quinta-feira, 25 de maio de 2023

BIOGRAFIA DE Mia Rose

Mia Rose

Mia Rose (Londres26 de Janeiro do 1988),[1] nome artístico de Maria Antónia Teixeira Rosa, é uma cantora-compositora e atriz luso-inglesa[2] que atingiu o sucesso através do sítio de partilha de vídeos YouTube, onde rapidamente chegou a uma das artistas mais visionadas.

Desde 2007 até 2011, Mia Rose foi a artista com maior número de assinantes no Reino Unido, e, no mesmo país, tem o segundo canal de YouTube com maior número de visualizações. Os vídeos de Mia Rose já foram visionados mais de 125 milhões de vezes. Já foi assunto de artigos na Rolling Stone,[3] The Sun,[4] The Atlantic e no The Age,[5] (publicado também no Sydney Morning Herald[6]) foi também destacada na BBC Radio 5 Live podcast.[7]

Em Janeiro de 2007, Mia assinou contrato com a NextSelection/Universal através de Ryan Leslie.[8] Mia Rose acabou por desistir da Universal Music, visto que os produtores e agentes desta produtora famosa queriam torná-la na nova "Rihanna", enquanto Mia queria ter um estilo musical próprio, então Mia fez justiça à sua honestidade e optou pela NextSelection. Passado um mês Rose estabeleceu contrato com Tommy Mottola da Mottola Company para gestão de carreira. Ao longo do seu tempo nos EUA, Mia Rose trabalhou com produtores e compositores influentes como Brent Pashke, Uness e Kara DioGuardi. Mia gravou dois singles, "Hold Me Now" e "Hot Boy" para a editora NextSelection que não chegaram a ser lançados. Devido às dificuldades que as grandes editoras estavam a atravessar devido à revolução digital, Mia decidiu regressar à Europa para focar os seus esforços em aumentar a sua base de fãs e seguir a sua carreira como artista.

Mia Rose continuou a sua carreira na Europa, produziu alguns singles de sucesso, como "Let Go". Para além disso, Mia voltou para Portugal onde é protagonista de uma série chamada "I Love It", isto, depois de ter participado numa série brasileira Acampamento de Férias II - A Árvore da Vida, para a TV Globo e, depois de ter regressado aos EUA, para Los Angeles para participar como protagonista na primeira série online interativa da famosa empresa Red Bull.

Em 2015, Mia Rose anunciou que o seu tão aguardado álbum de estreia sairia no fim do ano. Como primeiro single do álbum, Mia lançou o hit "Take My Hand" que logo na semana de estreia fez um sucesso estrondoso por todas as rádios nacionais, desde rádios locais até rádios muito prestigiadas como a Mega Hits ou a Rádio Comercial, sendo uma das músicas que promete animar o verão de 2015. Rose anunciou ainda que o seu álbum teria músicas em português, motivo de grande surpresa para os fãs portugueses.

Música

Antes do YouTube

Filha de pai inglês e mãe portuguesa, Mia Rose viveu em WimbledonInglaterra, até aos nove anos. "Chorei muito quando vim para Portugal. Londres era a minha referência: era lá que estavam os meus amigos, as minhas bases. Viemos porque o meu pai queria passar mais tempo connosco, ele trabalhava imenso, era um homem de negócios, era o próximo Steve Jobs. Mas ele estava tantas horas fora de casa que eu tinha de acordar às seis da manhã para lhe dizer adeus, era a única altura em que o via", recorda sobre essa época. Aí, já Mia Rose — que com 12 anos leu a biografia da Rainha Vitória — reunia a família nos jantares de Natal para cantar e admirava Audrey Hepburn, que ainda hoje ‘tem no pedestal'. "Nessa altura eu queria mais ser actriz do que cantora mas apesar de representar nas festas da escola, onde eu sobressaía mesmo era a cantar".

Já em Portugal, numa escola inglesa — criou várias bandas. Uma delas com Ana Free, outro fenómeno do YouTube, a Audacity. "Fazíamos vários concertos, escrevíamos juntas as músicas, era uma forma de nos libertarmos e ver como éramos artisticamente". Terminado o Secundário, Mia — que aprendeu na internet a tocar guitarra - volta a Londres, desta vez para estudar Jornalismo e Literatura Inglesa, sem nunca largar a música de vista. "Dava concertos na universidade e em vários bares em Londres até que fui convidada para cantar para um grande compositor de jazz e fazer com ele uma tournée pela Europa". Foi o primeiro de muitos convites que se seguiriam — e o único que surgiu antes do fenómeno YouTube lhe bater à porta. Contou Mia ao jornal Português Correio da Manhã. Mia Rose que usava a música apenas como hobby nunca imaginaria o sucesso que a esperava.

O Sucesso Imediato do YouTube

Foi no fim de 2006 que Rose criou a sua conta no YouTube. Nesse ano, durante as férias de Natal em Portugal, decide, incentivada por dois amigos, pôr as músicas na rede social que a tornaria conhecida além-fronteiras. "O sucesso foi uma coisa que não esperava, não foi nada pensado, não fazia ideia que passado poucos dias ia ter tantas pessoas a seguir-me." Entre essas pessoas contavam-se dois gigantes da música. "Duas semanas depois fui contactada por duas editoras: a Atlantic Warner e a Universal Music, que me convidaram para ir aos Estados Unidos para ver se queriam assinar mesmo contrato comigo." Reuniu-se com ambas no dia em que fazia 19 anos e escolheu a Universal. "Foi uma altura muito especial da minha vida porque trabalhei com o Tommy Mottola [que foi diretor da Sony durante muitos anos e marido de Mariah Carey e essa experiência fez-me crescer enquanto artista e compositora. Cheguei a gravar sete temas mas houve uma crise económica muito grande (já em 2008), que afetou os dinossauros da música e disseram-me que o álbum ia demorar mais tempo", recorda a cantora. Mia não quis esperar. "Não queria mesmo gastar tempo porque eu gosto de aproveitar todos os momentos da minha vida e o tempo para mim é o meu obstáculo. É tudo ‘carpe diem' e não queria ficar lá à espera e deixar os meus fãs à espera também. Pensei: Vou continuar o meu percurso sozinha, sem animosidades, tanto que ainda hoje falo com eles".

"Depois de ter rescindido com a Universal Music ligaram-me da editora da Lady Gaga — também depois de verem os vídeos no YouTube — a dizer que estavam interessados em mim". Mia pôs mais uma vez a mala às costas e seguiu viagem para os EUA, onde a esperavam várias reuniões. "Estava quase a dizer ‘vamos lá', à espera do vestido para levar aos Grammys quando eles me disseram: ‘agora o que tens de fazer é não ter vida própria, não vais poder ver os teus pais durante sei lá quanto tempo, vamos mudar o teu cabelo, vais fazer o tipo de música que quisermos'. Queriam transformar-me na nova "Rihanna" e eu não quis. Agradeci por acreditarem em mim mas disse que sentia que era mais importante fazê-lo à minha maneira. Ia de certeza receber mais dinheiro do que recebo hoje, sem dúvida, mas isso não é o mais importante. Não me esqueço de um ditado que me disseram: ‘quando uma pessoa sabe que vai morrer nunca pensa: "epá", eu podia ter feito mais dinheiro. Pensa antes nas viagens que deixou por fazer, nos momentos que não aproveitou, nas palavras que não disse'. Os meus pais um dia não vão estar cá e e prefiro passar mais tempo com eles do que propriamente ter mais dinheiro no banco." Contou tudo ao Correio da Manhã.

As experiências seguintes não saíram penalizadas pelo ‘não' à editora de Gaga. "A Rainha [Rania] da Jordânia enviou-me um convite real para ir até à Jordânia para me conhecer. Ela ‘descobriu-me' através dos filhos, que eram meus fãs no YouTube. A reunião com ela foi um bocado intimidante — até aprendi a fazer a vénia e tudo — não por causa dela, simples e simpática, mas porque eram muitas câmaras. Eu falei da minha mãe, ela falou dos filhos e depois perguntou-me se estava interessada num projeto que ela tinha no YouTube para acabar com os estereótipos das mulheres do Médio Oriente". Mia aceitou e acabou a dividir o palco com um cantor local, uma atuação que passou na BBC.

Mia em dois dias recebeu 30 mil subscrições e em três anos os seus vídeos — gravados em casa — tiveram mais de 100 milhões de espectadores e o seu canal foi subscrito por mais de 230 mil pessoas, um número comparável a artistas como Beyoncé ou Black Eyed Peas.

Percurso Musical

No dia 29 de Dezembro de 2006, durante o período de férias da universidade, Mia abriu uma conta no sítio de partilha de vídeos YouTube sob o nome "miaarose". No seu canal pessoal, Mia começou a por um vídeo novo todos os dias onde cantava versões dos seus artistas preferidos. Dentro de duas semanas, Rose estabeleceu-se entre os músicos mais visionados do YouTube, suscitou o interesse de várias editoras multinacionais e foi assunto de notícia de várias publicações em papel e online.[3]

Em Maio de 2009, Mia gravou e auto-promoveu o seu primeiro single "Let Go", lançando o tema no iTunes de Portugal, onde rapidamente se tornou no download mais vendido do ano e alcançando o segundo lugar no top português. Mia Rose veio para Portugal, onde morou por um tempo, tendo muitos fãs portugueses.

Mia Rose tem uma enorme quantidade de fãs a nível mundial. Durante uma vídeo-conferência com os mesmos, no Kyte.tv, no dia 15 de Outubro de 2009,  recebeu mais de 7500 mensagens de 27 países em 90 minutos, incluindo os EUA, CanadáPeru, a grande maioria do território europeu, Qatar, Japão, Índia e Malásia.[9] Durante um evento que teve lugar em 2008, Rose conheceu a Rainha da Jordânia, que confessou ser fã da música de Mia.[10]

O seu sucesso como artista DIY, devido à exposição no YouTube, levou a que recebesse convites para eventos prestigiados como a Google Zeitgeist[11] e a SIME na Suécia,[12] para falar da sua carreira. Foi, então, em 2008 que Mia Rose participou na SIME 08, onde chegou a cantar com os Ace of Base dois dos seus maiores êxitos: "All That She Wants" e "The Sign". A sua filosofia DIY está presente em todos os passos que dá, recentemente Mia lançou vários passatempos para os seus fãs cujos prémios consistiam em passar um dia com Mia Rose em Londres, escolher uma das faixas a ser editada no seu mais recente trabalho, e desenhar a capa do seu novo single.[13]

Rose mudou-se para Londres em Setembro de 2009 e assinou contrato com a citizensound, agência que gere a sua carreira.[14]

O seu segundo single de duas faixas, "What Would Christmas Be Like?/Fallin’ For You" foi lançado exclusivamente através do seu website officialmiarose.com no dia 2 de Dezembro de 2009. Foi composto por Mia e estreado no seu canal YouTube no dia 1 de Dezembro de 2009. O vídeo para o novo single foi gravado no Brasil pelo realizador e actor Rafael Almeida.

A segunda faixa incluída neste lançamento, "Fallin' For You", é da autoria de Colbie Caillat e foi escolhida pelos fãs de Mia de entre quatro músicas possíveis. Foi claramente o tema vencedor, angariando 45% dos votos, mais do dobro da música que ficou em segundo lugar. O vídeo da versão de Mia já foi visualizado mais de 200 000 vezes desde que foi posto no YouTube há apenas um mês.[15] Mia Rose procura envolver os seus fãs em tudo o que faz, optando por deixar um dos seus fãs (vencedor de um passatempo) desenhar a capa do single.[16]

Ambos os temas foram produzidos em Londres por Tyrell, que já trabalhou com artistas como David BowieSimply RedLily Allen e P.M. Dawn.[17]

En 2011, Mia Rose estava agenciada pela divisão de celebridades da "Models 1! juntamente com Lois Winstone, MikaJoely Richardson e Robert Pattinson.[18]

Participou da minissérie brasileira Acampamento de Férias 2: A Árvore da Vida interpretando Nanda. Foi um grande passo para ser promovida, também como cantora, no Brasil.[19]

Foi, em 2012, que Mia Rose lançou o seu mais recente single, "Friends in Love", que passado um ano já conta com quase meio milhão de visualizações no YouTube. O single encontra-se à venda no iTunes internacional e o tema foi gravado em Portugal.

Em 2013, começou a série norte-americana "Exit Vine" da Red Bull. Mia foi uma das protagonistas. A série foi gravada em Los Angeles. Esta série é uma série musical.

Vida pessoal

Após um namoro de dois anos e meio com Miguel Cristovinho (membro dos D.A.M.A), Mia foi pedida em casamento no penúltimo dia de 2016, na varanda de sua casa. No último dia de 2016 partiu com o noivo para o Algarve, local onde os D.A.M.A tinham um concerto de fim de ano.

No dia 29 de Setembro de 2017 casaram-se e em novembro do mesmo ano anunciaram que estavam à espera de um bebé. Nasceu no dia 24 de abril de 2018 e chama-se Mateus.[20][21]

O relacionamento de ambos terminou a 6 de julho de 2020, anunciado nas redes sociais de ambos.

Televisão

Foi no início de 2011 que surgiu a grande oportunidade para Mia Rose se estrear como atriz. A TV Globo endereçou-lhe um convite para participar na segunda temporada da série brasileira Acampamento de Férias 2: A Árvore da Vida. Mia Rose interpretou o papel de Nanda, uma rapariga misteriosa que seria a nova monitora do Acampamento de Férias. Esta mesma personagem era o par de Léo, interpretado por Rafael Almeida. Mia Rose estreou-se em grande, pois contracenou com alguns dos maiores atores brasileiros, como Renato Aragão e Odilon Wagner. Apesar de Mia Rose sempre ter demonstrado o seu gosto pela representação, os fãs receberam esta notícia da sua estreia como atriz, com muita admiração, dado que seria mais óbvio Mia estrear-se em Portugal do que na maior rede brasileira de televisão e uma das maiores a nível mundial, a rede Globo.[19]

Em 2011, Mia Rose, foi júri no programa da RTP1: "A Voz de Portugal", versão portuguesa do programa "The Voice". Este programa teve uma duração de mais de 6 meses e contou com grandes personalidades portuguesas, como Os AnjosRui Reininho e Paulo Gonzo, também eles jurados. Foi neste programa televisivo português que Mia conquistou muitos fãs em Portugal. Este novo formato do programa original The Voice acabou por ser um sucesso em Portugal, apesar de em horário nobre não ser líder das audiências na televisão portuguesa. A versão portuguesa teve como apresentadora Catarina Furtado e foi gravada para a RTP. Mia levou à final Daniel Moreira que acabaria por ficar, em conjunto com sua mentora, na 3ª posição, à frente dum dos maiores ícones da música portuguesa, Paulo Gonzo. Graças a este programa Mia ganhou muito prestígio, sendo apontada pela imprensa generalista como uma grande revelação.

Em Janeiro de 2013, teve início a série televisiva online norte-americana "Exit Vine", da Red Bull, que contou com a participação de Mia Rose, como uma das principais protagonistas: uma cantora muito famosa e arrogante que vai conquistando o seu núcleo de fãs, enquanto trava uma guerra com uma cantora amadora e humilde. A série foi gravada em Los Angeles, tendo terminado em Maio de 2013. Mia gravou várias músicas para a série, sendo "Keep Real" a mais popular. Com esta série, Mia deu início a uma digressão americana que obteve bastante sucesso. Os concertos de Mia Rose foram realizados numa parceria entre a Red Bull e a Playlist live.

Já em 2013, Rose foi uma das protagonistas principais da série juvenil da TVI, "I Love It". A série revelou-se um flop de audiências.[22]

Em 2015, Mia Rose foi convidada para ser uma das madrinhas daquela que seria a 1ª edição portuguesa do programa "Pequenos Gigantes". Esta edição foi gravada em 2015, mas apenas foi transmitida, na TVI, em abril de 2016.

Carreira de Mia Rose, como atriz

Participações de Mia Rose em programas de televisão e entrevistas

Mia Rose é, actualmente, uma das figuras públicas portuguesas que já foi mais entrevistada, tanto em programas de televisão, como em jornais e revistas. Mia Rose sendo uma figura pública com uma carreira internacional, participou também em vários programas de televisão estrangeiros.

Algumas participações de Mia Rose:

Dobragens

  • Dobragem da voz da personagem "Audrey" (voz original de Taylor Swift) do filme "Lorax" - 2012;
  • Dobragem da voz da personagem "Alisa Selezneva" (voz original de Dariya Melnikova) da série de TV "Alice - A Heroína do Futuro" - 2015;
  • Dobragem da voz da personagem "Poppy" (voz original de Anna Kendrick) do filme "Trolls" - 2016.
  • Dobragem da voz da personagem "Felícia" (voz original de Elle Fanning) do filme "Bailarina" - 2017.

Mia Rose – Um fenómeno no YouTube

Foi a 29 de Dezembro de 2006, que surgiu um novo canal do YouTube que viria a ser um sucesso. O canal do YouTube estava marcado com o seguinte cognome: "miaarose". E, quando Mia Rose começou a publicar alguns covers emblemáticos produzidos por ela, o número de visualizações aumentou brutalmente, assim como o número de subscritores. Mia Rose já foi a artista com mais subscrições do Reino Unido e de Portugal, em simultâneo, e esteve entre as 5 artistas mais subscritas de todos os tempos. Muitos são os vídeos de Mia Rose, que já contam com mais de 1 milhão de visualizações. Aliás, basta lembrar alguns como, Heaven, de Bryan Adams, com mais de 20 milhões de visualizações ou "Unwritten", de Natasha Bedingfield, com mais de 8 milhões de visualizações. Actualmente, o canal de Mia Rose já atinge o fantástico número de perto de 139 milhões de visualizações, com apenas 161 vídeos, um autêntico fenómeno do YouTube.

Recepção na imprensa

Alexa Baracaia, jornalista da Evening Standard reportou a dia 30 de Janeiro de 2007, que o canal YouTube de Mia Rose estava a atrair mais de três milhões de visitas por mês mas frisou que existiam alegações de "falsos comentários" a ser feitos com o propósito de aumentar o seu apelo.[23] Em Fevereiro de 2007, o Sydney Morning Herald lançou a notícia que a sua página YouTube tinha atingido as duzentas mil assinaturas dentro de três semanas da sua estreia, o que fez dela, na altura, a artista com maior número de subscrições de sempre em tão pouco tempo.[6] Em Março de 2008, a revista Forbes relatou a nomeação de Mia Rose para os prémios 2008 YouTube Video Awards (Prémios de Vídeo de YouTube de 2008).[24] Foi, em 2013, que se criou uma grande especulação devido à possível participação de Mia Rose na nova grande aposta da TVI: uma série juvenil inspirada em Skins e também em Glee. Mia Rose, nas duas semanas que antecederam o início das filmagens, foi abordada por diversas vezes em mais de 40 meios de imprensa, incluindo jornais, revistas e plataformas online. Mia Rose em 2014 foi alvo de uma grande entrevista no conceituado jornal "The Sun".

Mia Rose - 15 passos para ser uma estrela na música

Foi no final de 2010, que Mia Rose publicou o seu único livro (até agora) "Mia Rose - 15 passos para ser uma estrela na música", que escreveu durante o ano anteriormente referido e foi publicado por uma das maiores editoras portuguesas de livros, a Porto Editora. A data de lançamento deste livro foi a 10 de Novembro de 2010, na Fnac Colombo, em Lisboa. Este livro, no fundo, é um guia prático que ajuda a ter sucesso no mundo da música, dando vários conselhos e dicas, assim como resume a carreira de Mia Rose, e como ela chegou às luzes da ribalta.

Outras Participações

Desde 2010 até hoje que Mia Rose tem participado em várias campanhas publicitárias para grandes marcas, como a Springfield, a Olá, a Modalfa ou a Fnac. Rose foi também a cara da salsa Jeans em 2011 e 2012, tendo criado a música "Happy New You" para promover a marca. Em setembro de 2018, a NOS lançou um anúncio televisivo protagonizado por Mia.[25]

Prémios e Nomeações

  • 2007 – YouTube Awards 2007, na categoria "Best Music Video": NOMEAÇÃO. (Nomeados: Tay Zonday (vencedor), Yuri Lane, Lisa Lavie, The Vegetable Orchestra, Mia Rose e Spen Spenni);
  • 2009 – Personalidades Femininas 2009 (LUX), na categoria "Música": VENCEU. (Nomeadas: Mia Rose (vencedora), Carminho e Sónia Tavares);
  • 2016 - Melhor Voz Feminina (Trend Music Awards Portugal): VENCEU. (Nomeadas: Mia Rose (vencedora), Blaya, Capicua, Carolina Deslandes, Veecious V).

Discografia

EPs

Singles

Álbuns

  • 2017: Tudo Para Dar


Review: AC/DC – Live (1992)

 


Live
 é o segundo álbum ao vivo do AC/DC e foi lançado em 27 de outubro de 1992. Ele é o sucessor de If You Want Blood You’ve Got It (1978), registro clássico da fase com Bon Scott. Trata-se também do primeiro disco ao vivo da banda com o vocalista Brian Johnson, que substituiu Scott após sua morte repentina em 1980. O AC/DC possui ainda um terceiro ao vivo, Live at River Plate, onde a banda aproveitou o áudio do antológico DVD filmado na Argentina durante a turnê Black Ice (2008) e transformou em um excelente CD duplo.

Gravado durante a tour de The Razors Edge (1990), disco que levou o AC/DC de volta ao topo das paradas e apresentou a banda para uma nova geração de ouvintes, Live foi disponibilizado em CD simples (com 14 faixas), CD duplo (com 23 músicas) e LP duplo (com 20 canções). Existe também uma edição em longbox que vinha com uma nota de dólar com o rosto de Angus Young impresso. Essas edições em CD, com exceção da longbox, foram relançadas em 2003 em versões remasterizadas digipacks. O tracklist é levemente focado nas músicas presentes nos discos a partir de Back in Black (1980), estreia de Johnson, e que ainda não tinham uma versão ao vivo oficial (das 23 faixas do CD duplo, treze são da fase Brian e dez da época de Bon).

Comercialmente, Live foi um fenômeno. O álbum vendeu mais de 5 milhões de cópias somente nos Estados Unidos, ganhou 9 discos de platina na Austrália e é um dos dez discos ao vivo mais vendidos da história, superando a marca de 7 milhões em todo o planeta. A crítica também adorou, afirmando que ele eternizava a experiência e a energia únicas de um show do AC/DC e que Brian Johnson enterrava qualquer comparação com Scott, mostrando que era o nome ideal para estar à frente da banda ao lado de Angus e Malcolm Young.

Ao contrário de um registro ao vivo convencional, Live não foi registrado em um único show. As músicas foram capturadas em cinco apresentações diferentes: o Monsters of Rock em Donington Park em agosto de 1991 (esse show foi lançado na íntegra em outubro de 1992 no DVD Live at Donington), Birmingham, Moscou, Glasgow e na cidade canadense de Edmonton. Apesar disso, a performance é homogênea e mostra o AC/DC em um de seus melhores momentos. A participação maciça do público é uma prova da ótima fase que a banda atravessava, e dá ao disco um clima muito particular.

Estão no tracklist versões excelentes para canções que se tornariam clássicas com o passar dos anos como é o caso de “Thunderstruck” (ainda em seus primeiros anos de vida), “Who Made Who” e “Moneytalks”, além de releituras quase definitivas de cavalos de batalha do porte de “Shoot to Thrill”, “Back in Black”, “You Shook Me All Night Long” e “For Those About to Rock (We Salute You)”. E tudo isso turbinado com Brian Johnson brilhando em composições da época de Bon Scott como “Sin City”, “Jailbreak”, “The Jack” (em que se apodera e toma a canção para si com uma interpretação sensacional), “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”, “Highway to Hell”, “T.N.T.” e outras. Angus se sobressai como sempre com solos repletos de melodia e feeling, enquanto Malcolm Young e Cliff Williams formam a base sólida que segura tudo. Na bateria temos Chris Slade, que havia gravado The Razors Edge, sentando a mão sem dó nos tambores. A produção, assinada por Bruce Fairbairn, intensifica o peso das guitarras ao mesmo tempo em que entrega um som cristalino e denso.

Mais que um dos melhores discos ao vivo da história do rock, Live é um álbum que marcou profundamente toda uma geração de ouvintes que foram apresentados ao AC/DC no início dos anos 1990 e mergulharam no rock and roll através das mãos mágicas de Angus e sua turma. O legado segue imenso, como atesta o impacto do álbum na vida de milhões de pessoas em todo o planeta.  



Review: The Dead Daisies – Holy Ground (2021)


O The Dead Daisies chega totalmente diferente ao seu quinto disco. O motivo para essa mudança foi a significativa alteração na formação, com o vocalista John Corabi e o baixista Marco Mendonza sendo substituídos por ninguém menos que Glenn Hughes. E aqui valem duas observações: o Dead Daisies nunca foi uma banda propriamente dita, mas sim um projeto criado e liderado pelo guitarrista David Lowy. Essa particularidade está por trás da alta rotatividade de músicos do grupo, que nesse disco conta com Hughes (vocal e baixo), Doug Aldrich (guitarra, ex-Whitesnake e Dio) e Deen Castronovo (bateria, Revolution Saints e ex-Journey, além de diversas outras bandas).

O segundo ponto é que um músico do gabarito de Glenn Hughes não pode ficar sem produzir material inédito. Isso seria um desperdício tanto para a sua carreira quanto para os fãs. O último álbum solo de Hughes, Resonate, saiu em 2016. O mais recente disco do Black Country Communion, BCCIV, é de 2017. E ao ouvir Holy Ground fica evidente como todo mundo saiu ganhando com a chegada de Hughes.

O som do Dead Daisies ficou mais funkeado, tem mais groove e balanço com a chegada de Glenn Hughes. Ficou até mesmo mais imponente, grandioso, uma espécie de hard rock clássico produzido nessa realidade estranha que estamos vivendo. São ao todo onze faixas gravadas no La Fabrique Studio, na França, com produção de Ben Grosse (Dream Theater, Depeche Mode, Marilyn Manson).

Hughes domina a atenção em todo o álbum. Cantando de maneira sublime aos 69 anos, conduz o Dead Daisies em um dos seus melhores trabalhos – o disco, na verdade, é tão bom que tem possibilidades de ser apontado como o melhor da banda em um futuro próximo. “Holy Ground (Shake the Memory)” abre a audição sem romper tanto com o álbum anterior (Burn It Down, de 2018), mas a partir de “Like No Other (Bassline)” a ascendência de Hughes fica claramente perceptível. O quarteto está executando um hard mais cadenciado, impecável instrumentalmente, com refrãos fortes, melodias excelentes e tudo isso amparado por uma das vozes mais emblemáticas do rock.

As faixas entregam momentos ótimos um atrás do outro. “Come Alive” derrama groove, “Bustle and Flow” coloca Doug Aldrich e seus riffs em destaque, enquanto “My Fate” é uma balada densa e melancólica onde Hughes é mais uma vez o destaque. “Unspoken” traz sutis influências de AC/DC em uma canção que nasceu pronta para ser cantada a plenos pulmões em estádios de todo o planeta. Os ecos da banda dos irmãos Young soam mais fortes em “Righteous Days”, que conversa sem filtros com o universo da banda australiana.

Dois dos grandes momentos ficaram para o final. “30 Days in the Hole”, clássico imortal do Humble Pie, ganhou um arranjo mais lento e menos selvagem que o original, com Glenn e Deen Castronovo dividindo os vocais em uma releitura muito em feita. E “Far Away” encerra o álbum com uma epopeia musical de mais de sete minutos onde Hughes mostra porque é chamado pela alcunha de The Voice of Rock. Que cantor, que músico, que artista!

Holy Ground chega como um dos grandes discos desse 2021 que está apenas começando. O álbum é excelente em todos os níveis e um presente principalmente para os fãs de Glenn Hughes.

 


ROCK ART


 

Review: Nervosa – Perpetual Chaos (2021)

 


Prika Amaral transformou um grande problema em um recomeço para a Nervosa. As saídas de Fernanda Lira (vocal e baixo) e Luana Dametto (bateria), anunciadas em abril de 2020, levaram a um grande ponto de interrogação sobre o futuro da banda. Porém, Prika, fundadora e única remanescente, reformulou o trio transformando a Nervosa em um quarteto, que lançou nesse início de 2021 o primeiro registro dessa nova formação

O upgrade em relação ao passado fica evidente em Perpetual Chaos, quarto álbum da Nervosa e sucessor de Downfall of Mankind (2018). Contando agora com a vocalista espanhola Diva Satanica (também do Bloodhunter), com a baixista italiana Mia Wallace (com passagens pelo Abbath e Triumph of Death) e com a baterista grega Eleni Nota (também do Lightfold), a Nervosa mostra no novo álbum que está pronta para o próximo passo de sua carreira.

Produzido por Martin Furia, com quem a banda já havia trabalhado no disco anterior, Perpetual Chaos é um ótimo disco de thrash metal, agressivo e com momentos que beiram o death e outros em que flerta com estilos como o punk. No total são treze músicas espalhadas em 44 minutos, e que extravasam a nova personalidade da banda.

É revigorante presenciar uma reconstrução tão radical e perceber o quanto Prika Amaral soube remontar a Nervosa com peças perfeitas. Diva Satanica canta de forma incrível e seu vocal é mas grave e profundo que o de Fernanda, que possui um timbre mais agudo. Mia Wallace encorpa as bases de guitarra e dá sustentação para a bateria de Eleni Nota, que é um caso a parte. A grega é um instrumentista criativa e extremamente técnica, que agregou muito ao som do Nervosa. Sua presença trouxe uma variedade muito maior de ritmos e batidas, em contraste com o que fazia Luana, que é uma baterista focada mais na velocidade e na violência mas que não entregava a polirritmia que ouvimos aqui. E Prika Amaral dispensa apresentações, com riffs ferozes, timbres graves e uma enorme influência de nomes como Slayer, Sodom e Kreator.

Os destaques são muitos, e tornam a audição de Perpetual Chaos pra lá de gratificante. Entre os momentos mais altos estão canções como a abertura animal com “Venomous”, a ótima “Guided by Evil”, a também excelente faixa que batiza o disco, “Genocidal Command” (com participação de Schmier, do Destruction), o ataque punk de “Time to Fight”, “Godless Prisoner”, “Rebel Soul” (com Erik Ak, do Flotsam and Jetsam), “Pursued by Judgement” e o encerramento com o thrash pesadíssimo e mais cadenciado de “Under Ruins”.

Com Perpetual Chaos a Nervosa não apenas começa uma nova fase na sua trajetória, como também entrega o seu melhor disco. Madura, criativa, renovada e inspirada, a banda surpreende ao alcançar um nível de qualidade tão alto pouquíssimo tempo após passar por tudo que passou.

Discaço!



Unindo música brasileira e rock progressivo, The True Love Brothers lança novo EP “Florestas da mente”

 

A banda de rock alternativo The True Love Brothers lança o segundo EP “Florestas da mente”, onde a influência de rock e metal já é mais presente, mas sem perder a originalidade. A banda segue em processo de divulgação deste segundo EP e em busca de oportunidades de tocar as músicas ao vivo. A banda pode ser encontrada em todas as mídias sociais e ambos os EP’s estão disponíveis nas plataformas digitais.

Fundada em 2015 por amigos, a banda natural de Jaguariúna-SP, conta com influências diversas como música brasileira, rock e metal progressivo, a proposta é fazer um som original, criativo e acessível. Em 2022 a banda lança seu primeiro EP “Crônicas de areia”, onde predomina a mistura de rock com música brasileira.

EP “Florestas da Mente”:


Disco Imortal: Metallica (1991

 

Álbum imortal: Metallica (1991)

Elektra, 1991

Deve ser um pouco contraditório para o Metallica atualmente assumir a liderança na ideia do Black Album como eles pensaram na época. Um álbum que marcou gerações e saiu no produtivo e decisivo ano de 1991, sobretudo pela importância do seu produtor, o criador total deste álbum, um sujeito desprezado e vítima do ridículo nas primeiras sessões por eles próprios, e depois reverenciado quando a banda conseguiu ver o ótimo resultado do álbum.

Mas sim, Bob Rock foi riscado da lista do Metallica (pelo menos profissionalmente), após o episódio amargo de “St. Anger”, onde tudo foi evidenciado no grande documentário “Some Kind of Monster”; Claro, as palavras de Hetfield após a realização deste álbum enfatizaram algo que ninguém pode negar: "Graças a ele sou o que sou", tendo sido motivado graças ao produtor a derivar sua linha vocal a níveis inimagináveis ​​para ele ou para outros. Metallica fãs.

Foi um álbum onde "as estrelas se alinhariam" como eles mesmos diriam, e depois de mais de 20 anos de tal registro, é claro que foi algo assim, o Metallica saiu do thrash mais bruto para entrar em linhas melódicas e um forma única de compor, grosseira se quiser, mas com uma força tão grande que lançaria as bases para a nova forma de ver o metal a partir dos anos noventa.

Ficou claro que a grande polêmica de “…And Justice for All” era esconder as linhas de baixo em favor da onipresença das fortes guitarras e baterias de Hetfield e Ulrich respectivamente, e o mea culpa veio de todos. Hetfield sentiu profundamente por isso e não queria que isso acontecesse novamente. "Precisamos da supervisão de alguém desta vez", disse ele. Jason Newsted, o "afetado" declarou sua responsabilidade em primeira instância a esse respeito, talvez por não ser o membro "subjugado", mas por conceber o álbum como ele era. Sua participação no álbum preto diria o contrário e as linhas de baixo seriam justificadas de alguma forma (novamente pelo trabalho de Bob Rock).

O acúmulo de ideias aos poucos se desenvolveu, a coragem de Bob Rock em enfrentar a banda, passar por suas zombarias e o rumo que estava dando ao álbum, foi algo marcante. “Eu os vi tocar ao vivo e acho que em seus discos eles não fazem algo assim” foi a carta de apresentação para o espanto do Metallica como um todo. Lutou contra egos importantes, criou um trabalho de equipa coeso que a banda não tinha conseguido e poliu com muito trabalho cada uma das canções deste álbum, canções das quais não há, ou seja o que se chama de ZERO sobras.

Com 'Nothing Else Matters' a sensibilidade de Hetfield aflorou mais do que nunca, com aquela abertura simples, da guitarra nem com posturas, mas limpa, arrumada; a participação de um incrédulo Michael Kamen no arranjo orquestral da música estava dando a ele o pedigree que tal powerballad merecia (mais tarde isso o levaria a liderar todos os clássicos do Metallica em forma sinfônica no show/álbum S&M), música que Hetfield nunca pensou em compartilhar com o Metallica, muito introspectivo: “Nunca me abri assim”. Frase arrepiante que diz muito mais do que você pensa.

Kirk Hammett foi outro membro que Bob Rock trotou. El solo de 'The Unforgiven' debe ser uno de los más sufridos de su carrera, tuvo que inventarlo y reinventarlo una y otra vez bajo el látigo del productor y fue cuando más enrabiado estaba cuando logró soltarlo para convertirlo en uno de los mejores solos de a história. Um tema muito Hetfield também em suas letras, refletindo o ódio de seus pais que queriam incutir nele a ciência cristã e toda a sua rebelião contra ela. Como em "The Good, The Bad & The Ugly", a corneta de seus primórdios inspirada nos filmes Spaghetti Western como diria Lars Ulrich.

São mais de 20 anos e joias de metal sem sinais de expiração, clássicos do carro, da casa, bares, carretéis. 'Sad But True' é bestial, como sempre Hetfield é uma parte muito importante na criação de riffs, a bateria de 'Holier Than Thou' é implacável e a onda impressionante de 'Of Wolf and Man' é tão precisa a ponto de recriar que Hetfield tinha aquele lobo e do homem ao interpretá-lo ao vivo.

James Hetfield sempre foi habilidoso com as letras, muito mais do que com as composições, 'Wherever I May Roam' tem aquele espírito rock onde quer que você o veja, o da rua, do vagabundo, de procurar um destino, o “No Direction Home” por Dylan versão metal. Hammett diria que é também sobre a turnê e os "próximos 10 anos do Metallica" que viriam após o lançamento deste álbum. Algo que deu muito certo e, por outro lado, fez com que a banda se tornasse uma das maiores bandas de metal de estádio do planeta.

Por outro lado, se existe uma música que faz uma oferenda ao que é metal e headbanging é 'Through The Never' com aquela letra ótima e aquele ritmo esmagador, incessante, mas puro sedutor, caso totalmente diferente é 'Enter o glorioso arqui-sucesso do Sandman' Metallica, o "hit" que a essa altura já se pode dizer que é chato de ouvir, mas não, é impossível não se curvar aos seus riffs cheios de groove e aquela escuridão pegajosa que ele possui, o pesadelo de bilheteria, mas pesado dominante.

A produção deste álbum foi tão árdua que eles não quiseram ver Bob Rock novamente nos anos seguintes ao seu lançamento (embora tenham continuado trabalhando com ele por muitos mais anos), um cara que era odiado, mas que, por meio de profissionalismo e brutal capacidade de enfrentar uma banda que deveria estar no ápice de sua carreira, recebeu em troca o fato de ser o produtor de um dos álbuns mais vendidos e clássicos da história do heavy metal, e que soa tão fresco e poderoso hoje, como naqueles distantes 1991.


Disco Imortal: The Doors (1967)

 Immortal Record: The Doors (1967)

Elektra, 1967

Os álbuns de estreia têm sido historicamente marcados pela inocência ou inexperiência dos seus principais membros e o caso dos The Doors pode ser um deles, embora claramente a inexperiência se devesse à gestão da indústria e à relação com quem gere as editoras. . Ao ouvir a estreia da lendária banda californiana, parece que estamos a ouvir uma banda com muita envergadura, a de um álbum clássico imediato e inato e claramente isso deveu-se à escola de blues de Ray Manzarek e à tremenda poética maestria de seu indiscutível líder: o grande Jim Morrison.

A poesia de Morrison foi se acentuando com o passar dos anos, logicamente havia muita intriga, mistério e escuridão em tudo o que compôs: a maldita poesia de Arthur Rimbaud e Charles Baudeleiare, a brutal e esmagadora filosofia de Nietzsche, e as abordagens dos textos sobre mescalina e drogas postuladas por Aldous Huxley (que aliás inspirou o nome da banda e a famosa fase psicotrópica “ Se as portas da percepção fossem limpas tudo apareceria ao homem como é, infinito”, citado por William Blake ).

Foi um acúmulo de conhecimento aplicado, estranheza, irreverência aliado a uma paixão pelo blues de Chicago que fizeram desta uma das grandes estreias da história do rock. Não era nem convincente para as massas, seus singles classificados abaixo de centenas de canções de outros artistas, mas o tempo provaria certo quando pesado por joias da linhagem de “Light My Fire”, “Break on Through”, “ Crystal Ship " e muitos mais.

Mais -ou além- do que um grande álbum, vimos nascer uma grande figura, quase messiânica como foi Jim Morrison, um cara que do medo do palco se tornou um dos frontmen mais irreverentes, confrontadores e revolucionários. Ele desafiou o mundo e os programas de TV onde foram convidados, como o show de Ed Sullivan onde eles enganaram a censura imposta anteriormente e é sabido que mais tarde a polícia teve que retirá-lo do palco muitas vezes.

Nos primeiros dias, ninguém "comprava" Morrison e suas extravagâncias no palco, eles o tratavam como um "idiota bêbado" e até mesmo uma rivalidade um tanto egoísta com o próprio Jimi Hendrix resultou disso.

A investida com 'Break on Through' na primeira faixa foi fulminante, o que dizer, um rock direto, onde Morrison soltou gritos viscerais que vieram reclamar seu lugar de rockstar, contaminado de raiva e indolência. Mais ácido e onírico foi 'The Crystal Ship', emocional. Que música emocionante para relembrar dele, naquele vídeo onde ele aparece tomando banho em um rio, e a tremenda 'Light My Fire', nascida como o primeiro clássico, muito valorizada pela marca que Ray Manzarek ia marcar com seus teclados e na forma que The Doors se apresentou ao mundo: a de uma banda de blues rock claramente, mas com os órgãos Hammond totalmente presentes e dando uma identidade muito própria.

Quando pensamos em blues rock nos anos sessenta, eram as bandas inglesas que estavam levando tudo: The Rolling Stones, Cream, Led Zeppelin, The Doors eram a grande banda americana que defendia que o blues era daquele berço e que precisava de um peso representativo nesta transição.

Os solos de Robby Krieger foram outro grande elemento deste álbum, em 'Soul Kitchen' ele brilha sob uma marcha lisérgica, 'Twentieth Century Fox' simplesmente nos leva a outra dimensão e por que falar de 'The End', a imensa e épica canção de encerramento em qual Morrison disse que queria matar seu pai e foder sua mãe dentro de um caminho de desespero e perda emocional das vistas mais pesadas.

O sucesso da Elektra Records em apostar na banda foi plenamente recompensado ao longo dos anos, assim como o do produtor Paul Rothschild, que a partir deste álbum criou um vínculo eterno com a banda, consagrando-se junto com eles. Eles optaram por um pôster gigante na Sunset Street com a imagem desses quatro hippies intelectualóides que diziam que algo grande estava por vir. Foi apenas a estreia, naquela que deve ser uma das carreiras mais intensas, influentes e inesquecíveis para uma banda, e em uma era de ouro mais lembrada e valorizada para sempre.


Sérgio Godinho – Tinta Permanente (1993)

 

Um disco elegante, que cruza a guitarra com pinceladas jazz e arranjos eruditos. Dois temas tornam-se canónicos: a arabesca “O Elixir da Eterna Juventude” e a soturna “Fotos de Fogo”.

Na Vida Real (1986) e Aos Amores (1989) tinham um travo forte a jazz de fusão e um fascínio (muito anos 80) por sintetizadores. Tinta Permanente (1993) conta com um homem do jazz na direcção musical mas João Paulo Esteves da Silva escolhe um caminho não só menos jazzístico como também mais orgânico, onde os timbres naturais (como a guitarra de Sérgio e o piano de João Paulo) são dominantes. Tudo é agora orquestrado com uma precisão clássica e erudita, com arranjos de cordas e de sopros lindíssimos, desenhados a filigrana.

Quem mais beneficia deste requinte formal são os temas mais tristes (como “Enfim, SOS” e “Pequenos Delírios Domésticos”), que adquirem um dramatismo quase cinematográfico. Com “Fotos de Fogo” então nem se fala: quase que ouvimos o crepitar da lareira e o desfolhar do velho álbum de fotos, enquanto mergulhamos no terror das memórias de guerra.

Alguns temas mais enérgicos nem sempre resultam tão bem, com a sua rebeldia latente traída por arranjos demasiado engravatados (coros femininos incluídos). Não é o caso de “O Elixir da Eterna Juventude”: os sopros arabescos e baixo gingão põem uma morgue a dançar! Que delícia o seu rap hipocondríaco (os fãs de hip-hop que me perdoem mas o melhor flow em português é o do Godinho). Envelhecer é uma inevitabilidade e os remorsos sempre vãos, vai dizendo nas entrelinhas. À-pre-lom-pom-pom…



ROCK ART

 


Destaque

Firebird - Deluxe

  Banda: Firebird Disco: Deluxe Ano: 2001 Gênero: Blues-Rock, Stoner Rock, Hard Rock, Heavy Psych Faixas: 1. Dirt Trap (Steer) 3:15 2. Forsa...