quarta-feira, 7 de maio de 2025

Midnite Club - Circus Of Life [2008]

 



O nome do vocalista Carsten Schultz tem sido muito comentado na cena Hard raças a seu envolvimento com os músicos da banda Paradise Inc, que logo lança seu primeiro álbum. Mas o alemão já possui um caminho relativamente extenso em sua carreira, especialmente graças ao Evidence One e o Midnite Club. E esse último que trazemos no post, com seu segundo trabalho de estúdio. Contando com o conhecido Ferdy Doernberg (Axel Rudi pell, Rough Silk) nos teclados, o grupo faz um Hard/Melodic Rock tipicamente europeu, com toques de peso e musicalidade acima de qualquer suspeita.

Sons como a pegajosa “Afraid Of Love” e seus backing vocals perfeitos, a cadenciada “Promises Remain” e suas guitarras soberbas mostram toda a competência dos músicos em envolver o ouvinte. Já “Heart Of a Dragon” mostra uma tendência mais americanizada, bem na linha oitentista. Então surge uma grande e agradável surpresa, no belíssimo cover para “Danger Zone”, de Kenny Loggins, sonzaço da trilha sonora de Top Gun – Ases Indomáveis. A banda fez um grande trabalho, impondo sua marca sem descaracterizar o conteúdo original.

O início acústico de “Memories For Sale” indica uma balada. Mas ela vai crescendo e mostrando uma bela melodia, alternando momentos introspectivos e uma bela pegada, com destaque para o baterista Bernd Herrman, que mostran entender do riscado. Balada mesmo vem na saideira, com “Crying In A Dream”, muito bem guiada pelos teclados. Um ótimo play para os adeptos de um Hard bem executado. Por enquanto, o Midnite Club encontra-se em estado de hibernação, já que seus integrantes estão ocupados com outras atividades.


Carsten Schultz (vocals)
Steffen Seeger (guitars)
Ferdy Doernberg (keyboards)
Holger Seeger (keyboards)
Andy Keller (bass)
Bernd Herrman (drums)

01. Circus
02. Afraid of Love
03. Promises Remain
04. Behind My Eyes
05. Heart of a Dragon
06. Danger Zone
07. Shelter from the Storm
08. Memories for Sale
09. Closer to the Distance
10. Calling for Crazy
11. Crying in a Dream



Megadeth – Youthanasia [1994]

 



Esse disco forma a santíssima trindade do auge da popularidade do Megadeth, juntamente com Rust In Peace e Countdown To Extinction. E é puro hard rock.

Marty Friedman estava mais entrosado que nunca, David Ellefson, membro fundador da banda, e Nick Menza estavam efetivados havia alguns anos. A formação do Megadeth era incrivelmente estável e aparentemente definitiva. O resultado não poderia ser outro: mortal!
Em 1994 o Metallica amargava um inexplicável ostracismo, provavelmente decorrente da ressaca do sucesso do Black Album, e sua trajetória foi descendente na década (apesar de que eu gosto de Load, mas isso é outra história). Slayer parecia fazer mais do mesmo e isso estava enjoando. Anthrax estava num vai/ não vai, mesmo depois do fantástico Sound of White Noise. Sobrava só o Megadeth para empunhar o estandarte.

O som fugia um pouco do thrash metal tradicional, dando continuidade ao que foi feito em Countdown. Mas ainda tínhamos o bom e velho Megadeth de guerra desfilando petardos violentos com letras sobre política, crimes e problemas em geral (Family Tree é sobre incesto).

A abertura, com Reckoning Day, nos faz pensar que estamos diante do velho e bom thrash metal da Bay area, apesar de a cadência parecer um pouco lenta para os padrões. O ritmo é quase dançante, e isso é uma heresia em se tratando de Megadeth.


Acha que estou exagerando? O hard rock glam havia acabado e as bandas thrash estavam rumando para esse nicho? Claro! Vou repetir: quem gostava de hard farofa não curtiu grunge. Foi buscar em outras fontes, como... Megadeth e Metallica. Duvida? Ouça Elysian Fields e me responda: isso é thrash?

Train of Consequences abre com um daqueles riffs que lembram o que Mustaine fez em Kill ‘Em All, debut do Metallica. As vocalizações estão um pouco mais melódicas do que o usual, e a veia hard rock de Mustaine se apresenta pela primeira vez juntamente com o solo de Friedman, que parece sair daquelas escalas exóticas que fizeram a sua fama em Rust In Peace.


A Tout Le Monde foi o hit do disco, tendo sido regravada posteriormente pela própria banda com a adição de vocais femininos. Mas aqui está a original e, por ser a versão remasterizada, a demo original. Solos dobrados são a cereja do bolo.

Depois desse disco a banda pareceu não mais se entender. Os rumos musicais ficaram confusos e Marty Friedman cada vez mais distante. A sua saída tornou-se, então, inevitável.

Muitos dizem gostar dos discos do Megadeth depois desse, como Risk e Cryptic Writings. Mas o fato é que aqui está o último grande registro com Friedman.

É interessante ver como uma banda que finalmente consegue ser a número 1 deixa a história escorrer por entre seus dedos como se fosse areia.

Track List

1. "Reckoning Day"
2. "Train of Consequences"
3. "Addicted to Chaos"
4. "À Tout le Monde"
5. "Elysian Fields"
6. "The Killing Road"
7. "Blood of Heroes"
8. "Family Tree"
9. "Youthanasia"
10. "I Thought I Knew It All"
11. "Black Curtains"
12. "Victory"
13. "Millenium of the Blind"
14. "New World Order" (demo)
15. "Absolution"
16. "A Tout le Monde" (demo)


Dave Mustaine (vocais, guitarra)
David Ellefson (baixo e vocais)
Marty Friedman (guitarras)
Nick Menza (bateria)




Pink Floyd – The Final Cut (1983)

 



O ultimo corte talvez tenha sido o melhor título para este álbum.

Depois de flertar descaradamente com o pop e a disco music em The Wall, as cifras (que já jorravam aos milhões desde o clássico The Dark Side Of The Moon) atingiram níveis inimagináveis.

A turnê de The Wall foi matadora, e o Pink Floyd adentra a década de 80 com a mesma categoria com que entrara na de 70. Letras melancólicas de um lirismo incomparável, produção impecável e um instrumental sem precedentes na história do rock, graças à química e ao talento de David Gilmour e Richard Wright, especialmente.

Mas a cabeça de Roger Waters, que nunca foi lá essas coisas em termos de sanidade, vagava por um universo paralelo. A vontade de gritar seus traumas para o mundo fez surgir este que, talvez, seja o disco mais Roger Waters de toda a discografia do Pink Floyd.

The Final Cut é o último disco de estúdio do Pink Floyd com Waters, e aquele que traz a volta às raízes que geraram The Dark Side of The Moon. Richard Wright já havia pulado fora, e não participou. Mas os tempos eram outros, e os novos fãs não estavam tão acostumados à psicodelia original da banda. Com músicas arrastadas e letras densas e depressivas, esse é o disco que o músico dedicou ao seu pai, Eric Fletcher Waters, morto na Segunda Guerra Mundial em 18 de fevereiro de 1944, na Itália, quando Roger ainda era um bebê.


A família Waters. Roger é o bebê menor.

Criado pela mãe, Waters já havia se manifestado sobre a sua figura opressora em Mother, do clássico The Wall. The Final Cut foi escrito inteiramente por Roger e dedicado à figura do seu pai. O disco é conceitual, e o nome paterno aparece explícito em The Fletcher Memorial Home. A capa é uma foto de um detalhe do uniforme usado pelo falecido pai, com as insígnias da Marinha inglesa (ele fora fuzileiro naval). O título original era para ser Requiem For a Post War Dream.

O disco foi concebido originalmente para ser trilha sonora do filme The Wall, de 82, mas foi lançado separadamente em razão da Guerra das Malvinas, que acontecia na época e envolveu Inglaterra e Argentina. O disco saiu como um manifesto contra a guerra e a política de Margareth Tatcher.


As orquestrações são conduzidas por Michael Kamen, que já trabalhou com Metallica e havia trabalhado em The Wall. O resultado, a despeito de algumas críticas negativas, é um disco coeso e muito bem produzido. As composições, dentro da proposta, são inspiradas e mostram um Roger Waters disposto a encarar o mundo de frente e gritar aos quatro cantos as suas ideias sobre o mentiroso Welfare State inglês.

Independentemente disso, o disco vale por uma passagem especial, na música The Gunners Dream. Quando a voz de Waters se mescla com o saxofone, exatamente no mesmo tom e na mesma timbragem, a impressão que temos é de cair no vazio. Um sentimento que aperta o coração dentro do peito. Eu acho este, especificamente, um dos momentos mais lindos e impressionantes da história da música.


Track List

1. "The Post War Dream"
2. "Your Possible Pasts"
3. "One of the Few"
4. "When the Tigers Broke Free"

5. "The Hero's Return"
6. "The Gunner's Dream"
7. "Paranoid Eyes"
8. "Get Your Filthy Hands Off My Desert"
9. "The Fletcher Memorial Home"
10. "Southampton Dock"
11. "The Final Cut"
12. "Not Now John"
13. "Two Suns in the Sunset"

David Gilmour (guitarra, vocais em "Not Now John")
Nick Mason (efeitos sonoros com holophonics, bateria)
Roger Waters (vocais, baixo, violões, sintetizadores)
Músicos adicionais
Andy Bown (órgão Hammond)
Ray Cooper (percussão)
Michael Kamen (piano, condução e arranjos da the National Philharmonic Orchestra)
Andy Newmark (bateria em "Two Suns in the Sunset")
Raphael Ravenscroft (saxofone tenor)




The Rolling Stones - Exile On Main St. [1972]



Os anos 70 foram, indiscutivelmente, uma década mágica para a música, em vários sentidos. De um lado, o Punk Rock começava a ser criado por bandas como New York Dolls e Stooges, e do outro o Rock Progressivo e o Classic Rock estavam cada vez mais se inovando e se reinventando. E os Rolling Stones começaram a década com força total.

Sticky Fingers, um dos álbuns mais famosos de todos os tempos, foi a estreia do próprio selo de Jagger e companhia, o Rolling Stones Records. A capa idealizada por Andy Warhol é uma das imagens mais emblemáticas da história. Houve também a entrada de Mick Taylor como substituto do finado Brian Jones, morto em 1969.

Apesar de Sticky Fingers ser um clássico incontestável, aquele que é considerado por muitos como o ápice da banda só veio a luz do dia em 1972. As gravações de Exile On Main St., o décimo álbum de estúdio dos Stones, remontam seu chamado exílio no sul da França, numa casa na chamada Villa Nelcotte, que seria um completo paraíso, se não tivesse sido utilizada pela Gestapo como quartel-general durante a Segunda Guerra Mundial.

Há muitas histórias a respeito do que aconteceu no período em que a banda (e mais alguns amigos) permaneceu por lá gravando Exile. Supostamente haviam suásticas pintadas nas entradas de ar da majestosa morada de dezesseis quartos. As sessões aconteceram à noite num porão, e pouco antes da conclusão do trabalho Keith passou por uma desintoxicação. Não é necessário dizer que as drogas fizeram parte do cotidiano por lá.

Mas, independente disso, o resultado foi magnífico. Exile On Main St. trazia uma receita tão variada e consistente que fica difícil contestar a admiração que muitos têm por esse disco. E a abertura com "Rocks Off" mostra o tamanho entrosamento do quinteto. Além do riff simplório e empolgante, o destaque também vai para os instrumentos de sopro e o piano (cortesia de Nicky Hopkins).



"Rip This Joint" tem essência na simplicidade e já começa totalmente direta e frenética. Os vocais de Jagger são coisa de outro mundo aqui, e o slide tocado por Taylor dá uma atmosfera totalmente Blues a faixa. "Shake Your Hips" é um cover de uma canção de Slim Harpo e possui um main riff que lembra vagamente "La Grange" do grande ZZ Top, que seria lançada um ano depois em Tres Hombres.

"Tumbling Dice" é um clássico instantâneo e tornou-se um número quase obrigatório em diversos shows da banda. A influência do Gospel aparece com força aqui. "Sweet Virginia" abre o lado dois, que prima pelas composições fortemente influenciadas pelo Country, com direito à gaitas e tudo o mais. A belíssima "Torn and Frayed" também merece nota por ser uma das minhas preferidas.

"Happy" é um Blues Rock que me lembra Garage Rock de algum modo. "Turd On The Run" tem a inspiração transbordante de sempre da dupla Jagger e Richards, e "Ventilator Blues" possui um andamento incomum, porém fantástico. A balada "Let It Loose" abre alas para as composições finais do disco, começando pela nervosa "All Down The Line", com riff novamente simples e espetacular. "Stop Breaking Down" tem cara de jam, e "Shine A Light" assume a faceta Gospel quase totalmente. Fechando de vez, temos a excepcional "Soul Survivor".



Obra-prima. Ponto.


Mick Jagger - vocais
Keith Richard - guitarras, backing vocals
Charlie Watts - bateria
Mick Taylor - guitarras
Bill Wyman - baixo

01. Rocks Off
02. Rip This Joint
03. Shake Your Hips
04. Casino Boogie
05. Tumbling Dice
06. Sweet Virginia
07. Torn and Frayed
08. Sweet Black Angel
09. Loving Cup
10. Happy
11. Turd On The Run
12. Ventilator Blues
13. I Just Want To See His Face
14. Let It Loose
15. All Down The Line
16. Stop Breaking Down
17. Shine A Light
18. Soul Survivor



Blues Creation - Demon & Eleven Children

 




Rock animado e cheio de groove. Embora o primeiro álbum autointitulado tenha sido composto por covers de músicas em inglês, este é um material completamente original cantado em inglês. Os vocais não são muito legíveis, mas, ei, a guitarra mais do que compensa. Altamente recomendado para fãs de hard rock no estilo de Led Zeppelin e Deep Purple. Etc.

Ótimo hardrock, sujo, peludo e desleixado, ideal para fumar bong. Claro que todas as músicas soam basicamente iguais, mas não se preocupe: logo você estará chapado demais para perceber.

Blues psicodélico pesado e conciso, com algumas faixas soando como NWOBHM anos antes da New Wave Of British Heavy Metal surgir. Clássico de todos os tempos, coloque-o ao lado de Budgie, Sir Lord Baltimore, Black Sabbath, Deep Purple, etc.

Demônios e Distorções: O Ritual de 'Demônio e Onze Crianças'

No coração da cena underground japonesa dos anos 1970, uma banda acendeu uma chama entre os escombros do flower power: Blues Creation, liderada pelo infalível guitarrista Kazuo Takeda, lançou em 1971 um dos álbuns mais incendiários de seu país: Demon & Eleven Children.

Considerado por muitos um dos álbuns mais pesados ​​lançados no Japão na época, o álbum é uma viagem direta ao excesso, à distorção e à psicodelia ácida. Não há espaço para concessões aqui: cada faixa é um ataque de riffs devastadores, solos assombrosos e uma atmosfera que lembra o melhor do hard rock britânico. O espírito do Black Sabbath espreita em cada esquina, enquanto a energia crua e psicodélica do Cream e do Deep Purple penetra como eletricidade pelos seus poros. O som que o Blues Creation cria é compacto, denso e nítido. Um protometal que raspa, arrasta e ofusca. Músicas como "Atomic Bombs Away"  antecipam descaradamente a estética stoner que viria décadas depois. "Just I Was Born" , por outro lado, exibe uma performance versátil e vertiginosa, onde as mudanças de velocidade levam o ouvinte a um clímax escaldante. E a faixa de encerramento, com a monumental "Demon & Eleven Children" , é um turbilhão de influências bem digeridas, traduzidas em uma linguagem própria: mudanças de ritmo, flashes psicodélicos e uma atitude raivosa que sela o manifesto sonoro da banda.

Nem tudo é perfeito: peças como Mississippi Mountain Blues ou One Summer Day quebram a intensidade inicial e diminuem um pouco a adrenalina. No entanto, este último consegue se redimir ao formar, junto com Brain Buster e Sooner or Later, uma suíte não oficial de 10 minutos que funciona como uma ponte atmosférica, adicionando variedade ao todo. Demon & Eleven Children não é Satori —a obra-prima da Flower Travellin' Band — mas anda muito perto de seu altar. É um álbum cult, cru e vital, que captura o eco de uma juventude japonesa em plena atividade, presa entre a tradição, o caos e o mais devastador blues psicodélico.

Impressões pessoais: Uma caverna azul ao amanhecer

Voltei para Demon & Eleven Children como alguém que retorna a uma velha casa que conheceu em sonhos: com respeito, com saudade e com aquela leve pontada de mistério que o tempo deixa para trás. Coloco-o na hora certa, quando a cidade já não incomoda e o ambiente se transforma num templo: luzes baixas, cabeça baixa e uma fumaça azul – imaginária, mas intensa – flutuando sobre as caixas de som.

Desde o momento em que os primeiros riffs explodem como um raio, a sensação é imediata: a energia do álbum é real, elétrica, sagrada. Eu sempre soube disso! Este álbum nunca decepciona, nunca desaparece. Ele tem uma postura firme, um caráter de ferro e uma convicção que muitos álbuns invejariam. Seu som é pesado, sim, mas não pelo volume, e sim pela presença. Como aquelas pessoas que não gritam, mas enchem a sala inteira. Toda vez que ouço, sinto como se uma lacuna se abrisse na linha do tempo: você não está apenas com um disco japonês de 1971, você está com uma entidade sonora que cheira a ferrugem, couro velho e um amplificador fumegante. E temos Kazuo Takeda, devoto desses riffs que nascem com fúria, rastejam com lisergia e se soltam como uma fera negra nos alto-falantes. A performance instrumental é mais do que adequada: é ardente. A bateria bate com coragem, a guitarra guia a jornada e, embora a voz nem sempre atinja a estatura do fogo que a cerca, ela nunca se apaga completamente. Eu diria que o calcanhar de Aquiles do álbum está bem ali: nos vocais e em algumas músicas que baixam a guarda, sacudindo momentaneamente aquela sensação inebriante que te tira da primeira faixa. Mas encontrei uma maneira de ouvi-la que revive tudo: começando com aquele tridente imbatível — Atomic Bombs Away, Just I Was Born e Demon & Eleven Children —, passando para a suíte secreta de One Summer Day, Brain Buster e Sooner or Later, e finalmente me lançando ao resto com meus sentidos já saturados e abertos. Dessa forma, o álbum mantém seu espírito intacto, aquele sentimento proto-metal que o torna tão único, tão visceral.

Não é perfeito, mas o culto é? É mais uma liturgia de poderosa imperfeição, de caos controlado, da vertigem que se sente ao espreitar uma caverna sem fundo. É um álbum para se perder, para se isolar e deixar a música fazer o resto. E assim foi. Fui com ele mais uma vez, como nas antigas madrugadas, quando o mundo era diferente, ou talvez o mesmo, mas mais suportável ao ritmo de uma guitarra saturada. Agora a realidade entra pelas janelas com uma cara diferente — um “novo normal” que parece mais uma subnormalidade absurda — e então você coloca seus fones de ouvido, olha para baixo e deixa o som cobrir você como um cobertor rasgado, mas quente.  Demon & Eleven Children não é apenas um álbum: é um feitiço. E hoje à noite, ele lançou seu feitiço mais uma vez. Até mais.

01.Atomic Bombs Away
02.Mississippi Mountain Blues
03.Just I Was Born
04.Sorrow
05.One Summer Day
06.Brain Buster
07.Sooner or Later
08.Demon and Eleven Children


CODIGO:@

MUSICA&SOM ☝




Tear Gas - Same



Tear Gas é um verdadeiro tour de force de guitarra - parece que há mais som de guitarra do que os ouvidos podem captar. A musicalidade é simplesmente superior e as músicas são cheias de emoções, solos de guitarra esplêndidos, pontes e harmonias elaboradas. As linhas de baixo também são muito impressionantes, o que torna o álbum muito agradável.

Ótimo álbum de blues e hard rock da Escócia, do Tear Gas. A produção é mais ou menos, mas as guitarras solo são muito saborosas e impressionantes. Comparável a Groundhogs, Three Men's Army e Leaf Hound.

Olá, é a primeira vez que comento no blog. Venho acompanhando o álbum há cerca de um ano e estou realmente descobrindo coisas fantásticas como esse. Achei Love Story uma interpretação muito boa, o que me levou a revisitar This Was, de Jethro Tull. Se não me engano, deduzo que seja um cover, já que This Was é de 68 e esse maravilhoso Tear Gas é de 71. Não sei qual dos dois escolher, ambos são ótimos.

As versões de Elvis Presley, o lendário Rei do Rock, sem dúvida têm aquele poder que raramente ouvi de outros grupos fazendo covers do grande Presley. Os solos de guitarra, longe de distorcer completamente as músicas, apenas acrescentam uma magia extraordinária com aquele sabor blues que o Mestre Polilla já expressava. O álbum, em sua interpretação completa, tem esse talento, mas também esse espírito que marca o trabalho de uma grande banda como o Tear Gas. O Mestre P. me disse que esse é seu álbum favorito e não posso discordar disso. É meu álbum favorito também.
Diana

Entre Riffs e Cinzas: O Segundo Gás Lacrimogêneo Gospel

A segunda parte de Tear Gas atinge um pico furioso, levando um conceito bem explorado ao limite, mas habilmente o estendendo além do necessário. O resultado: um coquetel explosivo de Blues & Rock carregado de explosões de psicodelia e atmosferas que beiram o proto-metal mais sujo e denso.

Desde o início, as guitarras liberam riffs devastadores, enquanto o baixo rasteja como um pântano denso e a bateria marca o pulso com firmeza ritual. A base melódica é meio a meio, apenas o suficiente para manter o equilíbrio entre o ácido e o pesado. Poderíamos chamá-lo de “Heavy Blues”, embora esse rótulo soe um pouco pomposo para algo tão visceral. This Tear Gas é um disco afiado, atrevido e, sim... até um pouco pervertido. A fórmula é perfeita: pegar emprestado do passado, mas dar uma nova perspectiva. O que surge é uma criatura vibrante que mistura Blues, Boogie Rock, Hard Rock, Psicodelia e um toque primitivo de Rock & Roll. E ele faz isso sem hesitar: cada música é um choque que deixa sua marca.

Aqui o som evolui. Ela fica mais áspera, mais lamacenta e desliza por terrenos escuros onde você pode sentir a proximidade do Sabbath em cada riff. Há dinamismo, surpresas e uma interação de guitarra que anima a sessão. O álbum ruge com vitalidade e dedicação total. Os arranjos são bem pensados, os andamentos medidos com a precisão de um alquimista, e tudo é envolto em uma aura que lembra o Stoner mais primitivo e selvagem. Este álbum não dá trégua. Nada! Termina e você fica com aquela estranha mistura de prazer e eletricidade na língua, como se tivesse lambido uma bateria de 9V enquanto dançava com o diabo. Talvez eu esteja exagerando, mas esse álbum tem magia. A banda se reinventa sem perder sua essência, endurecendo seu som e projetando-o para um futuro que ainda não havia chegado. Um gesto ousado, quase visionário.

Contracapa do acetato onde vemos a pulseira.


01. That’s What’s Real
02. Love Story
03. Lay It on Me
04. Woman for Sale
05. I’m Glad
06. Where Is My Answer
07. Jailhouse Rock / All Shook Up
08. The First Time
Bonus
09. The Temptation Of St. Anthony - (Live) 

CODIGO: B-19

MUSICA&SOM ☝





Groundhogs - Split

 




Um blues rock bacana com alguns efeitos de guitarra que, na minha opinião, o deixam psicodélico. O vocalista é muito bom e a guitarra é sólida, mas não de cair o queixo. Nada de mais em termos de inovação também.

Sangue vermelho-cereja sangrando
"Nas brasas moribundas de um dia esgotado, quando a manhã parece estar a mil horas de distância, a escuridão prevalece e a luz desiste de lutar para permanecer. A escuridão se adensa e envolve, mascarando todos os sons, exceto os distantes. Busco pensamentos para ocupar a mente consciente e imóvel." Split é um álbum psicodélico baseado em guitarras – as guitarras são barulhentas e os riffs são muito elaborados. E há muitas músicas lindas no álbum.

O Diário Sonoro de um Homem à Beira do Abismo

Há discos que parecem esculpidos em rocha vulcânica, discos que não são audíveis… eles são suportados. Split é um deles. Não se deixa amar de imediato, nem vem envolto em veludo: chega cru, queimando as mãos, como um diário escrito a bisturi. Tony McPhee não canta aqui, ele confessa. Sua guitarra não toca, ela sangra. E um deles, um pobre espectador de sua catarse, não tem escolha a não ser ficar, tremendo na praia.

Este álbum, lançado em 1971, quebra a alma em pedaços. Literalmente. Quatro cortes de abertura numerados como uma análise sequencial — Split Parte 1, 2, 3, 4 — como se o próprio McPhee estivesse sendo "dissecado" em tempo real. O blues sofre mutações, se contorce, rasteja por túneis psicodélicos onde não há luz, apenas distorção e ansiedade. E ainda assim… há o feitiço. Porque no meio desse naufrágio emocional, encontra-se algo parecido com a verdade. Não a verdade universal, mas a verdade quebrada, aquela que carregamos dentro de nós e nem sempre queremos ouvir. A dor virou feedback, a insônia virou riff. Este não é um álbum para todos. É um álbum para aqueles que se sentiram divididos. Para quem conhece tremores e vertigens. Para aqueles que um dia sentiram que a música era a única linguagem capaz de dizer o que não pode ser dito.

Impressões pessoais: Broken Mirror Blues

Não me lembro do momento exato em que ouvi Split pela primeira vez . Talvez porque não tenha sido apenas uma vez, mas muitas pequenas aproximações. Era como entrar em um quarto escuro sem saber o que iria encontrar. E em vez de acender a luz, você simplesmente ficou ali, deixando seus olhos se ajustarem à escuridão. É assim que esse álbum soa.

Lembro-me de que o que mais me impressionou não foi a técnica — embora ela esteja lá, extremamente afiada —, mas sim aquela sensação de colapso contido. Como se cada música fosse escrita com suas unhas. Principalmente as quatro primeiras, aquela suíte dividida em partes que não só dá título ao álbum, mas o define emocionalmente. É como se Tony McPhee abrisse o peito e dissesse: "É isso. Não espere melodias bonitas. Espere a verdade." E que entrega! Split é um álbum que aprendi a amar através da honestidade. Não há filtros, enfeites ou truques de produção. Tudo parece exposto. Cru. Próximo. Quase desconfortável. Como se estivessem tocando bem ao seu lado, em uma sala pequena, sem escapatória. E isso, amigos, tem um peso especial.

De muitas maneiras, este álbum se tornou um companheiro silencioso nos meus dias mais sombrios. Não para me animar, nem para me confortar. Mas para me lembrar que a dor também pode ter forma, estrutura e, às vezes, até sulco. Que mesmo os momentos mais difíceis podem ser transformados em algo que soe bem. Algo que vibra. Algo que queima e cura ao mesmo tempo. Não posso deixar de pensar que Split foi um álbum necessário para mim. Daqueles que não aparecem com frequência, mas quando aparecem, ficam. Elas ensinam você a ouvir de uma maneira diferente. Pare de procurar a perfeição e comece a aceitar a lacuna. Porque é ali, bem ali, que a luz entra. Ou feedback, neste caso.

Não é um álbum fácil. Mas quem precisa de facilidade quando você está tentando reconstruir? Split é para os quebrados, os que não dormem, aqueles que sentiram o peso do próprio nome pendurado no pescoço. É blues, sim, mas com uma alma desgastada e distorção máxima. É psicodelia sem cores, puro cinza chumbo. É aquela conversa que você tem consigo mesmo quando ninguém mais está ouvindo. E é por isso que, para mim, Split não é apenas mais um álbum. É um daqueles que estão lá, esperando silenciosamente até que você precise dele. E quando esse momento chegar... você sabe que não há como voltar atrás. Porque no final das contas, há álbuns que não curam... mas acompanham. Registros que não pretendem ser um antídoto, mas sim um espelho. E Fragmentado é exatamente isso: um espelho quebrado, fragmentado em quatro partes, que nos devolve uma imagem mais realista de nós mesmos. Não embelezado, não editado... mas vivido. E que luxo é ter um álbum como esse em mãos. Um testemunho de fogo. Uma ferida com cordas. Uma sombra com alma. Até mais.

01. Split – Part One
02. Split – Part Two
03. Split – Part Three
04. Split – Part Four
05. Cherry Red
06. A Year in the Life
07. Junkman
08. Groundhog

CODIGO: D-36

MUSICA&SOM ☝





terça-feira, 6 de maio de 2025

Brainbox - Same

 




Brainbox, uma banda holandesa clássica que gravou um álbum de blues-rock com influências progressivas em 1969. Com a pesada guitarra jazz-rock de Jan Akkerman, a bateria magistral de Pierre van der Linden (que mais tarde se juntaria ao Focus) e a voz forte de Kaz Lux, a banda tem alguns músicos de destaque em exibição. A banda não tinha um compositor forte, então nos foi apresentada uma lista de faixas na qual as músicas mais fortes eram todas covers. Destas, a versão folk-rock de 'Scarborough Fair' e a versão heavy blues rock de 'Summertime' se tornaram clássicas. O segundo lado é preenchido com "Sea of ​​​​Delight", uma música não particularmente forte que é usada como veículo para improvisação e improvisação. Para colecionadores de música dos anos 60 (blues rock), este é sem dúvida um disco interessante de uma era passada. Os fãs de Focus on Akkerman também devem tomar nota.

Quando o eco vem de longe: Brainbox e The Secret Offering of 69

Há álbuns que não procuramos... álbuns que simplesmente aparecem através de uma fresta casual e acabam construindo um pequeno altar na sua história pessoal. Este é um deles. Na verdade, não conheci o Brainbox pelo Brainbox , mas por uma abençoada interferência: um cover de “Dark Rose” feito pelo Pax, uma banda da nossa terra. Era como se alguém tivesse deixado uma porta dimensional aberta acidentalmente, e eu — uma pessoa curiosa incorrigível — não pude deixar de espiar lá dentro. Do outro lado, esta jóia holandesa me esperava e, sem que eu soubesse, ela já me pertencia. E assim tudo começou.

O álbum de estreia autointitulado do Brainbox não é apenas uma deliciosa raridade de 69, é também uma cápsula de transição, um momento capturado entre a fumaça psicodélica dos anos 60 e as novas ares que anunciaram a era progressiva. É um álbum com alma mutante, desses que não precisa gritar para ser ouvido, que não busca ser monumental mas acaba deixando sua marca. Como bons amigos, que não fazem barulho quando chegam, mas ficam para sempre. A voz de Kaz Lux é um enigma por si só. Não canta, vaza. E sobre essa base vocal líquida deslizam toques de blues, estruturas progressivas ainda trêmulas e uma energia que, sem buscar virtuosismo, consegue comover. Não é um álbum perfeito, mas é profundamente humano. Uma daquelas músicas que você ouve de olhos fechados, enquanto a memória penetra nas rachaduras do seu coração.

Sempre gostei da ideia de que o Brainbox foi a semente do Focus. Este álbum guarda, como uma semente, as primeiras intuições do que mais tarde se tornaria uma das grandes bandas progressivas europeias. Mas além da genealogia musical, o que realmente importa para mim é o que este álbum me ensinou: que às vezes os caminhos da adoração não são lineares, e que é possível encontrar tesouros até mesmo nas sombras de uma capa. Eu amo esse álbum não porque ele seja o mais complexo ou revolucionário, mas porque ele está comigo há anos. Porque ele foi um dos primeiros a me fazer entender que a música também é uma forma de pertencimento. Que se pode construir parte da própria identidade ao ritmo de um riff, de uma mudança de compasso, de uma voz que parece vir de longe para dizer: ei, isso também é seu.

Então aqui estou eu, compartilhando esta pequena epifania com vocês. Não para pontificar, mas para lembrar. Porque às vezes lembrar também é uma forma de agradecer. Brainbox, para mim, é isso: gratidão em forma de registro. Até mais.

01. Dark Rose
02. Reason to believe
03. Baby, what do you want me to do?
04. Scarborough fair
05. Summertime (From "Porgy and Bess")
06. Sinner’s prayer
07. Sea of delight
 

CODIGO: G-3

MUSICA&SOM ☝




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