domingo, 15 de junho de 2025

Omega Plus - How To Kiss The Sky

 




Alguns alegam que este é o primeiro álbum do Zeuhl. Obviamente, uma afirmação absurda, considerando que o Magma inventou o Zeuhl e eles só lançaram seu primeiro disco em 1970, mas como o guitarrista original do Magma, Claude Engel, estava neste grupo, pode-se ficar confuso. De qualquer forma, o primeiro lado é um blues-rock bastante comum; termina com uma faixa longa e sombria de terror, mas essa faixa tem muito mais em comum com algo como "Trip Thru Hell", do CA Quintet, do que com algo como Riah Sahiltaahk. Só para completistas, eu diria.

Com Claude Engel na guitarra (mais tarde com Magma, Dayde, Univeria Zekt e muitos outros), este é geralmente considerado o primeiro disco psicodélico da França (veja também Dickens, Octopus 4 e Popera Cosmic). Interessante notar que o próprio Engel, pelo menos em seu site, nem sequer faz referência a este álbum. Não sei por que não, já que não é um mau exemplo do som psicodélico de Hendrix e, com a adição da flauta, acrescenta mais do que o habitual psych rock ácido copiado que muitas bandas americanas faziam na época. Inclui também uma longa improvisação de rock livre que é bem interessante. Um disco curto, que nem ultrapassa a marca dos 30 minutos.

Como Beijar o Céu: Manual de Voo de Asas de Papel

França, 1970. Maio de 68 ainda ressoava dentro dos muros de Paris como um eco libertário, ainda não totalmente extinto. Os jovens buscavam novas formas de expressão e, no mundo do rock, essa busca tomou rumos inesperados. Enquanto na Inglaterra, a música progressiva ascendia aos tronos barrocos e, na Alemanha, o Krautrock iniciava seu evangelho sonoro, na França, uma contracultura tímida, porém determinada, germinava, pronta para explorar territórios musicais mais sombrios, densos e livres.

Nesse microcosmo surge Omega Plus , um nome pouco mencionado na história, mas que deixa uma marca peculiar com How To Kiss The Sky, seu único testemunho gravado. Gravado e lançado em uma França ainda em seus primórdios em jornadas progressivas, este álbum surge como uma miragem entre duas margens: de um lado, a influência britânica do rock psicodélico tardio; do outro, uma densidade pesada incipiente que antecipa a febre dos anos setenta que estava por vir. How To Kiss The Sky não conquistou os céus, mas tentou com honestidade e crueza. Sua estranheza, sua mistura de psicodelia decomposta e proto-prog simples, mas inquieto, conseguiu atrair a atenção até mesmo dos colecionadores de vinil mais obscuros. Não foi um grito, mas um sussurro estranho, elétrico e artesanal que caiu como uma pedra no fundo de um lago, esperando décadas para ser redescoberto.

Um sussurro psicodélico da França pré-progressiva

No vasto mapa do rock progressivo inicial, alguns álbuns aparecem como manchas borradas, notas marginais, fósseis discretos que não gritam, mas também não se deixam esquecer. How To Kiss The Sky , o único álbum do grupo francês Omega Plus , é uma dessas aparições. E embora o título convide a beijar o céu, a verdade é que o voo foi curto, modesto, mas não desprovido de charme.

Lançado em 1970, no auge do boom psicodélico tardio e com a música progressiva britânica entrando em sua fase de formação, este álbum parece chegar um pouco atrasado e sem muita urgência. No entanto, há algo cativante em seu som: uma mistura agradável da curiosidade de um aprendiz e da determinação de alguém sem nada a perder. Às vezes, soa como uma carta de amor sem direção definida, escrita por músicos que sabiam o que queriam, mas não sabiam exatamente como alcançá-lo.

How To Kiss The Sky é um álbum de sucesso? Para muitos — incluindo certos apreciadores do underground — sim. Alguns o consideram lendário, outros o veem como um dos pilares do rock progressivo francês. E embora eu não negue que ele tenha seus momentos de lucidez, pessoalmente acho sua performance bastante mediana, e até um tanto limitada. O álbum avança com dignidade, mas sem surpresas; é simples, mas eficaz, despretensioso, sem floreios, nunca caindo no ridículo, mas também não delirante. No fim das contas, soa como uma banda influenciada — talvez até demais — pelas correntes britânicas do final dos anos 1960: um espelho mais do que uma voz.

Claro, há vislumbres através da névoa. Em sua estrutura de duas partes, encontramos duas faces distintas: a primeira metade desliza para o prog britânico antigo com certa elegância, enquanto a segunda mergulha em um rock psicodélico mais denso e pesado, flertando até com o heavy metal. Ali, bem no final, o álbum joga sua melhor carta: uma suíte final que é um prazer de ouvir e que dá um vislumbre do que poderia ter sido se o álbum inteiro tivesse ousado ir um pouco mais longe. How To Kiss The Sky não é uma obra-prima — pelo menos não para mim —, mas é uma raridade com valor arqueológico. Daquelas que você encontra por acaso, como um vinil esquecido em uma loja empoeirada, e quando você o coloca para tocar, soa mais como um testemunho do que uma proposta. É um álbum "apresentável", agradável, eclético e bem-intencionado. Mas é preciso ser um grande fã do lado B da música progressiva para apreciá-lo plenamente.

Recomendo? Sim, mas com ressalvas. Não esperem fogos de artifício. O que vocês vão encontrar é uma banda que queria surfar uma onda antes que ela chegasse à costa. E isso, por si só, já é uma conquista. O Omega Plus não chegou a beijar o céu, mas pelo menos tentou. E nessa tentativa, por mais breve que tenha sido, há algo de poético. Até mais.

01. Unfaithful Woman
02. Spanish Feeling
03. Wild Cult
04. Which Colour?
05. Do You Need Sugar?
06. Voyelles

CODIGO: F.1-10

MUSICA&SOM ☝






Traffic Sound - Same (Tibet's Suzettes)

 




Em termos de estilo e técnica, o Traffic Sound poderia facilmente ter se destacado em Londres em 1970, um feito e tanto para uma banda peruana. No entanto, a composição não é das melhores, e a engenharia e a qualidade sonora, essenciais para tocar esse tipo de rock improvisado e dominado por instrumentos, não são lá essas coisas, então só três estrelas.

Estou prestes a ter uma verdadeira surpresa com o Traffic Sound enquanto escrevo estas palavras. Estou ouvindo Yesterday's Game, excelente... Vale a pena ouvir o trabalho deles. Ouvi muito pouco rock latino daquela época. Como mexicano, acompanho Ritual, Los Dugs e Bandido, mas me apaixonei pelo Traffic Sound. É sempre um prazer descobrir mais músicas da era de ouro dos anos 60 e 70...

Duvido que tenha sido uma coincidência, mas sim uma consequência, eu diria…
Solimão

É muito legal!!!!!!!

Fusões de um Sonho: A Rota Mística do Som do Tráfego

Em meio à efervescência dos anos 60, quando o mundo estava em turbulência com flores, tumultos, expansão mental e wah-wah com esteroides, algo especial estava germinando em Lima, Peru. Uma cidade até então um tanto afastada do epicentro da contracultura anglo-saxônica começou a ouvir um tipo diferente de trovão: guitarras elétricas com sabor latino, percussão com raízes afro-andinas, travelling fuzz e letras que, mais do que canções, eram cartões-postais lisérgicos de uma juventude ávida por novas formas de expressão. Dessa explosão nasceu o Traffic Sound , uma banda formada por jovens de classe média de Lima, a maioria deles graduados da exclusiva escola britânica Markham. Eles começaram tocando covers de The Doors, Cream e Iron Butterfly, mas logo se lançaram no abismo de sua própria criação.

O álbum de estreia da banda, comumente conhecido como Traffic Sound (embora sua versão original se chamasse "Traffic Sound / Tibet's Suzettes" ), foi lançado em 1968 pelo lendário selo MAG. Este primeiro LP foi lançado originalmente apenas no Peru e, apesar de sua circulação limitada, acabou se tornando um dos discos mais cobiçados entre os colecionadores do mundo psicodélico underground. Sua estrutura híbrida — parte tributo, parte manifesto — combinava versões altamente pessoais de clássicos do garage e do soul com composições próprias que já começavam a mostrar a coragem e a identidade que mais tarde definiriam a banda.

Este álbum é um limiar: a transição da imitação para a invenção. Das sombras de ícones britânicos e americanos para uma identidade psicodélica peruana com um toque muito local e um groove muito universal.

Impressão pessoal: Folk, Fuzz e um pouco de Flauta

Há álbuns que chegam com um estrondo, com a batida da lenda, com os adereços do cânone. E há outros que chegam como memórias verdadeiras: em voz baixa, com o aroma de um quarto trancado, com a textura empoeirada da autodescoberta. Tibet's Suzettes, do Traffic Sound , caiu sobre mim assim, como um segredo que alguém deixou esquecido numa prateleira do tempo.

Lembro-me de quando o ouvi pela primeira vez, sem grandes expectativas, simplesmente me deixando levar pelo nome enigmático e pela capa austera, sem perceber que estava prestes a mergulhar em um álbum que, apesar de suas limitações, se abria como uma flor rara no meio do deserto. Naquele dia, a tarde estava daquelas quentes e sem graça. Mas foram necessários alguns compassos de "Chicama Way" para que algo se agitasse dentro de mim. Era como se as guitarras, com aquele timbre contido, mas curioso, buscassem algo além do rock. Era um espírito errante falando, um espírito que não se contentava em repetir fórmulas: queria encontrar sua linguagem, mesmo que eu ainda não soubesse bem como conjugá-la. E lá estava eu, ouvindo alguns jovens de Lima tentando se infiltrar na grande conversa do rock global. Eles o fizeram timidamente, sim, mas também com uma coragem estranha, como alguém que sabe que pode não ser aclamado por todos, mas ainda tem algo a dizer. O álbum não é perfeito, nem precisa ser. Há algo na modéstia deles que sempre me comoveu: aquele desejo de ascender, de abraçar o prog britânico enquanto se apega ao ritmo desta parte do mundo. É como se em "Yesterday's Game" ou nas passagens mais ácidas do álbum, pudéssemos ouvir a banda perscrutando o abismo do possível.

Sim, os ecos de Jethro Tull são sentidos, e há uma certa falta de jeito em algumas das composições. Mas isso faz parte do charme. É como ver alguém dançar com passos emprestados, e ainda assim encontrar nessa falta de jeito uma beleza sincera, sem pose. Uma verdadeira busca. As Suzettes do Tibete não mudaram a história do rock, mas foi uma semente. E hoje, com ouvidos mais sábios e uma alma mais cansada de tanto barulho, eu o ouço como se ouve cartas antigas: com carinho, com nostalgia, com gratidão. Porque não há nada mais bonito do que uma tentativa genuína. E o Traffic Sound , neste álbum, tentou com todo o coração. Até mais. 

01. Suzettes do Tibete
02. Aqueles Dias Acabaram
03. O Jogo de Ontem
04. América
05. O Que Você Precisa e o Que Você Quer
06. Chicama Way
07. Você Tem que Pagar
08. Tem que Ter Certeza
09. Vazio

CÓDIGO: @

MUSICA&SOM ☝





Winger - Karma [2009]

 



Apesar de ter virado piada no meio headbanger por conta das desavenças com o Metallica e a equipe de Beavis & Butt-Head, o Winger conquista cada vez mais fãs no meio metálico. Não apenas por seus competentes músicos, provavelmente entre os mais habilidosos da safra oitentista e farofeira do Hard Rock, mas também pelo poder que seus trabalhos apresentam. Até porque, de nada adianta a maestria em um instrumento se não há um senso criativo aguçado.

Da esquerda pra direita: Rod Morgenstein,
Reb Beach, Kip Winger, John Roth

Qualquer vestígio de farofa é deixado em “Karma”, quinto álbum do conjunto, lançado em 2009. O disco é um verdadeiro convite para a bateção de cabeça, sendo o mais pesado da carreira do Winger. Mas não se trata apenas de uma reafirmação de clichês, pois os caras conseguem aliar peso e melodia de forma incrível. A sensação é de que tudo de melhor da trajetória do conjunto foi jogado em um caldeirão e gerou um novo produto.

Em “Karma”, afinações mais baixas e timbres mais graves foram adotados. Além disso, a ótima produção do líder Kip Winger colabora para a densidade do play. Outro fator que colabora é a ausência dos famigerados temas bestas das letras Hair Metal. Temáticas obscuras, constantes nos trabalhos solo de Kip, tomaram o posto antes ocupado por bobagens enunciadas, por exemplo, em Seventeen – que é uma excelente canção, mas de péssima letra.



O grupo soa perfeito, mas é impossível não destacar o trabalho isolado de cada integrante. A bateria de Rod Morgenstein parece simples numa primeira audição, pela falta de firulas desnecessárias, mas sua rítmica quebrada e sua mão pesada são diferenciais e essenciais no registro. As linhas de guitarra de John Roth e Reb Beach estão inspiradas, em especial este, um raro exemplar de guitarrista que alia técnica a senso melódico de forma apurada. O grande Kip Winger proporciona boas linhas de baixo, bem como vocais poderosos. Um dos únicos grandes vocalistas dos anos 1980 que ainda canta de verdade e arrisco dizer que sua voz melhorou em comparação ao passado.

A tarefa de escolher destaques particulares na tracklist é complicada pois, diferente de registros atuais de seus contemporâneos, “Karma” não traz nenhum filler. A audição empolga do início ao fim. Todavia, há faixas tão grandiosas que merecem ser citadas, tais como a paulada de abertura Deal With The Devil, a imponente Pull Me Under, a arrastada Supernova e as baladas After All These Years e Witness.




01. Deal With The Devil
02. Stone Cold Killer
03. Big World Away
04. Come A Little Closer
05. Pull Me Under
06. Supernova
07. Always Within Me
08. Feeding Frenzy
09. After All This Time
10. Witness
11. First Ending (Instrumental Bonustrack)

Kip Winger - vocal, baixo, violão, teclados
Reb Beach - guitarra solo, backing vocals
John Roth - guitarra base, backing vocals
Rod Morgenstein - bateria, piano em 11

Músico adicional:
Cenk Eroglu - teclados, guitarra base

Deep Purple – Nobody’s Perfect [1988]

 



Esse não é o melhor disco ao vivo do Purple (Made in Japan é).

Essa não é a melhor coletânea do Purple (Anthology é).

Mas esse é um registro histórico, digno de nota na trajetória de uma das melhores bandas da história do rock.

Mesmo com um hit (Perfect Strangers) e um quase hit (Knocking at your back door), o Deep Purple estava fora de moda nos anos 80. Nada mais era novidade e o cenário musical estava pautado em uma evolução natural do som dos anos 70.

O shred e o hair metal dominavam em uma ponta, enquanto, na outra, amargavam os dinossauros. O tão aguardado retorno da excelente MKII serviu para deleitar os fãs ardorosos, sem, contudo, atrair uma gama considerável de novos adeptos.

Mesmo sendo uma pedrada na cara, a Zeppeliniana Perfect Strangers (a comparação acaba sendo inevitável, principalmente com o riff de Kashmir) não vinha acompanhada de grandes canções, como a banda fizera em In Rock e Machine Head. O play era bom, mas tinha aspecto de disco feito sobre um único hit. Sabemos que não é isso, mas as vendas foram muito aquém do esperado para o grande retorno.




Depois veio The House of Blue Light e a coisa desandou. Flertando descaradamente com o pop dos anos 80, o som nem de longe lembrava a grandiloquência dos áureos tempos. The call of the wild tem um clip que, se cortarmos o áudio, lembra Duran Duran. Os velhos desentendimentos internos estavam mais latentes do que nunca e o fim do tão aguardado retorno mostrava-se próximo. Foi nesse clima que resolveram gravar o disco ao vivo que posto hoje.

Entupido de overdubs de estúdio, sequer é citado como disco oficial pelo site da banda. Sequer aparece por lá. Mas é um grande disco. Gravado em 6 de setembro (Verona, Itália), 22 de agosto (Oslo, Noruega), 23 de maio (Irvine Meadows), 30 de maio de 1987 (Phoenix, Arizona) e 26 de fevereiro de 1988 (Hook End Manor, Inglaterra), é parte da turnê do então novo disco.

De olho na fatia perdida do mercado fonográfico, é nesse disco que está a versão de estúdio de Hush com Ian Gillan nos vocais. Billy Joe Royal compôs esse clássico que foi primeiramente gravado no disco de estreia do Purple, de 68, com Rod Evans nos vocais.





Depois disso, o Purple foi bastante inconstante, trocando diversas vezes seu staff, mas sempre mantendo a qualidade dos músicos. Joe Lynn Turner assumiu os vocais, Gillan voltou, Blackmore deu lugar a Morse e Jon Lord saltou fora.

Posso dizer, do alto da minha condição de fã da banda, que este disco mostra o fim de uma era. Do auge das grandes performances da clássica MKII, com Ian Gillan ainda destruindo nos vocais e Blackmore tendo hard rock circulando em suas veias. O trio Paice, Glover e Lord nunca perdeu o pique, por isso qualquer registro deles não é menos que espetacular.

Se você já tem, beleza. Se não tem, vai a dica.

Track List

1. "Highway Star" - 6:10
2. "Strange Kind of Woman" - 7:34
3. "Perfect Strangers" - 6:25
4. "Hard Lovin' Woman" - 5:03
5. "Knocking at Your Back Door" - 11:26
6. "Child in Time" - 10:35
7. "Lazy" - 5:10
8. "Black Night" - 6:06
9. "Woman from Tokyo" - 4:00
10. "Smoke on the Water" - 7:46
11. "Hush" - 3:30





Morphine – Cure for Pain [1993]

 



Já vimos bandas que dispensaram o baixista porque o tecladista faz tudo (The Doors e Jeff Beck com Tony Hymas no maravlhoso Guitar Shop).

Já vimos power trios que inovaram a ponto de mudar o rumo da música (The Jimi Hendrix Experience), fazendo enorme sucesso (Cream) ou nem tanto assim (Robin Trower Band).

Mas o que vos apresento hoje é algo absurdamente inovador. No formato de Power Trio, com nome sugestivo e tragédia no currículo, o Morphine é uma banda que tem bateria, baixo e SAX!!!!!

Imagine um contrabaixo segurando riffs atrás de riffs, incansavelmente e com um groove fantástico, utilizando slide e overdrive. Criando uma cama para o baterista experimentar seus pratos à vontade. Um vocal chapado que faz jus ao nome da banda. E muita melodia de saxofone dando as tintas sobre toda essa prospecção sonora.

Morphine nunca saiu pra valer do meio alternativo, mesmo conseguindo um contrato com gravadora e sendo cultuada poels modernettes de plantão dos anos 90. Este é o segundo disco de estúdio dos caras, sendo que o primeiro saiu, originalmente, de forma independente.




Sheila e In Spite of Me formaram a trilha sonora do filme alternativo Spanking The Monkey. Em tempo, espancar o macaco é como descabelar o palhaço para os americanos. Sheila é preguiçosa. Sax e baixo fazendo o riff principal em uníssono e uma letra que faz pensar que a morfina devia rolar solta nos ensaios. In Spite of Me traz um violão e um mandolin zeppelinianos, cortesia do mesmo mestre que faz os malabares com o baixo e um convidado mais que especial. Aliás, tem muito de Going to California aí, mas tudo no Morphine é tão criativo que sequer podemos cogitar o plágio.

Thursday rolou como trilha de um episódio dos sarcásticos Beavis and Butthead, que rolava na extinta MTv. Sim, extinta, porque a que existe hoje não tem mais nada a ver com aquela. A música é nervosa, com a cozinha parecendo um trem. Quando entra o sax, tudo fica mais tenso ainda. Esqueça o sax como instrumento de conforto (alô Dire Straits). Aqui o bicho pega.

Buena foi trilha da primeira temporada do seriado The Sopranos. É impressionante como uma formação improvável consegue fazer uma música soar pop rock sem cair no banal, no lugar comum. Buena é para ouvir dirigindo seu Opalão 73 com o braço pra fora num dia de sol.



Mas e a tragédia?

Pois aqui temos a epítome do rockstar. Tudo o que um rockstar sempre sonhou aconteceu com o Morphine. Em 3 de julho de 1999, no Festival Nel Nome Del Rock, que rolava em Palestrina, na Itália, o baixista, vocalista, guitarrista e principal compositor do Morphine Mark Sandman teve um ataque cardíaco em pleno palco e caiu duro, mortinho da silva em frente a uma platéia extasiada. Suas últimas palavras foram:

"It's a beautiful evening and it's great to stay here and I want to dedicate a super-sexy song to you."

Se você anda chateado com os seus heróis do rock, aqui tem um que resiste ao teste do tempo. Enjoy.

Track List

1. "Dawna" - 0:44
2. "Buena" - 3:19
3. "I'm Free Now" - 3:24
4. "All Wrong" - 3:40
5. "Candy" - 3:14
6. "A Head with Wings" - 3:39
7. "In Spite of Me" - 2:34
8. "Thursday" - 3:26
9. "Cure for Pain" - 3:13
10. "Mary Won't You Call My Name?" - 2:29
11. "Let's Take a Trip Together" - 2:59
12. "Sheila" - 2:49
13. "Miles Davis' Funeral" - 1:41



quinta-feira, 12 de junho de 2025

"Deep Purple Come Taste the Band"

 




Quando o Deep Purple lançou Come Taste the Band, em 1975, a banda já havia passado por diversas transformações, mas este álbum marcou uma mudança ainda mais radical: foi o único sem Ritchie Blackmore, que havia sido substituído por Tommy Bolin. Para muitos fãs, a ideia de um Deep Purple sem Blackmore era difícil de aceitar, mas a verdade é que este álbum, embora diferente, tem seu próprio charme.

Desde o início, com "Comin' Home", fica claro que Bolin trouxe um som mais funky e grooveado para a banda. Seu estilo é menos neoclássico e mais próximo do blues-rock soul, dando à música do Purple um toque de frescor. Glenn Hughes, cada vez mais proeminente, leva esse som funky ainda mais longe, enquanto David Coverdale demonstra por que foi uma das melhores vozes da época.

Músicas como "Gettin' Tighter" refletem perfeitamente essa fusão de hard rock e funk, enquanto "You Keep on Moving", com sua atmosfera melancólica e envolvente, é provavelmente a faixa mais memorável do álbum. Bolin brilha em "Owed to 'G'", um instrumental que demonstra sua sensibilidade como guitarrista, embora sem a agressividade característica de Blackmore.

O problema com Come Taste the Band não é a falta de qualidade, mas sim o fato de soar mais como uma banda nova do que como Deep Purple. Às vezes, você sente como se estivesse ouvindo um projeto paralelo de Coverdale, Hughes e Bolin, em vez dos criadores de Machine Head ou In Rock. Além disso, tensões internas e abuso de substâncias influenciaram, afetando a coesão do grupo.

Em retrospecto, este álbum é injustamente subestimado. Não é o som clássico do Purple, mas tem alguns momentos excelentes e uma energia distinta que merece ser apreciada. Não salvou a banda do colapso, mas deixou claro que, mesmo em sua fase final antes da separação, o Deep Purple ainda estava disposto a experimentar.
 





Tommy Bolin, o jovem guitarrista americano que se juntou ao Deep Purple em 1975, deixou uma marca indelével no álbum "Come Taste the Band". Sua chegada trouxe consigo uma onda de frescor e versatilidade que transformou o som característico da banda britânica.
Bolin era um turbilhão de criatividade e energia. Seu estilo, forjado em jam sessions de jazz e casas de show de hard rock, fundia elementos de funk e soul com o hard rock que definira o Deep Purple. Essa mistura explosiva resultou em um álbum que surpreendeu fãs e críticos.
No estúdio, Bolin era pura magia. Seus dedos voavam sobre as cordas, criando solos eletrizantes que pareciam desafiar a gravidade. Mas não era apenas técnica; cada nota era imbuída de emoção e espontaneidade. A banda foi contagiada por seu entusiasmo, e as sessões de gravação se tornaram momentos de pura alquimia musical.
No entanto, a história de Bolin com o Deep Purple não foi um conto de fadas. Sua luta contra as drogas adicionou um elemento de caos à dinâmica do grupo. No palco, ele podia ser brilhante em uma noite e instável na seguinte. Essa instabilidade, embora problemática, também trazia um elemento de imprevisibilidade e excitação às apresentações ao vivo.
Apesar dos desafios, "Come Taste the Band" continua sendo uma prova do talento e da visão musical de Bolin. Sua breve passagem pelo Deep Purple deixou uma marca indelével, provando que, às vezes, as mudanças mais ousadas podem produzir os resultados mais surpreendentes.

Assim como Stormbringer, Come Taste the Band ficou fora de catálogo por mais de vinte anos nos EUA, mas foi relançado em 31 de julho de 2007 neste país, junto com Made in Europe e Stormbringer.


Venha saborear a banda: edição de 35º aniversário       


As principais diferenças entre a versão original de "Come Taste The Band" e a edição de 35º aniversário são:

Remasterizado: A edição de 35º aniversário inclui uma versão remasterizada do álbum original, melhorando a qualidade do som.

Conteúdo bônus: a edição especial é um conjunto de dois discos, enquanto o original era um único álbum.

Faixas bônus:

Disco 1: Inclui a versão single de "You Keep On Moving" como faixa bônus.

Disco 2: Contém duas faixas bônus: "Same in LA" e "Bolin/Paice Jam".

Remixes: O segundo disco inclui remixes do álbum original interpretados por Kevin Sherley.

Material visual: a edição de 35º aniversário vem com um livreto de 24 páginas contendo a história completa da criação do álbum, fotos nunca antes vistas e reproduções de pôsteres e recordações.

Embalagem: A embalagem e a apresentação física do álbum provavelmente serão diferentes, refletindo seu status de edição especial.

Contexto histórico: A edição de 35º aniversário oferece uma perspectiva histórica do álbum, colocando-o no contexto da carreira do Deep Purple e sua importância na discografia da banda.

Essas diferenças fazem da Edição de 35º Aniversário uma versão expandida e aprimorada do álbum original, oferecendo aos fãs e colecionadores uma experiência mais completa "Come Taste The Band".




                 Burn                         7:00

Love Child 4:42

You Keep On Moving 6:09

Wild Dogs 6:01

Lady Luck 3:07

Smoke On The Water 6:21

Soldier Of Fortune 2:22

Woman From Tokyo 3:59

Highway Star 6:46

1975 foi um ano de mudanças para o Deep Purple. Ritchie Blackmore, o mago das seis cordas, havia deixado a banda, e seu vazio parecia impossível de preencher. Mas a máquina não conseguia parar. Com a chegada de Tommy Bolin, um jovem guitarrista americano com um estilo mais funk e experimental, o Deep Purple embarcou em uma nova aventura: a turnê Come Taste the Band.

Do primeiro show em novembro de 1975 até o desastroso show final em março de 1976, a turnê foi uma montanha-russa de emoções, música incendiária e tensões internas. A banda estava em um momento crítico: David Coverdale e Glenn Hughes buscavam um som mais soul e funky, enquanto Jon Lord e Ian Paice tentavam manter a essência clássica do Purple. Tommy Bolin, por sua vez, trouxe uma lufada de ar fresco, mas também uma luta interna contra seus demônios.

Os shows eram uma mistura de momentos gloriosos e noites caóticas. Quando tudo dava certo, o Deep Purple soava mais dinâmico e poderoso do que nunca. Bolin entregava solos vibrantes e Coverdale comandava o palco como um verdadeiro frontman. Hughes, com sua energia e voz poderosa, adicionava uma nova dimensão aos shows. Mas em outras noites, especialmente quando as drogas estavam fazendo efeito, a banda fraquejava. Em certas datas, Bolin tinha dificuldades para tocar devido à deterioração de sua saúde, o que afetava o desempenho geral.

A gota d'água veio em 15 de março de 1976, em Liverpool. Foi um show marcado por exaustão e tensão. Depois daquela noite, Ian Paice, Jon Lord e Coverdale decidiram que já era o suficiente: o Deep Purple estava se desintegrando, e cada um seguiu seu próprio caminho.

A turnê Come Taste the Band permaneceu um capítulo agridoce na história da banda. Foi o último suspiro do Deep Purple na década de 1970 antes de sua dissolução e, embora o álbum e a turnê tenham sido criticados na época, foram vingados ao longo do tempo. Tommy Bolin, infelizmente, não viveria para ver esse reconhecimento; sua vida foi interrompida prematuramente em 1976.

Mas, além das sombras, aquela turnê deixou um legado: a prova de que o Deep Purple sempre foi maior que seus membros individualmente e que sua essência, mesmo que tenha sofrido mutações, continuou a bater forte em cada palco em que pisaram.

CONCERTOS

Deep Purple - Ao Vivo na Long Beach Arena 1976




Deep Purple na Long Beach Arena, 1976: Uma noite de fogo e virtuosismo

Em 27 de fevereiro de 1976, a Long Beach Arena, na Califórnia, tornou-se um santuário do hard rock. O Deep Purple, já consolidado como titã do gênero, proporcionou uma noite inesquecível com sua formação Mark IV, liderada pelo vocalista David Coverdale e pelo guitarrista Tommy Bolin. Foi um show eletrizante, cheio de energia e virtuosismo, que deixou uma marca indelével em todos os presentes.

Desde os primeiros acordes de "Burn", o público sabia que algo especial estava por vir. Coverdale, com sua presença de palco imponente e voz grave e rouca, incendiou a plateia desde o primeiro segundo. Ao seu lado, Bolin, que teve a difícil tarefa de substituir o lendário Ritchie Blackmore, provou ser um guitarrista com um estilo próprio e único: mais blues, mais improvisado, mas igualmente explosivo. Embora sua performance tenha tido alguns altos e baixos devido a problemas pessoais, seu talento brilhou em momentos-chave, como a majestosa interpretação de "Lady Luck".

Glenn Hughes, baixista e backing vocal, injetou uma dose extra de soul e funk no repertório, especialmente em "Gettin' Tighter", onde sua voz e a de Coverdale se entrelaçaram em um duelo feroz e apaixonado. Jon Lord, com seu Hammond em chamas, entregou solos cheios de drama e teatralidade, enquanto Ian Paice, sempre sólido e preciso, manteve o ritmo como um motor imparável.

O ponto alto do show veio com "Stormbringer" e "Smoke on the Water", que desencadearam euforia na arena. Milhares de vozes cantaram em uníssono, em um momento de pura comunhão entre banda e público. "Highway Star" deu o toque final com uma explosão de velocidade e adrenalina que deixou todos sem fôlego.

Mais do que um show, aquela noite na Long Beach Arena foi um reflexo de uma era de ouro do rock. Apesar das tensões e desafios internos que a banda enfrentou, o Deep Purple demonstrou por que seu legado perdura até hoje. Foi uma noite de fogo, paixão e, acima de tudo, música em sua forma mais pura.

1-1 Intro 2:01

1-2 Burn

Written-By – David Coverdale, Ian Paice, Jon Lord, Ritchie Blackmore

7:37

1-3 Lady Luck

Written-By – David Coverdale, Ian Paice, Jeffrey Cook, Ritchie Blackmore, Tommy Bolin

3:06

1-4 Getting Tighter

Written-By – Glenn Hughes, Tommy Bolin

14:10

1-5 Love Child

Written-By – David Coverdale, Tommy Bolin

5:50

1-6 Smoke On The Water / Georgia On My Mind

Written-By [Georgia On My Mind] – Hoagy Carmichael, Stuart Gorrell

Written-By [Smoke On The Water] – Ian Gillan, Ian Paice, Jon Lord, Ritchie Blackmore, Roger Glover

8:58

1-7 Lazy

Written-By – Ian Gillan, Ian Paice, Jon Lord, Ritchie Blackmore, Roger Glover

16:43

1-8 Homeward Strut

Written-By – Tommy Bolin

5:56

2-1 This Time Around

Written-By – Glenn Hughes, Jon Lord, Tommy Bolin

4:25

2-2 Owed To G

Written-By – Glenn Hughes, Jon Lord, Tommy Bolin

2:53

2-3 Guitar Solo Tommy Bolin 10:33

2-4 Stormbringer

Written-By – David Coverdale, Ritchie Blackmore

11:37

2-5 Highway Star

Written-By – Ian Gillan, Ian Paice, Jon Lord, Ritchie Blackmore, Roger Glover

7:19

Bonus - Live In Springfield 1976

2-6 Smoke On The Water / Georgia On My Mind

Written-By [Georgia On My Mind] – Hoagy Carmichael, Stuart Gorrell

Written-By [Smoke On The Water] – Ian Gillan, Ian Paice, Jon Lord, Ritchie Blackmore, Roger Glover

9:41

2-7 Going Down

Written-By – Don Nix

7:44

2-8 Highway Star

Written-By – Ian Gillan, Ian Paice, Jon Lord, Ritchie Blackmore, Roger Glover

6:26

MUSICA&SOM ☝


Deep Purple - This Time Around, Live in Tokyo 1975



Era dezembro de 1975, e o lendário Budokan de Tóquio se preparava para receber uma das bandas mais influentes do rock: Deep Purple. Embora a formação clássica não estivesse mais completa — com David Coverdale nos vocais e Glenn Hughes no baixo e backing vocal substituindo Ian Gillan e Roger Glover —, a energia daquela noite estava em outro nível.

Desde o primeiro acorde, ficou claro que este não seria um show comum. Ritchie Blackmore, em uma de suas últimas apresentações com a banda antes de sua saída, entregou solos eletrizantes e furiosos, quase como se estivesse deixando uma última marca indelével na história do Deep Purple. Jon Lord, com seu majestoso teclado Hammond, teceu atmosferas únicas, enquanto Ian Paice manteve a máquina funcionando com sua bateria precisa e potente.

Um dos destaques foi a apresentação de Burn, que contagiou o público desde o primeiro segundo com seu riff arrebatador. Coverdale e Hughes compartilharam vocais com uma química palpável, destacando o contraste entre a voz grave e blueseira de Coverdale e os agudos quase estratosféricos de Hughes.

No entanto, a magia atingiu seu ápice com "Mistreated", um blues pesado e emocionalmente carregado, no qual Coverdale derramava sua alma em cada verso, enquanto Blackmore esculpia notas repletas de melancolia e fúria reprimida. A interação entre os músicos fez a música soar como um lamento cru e autêntico.

No meio do show, "This Time Around/Owed to 'G'" permitiu que Hughes brilhasse com sua virtuosidade vocal e seu piano comovente. Foi um momento de trégua antes que a tempestade retornasse com faixas como "Stormbringer", que encerrou a noite com uma explosão de adrenalina e pura energia do rock.

O público japonês, sempre conhecido por seu respeito e admiração pelos artistas, respondeu com uma ovação aparentemente interminável. O Deep Purple, apesar de passar por um período de transição e tensões internas, demonstrou que sua música era maior que qualquer conflito. Naquela noite em Tóquio, a banda deixou uma marca indelével na história do rock, e este álbum ao vivo é um testemunho de uma era que, embora turbulenta, nos proporcionou alguns dos momentos mais emocionantes do gênero.

Burn 8:08
Lady Luck 2:58
Love Child 4:29
Gettin' Tighter 16:02
Smoke On The Water 9:31
Wild Dogs 6:05
I Need Love 5:47
Soldier Of Fortune 1:47
Jon Lord Solo 9:43
Lazy 13:07
This Time Around 3:38
Owed To G 3:29
Tommy Bolin Guitar Solo 7:09
Drifter 4:55
You Keep On Moving 5:59
Stormbringer 8:51
Highway Star 7:30

MUSICA&SOM ☝







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