terça-feira, 10 de setembro de 2024

Trilhas sonoras de Eleni Karaindrou para os filmes de Theo Angelopoulos

 Na terça-feira, 24 de janeiro de 2012, Theo Angelopoulos estava atravessando a rua em Pireu, no local de filmagem de seu próximo filme. O título seria The Other Sea, o segmento final de sua trilogia sobre a Grécia moderna. O filme pretendia abordar os problemas preocupantes enfrentados pela Grécia: greves, imigrantes ilegais, aumento da taxa de suicídio, desemprego e violência, com uma história de fundo de uma companhia de teatro tentando encenar a Ópera dos Três Vinténs de Bertolt-Brecht. Ele levou seu visor com ele para visualizar a cena que planejava filmar no dia seguinte. Uma motocicleta conduzida por um funcionário no set o atingiu no meio da rua. O diretor foi levado ao hospital, onde morreu após algumas horas de ferimentos na cabeça. Foi um final trágico para o que teria sido a nona colaboração entre Angelopoulos e a compositora Eleni Karaindrou, que desde 1984 criou uma das coleções mais impressionantes de trilhas sonoras de filmes da história do cinema moderno. Esta é a história dessa colaboração, oito filmes no total, e a música que embeleza os visuais impressionantes capturados nesses filmes.

Eleni Karaindrou e Theo Angelopoulos1

Eleni Karaindrou e Theo Angelopoulos

A carreira de Karaindrou começou como pianista clássica. Ela se mudou para Paris durante a junta militar grega no final dos anos 1960 e início dos anos 1970 e começou a ter aulas de orquestração. Ela rapidamente percebeu que estava atraída pelo mundo da composição musical. Ela também estava tendo aulas de etnomusicologia, e seu interesse em música étnica se tornaria crítico em sua música para filmes. Ela é conhecida por seu trabalho como compositora de filmes, mas tem uma carreira ainda mais prolífica em outras mídias. Ela escreveu música para mais de 60 produções teatrais, filmes de TV e séries desde 1975: “Eu nunca planejei me tornar uma compositora de filmes. Meu grande amor é o teatro. Eu escrevi peças para peças de Pinter, Goldoni, Chekhov e Shakespeare. Para filmes, eu geralmente componho a música com antecedência, mas com o teatro a música vem no final. Você vai algumas vezes aos ensaios, mas só começa a compor três ou quatro semanas antes da estreia.”

Eleni Karaindrou 1

Karaindrou conheceu Theo Angelopoulos em 1980, quando ouviu sua música para o filme Wandering, do diretor Hristoforos Hristofis. Ele pediu a ela, junto com outros dois compositores, para escrever a música para seu filme Alexandre, o Grande. Compartilhar o papel de composição musical entre os compositores provou ser uma ideia malfadada. Karaindrou lembra: "Finalmente concluí que isso era por insegurança, ou ele ainda não havia adquirido um senso de cooperação com um compositor. Ele finalmente conseguiu Chalaris Christodoulos, que fez um trabalho muito bom." Em 1982, ela ganhou um prêmio no Festival Internacional de Cinema de Thessaloniki em 1982 por outro filme de Hristofis, Rosa, para o qual compôs a bela Canção de Rosa. Theo Angelopoulos foi presidente do júri naquele festival.


Agora um compositor de trilhas sonoras muito mais conhecido, Angelopoulos a chamou para trabalhar no filme Viagem a Citera, sobre o pai de um cineasta de sucesso que, ao retornar do exílio na União Soviética, descobre que sua vila está se transformando em uma estação de esqui para turistas da Europa Ocidental.

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Viagem a Citera

Angelopoulos estava ouvindo o concerto para dois bandolins de Vivaldi ao escrever o roteiro do filme e em algum momento teve a ideia de incluir variações do concerto ao longo do filme. Karaindrou escreveu dois motivos principais que se repetem com arranjos diferentes em várias cenas. O primeiro é uma peça orquestral que é usada para a abertura do filme. A trilha sonora de Voyage to Cythera marca a primeira de muitas aparições nos projetos musicais de Eleni Karaindrou por um dos instrumentistas mais críticos em seus discos: “Enquanto eu estava trabalhando neste filme, conheci Vangelis Hristopolus, o oboísta que é meu colaborador regular desde então. Ele está presente em todos os meus projetos. Quando ouvi seu oboé alto pela primeira vez, foi uma experiência tão emocionante que me fez chorar.”

O segundo motivo é uma canção folclórica com letra de Karaindrou, apresentada algumas vezes no filme com diferentes interpretações, incluindo jazz e rock, a mais autêntica como uma Rebetiko grega cantada pelo famoso cantor George Dalaras.


Eleni Karaindrou George Dalaras Viagem a Cythera

Eleni Karaindrou com George Dalaras

Angelopoulos adorava criar filmes em trilogias. Na década de 1970, ele se concentrou na história da Grécia moderna em sua primeira trilogia: Days of '36, The Travelling Players e The Hunters. Voyage to Cythera foi o primeiro de um trio de filmes conhecido como Trilogy of Silence, e foi o primeiro filme do diretor ambientado inteiramente no presente. O segundo filme dessa trilogia, The Beekeeper, foi lançado em 1986. Marcello Mastroianni interpreta um apicultor solitário dirigindo um caminhão pela Grécia, que se envolve com um jovem caroneiro. Karaindrou escreveu algumas das músicas folclóricas gregas mais cativantes em seu repertório para este filme, incluindo To Vals Tou Gamou (The Wedding Waltz).


Karaindrou relembra um episódio do filme: “Há uma cena em The Beekeeper em que Marcello Mastroianni dança com sua filha antes de partir em uma viagem. E no final dessa jornada ele cometerá suicídio, então essa dança também é uma despedida. Eu encontrei uma maneira de expressar essa tristeza, e Theo filmou a cena com base na minha música.”

O Apicultor

O Apicultor

A trilha sonora do filme é única por sua colaboração entre o compositor e o saxofonista norueguês Jan Garbarek, um sonho realizado depois de “anos que passei em praias ouvindo seu som”. Ela foi apresentada à sua música pela primeira vez após ouvir seu álbum Places de 1978: “Quando ouvi sua peça Reflections, senti que havia encontrado algo muito próximo ao meu coração e ao meu país. Há um forte sabor balcânico ali. E quando escrevi o tema para o Beekeeper, entendi muito rapidamente que apenas Jan poderia fornecer as cores necessárias.”

Sem perceber na época que ela poderia facilmente obter seu número de telefone através da gravadora ECM para a qual Garbarek gravou vários álbuns, ela o adquiriu através do Teatro Nacional de Oslo. Depois de fazer contato, ela voou para encontrar Garbarek e deu a ele a música escrita para uma série de peças que ela compôs. Garbarek as gravou prima vista, lendo a partitura à primeira vista na sessão de gravação. O resultado foi algo que poderia facilmente ter vindo de uma das gravações atmosféricas de Garbarek para a ECM, como em Thema Tou Apoheretismou Kai Vals (A Onda do Casamento).


Angelopoulos tinha algumas reservas sobre incluir Garbarek na trilha: “Ainda não tenho certeza se ela estava certa ou não. Foi decisão dela usar o saxofonista Jan Garbarek para The Beekeeper. É verdade, nesta ocasião não era exatamente jazz que ele estava tocando (embora ele toque bastante jazz com Keith Jarrett e outros), mas algo muito mais próximo da música folclórica grega. A trilha sonora é algo entre os dois, não exatamente um nem outro. Estou satisfeito com a música; no entanto, me pergunto se não havia outras soluções, pois ainda há algo que me incomoda, a sensação de que às vezes a música não está suficientemente integrada na imagem.”

Eleni Karaindrou Jan Garbarek O Apicultor

Eleni Karaindrou com Jan Garbarek

Landscape in the Mist veio em 1988, um dos filmes mais comoventes de Angelopoulos sobre uma adolescente e seu irmãozinho que fogem de sua pequena cidade em busca do pai ausente, que supostamente imigrou para a Alemanha. Entre pegar trens e caronas, eles fazem amizade com um jovem que os ajuda no caminho. O filme não sentimentaliza as experiências de seus personagens e as condições de suas vidas. Angelopoulos disse sobre o filme: “Não costumo assistir meus filmes e, quando assisto, vejo imediatamente as coisas de que não gosto, que poderia ter feito de forma diferente. Mas há filmes com os quais não fiquei feliz no início, que lentamente desenvolveram vida própria e dos quais agora gosto mais. Por exemplo, Landscape in the Mist. Hoje, acho que é um dos filmes mais tocantes que já fiz — na verdade, adoro esse filme.” Para a cena final do filme, quando as crianças estão na fronteira alemã e caminham em direção a uma árvore ao longe, Karaindrou escreveu o melancólico Adagio para Cordas e Oboé.


Em uma entrevista, Karaindru disse sobre seu estilo de trilha sonora de um filme: “A música de filme americana que segue a ação, isso é apenas muito barulho. Claro que eles também fizeram coisas bonitas, por exemplo, por Bernard Hermann. Mas eu me sinto especialmente relacionada a compositores como Delerue, Duhamel (compositor de Pierrot le Fou) e Rota.”

kinopoisk.ru

Paisagem na névoa

Karaindrou refletiu sobre a tristeza em sua música: “Eu expresso minhas emoções na minha música. Certas coisas me machucaram, o fato de minha mãe ter morrido quando eu tinha sete anos, a mudança do campo para Atenas. Quando criança, eu corria descalça pela floresta, a água corrente, a neve. Eu perdi isso. Depois veio a ditadura grega, todos esses são exemplos de separação e perda. No entanto, não acredito que minha música expresse melancolia negra. Ela não te quebra. Você sente uma dimensão mais profunda da vida. Talvez nostalgia seja uma palavra melhor para descrevê-la.”

Eleni Karaindrou 2

Em 1991, Angelopoulos embarcou em outra trilogia, desta vez sobre fronteiras. No primeiro filme dessa trilogia, The Suspended Step of the Stork, Angelopoulos captura a desesperança e a confusão da política. Um jornalista de TV vê uma alma perdida em uma vila de refugiados e acredita que ele é um político que desapareceu do Parlamento grego. O jornalista procura a esposa do político para confirmar suas suspeitas e se envolve romanticamente com a filha do homem, que está prestes a se casar com um jovem do outro lado da fronteira. Novamente, a cena final é visualmente impressionante e musicalmente emocional e nostálgica.


Karaindrou: “Meu relacionamento com o movimento da câmera é, fundamentalmente, mais importante do que meu relacionamento com o roteiro. Claro, a música tem que sublinhar a história, mas o significado de um filme nem sempre é explícito no roteiro. Imagem e música têm que se combinar para dizer o que não pode ser facilmente dito em palavras. Às vezes você olha para um roteiro e parece nada: como Harold Pinter diz, o significado real está por trás das palavras.”

Eleni Karaidrou_O Degrau Suspenso da Cegonha_Frente

The Suspended Step of the Stork foi o primeiro lançamento de uma trilha sonora completa de Eleni Karaindrou no selo ECM. Uma coleção de peças de filmes anteriores, originalmente lançadas em outros selos, foi lançada na ECM em 1991 no álbum Music for Films. Isso deu início a um relacionamento longo e duradouro com o selo e seu fundador Manfred Eicher. Karaindrou: “Eu não conhecia Manfred pessoalmente quando gravei com Jan Garbarek a música para o Beekeeper. Eu admirava seu trabalho na ECM com uma geração inteira de músicos como Keith Jarrett, Ralph Towner e outros improvisadores. Manfred viu Voyage to Cythera e adorou. É por isso que ele concordou que Garbarek tocasse na trilha sonora de The Beekeeper. Começamos a conversar em 1988, e levou três anos até que realmente trabalhássemos juntos. Ele é a cola entre todos os artistas em seu selo. Ele sempre se entrega totalmente. Toda vez que trabalho com ele, sinto que estou lidando com um músico de verdade. Ele tem um feeling especial para edição. Ele sabe onde cada instrumento deve ser usado. A dramaturgia das minhas trilhas sonoras, a ordem das músicas, sempre fazemos juntos.”

Karaindrou Eicher

Eleni Karaindrou com Manfred Eicher

1995 viu o lançamento de Ulysses' Gaze, onde Harvey Keitel interpreta um cineasta americano nascido na Grécia que está tentando localizar rolos de filme não revelado gravado em 1905, o primeiro filme nos Bálcãs. A paisagem da Europa Oriental pós-comunista é um estudo do colapso durante a guerra. A tocadora de viola Kim Kashkashian faz sua primeira aparição em um álbum do Karaindrou aqui, e ela é perfeita para a música sombria e lenta que o compositor escreveu. É uma das trilhas sonoras mais minimalistas de Karaindrou, com um único tema que se repete em muitas variações ao longo do filme, sempre com um fundo de drone sem ritmo tocado por uma orquestra de cordas.

Eleni Karaindrou Jan Garbarek Kim Kashkashian

Eleni Karaindrou, Jan Garbarek, Kim Kashkashian

A música do filme foi escrita depois que Angelopoulos contou a história a Karaindrou e antes de uma única cena ser filmada. Como em muitas de suas colaborações, a música não é cronometrada precisamente para as cenas, mas sim melhora o clima do que a câmera captura: “Começamos, na maioria dos casos, antes que haja um roteiro, trabalhando para fora dos conceitos subjacentes do filme. Angelopoulos é um homem que sente muito e diz pouco, então é importante para mim entender as ideias na raiz de seu trabalho e como posso ajudar a transmitir as coisas que não serão expressas verbalmente no filme. Às vezes, já encontrei o tema principal quando temos um roteiro.”

O filme ocupa um lugar especial no coração do compositor: “O Olhar de Ulisses, para mim, é um dos momentos mais poderosos da minha vida. Essas são emoções que não podem ser comparadas a nada mais. Um dos filmes mais importantes em que já trabalhei. Embora eu goste de todos os filmes de Angelopoulos e tenha uma relação maternal com eles, guardo uma emoção especial por este específico.”

eleni karaindrou - olhar de ulisses - frente

O último filme da trilogia de fronteiras foi lançado em 1998. Eternidade e um Dia apresenta Bruno Ganz como um escritor famoso e com doença terminal cuja filha se casou com um yuppie. Ele fica obcecado em salvar um garotinho que vive na rua de ser vendido para europeus ocidentais ricos que querem adotar crianças. Eles viajam em direção à fronteira greco-albanesa. Angelopoulos sobre a música do filme: “Em Eternidade e um Dia, pedi a Eleni para não escrever uma peça triste, apesar do fato de que poderia ter parecido a escolha óbvia para um filme que lida com uma pessoa que enfrenta a distinta eventualidade da morte. Aos meus olhos, no entanto, o filme é quase um convite à vida. Eleni havia composto originalmente algo muito triste, provavelmente por causa de seu próprio estado de espírito, seu pai tendo morrido pouco antes. Mas não era isso que eu estava procurando. Eu disse a ela que o que ela havia escrito era lindo, mas não para mim. Ela tentou insistir, mas eu não mudaria de ideia. E então ela disse que tinha mais algumas improvisações, que ela não achou muito interessantes. Ela começou a tocar e eu imediatamente disse a ela: 'É isso.' Essa era a frase-chave para toda a música do filme.”

A trilha sonora do filme Eternity and a Day inclui um dos temas mais reconhecíveis do repertório de Karaindrou. Ela mesma o toca como uma peça solo de piano


e também pode ser ouvido com um arranjo orquestral completo.


Eleni Karaindrou_Eternidade e um dia_Frente

Explicando o processo de escrever as trilhas sonoras de seus filmes, Angelopoulos acrescentou: “Temos um relacionamento muito próximo. Primeiro, conto a ela a história do próximo filme. Ela tem um gravador e grava. Ela não quer ler o roteiro — ela insiste que precisa ouvir o som da minha voz e minha inflexão ao contar a história. Estranhamente, recebo o mesmo pedido de todos os atores dos meus filmes. Não é com o roteiro que eles querem se familiarizar, mas com a minha interpretação dele. Provavelmente é porque, quando estou contando uma história, não o faço em uma sequência lógica e linear. Estou tentando criar um clima adequado para isso. As palavras que escolho para expressar meus pensamentos, a estrutura das frases, os silêncios, tudo isso estabelece um contato direto entre mim e meus ouvintes, algo que eles não conseguem lendo um manuscrito.” Karaindrou acrescenta: “Os temas principais estavam prontos antes de começarmos a filmar as cenas. Às vezes, ele os usava enquanto dirigia as cenas.” O resultado do trabalho deles juntos fez uma combinação visual e sonora hipnótica: “A música de Eleni não apenas segue as imagens, mas se torna inseparável delas. Por isso, não se pode definir o que é o quê, porque elas são tão fortemente interconectadas”.

CÂMERA DIGITAL OLYMPUS

Eleni Karaindrou e Theo Angelopoulos

Angelopoulos tinha mais uma trilogia em mente, retornando ao tema da Grécia moderna. A primeira parte foi The Weeping Meadow, lançada em 2004, contando a história de uma menina órfã, adotada por refugiados que retornaram à Grécia em 1919, depois que a recém-formada União Soviética exilou os gregos de Odessa. O enredo abrange os eventos da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Civil Grega que se seguiu. Karaindrou escreveu sobre a música que compôs para o filme: “The Weeping Meadow é feito de fragmentos de memória e da ressonância de uma terra que sentiu os passos de milhares de pessoas desenraizadas de Odessa e Esmirna. Esta terra os viu criar raízes novamente e cantar suas tristezas, sentiu sua expectativa, sua fé, seus sonhos e silenciosamente chorou com eles por suas esperanças perdidas.” Além de uma orquestra de cordas, Karaindrou adicionou uma harpa, acordeão e lira de Constantinopla, um instrumento de cordas de arco medieval da era bizantina. O tema do Desarraigamento transmite bem o que ela sentia em relação às pessoas deslocadas de sua terra.

Karaindroy - O prado chorão - Frente

Em The Dust of Time de 2008, um diretor americano de ascendência grega, interpretado por Willem Dafoe, vem à Cinecitta de Roma para fazer um filme baseado em sua própria vida e na vida de seus pais. Nas notas do encarte da trilha sonora do filme, o CD Karaindrou escreveu um pequeno poema, agradecendo aos solistas desta trilha sonora: Sergiu Nastasa no violino, Renato Ripo no violoncelo e Maria Bildea na harpa:

Algumas notas, uma dança à beira do rio,

Um toque passageiro, uma separação.

Vidas caçadas

E um século desaparecendo,

Cobrindo os sonhos dos poetas

Com poeira.

Canção da nostalgia

Investiga a alma.

Sérgio, Maria, Renato,…

Obrigado por cantar isso

Junto comigo.

Waltz by the River apresenta os três instrumentistas em uma linda melodia.


Frente da Poeira do Tempo

A terceira parte da trilogia estava em andamento quando o trágico acidente aconteceu. Karaindrou disse em uma entrevista: “Muito pouco foi filmado. Mesmo que todas as cenas fossem filmadas, o filme nunca poderia ser lançado. Angelopoulos o teria reescrito duzentas vezes. Quando ele chegou ao set, ele mudou tudo. O mesmo durante a edição. Essa foi a genialidade de Angelopoulos. Como outra pessoa poderia terminar o filme?”

Nunca na história das colaborações entre diretor e compositor houve uma dupla tão apreciativa do valor do silêncio. Angelopoulos: “No cinema de hoje, o chamado tempo morto – silêncio e pausas – se tornou obsoleto. Esse tempo indefinido que funciona entre um ato e outro desapareceu. Para mim, até o silêncio precisa funcionar de uma forma quase musical, não ser fabricado por meio de cortes ou tomadas mortas, mas existir internamente dentro da tomada.” Karaindrou: “Acho que não é coincidência que eu esteja em uma gravadora, a ECM, cujo lema é 'O som mais bonito ao lado do silêncio'. Para mim, o silêncio é a música mais agradável. Inclui tudo. Porque faz você ouvir a batida do seu coração, o som da sua respiração, o sussurro mais inteligente da natureza. O silêncio é o que há de mais musical. Lembro-me, quando ainda era criança, de ter compreendido o poder aterrorizante do silêncio. Quando eu estava na aldeia, cerca de cinco anos depois, uma noite estava nevando. O que acontece quando a neve cobre tudo é incrível. Nenhum som é ouvido. Quando chegamos a Atenas, eu tinha uma profunda nostalgia pela minha natureza e minha aldeia. Uma noite, então, acordei, porque de repente não havia barulho, mas apenas silêncio absoluto. Olhei para as persianas e tudo estava branco. Atenas, toda branca. Acordei da lembrança do silêncio da neve que eu tinha experimentado em minha aldeia.” O escritor Nicholas Triandafyllidis resumiu bem: “Em todas essas centenas de metros de filme, a música de Eleni representa o sangue não derramado na tela”

Eleni Karaindrou 3

Paulo Diniz – ...E Agora José (1972)

 


“Depois que o Paulo adaptou o poema ‘E Agora, José?’, o que se dizia é que o próprio Drummond confessou, um dia, que não conseguia mais tirar a melodia da cabeça ao recitar”. O testemunho é do jornalista paraibano José Teles, biógrafo em potencial do músico Paulo Diniz. Em 1972, enfronhado no universo da poesia, Paulo Diniz resolveu musicar os versos mais conhecidos de então, e se atreveu a criar melodia para o poema “E agora José?”, de Carlos Drummond de Andrade. O resultado foi um sucesso de público e crítica, incluindo o poeta...

Faixas do  álbum:
01. Vou me Embora
02. Jose
03. Bahia Comigo
04. Gosto Aborrecido
05. Chora Morena
06. Quem tem um Olho e Rei
07. Rasgo Seda a Bessa
08. Como
09. Miradouro
10. Maria Portugal
11. Pés Descalços




Review: Rotting Christ – The Herectics (2019)

 


O Rotting Christ me conquistou quando lançou seu décimo disco, Aealo (2010). A união entre um metal repleto de melodia e elementos da música grega e mediterrânea deu ao mundo um álbum sensacional e totalmente fora da curva do que se fazia naquela época. E mesmo quase uma década depois, o disco continua soando inovador.

Entretanto, a banda liderado pelo vocalista e guitarrista Sakis Tolis jamais repetiu tal feito, pelo menos aos meus ouvidos. Tenho acompanhado o grupo desde então, fui atrás dos álbuns anteriores e ouvi os que vieram depois, e sigo com a opinião de que Aealo é o ápice da carreira do Rotting Christ.

The Heretics, novo trabalho do quarteto grego, não muda nada disso. Lançado na metade de fevereiro pela Season of Mist, o álbum traz dez músicas que mostram a banda seguindo a linha do black metal melódico que a consagrou. Resumida a apenas Sakis e seu irmão Themis (bateria), o Rotting Christ gravou um disco que não é ruim e tem bons momentos, mas possui pouca força para se destacar em um mercado tão competitivo quando o metal, onde novas bandas surgem a cada minuto.

As canções de The Herectics trazem a sempre marcante presença de melodia, aqui intercalada com coros quase onipresentes e que dão um clima meio sacro para as composições. Os andamentos me soaram meio repetitivos, o que contribuiu para a percepção de que trata-se de um trabalho que mostra a banda grega fazendo algo que já fez antes. A questão é que, para quem nunca ouviu o Rotting Christ, o álbum pode ter um efeito muito mais positivo do que para aqueles que já conhecem o som dos caras. E o mesmo vale para os fãs mais novatos de heavy metal e que não possuem tanta estrada no estilo, que certamente ficarão satisfeitos com a maneira como as canções dos irmãos Tolis são construídas, ao contrário de quem já possui um histórico maior dentro do estilo e perceberá que o caminho seguido pelos gregos já foi mais original.

Concluindo, The Herectis é um disco nota 6, no máximo nota 7 dependendo do humor de quem o analisa. E isso é pouco para uma banda que já gravou algo tão espetacular como Aealo.



Review: Avenger – Prayers of Steel (1985, reedição com CD bônus)

 


Vou contar uma história. Meu primeiro contato com Prayers of Steel (1985), disco de estreia do Avenger, foi através do catálogo impresso que a Hellion Records enviava para todo o Brasil nas décadas de 1980 e 1990. Era um negócio imenso, com centenas de discos nacionais e importados. Lembro de escrever para a gravadora pedindo o catálogo e, após recebê-lo, fazer um pedido que incluía o Prayers of Steel em vinil.

Corta para o início dos anos 2000. Estou começando a escrever sobre música, e em uma das primeiras remessas que recebo de material promocional da Hellion sou surpreendido com um disco espetacular do Rage, o incrível Speak of the Dead (2006), que logo se tornaria um dos meus álbuns favoritos.

O que essas duas bandas têm em comum? Pra começar, são a mesma banda. O Rage começou como Avenger e lançou apenas o seu debut e o EP Depraved to Black (também de 1985) com esse nome, mudando em seguida para Rage. Outro ponto em comum é que no início da minha vida como colecionador de discos consegui itens interessantes para quem morava no interior do Rio Grande do Sul graças ao catálogo da Hellion. E anos mais tarde, quando decidi começar a escrever sobre música, descobri uma das minhas bandas favoritas devido ao material promo enviado pela gravadora.

Pois bem: Prayers of Steel foi relançado em CD pela Hellion no final de 2018, trazendo um disco bônus com material extra. Musicalmente, o que temos é uma banda em início de carreira executando o power metal com a tradicional qualidade alemã, porém sem a enorme dose de melodia dos seus conterrâneos – e também colegas de geração – do Helloween, cujo primeiro álbum, Walls of Jericho, também saiu em 1985. O Avenger tinha uma pegada mais voltada para o metal clássico, com riffs conduzindo as músicas e o vocal acima da média de Peter “Peavy” Wagner (também baixista). Na época a banda era um quarteto e contava também com o ex- Stratovarius Jörg Michael na bateria, além da dupla de guitarristas Jochen Schröder e Alf Meyerratken. O ataque da dupla de guitarras faz com que o som seja mais sólido, e ainda que ambos não fossem necessariamente virtuosos, derramam paixão e sinceridade em cada faixa.

De modo geral, Prayers of Steel é um disco apenas mediano de uma banda muito esforçada mas que já mostrava potencial, como ficaria comprovado nos anos seguintes. E, acima de tudo, é um dos clássicos perdidos do metal europeu dos anos 1980, responsável por apresentar ao mundo dois músicos que fariam história poucos anos depois: Peavy e Jörg. Essa nova edição de Prayers of Steel já possuiria um caráter colecionável por esses fatores, aspecto que fica ainda mais forte com o CD bônus, que traz nada mais que 16 faixas extras.

Quer conhecer mais sobre os primórdios do metal alemão ou é fã da música pesada germânica? Então eis aqui um item imperdível.



Review: Cancer – Shadow Gripped (2018)

 


Formado no final da década de 1980 na cidade de Telford, a Inglaterra, o Cancer é um dos nomes cultuados do death metal britânico. Pouco conhecido pelo público em geral, porém dono de uma audiência fiel entre os apreciadores do gênero. Após um hiato de dez anos, a banda voltou à atividade em 2013 e esse retorno viu o seu primeiro fruto inédito em 2018, com o lançamento do sexto álbum do grupo, Shadow Gripped.

O disco marca a volta da formação original – John Walker (vocal e guitarra), Ian Buchanan (baixo) e Carl Stokes (bateria) – e traz um som com pegada old school. A música do Cancer é pesada e agressiva, porém sem o virtuosismo técnico que tomou conta do death metal nos últimos anos. O negócio dos caras é tocar de maneira agressiva e repleta de peso, com andamentos que não descambam para os blast beats alucinados e coisas do tipo. Vocal gutural, bons riffs e pancadaria onipresente são os ingredientes principais, formando uma música cativante e que certamente agradará os fãs de death metal saudosos pelo sonoridade do estilo nos anos 1990.

O disco ganhou uma edição nacional pela Hellion Records, então se você curte a banda e um death com pegada mais old school, tem tudo pra gostar de Shadow Gripped.



Review: Cadillac Dinossauros - Disco Riscado (2019)

 


Permitam-me a liberdade de uma crítica impressionista (e, no cenário da crítica musical brasileira, uma análise mais rigorosa sobre o rock aqui feito nas últimas décadas seria muito bem-vinda, embora eu não tenha condições de empreendê-la agora). As linhas de força do rock brasileiro da década de 2010, mas, em alguma medida, também dos anos 2000, certo apelo folk e indie, alguma atmosfera altamente pretensiosa – penso aqui, sobretudo, na linhagem de bandas que surgiram à esteira da delicadeza pop de nomes como o Vanguart e A Banda Mais Bonita da Cidade –, carregam consigo o que considero uma higienização do estilo. Explico: em termos do que se passou no mainstream, os anos 1990 elevaram a voltagem lírica do rock nacional a um patamar de choque ou adesão, de atração e repulsa, e isto para o bem e para o mal. Da crítica social em bandas como Nação Zumbi e O Rappa à defesa incondicional da legalização da maconha no Planet Hemp, passando pela crônica machista ou, melhor dizendo, pela eleição do universo machista como tema no hardcore dos Raimundos, o rock brasileiro do período vivia em meio às chamas de uma expressão inflamável. Da virada do milênio até aqui, porém, generalizando e nivelando o que no gênero surgiu com maior expressão (mas consciente de que existem exceções), o que se viu foi não apenas o seu ostracismo midiático e rejeição pelas FMs, mas, sobretudo, um processo de esmaecimento das inconveniências características do gênero – qual seja, seu espírito de rebeldia e contestação, de espinha de peixe descendo pela goela –, que se transformou num mar de bom mocismo e amenidades. Não estou dizendo que a influência de uma banda como Los Hermanos, último grande fenômeno do rock brasileiro (se bem que cultuado na mesma medida em que desprezado), tenha eliminado a dimensão crítica do rock BR. É evidente que ela ainda existe. O que tento formular aqui – de forma ligeira e, como dito, impressionista – é que o viés crítico presente à maior parte das principais bandas de rock da atualidade, de modo até contraditório, perdeu o chão do social: confinadas aos nichos, falam o que a juventude de classe média que os acompanha já está cansada de saber e ouvir e, no afã de causarem boa impressão diante de um público com discurso altamente polido pela correção política, podaram de sua arte a verdade última da imperfeição humana (o que, desde um ponto de vista criativo, é ainda mais grave e dramático). Daí que, neste mundo de fofuras e bonitezas, tudo é amor, tudo é altruísmo, tudo é luta por um mundo melhor. Mas onde está o ser humano real – que sente raiva e ódio e se desespera e que precisa se esforçar para ser melhor porque está quase sempre cometendo equívocos –por trás dessa maquiagem das boas almas?

Este longo e provocativo parágrafo inicial só consta nesta resenha para situar a posição da banda Cadillac Dinossauros dentro desta conjuntura. Antes de qualquer coisa, frise-se que o power trio paranaense não tem nada que ver com aquilo – seu rock é visceral, cheio de energia, coalhado por empolgantes refrãos e por um furacão instrumental que se permite a tudo, menos a preguiça. Sediada em Ponta Grossa, interior do Paraná, a banda já conta com quatro discos de estúdio e acaba de lançar seu mais recente trabalho, Disco Riscado, disponível na íntegra pelo youtube e plataformas digitais. É sobre ele que me concentro agora.


Contrastando com a atmosfera de Pretobranco, seu antecessor imediato, cuja influência decisiva do Black Sabbath dos primeiros discos moldou uma sonoridade mais carregada e soturna flertando com o stoner rock, em seu novo trabalho, embora mantendo os dois pés bem firmes na metralhadora de riffs sabáticos, os Cadillacs partiram para uma aventura sonora mais radiante, quase solar, que equilibra o peso de seu hard rock (e aqui, por favor, entendam o termo em sua mais ampla acepção) com a vibração de outros ritmos que, camuflados ou não, estão sempre presentes à paleta dos músicos: o groove do funk, certo débito para com a massa sonora do punk rock, a irreverência e o humor do mestre Raul Seixas (e quem conhece bem a banda sabe que a ironia é um aspecto crucial de sua identidade, em que pese a seriedade lírica do álbum anterior e, de alguma maneira, deste também). Isto se revela desde a canção de abertura, "No Porão", cujo teor crítico vem revestido de uma positividade sonora bastante cara ao trio paranaense, e se mantém como uma espécie de paisagem espiritual por todo o álbum, em especial em faixas como "Dionny Dublê" e "Corre". Por meio deste recurso, temas tradicionalmente melancólicos, como o fracasso, são levantados pela vibração dos amplificadores no último volume e pela linguagem leve, desprovida de gordura melodramática, como nos versos de "Perdendo Feio": "Faz tempo que eu perco / eu perco o tempo inteiro / Já me perdi nas contas do que perco e nem me lembro".


Mas isto não é tudo. Se ao início desta resenha defendi a necessidade de novas e generosas doses de vida e verdade no novo rock brasileiro, é porque estes elementos transbordam do som da Cadillac Dinossauros. A linguagem das ruas – tão urgente ao estilo, caso ainda se reivindique a ele alguma relevância ou atualidade – aparece em faixas como "Aquela Fita", tematizando a desavença (e com um dos melhores refrães do disco), "Corre", ponto alto da verve funk e suingada do grupo, e "Outro Lugar", que aborda a inconstância e imprevisibilidade da vida em versos como "Se algum dia eu for embora / Pra não mais te ver / E for morar numa quebrada / Em que você tem medo de se meter". 

Na mesma senda, em Disco Riscado se escancara o fato de que um bom disco de rock não tem nada que ver com um manual de boas maneiras – isso a Cadillac sabe e ensina. Em "Já Estive na Pior", por exemplo, como não sentir um gelo ou amortecimento ao receber a piscadela de quem renasceu do pó? Isso, porém, ocorre de forma inteligente e sagaz, voando alto, paralelo a Deus. Por tudo isso, vale dizer que, às vezes, estar na pior também rende bons frutos – e quem não sabe que ele, o rock brasileiro, já esteve melhor estando na pior? Nada disso, evidentemente, é sentido à temperatura ambiente do bom mocismo a que antes aludi. Outro ponto para Billy, Hugo e Davi.


Se o disco contempla as baladas? Sim, e elas são um ponto altíssimo do trabalho. A competência do trio para compor músicas cadenciadas, com instrumental menos explosivo e um tom mais emocional, já foi provada pelos álbuns anteriores em canções como "Fora do Trilho" e "O Fim". Em Disco Riscado, o grupo exercita esta verve mais melódica em "Animal Emocional" e "Quebra-cabeça" – esta com direito a inspirado solo de guitarra e uma belíssima letra, bastante reveladora do que aqui venho frisando desde o início: "Quando eu vivo eu vivo pleno / Experimento elixires e venenos / Um passo em falso e outro adiante / Mas cada passo é sempre uma constante". Assim como nos rocks mais pesados, nenhuma das baladas comete excessos ou pieguismos, ao contrário, elevam a patamares ainda mais altos a maturidade musical do grupo. Um contraponto muito eficiente à intensidade dos rocks mais clássicos, como "Cientista Social", cujo eco de uma banda como Grand Funk Railroad é irresistível, e dos mais pesados como "A Direção em que a Cabeça Gira" e "Perdendo Feio", onde a influência de Tony Iommi e de sua trupe fala mais alto (ouça o riff da última e comprove). 

O disco se encerra com a canção-título, um breve instrumental que assenta o pó levantado no percurso e bota as ideias de quem ouviu o álbum no lugar. Dela, enfim, podemos arriscar uma visão de conjunto. Por razões de diversas ordens, não cabe aqui uma análise mais detida sobre as qualidades que o trio apresenta no instrumental preciso e bem dosado. Uma boa produção sempre ajuda, e a de Disco Riscado está impecável, mas ninguém tira da cartola do estúdio um solo de baixo como o de "Aquela Fita" – Hugo é um baixista de alto calibre, que faz a cozinha com a excelente companhia de Billy, sempre seguro sem ser previsível nas baquetas. Os vocais de Davi, vale o registro, soam melhores a cada disco, melodiosos e técnicos sem perder o feeling e a potência característica dos grandes vocais do estilo. Mais um destaque dentro de uma cena em que (perdoem a insistência na implicância) a maior parte dos vocalistas parece buscar uma identidade frágil, meio convalescente, prontos para desmoronar ou partir no meio logo ao primeiro grito que cometerem. 

Ora, neste vagão há espaço para todos, mas não esqueçamos que o rock tem gravado a ferro na sua história a irreverência, a energia, a intensidade e a rebeldia. Em uma só expressão, é um gênero afeito ao risco (ou, para me valer de um clássico titânico, não tem medo de passar o ridículo) – qualidades que o Disco Riscado vai buscar nas grandes fontes do estilo e recria com um frescor que é marca registrada do grupo, perceptível desde sua identidade visual (na capa do álbum, os três músicos dão a cara a tapa, numa sacada de quem se mostra atento em profundidade ao que está acontecendo no mundo da música). Tivéssemos ainda a finada MTV como um canal de informação musical, talvez algum VJ da casa, ao escutar o som da Cadillac Dinossauros, acabasse caindo no cacoete um tanto patético de reconhecer no talento da banda uma nova promessa de salvação do rock. Não vou incorrer neste equívoco. Seja porque, neste exato momento, muitas outras bandas de inegável competência estão desenvolvendo um excelente trabalho, o mais das vezes sem dispor de meios para alcançar um público mais amplo, seja também porque, no rock brasileiro, a busca pela salvação já mostra incontornáveis sinais de cansaço e derrota: melhor seria, agora, que os roqueiros se permitissem a uma folga nessa missão, desviando do caminho e indo ao boteco mais próximo, para arranjar alguma confusão. 



Entre Aspas – Entre S.F.F.(1993)

 

Mark Lanegan & Duke Garwood – With Animals (2018)

 

Prince – Piano & a Microphone 1983 (2018)

 

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