da época (teclados, sons sintéticos, tambores de papelão também) e vertente raízes (guitarras de blues, a gaita) e o a renderização é agradável, mas não transcendente: as melodias soam bem, tornando este título aceitável, mesmo que o refrão pudesse ser melhorado, aperfeiçoado. há muito melhor e o 43º lugar nas paradas britânicas é bem pago, se você me perguntar. O último single do álbum, "Find Me Another Love", é um mid-tempo na encruzilhada entre a modernidade da época (teclados, sons sintéticos, tambores de papelão também) e vertente raízes (guitarras de blues, a gaita) e o a renderização é agradável, mas não transcendente: as melodias soam bem, tornando este título aceitável, mesmo que o refrão pudesse ser melhorado, aperfeiçoado.

Além dos singles, existe outro título que alterna o bom e o menos bom; é "No Way", uma composição Pop-Rock em sintonia com os tempos, que é essencialmente digna do seu refrão retomado calorosamente em coros, apoiados em metais a condizer, mas cujos versos são bastante monótonos. Andrew Roachford e os músicos ao seu redor felizmente alcançaram vários títulos. Antes de mais, na mid-tempo "Give It Up", um título náutico entre o Soul e o Pop-Rock que se envolve em metais quentes, um rigoroso ritmo de metrónomo, um refrão cativante e em que o vocalista canta apenas sem fazer mais do que necessário, "Nobody But You", uma musiquinha quente que melhor sintetiza as várias influências desse grupo, é bem estruturada, com um bom refrão que acerta o alvo, em que o baixo é mais exuberante, as guitarras e o piano sobem a temperatura, assim como outras 2 composições bluesy Soul/Pop-Rock como "Beautiful Morning", tanto melódicas como rítmicas, com um refrão bem aparado, um cantor e coros em uníssono, e principalmente "Lying Again", que poderia ter feito um sucesso honroso graças a melodias bem encontradas e cativantes, guitarras quentes, um piano e uma gaita ragtime do mais belo efeito para alegrar o All. Já a balada do disco, "Since" está de olho no lado Soul e, cheia de sentimento, faz bastante sucesso graças a arranjos sutis, além do excelente trabalho vocal de Andrew Roachford que coloca seu coração nela. . melódico e rítmico, com um refrão bem trabalhado, um cantor e backing vocals em uníssono, e acima de tudo "Lying Again", que poderia ter feito um sucesso honroso graças a melodias bem fundamentadas e cativantes, guitarras quentes, um piano e uma gaita ragtime do mais belo efeito para iluminar tudo. Já a balada do disco, "Since" está de olho no lado Soul e, cheia de sentimento, faz bastante sucesso graças aos arranjos sutis, além do excelente trabalho vocal de Andrew Roachford que coloca seu coração nela. . melódico e rítmico, com um refrão bem trabalhado, um cantor e backing vocals em uníssono, e acima de tudo "Lying Again", que poderia ter feito um sucesso honroso graças a melodias bem fundamentadas e cativantes, guitarras quentes, um piano e uma gaita ragtime do mais belo efeito para iluminar tudo. Já a balada do disco, "Since" está de olho no lado Soul e, cheia de sentimento, faz bastante sucesso graças a arranjos sutis, além do excelente trabalho vocal de Andrew Roachford que coloca seu coração nela. .

Este primeiro álbum de estúdio do ROACHFORD é agradável, de boa qualidade. Mesmo que ele experimente uma queda no meio, mesmo que haja alguns tiques que não resistiram ao teste do tempo, várias composições se mantêm. E acima de tudo, este disco revelou um cantor de qualidade que, aliás, integra o MIKE + THE MECHANICS desde 2010 (o que prova o seu valor porque não é dado a qualquer um substituir Paul Carrack). O primeiro álbum do ROACHFORD foi um grande sucesso na Grã-Bretanha, já que ficou em 11º lugar no Top Album, foi certificado com ouro lá e até ficou em 109º lugar nos EUA. São resultados animadores para um primeiro álbum na época.

Tracklist:
1. Give It Up
2. Family Man
3. Cuddly Toy
4. Find Me Another Love
5. No Way
6. Kathleen
7. Beautiful Morning
8. Lying Again
9. Since
10. Nobody But You

Formação:
Andrew Roachford (vocais, teclados, sintetizadores de baixo)
Michael Brown (guitarra)
Hawi Gondwe (guitarra)
Paul Bruce (baixo)
Derrick Taylor (baixo)
Chris Taylor (bateria, percussão)
Mark Feltham (gaita)
Fayney (efeitos, percussão)

Marca : Colômbia

Produtores : Mike Vernon, Fayney e Andrew Roachford

CRONICA - THE SISTERS OF MERCY | Vision Thing (1990)

 

O segundo álbum do THE SISTERS OF MERCY,  Floodland , além de aclamado pela crítica quando foi lançado em 1987, foi um grande sucesso, ganhando ouro na Grã-Bretanha e na Alemanha. No entanto, Andrew Eldritch está mais uma vez reformulando a formação de sua banda, já que a baixista Patricia Morrison não faz mais parte da aventura. 2 guitarristas vêm reforçar o grupo: Andreas Bruhn e Tim Bricheno (ALL ABOUT EVE). Quanto à posição de baixista, agora é fornecida por Tony James, ex-GENERATION X e SIGUE SIGUE SPUTNIK (sim, não é uma referência, o segundo nomeado).

Para co-produzir o terceiro álbum de estúdio do THE SISTERS OF MERCY, Andrew Eldritch chama Jim Steinman, músico e compositor americano conhecido por ter colaborado com o MEAT LOAF, escreveu "Total Eclipse Of The Heart" para Bonnie TYLER em 1983. Maggie Reilly, conhecida por tendo colaborado com Mike OLDFIELD, também aparece como convidado no álbum, dando a resposta a Andrew Eldritch como cantor em 5 títulos. O terceiro álbum do THE SISTERS OF MERCY foi intitulado  Vision Thing  e foi finalmente lançado em 22 de outubro de 1990.

A associação entre Andrew Eldritch e Jim Steinman deu origem a "More", uma peça musical de mais de 8 minutos: esta peça começa suavemente, com arranjos de piano, orquestrações sinfónicas, uma atmosfera atmosférica, depois torna-se mais Rock com esta voz desencantada de Andrew Eldritch que, aliás, coloca alguns silêncios entre as suas linhas vocais e é acompanhado por alguns coros femininos. A peça vê uma aparente calma alternada com momentos mais nervosos, mais agressivos, termina com um piano finale tão calmo quanto desiludido e aparece como um casamento muito bem-sucedido entre o tradicional SISTERS OF MERCY e o teatral Rock à la MEAT LOAF/Jim STEINMAN. Diria ainda mais: "More" é um hino magistral, provavelmente um dos melhores títulos dos anos 90. 

Dito isto, "More" é uma peça um pouco à parte neste 3º álbum dos SISTERS OF MERCY porque eles deram uma guinada mais Classic-Rock, até mesmo Hard Rock. Deve-se dizer que seu líder Andrew Eldritch nunca escondeu sua inclinação por grupos como MOTÖRHEAD, SLADE, HAWKWIND, THE STOOGES... Nessa perspectiva, o título que abre o álbum "Vision Thing" deve ter chocado mais de um com seus riffs decididamente Hard Rock, seu lado enérgico, sua propensão a fazer você bater os pés, balançar a cabeça e, em menor medida, o solo de guitarra ao fundo, muito discreto (que mal dá para ouvir). Dito isso, o toque do SISTERS OF MERCY permanece com a voz de Andrew Eldritch, cujos vocais aqui são ora encantatórios, ora cavernosos. Mais ou menos na mesma linha, "Doctor Jeep" é sinalizada por um riff vertiginoso, inebriante que se repete em loop, contrabalançado por camadas de teclados atmosféricos, bem como a presença ocasional de Maggie Reilly. THE SISTERS OF MERCY é ainda mais cativante como evidenciado pelos mid-tempos "Detonation Boulevard", conotações mais pesadas de blues, reforçadas por um ritmo saltitante, personalizado pela voz de Andrew Eldritch (com a ajuda de Maggie Reilly novamente uma vez), e "When You Don't See Me", que faz a junção entre o clássico SISTERS OF MERCY e o melódico Rock dos anos 80, revelando-se cativante graças a um refrão muito típico do Arena-Rock, com espírito unificador e que, pensando bem, poderia ter foi um sucesso em 1988/89. Por outro lado, "Ribbons", outro mid-tempo, tende a se arrastar muito e é uma pena porque este título com sonoridade de Rock Atmosférico teve vantagens a seu favor no início: texturas de guitarras ora cruas, uivantes, ora mais sutis, sofisticadas, uma voz (assinada Andrew Eldritch) desiludida, ora arranhada que, a partir daí, foi copiada diversas vezes, mas nunca igualada, longe disso. 2 baladas, enfim, completam este 3º álbum de estúdio do SISTERS OF MERCY: "Something Fast", servida por violões e pela dupla de cantores Andrew Eldritch (com voz profunda, velada, pela primeira vez) / Maggie Reilly, desprende uma atmosfera tão sombrio quanto um dia chuvoso, e "I Was Wrong" é uma balada folk melancólica bastante sóbria e organizada, apoiada quando necessário por tambores nervosos e prova ser adequada, correta, mesmo que seja um pouco repetitiva no uso. às vezes esfolado que, posteriormente, foi copiado muitas vezes, mas nunca igualado, longe disso. 2 baladas, enfim, completam este 3º álbum de estúdio do SISTERS OF MERCY: "Something Fast", servida por violões e pela dupla de cantores Andrew Eldritch (com voz profunda, velada, pela primeira vez) / Maggie Reilly, desprende uma atmosfera tão sombrio quanto um dia chuvoso, e "I Was Wrong" é uma balada folk melancólica bastante sóbria e organizada, apoiada quando necessário por tambores nervosos e prova ser adequada, correta, mesmo que seja um pouco repetitiva no uso. às vezes esfolado que, posteriormente, foi copiado muitas vezes, mas nunca igualado, longe disso. 2 baladas, enfim, completam este 3º álbum de estúdio do SISTERS OF MERCY: "Something Fast", servida por violões e pela dupla de cantores Andrew Eldritch (com voz profunda, velada, pela primeira vez) / Maggie Reilly, desprende uma atmosfera tão sombrio quanto um dia chuvoso, e "I Was Wrong" é uma balada folk melancólica bastante sóbria e organizada, apoiada quando necessário por tambores nervosos e prova ser adequada, correta, mesmo que seja um pouco repetitiva no uso.

Considerando tudo, a virada do Hard Rock para o THE SISTERS OF MERCY foi bastante bem negociada e a voz cavernosa e sombria de Andrew Eldritch permitiu ao grupo preservar a base de sua identidade. No geral,  Vision Thing  é um álbum inspirado e a banda se mostrou confortável em seu registro escolhido, embora muitos fãs iniciais discordem. Este 3º álbum talvez não seja o melhor do grupo, mas tem recursos bastante convincentes para voltarmos a ele. Essa evolução de SISTERS OF MERCY lembra a de THE CULT entre  Love  (1985) e  Electric  (1987). Visão Coisa alcançou pontuações honrosas nas paradas da época: 11º na Grã-Bretanha (e disco de prata), 13º na Alemanha (e disco de ouro), 21º na Áustria, 22º na Suécia e Suíça, 38º na Nova Zelândia, 73º na Austrália, 136º nos Estados Unidos. É também o último álbum de estúdio do SISTERS OF MERCY (existem muitos rumores sobre um possível 4º álbum, mas as chances de vê-lo um dia sair são muito pequenas) e se as coisas tiverem que parar por aí, pelo menos o grupo de Andrew Eldritch terá terminado em alta.

Tracklist:
1. Vision Thing
2. Ribbons
3. Detonation Boulevard
4. Something Fast
5. When You Don't See Me
6. Doctor Jeep
7. More
8. I Was Wrong

Formação:
Andrew Eldritch (vocal, guitarra, teclados)
Tim Bricheno (guitarra)
Andreas Bruhn (guitarra)
Tony James (baixo)
Doktor Avalanche (bateria eletrônica)
+
John Perry (guitarra, slide)
Maggie Reilly (backing vocals)

Marcadores : Miseriful Release/East West

Produtores : Andrew Eldritch e Jim Steinman

Resenha Okhotsk Fantasy Álbum de Isao Tomita 2016

 

Resenha

Okhotsk Fantasy

Álbum de Isao Tomita

2016

CD/LP

Isao Tomita (1932-2016), como já foi apresentado em outras resenhas dele, foi um compositor e arranjador japonês  que se destacou por montar uma orquestra inteira com sintetizadores e passou parte das décadas de 1970 e 1980 interpretando música sinfônica com instrumentos eletrônicos. O som dele é um gosto adquirido, pois entra frequentemente em território bizarro com seus timbres e efeitos esquisitos, mas é consenso entre muitos músicos que o domínio e qualidade sonora de sua performance com instrumentos analógicos não teve rival em seu tempo. Imagine pegar um Moog modular e tocá-lo exatamente como se fosse um violino, reproduzindo todas as modulações e inflexões expressivas do instrumento natural, só que com um timbre absolutamente diferente. Seu estilo ganhou o apelido de "som espacial", em parte por conta da manipulação espacial dos sons (posicionamento das vozes e reverb), e disso ele tirou proveito comercial. É assim que a mesma pessoa que fez a trilha sonora do anime "A Princesa e o Cavaleiro" com orquestra também gravou parte da música de "Cosmos" de Carl Sagan com teclados. Tomita só desacelerou um pouco quando levou suas gravações para a estrada nos concertos "Sound Cloud" nos anos 1980, e depois disso voltou a compor para orquestra tradicional, com as definitivas obras "Tale of Genji" e "Symphony Ihatov".

Explicado tudo isso, este álbum é o último LP dele com material inédito, coincidente com seu falecimento aos 84 anos. No caso, a faixa de abertura é inédita, enquanto o miolo é tirado de "Daphnis et Chloé" de 1980 e a última faixa é um trabalho bem antigo que só tinha aparecido em "Sound Creature" de 1977.

A faixa de abertura é uma suíte composta pelo próprio artista, em três partes sonoramente desconectadas. Começa com uma incongruente máquina de ritmo e sons aparentemente inspirados pela Sibéria, em conformidade com o título; tem um interlúdio similar ao que Tomita fazia nos tempos áureos; e termina com um som de tabla indiana (!) que cede lugar a mais um de seus familiares corais espaciais. Sabe-se que em seus últimos anos ele tinha digitalizado todos os seus sons criados na era analógica para poder continuar brincando com eles, de modo que é meio impossível determinar de ouvido quando ele preparou esta composição, já que ela tem uns 40 anos de timbres misturados. Pode ser que ele tenha feito um mix reunindo trechos inacabados de épocas diversas. Dificil dizer.

Como a parte do meio da compilação corresponde a metade do álbum de Ravel, já relançado em sua sequência original, é adequado que o ouvinte se refira diretamente a ele e ignore esta repetição. Adianto que são arranjos bem cuidados, tecnicamente impecáveis e com um toque muito menos pesado que o de outras músicas produzidas pelo mestre japonês.

A faixa final, nomeada como a mais famosa das obras literárias aludidas em "Symphony Ihatov" ("Trem Noturno para as Estrelas" de Kenji Miyazawa), envelheceu mal. Não é mais que um teste ou experimento com sons que remetem a um parque de diversões ou circo, adicionado do resfolego de um trem a vapor e um caos sem forma de barulhos e efeitos, o que não torna este incipiente trabalho algo convidativo. Só mesmo para fãs completistas, do tipo que adicionam ao repertório de Tomita o horroroso e inaudível álbum pop "Switched On Hit & Rock", que ele produziu antes de abordar os clássicos e tirou convenientemente do catálogo.

50 anos de “Transformer”: Lou Reed lançando um dos melhores discos da história!

 Apesar de não estar nas playlists e coleções do grande público, Lou Reed tem nível de composição suficiente para tal! Líder do Velvet Underground, e dono de uma carreira solo genial, ele lançou em 1972 o disco que para mim é um dos melhores trabalhos já feitos na história, o monumental “Transformer”, chegou a hora de falarmos sobre ele!

Lou Reed havia lançado apenas um disco solo até então, o auto intiulado de 1972, que é um trabalho apenas regular, na minha opinião. E aproveitando uma porção de canções compostas ainda na época do Velvet Underground que estavam guardadas, Lou se dipôs a gravar o seu segundo disco de carreira solo ainda no mesmo ano! Com isso, ele contaria com ajuda de dois verdadeiros gênios para produzir, David Bowie e Mick Ronson.

O disco seria intitulado como “Transformer”, acompanhado de uma capa sensacional, uma foto do lendário fotógrafo Mick Rock, que capturou toda a alma de Lou Reed em ação nos palcos, muito icônico. A sonoridade do disco seria calcada num gênero que estava ainda sendo criado, o Glam Rock e Lou Reed gostaria que o ouvinte ouvisse como se ele estivesse cantando ao lado de seus ouvidos e é exatamente essa sensação que a gente tem durante a experiência.

Falando um pouco sobre os destaques do disco, ele já começa com uma faixa muito boa, “Vicious”, bem no estilo Lou Reed. Agora, uma faixa que eu considero uma das minhas favoritas da minha vida, é “Perfect Day”, uma balada grandiosa, com arranjo de cordas e um conteúdo lírico incrível, impressionante. O maior sucesso do disco sem dúvida e “Walk On The Wild Side”, com aquela linha da baixo acústico sensacional, maravilhosa do ínicio ao fim. “Satellite Of Love”, provavelmente é minha favorita do disco, emblemática e sensível, com grandes back in vocals de David Bowie.

“Transformer” é dos melhores e mais importantes discos da história do Rock. Foi responsável por ajudar muito na criação de um novo gênero que seria muito influente para a década de 70, o Glam Rock, além de ser super inovador em termos de produção, com grandes composições e uma sensibilidade inesquecível. Lou Redd era um gênio e merece demais essa homenagem nos 50 anos dessa obra prima!




“Only The Strong Survive”: disco de Bruce Springsteen.

 Surpreendendo bastante por conta da proposta, já que este é um trabalho de covers de standards da Soul Music. Sendo o segundo de regravações da carreira de Bruce! O incansável líder de Nova Jersey conseguiu entregar um bom trabalho?

Este é o vigésimo primeiro disco da longa e duradoura carreira de Bruce Springsteen, até então ele havia lançado o autoral “Letter To You” de 2020 que é um dos grandes discos daquele ano, com grandes composições prórprias! Depois disso tudo passou muito rápido e quando vimos estamos no fim de 2022 e ele lança mais um trabalho, desta vez inspirado apenas em covers de grandes músicas da história da Soul Music!

Intitulado como “Only The Strong Survive”, o disco é bastante leve, dançante e palatável, a produção é bacana, a escolha das músicas combinou com seu estilo e ele trouxe imprimiu sua originalidade nas interpretações, fazendo por um instante pensarmos que esse disco era de fato de composições dele. Todas as músicas importam aqui mas eu destaco duas em especial “Nightshift” e “The Sun A’int Go Shine Anymore”, uma interpretação épica, maravilhosa.

Eu honestamente fico muito feliz em ver Bruce saudável, trabalhando bem e cantando muito bem, com um disco muito bacana, longe de ser genial. Mas ainda assim, muito bom! É um trabalho que merece aquela conferida e pode ser uma boa opção para os fãs do Boss nesta sexta! Fica a recomnedação!




“The Infamous”: O grande sucesso do Mobb Deep.

 O Hip Hop possui diversos artistas muitos talentosos que lançaram discos fantásticos. Dentre os desconhecidos mas de valor enorme, estão o Mobb Deep e hoje recomendarei um clássico deles, o “The Infamous”!

Este é o segundo disco deles, foi lançado em 1995 e carrega a alcunha de trabalho mais bem sucedido do grupo e confesso que tenho que concordar com essa informação pois além de conter uma porção de excelentes composições, os maiores sucessos deles estão aqui como “Shook Ones Pt.II” e “Survival Of The Fittest”! Mas é claro que o disco não se resume a isso, todas as músicas estão muito bem alinhadas numa sequência matadora!

O disco tem uma temática mais sombria e bastante pesada, focado nas letras sobre a criminalidade e tensão das ruas de Nova York. Ele segue uma linha bastante linear mas consegue com destreza não deixar a experiência monótona, longe disso. É um trabalho espetacular e praticamente esquecido, infelizmente.

O que eu acho interessante é ter uma opção de tanta qualidade como o disco “The Infamous”, sendo uma escolha longe do óbvio daquele polo grandioso de N.W.A., Run DMC e Public Enemy. Espero que você leitor que curte hip hop, se interesse em descobrir mais um artista bacana e celebrar essa arte tão bacana e de personalidade! Fica a recomendação!



Resenha Acoustic In Hell Álbum de Eleine 2022

 

Resenha

Acoustic In Hell

Álbum de Eleine

2022

CD/LP

Eleine: adaptando seu symphonic metal para o formato acústico com a mesma qualidade

Ainda no embalo do seu último disco de estúdio, "Dancing In Hell" (2020), o ELEINE aproveitou sua boa repercussão para lançar o EP "Acoustic In Hell" (2022), primeiro lançamento do grupo pela Atomic Fire Records desde que assinaram contrato com a gravadora italiana em janeiro do ano passado.

Com um apanhado de oito faixas dos três discos de estúdio do grupo, o EP conta com quatro faixas do citado “Dancing In Hell” (2020), três do anterior “Until The End (2018) e uma do debut “Eleine” (2015).

As adaptações do dark symphonic metal do grupo para versões acústicas se saíram muito bem, ainda mais considerando que a banda tenha dito que nunca havia feito algo assim antes...bom, para quem disse que nunca de arriscou a fazer o que fez, souberam escolher bem as músicas para adaptação.

Com uma pegada bem minimalista, com poucos instrumentos e sem plateia, o maior destaque é para a talentosa Madeleine "Eleine" Liljestam que dá um show à parte soltando sua voz potente e clara, como nas ótimas versões de “Whisper My Child”, “Enemies “, “All Shall Burn” e “Hell Moon (We Shall Never Die)”. A bela e voluptuosa vocalista, que também é modelo profissional nas horas vagas, ainda dividiu a produção e bonita arte do disco.

Gravado em apenas uma semana no The Panic Room Studio (Skara/Suécia) com o músico e produtor Thomas "Plec" Johansson, "Acoustic In Hell" (2022) traz uma proposta interessante para as bandas do estilo, conhecidas pelas qualidades acima da médias das suas vocalistas. "Acoustic In Hell" (2022) está disponível no Brasil através da parceria das gravadoras Shinigami Records/Atomic Fire Records.
Confira a versão acústica para “All Shall Burn”:

Formação:
Madeleine Liljestam: vocais
Rikard Ekberg: vocais, percussão, violão
Jesper Sunnhagen: bateria
Filip Stalberg: baixo
Victor Jonasson: violão

Faixas:
01 Whisper My Child
02 Enemies
03 Memoriam
04 Ava Of Death
05 All Shall Burn
06 Death Incarnate
07 Break Take Live
08 Hell Moon (We Shall Never Die)

Resenha Skryvania Álbum de Skryvania 1978

 

Resenha

Skryvania

Álbum de Skryvania

1978

CD/LP

De fato, o disco é bom, mas após ouvi-lo uma vez, dificilmente ele consegue deixar algo marcante no ouvinte a ponto de ele querer revisitá-lo

O que mais aconteceu nos anos 70 foram bandas gravando discos de rock progressivo, mesmo usando de baixo orçamento, sendo que algumas tinham como resultado final uma música que condizia com a gravação, enquanto outras, mesmo com os recursos limitados, conseguiam produzir álbuns de rock progressivo um pouco mais – ou muito - bem acabado, caso da banda francesa de rock progressivo sinfônico, Skryvania e o seu autointitulado, em que eles entregam um rock progressivo sinfônico ora bem interessante e ora um pouco menos inspirado, mas no geral, com mais prós do que contras.  

Costumo sempre ser bem cauteloso em relação esses discos “perdidos”, para não os tratar como joias, ou superestimá-los, como se houvesse uma espécie de compensação, onde eu tenho que elevar a qualidade de algo, unicamente por conta de ele ter voado fora do radar do grande público na época do seu lançamento. De qualquer forma, só em saber que estamos falando de jovens do ensino médio que decidiram abandonar os estudos e montar uma banda de rock progressivo sinfônico, bom, acho justo olhar pra esse disco com um pouco mais de carinho que eu faria em outras situações - não por eles abandonarem os estudos, obviamente, mas por ser uma banda de integrantes tão jovens.  

A música tem qualidade? Não é brilhante, mas sim, principalmente se você quer ouvir um rock progressivo clássico, porém, se você também precisa de uma produção de alto nível para que o seu proveito de fato aconteça, já digo de antemão que não precisa nem se preocupar em dar o play pro disco começar a tocar. A entrega musical da banda é de certa forma até um pouco pesada, com uma seção rítmica no geral marcante, guitarras às vezes com acenos até mesmo à Jimi Hendrix – podemos falar o que for desses garotos, menos que não tinham uma boa autoestima – e teclas vintage que conseguem pintar bem o lado sinfônico da banda. 

Acho que Skryvania deveria ser um disco 100% instrumental, pois os seus poucos vocais não parecem ser muito bem-vindos, afinal, não agregam e ainda enfraquecem a música. As maiores influências do som produzido pela banda, vêm justamente daquelas duas que considero as mais influentes, ou seja, Yes e Genesis, porém, eles tentaram inovar demais em vez de simplesmente seguir os seus ídolos de perto, o que de certa forma, ao mesmo tempo que eu acho louvável e admirável, talvez tenha sido feito com os músicos ainda “verdes” demais, com isso, enquanto a banda tinha claramente as suas influências sólidas, em termos de composições e até mesmo em relação a habilidade dos músicos, ela ainda não possuía uma visão nítida para criar peças memoráveis.  

Skryvania em seu único disco conseguiu criar algo interessante? Sim, de fato, o disco é bom, mas após ouvi-lo uma vez, dificilmente ele consegue deixar algo marcante no ouvinte a ponto de ele querer revisitá-lo em um curto espaço de tempo. Portanto, um bom disco para ser consumido em doses homeopáticas e nada mais. 

Resenha Out Of The Tunnel's Mouth Álbum de Steve Hackett 2009

 

Resenha

Out Of The Tunnel's Mouth

Álbum de Steve Hackett

2009

CD/LP

Estilisticamente, não temos nada particularmente novo, mas em termos de ótimas composições, melodias e solos de guitarra, é um esforço inspirado

Quando falamos de Out Of The Tunnel's Mouth, estamos falando do grupo de discos de Steve Hackett que entra na prateleira dos seus trabalhos mais sombrios. Aqui, o guitarrista entrega algo que não é novidade, Hackett produz uma música progressiva muito singular, usando de vários outros gêneros, como jazz, blues, rock, música clássica, folk e world music, os fundindo de uma forma brilhante, sendo que é exatamente nesses momentos em que ele utiliza de inúmeras influências diferentes, onde ele mais parece estar ciente da sua direção musical, compondo um disco muito bem amarrado e coeso do começo ao fim.  

A música aqui é uma verdadeira amálgama muito boa de tudo que o guitarrista havia feito até então, com tudo funcionando muito bem. Há momentos em que a música vai criar uma paisagem sonoras poderosa e sinfônica, outros em que haverá um forte aceno à música do mediterrâneo por meio de um violão clássico lindo, situações em que a influência na música folclórica é muito nítida, tendo espaço até mesmo para uma reminiscência ao trabalho de Joe Satriani. Lendo esse tanto de direção em que o disco percorre, entendo que você possa pensar que pode não funcionar e ele acabar não fluindo bem, mas não se preocupe, pois como já dito, tudo é bem amarrado e coeso do começo ao fim.  

“Fire On The Moon” começa o disco de forma muito dramática e ao mesmo tempo poderosa, funcionando muito bem como peça de abertura do álbum. Poderia tranquilamente fazer parte de To Watch the Storms. Pouco antes do terceiro minuto, fica mais pesada com um solo bastante adequado de Hackett por cima. Vale destacar que, quem toca o baixo nessa música é o lendário Chris Squire. “Nomads” tem seu início em um violão latino, se transformando em seguida em algo delicado e muito melancólico antes da entrada do vocal. Novamente, quem assume o baixo é Chris Squire. A peça segue em uma constante até pouco depois dos dois minutos e meio, quando então há um tratamento flamenco que a eleva para um outro nível. Então que a música se transforma em um rock mais acelerado, mas ainda com alguns elementos flamencos, ficando até mesmo bastante sinfônica.  

“Emerald And Ash”, uma instrumentação sinfônica dá início à peça, caindo em seguida para uma cadência mais lenta, porém, sem perder a sua orientação clássica. Mais à frente, novamente Hackett direciona a música para um tema mais pesado, dessa vez, soando mais ou menos como o King Crimson mais moderno. Sem dúvida é uma das músicas mais dinâmicas do álbum, terminando por meio de ótimos elementos sinfônicos ambientais. “Tubehead” é uma faixa instrumental de tirar o fôlego, onde Hackett entrega uma mescla de rock and roll e alguns acenos ao King Crimson, mas sempre dentro do seu melhor estilo. 

“Sleepers” tem um enorme contraste em relação à peça anterior. Começa com um violão suave e intrincado sobre um arranjo sinfônico, permanecendo assim até por volta dois minutos e meio. Então que a música se torna uma balada, seguindo até por volta dos cinco minutos, quando, novamente, Hackett dá uma guinada na música e ela se transforma e sobe para uma sonoridade mais pesada. Novamente, o King Crimson vem em mente. Alguns solos são matadores. A alternância em momentos puramente sinfônicos e outros mais pesados é muito bem-feita. " Ghost In The Glass”, com pouco menos de três minutos, é a faixa mais curta do álbum. Hackett parece brincar com seu violão jazzístico, até que, por volta de um minuto, uma linha de guitarra com essência blues surge e leva a música para uma outra direção. Bastante poderosa e dramática, possui várias camadas de som construídas sobre ela. Mesmo sendo a mais curta, é uma das mais marcantes do disco.  

“Still Waters”, agora eu vou pedir que você faça um exercício mental, imagine o King Crimson dentro do seu território musical, mas criando um arranjo de hard-blues, pois é, esse seria um bom exemplo do que Hackett entrega nessa música. O guitarrista está impossível com um incrível trabalho de solos ardentes. Ainda é possível perceber algumas pinceladas de soul e um leve aceno ao Pink Floyd. “Last Train To Istanbul” é a música que encerra o disco. Tem uma introdução, que apresenta de uma maneira muito adequada, alguns elementos orientais, junto de outros quase sinfônicos, digamos assim. Mais uma vez, Hackett consegue unir dramaticidade e energia com muita eficácia. Apesar de às vezes entregar alguns sons mais potentes em seu arranjo, no geral se desenvolve mais dentro de um espectro melódico.   

Steve Hackett já errou em sua carreira? Sim, não vou eximi-lo disso, mas são tantos acertos, que lhe sobram créditos para derrapagens. Out Of The Tunnel's Mouth foi o primeiro lançamento de seu próprio selo Wolfworks - nome de uma faixa de seu álbum Wild Orchids. É de certa forma, uma "produção caseira" e foi gravada e produzida no próprio estúdio de Steve. Mas não há dúvida de que se trata de uma produção muito profissional, afinal, não estamos falando de nenhum amador. Admito que, estilisticamente, não temos nada particularmente novo, mas em termos de ótimas composições, melodias e solos de guitarra, é um esforço inspirado. 


Resenha The End Is Beautiful Álbum de Echolyn 2005

 

Resenha

The End Is Beautiful

Álbum de Echolyn

2005

CD/LP

Uma coleção maravilhosa de peças divertidas, criativas, enérgicas e complexas

Nem havia sido um disco bastante ambicioso e sem dúvida alguma, um dos maiores – para muitos o maior - feitos da banda, logo, era comum ficar na expectativa de um disco novo e no que eles estavam planejando para o seu público. Enquanto Mei teve um único épico que consumiu todo o disco, The End is Beautiful divide a experiência em oito músicas muito bem trabalhadas, sendo cada uma dessas peças claramente diferente uma da outra, além de bastante consistentes. Echolyn é aquele tipo de banda que sabe que a mesma receita pode ser usada de várias formas, entregando como resultado final, sabores diferentes, sendo essa uma das suas principais características e que os diferenciam das demais bandas de rock progressivo moderno. Mais uma vez, a banda entrega um rock progressivo surpreendente, tanto na sua parte lírica, quanto em seu trabalho instrumental bastante rico.  

“Georgia Pine” começa por meio de uma bateria bastante simples, tanto que me veio o Green Day em mente – e não estou exagerando. Mas logo em seguida, a banda entra em uma passagem que parece ter sido extraída do Mei, seguindo de partes que fazem um claro aceno para a música do Spock’s Beard, enquanto os teclados evocam algumas notas altas, uma espécie de Emerson, Lake & Palmer, porém, tocando de uma maneira mais contida. Em determinado ponto, eu considero essa música uma espécie de versão mais pesada e rápida, além de mais movimentada e obviamente mais curta de Mei. Eles não poderiam ter uma melhor maneira de começar o álbum.  

“Heavy Blue Miles” tem seu início por meio de um piano forte junto ao bumbo, enquanto os demais instrumentos vão emergindo até que a peça de fato começa. Então que o órgão fica bastante evidente, antes da música entrar em uma linha jazzística mais lenta. Mesmo sendo um dos destaques do disco, onde muitas coisas acontecem de uma forma bastante coesa, sempre que a escuto, fico com aquela sensação de que ela poderia ter se desenvolvido mais, principalmente se eles tivessem explorado mais o uso de metais – saxofone, trompete e trombone.  

“Lovesick Morning”, com um pouco mais de 10 minutos é a faixa mais longa do álbum. É uma música que começa de forma bem descontraída, mas conforme avança, vai se transformando em algo muito mais intenso e não volta mais nenhuma vez para a serenidade que eles entregaram no início. É interessante quando em uma mesma música, é possível perceber traços de Tears for Fears, Dave Matthews Band, Spock’s Bead e Beatles. Novamente, a banda faz o uso de metais, mas diferentemente da anterior, aqui tudo soa de forma muito mais precisa e pontual. A parte final da peça é maravilhosa, construída com uma poderosa gama de instrumentos, encerrando a música muito diferente de como ela começou. Só acho que terminar em fade-out não foi a melhor escolha.  

“Make Me Sway” pode ser considerada talvez a peça mais eletricamente envolvente que a banda já compôs. O trabalho de órgão é excelente, enquanto a guitarra é cheia de vigor – ficando um pouco mais “leve” nos refrãos. A seção rítmica é sólida, principalmente o baixo que entrega algumas linhas realmente envolvente. Os vocais aqui estão mordazes. A banda consegue soar em uma combinação entre Flower Kings e Nine Inch Nails – embora eu nem seja muito familiarizado com essa segunda e posso estar escrevendo bobagem.  

“The End Is Beautiful”, a faixa título começa por meio de um órgão solitário, mas que logo em seguida ganha a companha dos demais instrumentos, o órgão ainda fica em bastante evidência antes da peça cair em uma linha jazzísticas com excelente seção rítmica - destacando novamente o baixo, dessa vez, lembrando um pouco Dave Meros, logo, quem for fã de Spock’s Beard vai perceber isso com mais facilidade. Perto dos três minutos e meio, a música fica mais lenta em uma harmonia belíssima. No geral, é uma peça bastante variada e muito bem trabalhada, inclusive em relação aos versos e aos refrãos que são fascinantes. Aquele tipo de som que é impossível ouvir apenas uma vez. 

“So Ready” é uma música com tendências bastante funk e muito groove, principalmente por parte das linhas de baixo e mais alguns uso de metais, além sons mais distintos e bem acentuados de clavinete. Possui algo tão alto astral e divertido, que admito ser difícil de definir. Apenas escute e se delicie com o que vai se deparar. “Arc Of Descent (Dancing In A Motel Just West Of Lincoln)” logo em seus primeiros segundos, indica que estaremos diante de uma peça mais sombria e assustadora. Tendo o suicídio como assunto iminente, o título dela vem de uma frase que foi dita lá em “Lovesick Morning”, dando de certa forma uma dica de que o disco tem um conceito, mesmo que estejamos falando de um conceito vago. A banda entrega arranjos complexos, algumas excelentes harmonias vocais e um desempenho perfeito de todos os músicos. “Misery, Not Memory” encerra o disco muito bem. Inicia por meio de órgão e bateria bastante enérgicos. Aqui vai ser possível encontrar uma boa variedade de estilos, tais como, rangtime, blues, rock e até mesmo um pouco de bluegrass. Existe uma grande complexidade na música, fazendo com que seja criado uma peça de rock progressivo bastante rica em detalhes. Também há momentos jazzísticos que são bem divertidos. São pouco mais de 9 minutos de uma música extremamente bem construída. The End Is Beautiful chega ao fim de forma incrível.  

Echolyn é uma banda que em cada disco, mostra o quanto eles conseguem criar o seu próprio som e podem soar originais, entregando uma coleção maravilhosa de peças divertidas, criativas, enérgicas e complexas, usando para isso, todos os ingredientes necessários para dar vida à um excelente disco de rock progressivo.  

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