terça-feira, 13 de maio de 2025

Ocean - Sunrise (1982)

 

Afirmo, de forma categórica e até mesmo entusiasmada, que não sou eclético, que apenas aprecio o bom e velho rock n’ roll! Apenas? Sim, apenas tudo isso! Evidente que os amantes e quase unânimes apreciadores do ecletismo musical combatem duramente contra a minha máxima de amor incondicional ao rock simplesmente, mas que espécie de motivação tenho para gostar de outras músicas se o universo do rock é amplo e cheio de possibilidades?

Quando comecei a desbravar as matas selvagens e quase intocáveis do rock obscuro, a “tese” de que tanto defendo começou a ganhar contornos mais fortes, ganhando vida. Percebi que, com as inúmeras bandas, esquecidas, jogadas em um profundo ostracismo, também traziam vertentes, até conhecidas pelo grande público, porém pouco “exploradas” e até pouco compreendidas.

Não quero cair na teia do estereótipo e me prender a estilos, mas sim a música, mas as nuances sonoras de cada banda e álbum nos faz entender um pouco a proposta e história de cada banda e seus trabalhos e de história, amigos leitores, como podem perceber, aprecio e muito.

E assim foi com o “jazz fusion”. Por ser uma música híbrida do famoso jazz com a pegada mais forte do rock e muito apreciada entre os apreciadores do rock progressivo, eu pude ter acesso graças a uma profusão de bandas do estilo que flertam com as bandas progressivas que, claro, absorveu fortemente o jazz e outras músicas eruditas, diria ser oriunda do jazz.

E assim foi! Os primeiros contatos, como tudo que é novo, gera incertezas, algumas rejeições, mas a sonoridade arrojada foi, aos poucos me cativando: um som complexo, mas, ao mesmo tempo solar, pesado, energético. Claro que muito antes de qualquer banda de rock experimentar o jazz temos os movimentos culturais musicais e músicos engajados que se tornaram pioneiros, como  Dizzy Gillespie, Miles Davis, o jazz afro cubano e tantos outros, precisam ser enaltecidos, mas o jazz rock elevou o nível.

E eu não poderia negligenciar hoje essa ramificação da frondosa árvore do rock progressivo com uma banda que seja e, nas minhas infindáveis e saborosas incursões pela grande rede, ouvindo um já satisfatório número de bandas, gostaria de destacar uma banda norte americana que ouvi quase que aleatoriamente, sem intenção prévia, sem roteiros, sem absolutamente nada e simplesmente me arrebatou: a banda se chama OCEAN.

Depois de uma árdua e obcecada busca por referências a respeito de sua história foi muito difícil encontrar algo sobre a banda, apenas algumas linhas sobre a sua trajetória e pouco replicada em sites especializados, mas é, dada as devidas proporções, normal, levando em consideração que o Ocean, por exemplo, gravou sem único álbum, de jazz rock, no início dos anos 1980, em uma década dominada pelo pós punk, pela new wave e o heavy metal, quando o prog rock estava em declínio, sob o aspecto comercial.

E o álbum, gravado mais precisamente em 1982, com o nome de “Sunrise”, foi o único de sua meteórica passagem por este mundo, o que também é, digamos, normal, diante do cenário de rejeição mercadológica ao estilo em pleno anos 1980. Diante da escassez de informações do Ocean, muito pode se especular, encarando essa banda, como um mero projeto de estúdio, desses que se reúne músicos, geralmente de estúdio, grave-se um álbum e por lá finaliza a sua trajetória, algo com início e fim, mas se há um álbum e músicos, pode-se considerar uma banda na sua real acepção da palavra.

"Sunrise" (1982)

O pouco que se tem a respeito do Ocean é de que a banda foi formada no início dos anos 1980 em Cincinnati, em Ohio, nos Estados Unidos e que gravou um álbum, o “Sunrise”, que trazem teclados totalmente analógicos, uma bela guitarra “fuzzy”, o que mais me cativou neste trabalho, com composições inegavelmente originais, diria arrojadas. Não querendo tornar “Sunrise” datado, sua sonoridade me remete aos anos 1970 e traz a sensação de que estava descolado do seu tempo.

Mas prefiro dizer que os músicos simplesmente deixaram a sua criatividade e a sua verdade pela música simplesmente aflorar, sem amarras e preocupações com tendências e modismos ditados pelo mercado fonográfico, não é à toa, claro, que caiu no ostracismo, se tornando deveras obscura. E ainda no campo das especulações, “Sunrise” foi gravado por um selo de nome, adivinhem, Ocean Sounds Records, levando a crer que seja um produto, um projeto de curta duração e de estúdio, sem pretensões de “ganhar o mundo” com turnês ou coisas que o valha.

E falando também em músicos, a banda era formada por Bruce Fox, guitarrista e produtor do álbum, Rick Snyder (Dennis DeYoung) nos teclados e sintetizadores, Michael Sharfe no baixo e baixo acústico e Chris Erickson, na bateria e percussão. Com a participação de Curt Ramm, no trompete (Chic, They Might Be Giants, Levon Helm, Jon Batiste, William Shatner, Bruce Springsteen).

Músicos perfilados, vamos dissecar as suas faixas! O álbum é inaugurado com a música “Hickey” que já começa enérgica, intensa, vívida, a bateria jazzística, trompete dita o ritmo. A faixa é extremamente dançante e os solos de guitarra traz um “tempero” muito atípico e arrojado, tornando a música mais pesada e solar.

Segue com “Of Birdland Fame” e a introdução fica mais introspectiva com os teclados, a bateria, mais contida, entra anunciando uma levada mais prog rock, o trompete traz uma textura mais contemplativa. O teclado domina as atenções e deixa a faixa mais dançante. Mas na metade da música o que era contemplativo fica mais animado graças ao próprio trompete, o jazz fusion ganha destaque. A bateria muito bem executada, ganha corpo até a música retornar a sua vibe mais contemplativa. Complexa, cheia de viradas rítmicas. Excelente faixa!

“The Bubble” já entrega algo mais pesado! Bateria marcada e mais pesada e um solo mais direto de guitarra destaca um hard rock inicial, mas que logo fica cadenciada, com baixo pulsante com algum groove e solos de guitarra ao fundo e que, aos poucos, ganham destaque, mas que vai finalizando meio experimental. Definitivamente é a faixa mais “rock n’ roll” do álbum.

“Tidal Wave” tem uma pegada meio comercial, pop, mas muito bem executada e capitaneada pelo trompete. Traz uma “latinidade” muito dançante e que nos remete a música brasileira. A guitarra dedilhada é um “tempero” a mais a energia da música.

“Just One of Those Little Things” começa com o som de mar, os pássaros, sintetizando a estética e nome da banda e álbum e o trompete continua ditando as regras sonoras dessa faixa, mas os solos de guitarra são mais elaborados e longos, dando um caráter mais pesado à música e nesse interlúdio tem a bateria trazendo a pegada mais latina a faixa. Mais uma faixa complexa e cheia de viradas rítmicas.

E fecha com “Ocean Sunrise (Sara’s Elegy) traz de volta a versão mais contemplativa, com um violão acústico ditando o ritmo, com um baixo meio groovado e o trompete “rivalizando” com o piano traz uma harmonização perfeita à faixa.

“Sunrise” pode não ser nada inovador entre as bandas de jazz fusion, para muitos pode soar até manjado ou algo pior, como plágio, por exemplo, tema tão em voga para se polemizar, mas não podemos negligenciar que o Ocean foi, primeiramente ousado em produzir um material esquecido em pleno anos 1980 de jazz rock e prog rock e segundo trata-se de um álbum arrojado sim, embora não seja nada novo. A pegada jazzística com riffs e solos de guitarra mais pesado definitivamente caiu muito bem aos meus ouvidos. Altamente recomendada!


A banda:

Bruce Fox na guitarra e produção do álbum

Rick Snyder nos teclados e sintetizadores

Michael Sharfe no baixo e baixo acústico

Chris Erickson na bateria e percussão

Com

Curt Ramm no trompete

 

Faixas:

1 - Hickey

2 - Of Birdland Fame

3 - The Bubble

4 - Tidal Wave 5:52

5 - Just One of Those Little Things

6 - Ocean Sunrise (Sara's Elegy)



"Sunrise" (1982)

Orquesta Akokán – Orquesta Akokán (2018)

 

A estreia da Orquestra Akokán é uma obra-prima porque tem tudo: composições brilhantes, arranjos requintados, performances perfeitas, grandes artistas, respeito pelas raízes afro-cubanas e uma visão de futuro.
A Orquestra Akokán é um conjunto seleto que reúne veteranos e jovens talentos, incluindo César "Pupy" Pedroso (Los Van Van), uma seção de saxofones originária do grupo de jazz cubano Irakere e percussionistas da NG La Banda. Todos eles liderados por José "Pepito" Gómez , um vocalista prodígio com experiência em vários grupos cubanos e nova-iorquinos que tem a capacidade de lembrar fortemente o grande Beny Moré. Juntos, eles se trancaram nos lendários estúdios Areito, em Havana, para uma eletrizante sessão de três dias para dar forma final à matéria-prima meticulosamente preparada pelo próprio "Pepito" e pelos produtores do álbum, Jacob Plasse (fundador da Chulo Records, uma gravadora de distribuição de música latina) e Mike Eckroth , renomado pianista, compositor e conhecedor das raízes musicais cubanas.

Akokán é uma palavra iorubá usada pelos cubanos para significar "do coração" ou "alma". Rumba, cha-cha-chá, guaracha, toques de jazz latino e mambo em uma obra excepcional que constitui um dos melhores álbuns do ano. Maravilhas como "Mambo rapidito", "La corbata barata" e "Un tabaco para Elegua" são apenas três exemplos de uma seleção de nove grandes faixas que nos levam de volta aos dias de glória de Arsenio Rodríguez, Israel López "Cachao" e o já mencionado Moré.

tracks list:
01. Mambo rapidito
02. La corbata barata
03. Un tabaco para Elegua
04. Otro nivel
05. La cosa
06. Cuidado con el tumbador
07. Yo soy para ti
08. No te hagas
09. A gozar la vida





Coladera – La Dôtu Lado (2019)

 

La Dôtu Lado é o segundo projeto musical transatlântico do Coladera , uma sonoridade requintada e aventureira que acrescenta diversas camadas às ricas tradições de seus principais divulgadores: os cantores e violonistas Vitor Santana , de Belo Horizonte (Brasil), e o português João Pires . Junto com o músico cabo-verdiano Miroca Paris (que ficou famoso como percussionista de Cesária Évora) e o percussionista Marcos Suzano, eles traçam novos caminhos musicais, combinando os sons do batuque e do funaná de Cabo Verde e do lundum de Angola com ritmos profundos inspirados no candomblé e no fado. E ao fazer isso, eles abriram uma narrativa fascinante sobre o tráfico de escravos, espiritualidade e amor.

O álbum reúne uma série de colaborações entre Aline Frazão, José Eduardo Agualusa, Dino Santiago, Bilan, Ana Sofia Paiva, Edu Mundo, Brisa Marques e Marcos Suzano: três universos musicais (Brasil, Portugal e Cabo Verde) que homenageiam os ritmos lusófonos.

tracks list:
01. La Dôtu Lado
02. A Luz De Yayá
03. Primer Letra
04. Mandinga
05. Mantafro
06. Algum Lugar Em Nós
07. Funaná Do Moreré
08. Céu Azulino
09. D´Orixá
10. Deserto Do Sal
11. Gira





Carminho – Maria (2018)

 

Maria é o aguardado quinto álbum de Carminho e talvez o mais pessoal, já que a artista, além de compor sete das doze faixas do disco, participou da sua produção ao lado de Diego Alves, Marta Pelágio e João Pedro Ruela (Ruela Music). Talvez por isso ela tenha decidido chamá-lo pelo primeiro nome, já que embora todos a conheçamos como Carminho, seu nome é Maria do Carmo de Carvalho Rebelo de Andrade.
O álbum começa com uma canção cantada a cappella, "A Tecedeira", que também tem música e letra da própria Carminho e que é uma bela introdução ao que vamos encontrar neste álbum: um bom fado com a personalidade vibrante da voz de Carminho patente em cada canção, como já demonstrou no seu extraordinário álbum de estreia, Fado (2009, considerado o melhor novo álbum de fado da última década).

Além deste primeiro fado, "Estrela", "A Mulher Vento" e "Poeta" têm letra e música da artista que também escreve a letra de "Se Vieres" que canta com base no fado tradicional, "Fado Santa Luzia" de Armando Machado, e a maravilha que é "Desengano", que tem como base "Fado Latino" de Jaime Santos e a música de "Quero Um Cavalo de Várias Cores" de Reinaldo Ferreira.
Em Maria Carminho é acompanhado por Bernardo Couto , José Manuel Neto e Luís Guerreiro na guitarra portuguesa; Flávio César Cardoso gravou viola de fado; José Marino de Freitas, baixo; João Paulo Esteves da Silva, no piano, e Filipe Cunha Monteiro no pedal e na guitarra eléctrica, que também é tocada pela própria Carminho em "Estrela".
Maria conta ainda com uma canção de Joana Espadinha ("O Menino e a Cidade"); “Pop Fado” de César Oliveira e Fernando Carvalho, e “Sete Saias”, com letra e música de Artur Ribeiro. Um álbum verdadeiramente emocionante em que Carminho confirma o seu estatuto de grande voz do fado e uma das artistas portuguesas com maior alcance internacional da história.


tracklist :
01. A Tecedeira
02. O Começo (Fado Bizarro)
03. Desengano (Fado Latino)
04. O Menino EA Cidade
05. Estrela
06. Pop Fado
07. A Mulher Vento
08. Poeta
09. Se Vieres (Fado Sta. Luzia)
10. Quero Um Cavalo De Várias Cores
11. Seven Saias
12. Ás Rosas





Abdesselam Damoussi & Nour Eddine – Jedba. Spiritual Music from Morocco (2019)

 

Dizem que nas aldeias onde o sufismo é praticado, os conflitos são resolvidos por meio de poetas, um para cada pessoa envolvida na disputa. Os argumentos são ouvidos e depois cantados como poesia enquanto os moradores dançam até cair. Dessa forma, música, transe, entrega extática e, finalmente, paz se entrelaçam. E é essa noção de paz universal que Jedba tenta evocar em um álbum que levou vários anos para ser feito, um lançamento que abrange uma grande variedade musical, desde o sul do Saara, no Marrocos, até seu norte mais fértil. A ARC, uma gravadora que lançou música sufi de Bangladesh, Turquia, Egito, Paquistão e outros lugares, continua a oferecer a essa música devocional centenária um lugar para se reinventar.
Jebda combina as vozes e a música de seis cantores e músicos profissionais com uma variedade de músicos de rua reunidos pelo produtor Abdesselam Damoussi , que os conheceu a caminho da praça Jemaa el-Fna, em Marrakech, em direção ao seu riad e estúdio do século XV, equipado com microfones Neumann, para gravar o que gerações de músicos, mágicos, contadores de histórias e encantadores realizaram durante séculos na praça próxima, exercendo seus ofícios extáticos. Com o multi-instrumentista e coprodutor Nour Eddine , ele os colocou no estúdio, serviu chá, preparou-os para tocar e capturou a melhor parte de suas almas.

Como resultado, eles conseguiram capturar a essência da música marroquina, despojada de uma produção brilhante, mas com lucidez profissional suficiente para fazer essa música antiga soar eternamente relevante. Há "Adam", um solo a cappella de chamada à oração (Saad Temsamani), um árabe berbere e tocador de banjo das Montanhas Atlas que aparece em "Tazalit" (Larbi Bakchich e Raiss Brahim), e até mesmo uma faixa de guitarra elétrica e vocal em "Arrahmane", que apresenta dois músicos do Saara mais profundo do país (Hassan Haddad e Yemdeh Selem) e tem um claro parentesco com o tipo de blues do deserto encontrado mais ao sul, no Saara Ocidental e na Mauritânia.
Quanto à fidelidade do registro trance, ela pode ser sentida especialmente na faixa que dá nome a esta coletânea. Com Eddine na percussão e Abdelaziz Inouiti na ghaita (um instrumento parecido com o oboé), a melodia é implacável, em uma linha de percussão tensa e repetida que eventualmente entra na ghaita e desaparece infinitamente.
A voz de Damoussi e a percussão de Eddine estão interligadas em muitas das faixas do álbum, variando de ritmos berberes cheios de banjo com perguntas e respostas até os tipos de ululações agudas encontradas em todo o continente africano. Há também a voz de uma menina de 8 anos que dá forma a uma oração a cappella do imã de Tânger, Said Lachhab ("Mawal Espiritual"). E em "Allah Hay", ghaita e tambores abrem caminho para o trabalho vocal mais complexo e espetacular do álbum.
Jedba , em seus quase sessenta minutos, é um relato privilegiado e superlativo do êxtase musical sufi do Marrocos, levado a um Riad que gostaríamos que fosse nosso lar.

tracks list:
01. Jedba (Trance)
02. Sabaato Rijal (Seven Stairs of Marrakech)
03. Spiritual Mawal (Light of the Star) (Traditional)
04. Allah Hay (God Is Alive)
05. Arrahmane (Spiritual Desert Voice From the Moroccan Sahara)
06. Ziyara (Traditional)
07. Assalat Al Machichiya (Traditional)
08. Tazalit (Spiritual Berber Voice From the Atlas Mountains)
09. Lailaha illa Allah (One God) (Traditional)
10. Adan (A Call to Prayer) (Traditional)





Blick Bassy – 1958 (2019)

 

Blick Bassy canta em bassa, uma das 260 línguas faladas em Camarões e que hoje corre risco de extinção. Ele combina suas raízes africanas e reinterpreta diferentes ritmos de seu país, com influências do blues e outras fontes, misturando o ancestral com o contemporâneo. Sua voz inconfundível, estilo, atenção aos detalhes e combinação requintada de banjo, violão, violoncelo e trombone (agora incluindo efeitos e teclados) produzem um resultado bonito, original e altamente pessoal que cativa um público transoceânico.
Seu trabalho anterior, Akö (2015), foi inspirado pelo grande guitarrista do Mississippi, Skip James, e abordou questões de migração e educação. Agora ele está escolhendo prestar homenagem a um de seus heróis políticos: Ruben Um Nyobé , um líder anticolonialista que se dirigiu ao mundo nas Nações Unidas exigindo a independência de Camarões (um dos mais sangrentos da África) e que foi assassinado pelas forças militares francesas em 1958. Um álbum com temas universais como a escravidão, a necessidade de heróis, a relevância da história e a busca pela verdadeira identidade.

O álbum conta a história de Nyobé em Bassa, paralela à de seus próprios pais, que tiveram que se esconder das forças francesas na floresta tropical. Neste álbum, Bassy questiona a juventude camaronesa e como eles esqueceram a história e se deixaram seduzir pelas falsas promessas do Ocidente, alertando sobre problemas profundamente enraizados no continente (como o álcool) e acusando os camaroneses modernos de sabotar sua própria terra natal. Este é um álbum com uma mensagem clara, ardente e enfática, mas cujo poder está no contraste e na influência da beleza e doçura da composição musical.
Blick Bassy lança luz sobre mensagens de raiva em um álbum que visa abalar a juventude africana, num desejo de revisitar assuntos inacabados e fazer justiça aos avôs e avós que levaram a África à emancipação nacional.

tracks list:
01. Ngwa
02. Nguiyi
03. Kundé
04. Woñi
05. Mpodol
06. Lipém
07. Sango Ngando
08. Maqui
09. Pochë
10. Bès Na Wé
11. Where We Go





Aziz Sahmaoui & University of Gnawa - Poetic Trance (2019)

 

Quando Aziz Sahmaoui desembarcou em Paris na década de 1990, descobriu um verdadeiro continente de ritmos, oferecendo os seus à L'Orchestre National de Barbès, o carro-chefe de uma revolução musical que fundia a herança da Marrakech de sua infância com o brilho do jazz, reggae, funk, rock, raï e chaâbi. Levando suas explorações experimentais ao limite com Joe Zawinul e seu Syndicate de Zawinul, Aziz Sahmaoui retornou ao que ele chama de "seus instintos" em 2010 ao fundar a Universidade de Gnawa , na qual imediatamente matriculou os músicos senegaleses Alune Wade (baixo), Hervé Samb (guitarra) e Cheick Diallo (kora e teclados) como engenheiros de um som universal.
Sahmaoui é um homem que introduz Claude Nougaro, Nass El Ghiwane e provérbios berberes, sem fazer distinção entre eles, no panteão de suas inspirações. A poesia tem o poder de elevar; é a escrita do céu na Terra. Quando uma palavra ressoa, quando ressoa sem amassar, esticar ou esmagar, então ela encontra seu lugar em uma arquitetura poderosa. Mas o poeta também deve cantar a injustiça: denunciar as fraturas entre povos, ao longo das fronteiras ou na linguagem da imposição .

Produzido por Martin Meissonnier (que já fez isso com University of Gnawa , 2011) e gravado ao vivo com um senso de risco e aventura, Poetic Trance revela uma linguagem musical madura, brilhante e pesada. Musicalmente, queríamos encontrar um equilíbrio entre a África, a Europa e o resto do mundo. Com o Poetic Trance, acho que conseguimos: é pop, é rock e reggae e, de repente, os sons de kora, n'goni, guembri e karkabous se entrelaçam... Que felicidade! Hoje, os grandes mestres de Gnawa, os maâlems, meus amigos, ficarão orgulhosos de nós: conseguimos renovar o gênero sem distorcê-lo, e muitos seguiram nosso exemplo .
Graças a uma brilhante maestria vocal, Aziz Sahmaoui e a Universidade de Gnawa podem cantar em tamazight, wolof ou mina (Togo) sobre a resistência das vítimas da guerra ("Coquelicots", Poppies), o amor ("Nouria"), a fraternidade ("Entre Voisins", Between Neighbors). O grupo declara um profundo apego à cultura africana em "Janna ifrikia" (Paraíso Africano). "Com a minha música, quero ajudar a suavizar a amargura, construir pontes entre a África e a Europa. É uma forma de expandir o nosso círculo, que nunca se fecha: venha participar!" , diz Sahmaoui. De fato, como afirma o clássico Gnawa "Gang Sound of Mbirika", "As pessoas vieram em massa, de todos os lugares, para essas festividades e para esta celebração, para viver a experiência como uma terapia libertadora para corpos e mentes . "

tracks list:
01. Hanna ifrikia (African Paradise)
02. La peur – Nogcha (Fear)
03. Nouria (Luminous)
04. Entre voisins (Among Neighbours)
05. Ganga Sound of Mbirika
06. Coquelicots (Poppies)
07. Soudani ya yémma
08. Absence
09. Sotanbi






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