quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

GEORGE GERSHWIN

 

No dia 26 de Setembro de 1898, nascia no Brooklyn em Nova York, Jacob Brushkin Gershowitz, o segundo filho do casal de imigrantes judeus Moritz Gershowitz, russo e Rosa Brushkin, lituana. Com certeza um nome pouco conhecido entre aqueles que apreciam a música, entretanto o hábito bastante comum os estrangeiros naquela época, acabaram americanizando seus nomes para facilitar a vida nos Estados Unidos. Moritz e Rosa passaram então a ser conhecidos, respectivamente, como Morris e Rose. O primogênito, Israel, tornou-se Ira. E foi assim que Jacob Gershowitz virou George Gershwin.
George e Ira Gershwin
Ira e George sempre foram companheiros e desde cedo tomaram gosto pela música. Ira gostava de estudar, era fascinado por arte e aos 14 anos pediu um piano de presente aos pais. George vivia pelas ruas de East Side, arrumando encrencas e jogando beisebol. Para surpresa geral, foi George quem mais se encantou com o instrumento em casa. Aos 12 anos, conseguiu sozinho tirar de ouvido uma canção. Impressionados pelo talento, seus pais contrataram um professor particular que passou a dar aulas de piano aos meninos. Como não era um aluno exemplar abandonou o curso médio de comércio onde estudava para trabalhar em na editora musical New York’s Tin Pan Alley como leitor de partituras, isto entre os 15 e 16 anos. O emprego consistia em tocar piano para os fregueses, mostrando os lançamentos musicais. Nas horas vagas, trabalhava em suas próprias composições, inicialmente jingles publicitários.

Depois de algumas decepções, publica sua primeira canção, “When you want'em, you can't get'em, when you got'em, you dont' want'em”, em 1916. Cansado de tocar música clássica que considerava ultrapassada, compunha trechos inspirados no jazz de Nova Orleans que começava se popularizar.
Três anos depois em 1919 compôs seu grande sucesso, “Swanee”, canção interpretada por Al Jonson no musical Simbad que rendeu a George reconhecimento e um bom dinheiro, com sucesso vieram também críticas, principalmente pelo seu estilo revolucionário em que misturava o clássico com o jazz.

George and Paul Whiteman
George compôs a maioria das suas obras em parceria com o seu irmão Ira. Entre 1920 e 1924, escreveram canções para a Broadway, mas foi quando conheceram o maestro Paul Whiteman, que propôs a produção de uma peça de jazz sinfônico.

O resultado foi "Rhapsody in Blue". Na estreia da obra, estavam na plateia nomes como Stravinsky, Rachmaninov e Leopold Stokowski. Com o sucesso o nome de George Gershwin entrou, definitivamente, para a história artística dos Estados Unidos.


Seguiram-se outras composições com razoável sucesso, tais como o Concerto em Fá maior, Um americano em Paris e Segunda Rapsódia. Em parceria com seu irmão Ira, os musicais:  "Lady Be Good" (1924), "Strike Up The Band" (1927), "Girl Crazy" (1930) e "Of Thee I Sing" (1931), sendo esta a primeira comédia musical a ganhar o prêmio Pulitzer.

Edwin duBose Hayward
No ano de 1935 trabalhou naquele que era o seu projeto mais ambicioso e audacioso, a ópera Porgy and Bess, baseado no libreto de Edwin duBose Hayward, intitulado Porgy, que retrata o drama amoroso entre uma bela mulher e um mendigo, ambos negros. Além da música George, também escreveu as letras juntamente com Ira. A obra alcançou grande sucesso, ao mesmo tempo em que houve muita resistência motivada pelo preconceito racial. Independente disso a peça se tornou a maior ópera americana de todos os tempos.

Cena de Porgy and Bess


No início de 1937, Gershwin começou a queixar-se de constantes dores de cabeça. Em 11 de Fevereiro de 1937, apresentou Concerto para Piano em Fá Maior com a Orquestra Sinfônica de San Francisco sob a regência do maestro francês Pierre Monteux. Estranhamente teve problemas de coordenação e apagões durante apresentação.
Na época morava com seu irmão Ira e sua cunhada Leonore numa casa alugada em Beverly Hills período em que trabalhavam em projetos de filmes de Hollywood. Leonore Gershwin sentia-se perturbada com as constantes mudanças de humor de George e sua aparente incapacidade de comer sem derramar comida na mesa de jantar.

Além das dores de cabeça, passou a ter alucinações olfativas, e em 23 de junho, depois de um incidente em que Gershwin tentou empurrar Paul Mueller, para fora do carro em que estavam andando, George foi internado no Cedars of Lebanon Hospital em Los Angeles para a observação. 

Os exames não mostraram qualquer causa física e ele foi liberado, no dia 26, com um diagnóstico de "provável histeria". 

Cedars of Lebanon Hospital
Os problemas de coordenação motora e acuidade mental pioraram, e na noite de 09 de julho Gershwin desmaiou na casa de Harburg onde ele trabalhava para a Goldwyn Follies. Ele foi levado de volta para Cedars of Lebanon, onde ele entrou em coma.


Os médicos suspeitaram que houvesse algum tumor cerebral. Os familiares procuraram pelo neurocirurgião pioneiro Dr. Harvey Cushing em Boston, que, havia se aposentado e, recomenda o Dr. Walter Dandy que estava em um barco de pesca na baía de Chesapeake com o governador de Maryland. Dandy foi rapidamente levado para terra pela Guarda Costeira e enviado para o Aeroporto de Newark para pegar um avião para Los Angeles, no entanto, a condição de Gershwin foi considerada crítica e a necessidade de cirurgia imediata. Uma tentativa por médicos do Cedars para extirpar o tumor foi feita nas primeiras horas do dia 11 de Julho de 1937, mas não foi bem sucedida, e George faleceu ao amanhecer.

John O' Hara

Muitos amigos e fãs de Gershwin ficaram chocados e devastados. John O'Hara, escritor, comentou:

" George Gershwin morreu neste dia, mas não preciso acreditar nisso, se eu não quero crer." 


Ele foi sepultado no Westchester Hills Cemetery em Hastings-on-Hudson , Nova Iorque. 


Um Concerto em sua memória foi realizado no Hollywood Bowl no dia 8 de Setembro de 1937, em que Otto Klemperer conduziu sua própria orquestração do segundo dos três Prelúdios de Gershwin.

Gershwin recebeu sua única indicação ao Oscar de Melhor Canção Original em 1937, por "They Can't Take That Away from Me", escrito com seu irmão Ira para o filme Shall We Dance, estrelado por Fred Astaire e Ginger Rogers.


A indicação foi póstuma, George Gershwin morreu dois meses depois do lançamento do filme. Maurice Ravel, de quem ele era admirador, disse-lhe, quando estudava em Paris com Nadia Boulanger. “Não queira ser um Ravel de segunda, você é um Gershwin de primeira”.

Assim foi feito e apesar da sua vida bastante curta, tornou-se num dos compositores mais conhecidos de todos os tempos. 


As 10 melhores músicas de Buckcherry de todos os tempos

 Cerejeira-brava

O Buckcherry surgiu em 1995 em Anaheim, Califórnia. Josh Todd conheceu Keith Nelson por meio de um tatuador em comum. A dupla gravou várias demos antes de completar a banda com Jonathan “JB” Brightman no baixo, Devon Glenn na bateria e Yogi Lonich na segunda guitarra; eles assinaram com a Dreamworks Records em 1999 e lançaram seu álbum de estreia homônimo. Inicialmente, o grupo se chamava Sparrow. No entanto, em uma entrevista para o HuffPost , eles contaram como surgiu o nome Buckcherry. Um dos integrantes estava lendo um livro sobre Chuck Berry, que mencionava como a indústria musical podia fazer o que quisesse com o seu nome, inclusive misturá-lo como Buck Cherry. Além disso, o grupo conhecia uma drag queen chamada Buck Cherry de suas primeiras turnês. Parecia predestinado, então eles adotaram o nome. O segundo álbum da banda passou despercebido. Contudo, o AC/DC o notou e convidou o grupo para abrir seus shows.

O grupo entrou em hiato em 2002, após a saída de Todd. No entanto, ele retornou em 2005, e a banda recomeçou a gravar com uma formação ligeiramente diferente: o guitarrista Stevie D, o baixista Jimmy Ashhurst e o baterista Xavier Muriel. Juntos, gravaram o álbum "15" em 2006. Após o lançamento do quarto álbum, "Black Butterfly", o grupo saiu em turnê com o Kiss. ​​Em 2010, lançaram outro álbum, "All Night Long", que estreou em 10º lugar na parada de álbuns da Billboard. Contudo, não obteve grande reconhecimento. Posteriormente, o Buckcherry deixou a Atlantic Records e assinou com a Century Media, lançando "Confessions" em 2013. Em 2017, Nelson e Muriel deixaram a banda e foram substituídos por Kevin Roentgen e Sean Winchester. Em 2019, o Buckcherry lançou "Warpaint". Entretanto, a formação não durou muito. Winchester saiu, seguido por Roentgen um ano depois. Eles foram substituídos por Francis Ruiz e Billy Rowe, que aparece no nono álbum do grupo, apropriadamente intitulado Hellbound e gravado durante a pandemia. Estas são as dez melhores músicas do Buckcherry de todos os tempos

10. Barricade

Essa música começa com um chimbal que dá lugar diretamente a uma batida de bateria marcante. A voz de Todd evoca o rock dos anos 80, com um timbre rouco e oco, típico de quem fuma. A letra, combinada com o arranjo, cria uma narrativa sombria sobre a luta constante contra o mundo e contra si mesmo, tentando reprimir emoções negativas para alcançar a transcendência e se juntar a pessoas que já a conquistaram.

9. Head Like A Hole


O Nine Inch Nails gravou essa música pela primeira vez em seu álbum de estreia, Pretty Hate Machine. A versão do Buckcherry tem uma pegada de rock mais pesada e se distancia da versão de metal industrial de Reznor. Mesmo assim, a voz de Todd permanece fiel aos elementos primordiais da canção. Diferentemente de muitos covers, essa versão dá um toque diferente à música, sem perder a fúria da original.

8. Gun



Os riffs de guitarra no início da música lembram o AC/DC . No entanto, há uma influência punk e grunge mais forte. A era grunge estava em declínio quando o Buckcherry surgiu na cena musical; esta música tem muitas influências do gênero misturadas com sons posteriores dos anos 90 e 2000, mesmo que o grupo fosse um tanto atípico na cena. É também uma homenagem àquela cena, já que a música foi lançada quase vinte anos depois de Seattle ter explodido na cena musical.

7. 54321

 

O início desta música é uma contagem regressiva espacial. No entanto, após uma breve calmaria, ela explode em riffs de guitarra punk. No geral, a música é um hino animado sobre se libertar e se divertir demais, mesmo sabendo que suas ações podem te meter em encrenca e causar anarquia social.

6. So Hott

Este é o primeiro single do mais recente álbum da banda, Hellbound, que começa com uma mistura eclética de bateria e guitarras que cria uma energia duradoura ao longo da música. A canção fala sobre uma mulher vaidosa que brinca com os sentimentos de alguém. Embora a letra possa parecer sombria, o Buckcherry utiliza uma combinação de bateria e guitarra para tornar essa música sobre narcisismo irresistivelmente cativante e estilosa.

5. Gluttony

Muita gente acha que se algo soa bem, deve ser feito em excesso. Ao longo desta música, o Buckcherry se apoia em riffs de guitarra que soam coesos e improvisados ​​na mesma medida. Além disso, elementos distintos de speed metal na música mantêm sua energia do início ao fim.

4. Hellbound

Com essa música, Buckcherry consegue trazer à tona canções de décadas passadas. Já se passaram várias décadas desde que o grupo começou a gravar, e sua fórmula musical permanece fiel ao som que os tornou famosos. Essa faixa também é ótima para arenas de rock, já que a instrumentação é uma combinação contagiante com uma batida de rock tradicional.

3. Sorry

Nesta faixa, o grupo simplifica seu som. A voz de Todd ecoa sobre leves toques de bateria que adicionam ritmo à música de fundo e riffs de guitarra que permeiam a canção com melancolia. Mesmo nos momentos em que a música se expande, ela ainda mantém os sentimentos que vivenciamos durante um término de relacionamento, uma leve e fugaz explosão de energia.

2. Lit Up

Em 1999, hinos punk para festas eram presença constante nas rádios. Esta música tem muitas das características marcantes desse gênero; elas adicionam uma ousadia crua ausente em alguns contemporâneos do grupo. A letra da música é uma celebração explícita do estilo de vida sexo, drogas e rock and roll. Ao longo da música, os riffs de guitarra marcantes e os solos curtos completam a canção e a tornam mais do que apenas mais uma música banal sobre viver intensamente.

1. Crazy Bi**ch

Todd ligou para Nelson na esperança de que a secretária eletrônica cantasse a letra chocante. No entanto, Todd a cantou ao vivo para ele. Nelson terminou os riffs de guitarra um dia depois. Embora a dupla tenha escrito a música em 2002, ela só foi lançada quatro anos depois. A música soa como uma expressão de sentimentos machistas em relação às mulheres. Mas, na verdade, trata-se de groupies que se envolvem com roqueiros com o único propósito de explorá-los. Era um assunto muito polêmico quando Todd escreveu a música pela primeira vez.

You Make Me Feel (Mighty Real) - Sylvester

 

O vocalista da era disco, Sylvester, foi um dos primeiros artistas assumidamente gays a alcançar sucesso comercial. Além disso, ele era extravagante e assumidamente gay, com uma elaborada performance drag que manteve em muitas de suas gravações e em entrevistas para programas como o The Tonight Show. Para além dessas inovações, Sylvester era uma figura extremamente criativa e um pioneiro da música. Seu talento extravagante para o espetáculo, segundo o escritor do New York Times, John Rockwell, “poderia ter um interesse primordialmente sociológico ou psicológico, não fosse o fato de Sylvester também cantar excepcionalmente bem em um tenor agudo ou falsete”. Sylvester se identificava com a música disco e colaborou com vários dos maiores nomes do gênero. O próprio Sylvester frequentemente expressava o desejo de ser reconhecido como um grande cantor de baladas. Ele idolatrava não apenas o enérgico e sexualmente ambíguo roqueiro Little Richard, mas também a Rainha do Soul, Aretha Franklin, e sua própria arte tinha raízes profundas no gospel e no blues. Sylvester, originalmente Sylvester James, provavelmente nasceu em 6 de setembro de 1946, em Los Angeles, em uma família de classe média, e foi criado por sua mãe e padrasto, Letha e Robert Hurd. Muitos detalhes sobre sua infância são incertos, e datas de nascimento entre 1944 e 1948 foram sugeridas. No entanto, uma coisa é certa: Sylvester foi uma estrela infantil da música gospel.

Em 1979, talvez perfeitamente protegida pela cultura excessiva e extravagante da disco music, Sylvester ascendeu ao primeiro plano da cultura americana e ficou conhecida como a "Rainha da Disco". Seu grande sucesso, "You Make Me Feel (Mighty Real)", é, à primeira vista, apenas uma ótima música para dançar. Mas o hino e sua intérprete são um chamado ao orgulho queer em uma época em que a visibilidade era inexistente. Seu falsete, cantado com um estilo feminino, rivalizava com a afinação de contemporâneas da disco music como Donna Summer. No videoclipe de "Mighty Real", Sylvester usa uma minissaia preta sobre calças de couro, depois troca para um terno branco e um smoking, e em seguida para uma camisola de lamê com lantejoulas segurando um leque, como que dizendo: Eu sou tudo isso ao mesmo tempo, e você também pode ser. A música, juntamente com os ritmos de contemporâneos extravagantes como o Village People, impulsionou a disco music para o mainstream, para os subúrbios brancos e heterossexuais. Ele foi convidado para fazer turnê ao lado de alguns dos maiores nomes da música dos anos 70, como The Commodores e Chaka Khan. Os fãs cercavam Sylvester após suas apresentações no The Merv Griffin Show e no American Bandstand. Por um breve e glorioso momento, vislumbramos a ampla aceitação de um ícone negro e queer. Em vez de fingir ser um moleque para as massas, Sylvester se manteve fiel à sua autenticidade. Ele continuou se apresentando em todas as boates gays de São Francisco. Chegou a se apresentar na festa de aniversário de Harvey Milk em 1978. Frequentador assíduo do bairro Castro, Sylvester era amigo do político local recém-eleito. Um mês após o lançamento de "You Make Me Feel (Mighty Real)", Milk foi assassinado. Quase imediatamente, a música galvanizou a comunidade gay de São Francisco, que estava sob ataque. "You make me feel mighty real" de repente pareceu algo que deveria ser gritado aos quatro ventos.


Touch Too Much - AC/DC

 

Toque Demais, AC/DC

     Quando o AC/DC entrou em estúdio em fevereiro de 1979 para gravar Highway to Hell , a banda estava em um momento crucial de sua carreira. Após cinco álbuns de estúdio e crescente popularidade internacional, os irmãos Young Bon Scott e companhia sabiam que precisavam de um salto qualitativo para conquistar o mercado americano. Foi então que o produtor Robert John "Mutt" Lange entrou em cena , trazendo uma disciplina e precisão que contrastavam fortemente com o estilo cru e espontâneo que a banda havia adotado anteriormente.  A gravação ocorreu entre fevereiro e abril de 1979 e representou uma mudança paradigmática para o AC/DC Lange exigiu múltiplas tomadas, execução impecável e uma abordagem mais melódica, sem sacrificar a energia visceral do grupo. O resultado foi um álbum que consolidou o status da banda como lendas do hard rock, mas também foi marcado por ser o último trabalho de Bon Scott antes de sua trágica morte em fevereiro de 1980. Highway to Hell se tornou um hino, e faixas como Touch Too Much capturaram a essência de uma banda que vivia no limite.

"Touch Too Much" é uma canção sobre excessos, um tema que o AC/DC conhecia bem. A letra descreve um relacionamento intenso, quase avassalador, com uma mulher que personifica o excesso em todas as suas formas: desejo, paixão e caos. Bon Scott  consegue imbuir a canção com um toque de vulnerabilidade e outro de abandono desenfreado, como se estivesse preso entre o prazer e a ruína. Musicalmente, a faixa se distancia um pouco do estilo mais cru dos álbuns anteriores da banda. Encontramos uma estrutura mais refinada, com riffs cativantes e um ritmo que equilibra perfeitamente sensualidade e explosão. Angus Young, como sempre, entrega uma guitarra que parece falar por si só, enquanto Malcolm Young dirige uma seção rítmica que se mantém coesa com precisão cirúrgica.

O contexto da banda na época também é fundamental para entender "Touch Too Much " . O AC/DC era famoso por suas festas extravagantes, onde o álcool corria solto e as mulheres eram uma visão comum. Essa vida de excessos não só alimentava sua imagem pública, como também se infiltrava em suas composições. "Touch Too Much" não é apenas uma canção sobre uma mulher; é uma metáfora para o estilo de vida que a banda levava, uma vida que, embora gloriosa, também tinha um lado sombrio.  Curiosamente, apesar de sua popularidade, a música nunca foi apresentada ao vivo por Brian Johnson , que assumiu os vocais após a morte de Bon Scott . Foi somente em 22 de maio de 2016, durante um show em Praga, que Axl Rose (que estava substituindo Johnson temporariamente devido a problemas de audição) ousou cantá-la ao vivo. Foi um momento histórico, não apenas pela escolha do tema, mas também pelo respeito implícito à figura de Bon Scott , cuja sombra continua a pairar sobre a história do AC/DC .


Chiquitita - ABBA


"Chiquitita" alcançou o primeiro lugar em onze países, entrou no Top 20 em outros onze e quase chegou ao topo no Reino Unido e na Suécia, país de origem do grupo. (Nesses territórios, a canção foi ofuscada pelo brilhante "Heart of Glass" do Blondie — uma grande conquista.) Uma versão em espanhol expandiu o alcance do ABBA para lugares como México, Chile e Argentina, onde o single vendeu meio milhão de cópias, mas nos Estados Unidos, "Chiquitita" mal chegou ao Top 30, mais uma vítima da indiferença americana em relação ao ABBA. "Chiquitita" foi gravada para o concerto Music for UNICEF, um grande evento beneficente realizado em 9 de janeiro de 1979, que contou com alguns dos maiores artistas da época, de Donna Summer a Olivia Newton-John. Oficialmente, o evento tinha como objetivo comemorar o início do "Ano Internacional da Criança". No entanto, como o projeto Music for UNICEF surgiu inicialmente da mente do empresário dos Bee Gees, Robert Stigwood, ele também serviu como uma ferramenta promocional incrivelmente eficaz. Quatro dias antes do show ir ao ar em horário nobre na NBC, os Bee Gees alcançaram o primeiro lugar com "Too Much Heaven", a música que eles dublaram durante a transmissão. Um mês depois, outra música apresentada no evento beneficente — "Do Ya Think I'm Sexy?", de Rod Stewart — também chegou ao primeiro lugar. (E adivinhe quem realmente se beneficiou com esse show? Earth, Wind & Fire. A música deles, "September", alcançou o primeiro lugar na parada de R&B três dias depois. "September" é um grande sucesso e teria chegado ao topo da parada de qualquer maneira, mas o impulso da UNICEF certamente ajudou.) Nenhuma dessas músicas tinha sequer uma remota conexão com o "Ano da Criança". "Chiquitita", escrita da perspectiva de uma mãe cantando para sua filha pequena, tinha.


O lançamento do single logo após um concerto beneficente transmitido mundialmente, cuja renda foi 50% destinada à UNICEF, sem dúvida contribuiu para o rápido sucesso de “Chiquitita” em diversos países. A canção foi incluída no álbum seguinte, Voulez-Vous, e foi seu primeiro single. O ABBA nunca teve medo de misturar gêneros com total liberdade: sempre no mesmo álbum, às vezes até na mesma música. Dito isso, Voulez-Vous é o álbum em que o grupo chegou mais perto de abraçar completamente a disco music. Pelo menos metade de suas dez faixas remetem à pista de dança, e a faixa-título é notável por ter sido parcialmente gravada no Criteria Studios, o epicentro dos sucessos dos Bee Gees no final dos anos 70. Pela primeira (e única) vez em sua carreira, o ABBA deixou a Suécia para gravar, tentando conquistar o público americano em seu próprio território. Os Estados Unidos, é claro, responderam da maneira mais passivo-agressiva possível. "Voulez-Vous" foi um fracasso estrondoso, atingindo o pico na posição 80 e desaparecendo da Hot 100 em três semanas. "Chiquitita" não guarda praticamente nenhuma relação estilística com "Voulez-Vous" (a canção), o álbum de mesmo nome ou qualquer outra coisa que estivesse acontecendo culturalmente no início de 1979. Seus antecedentes mais próximos talvez sejam os subgêneros alemães incrivelmente ultrapassados ​​do schlager e do volkstümliche: essencialmente baladas sentimentais com ênfase no ritmo pulsante. O segredo de "Chiquitita" reside na habilidade com que conseguiu ocultar essas origens de pub dentro da herança folclórica de outro continente. Originalmente, "Chiquitita" se chamava "Kålsupare" (que significa "Pássaros da mesma plumagem voam juntos"). Depois de adicionar a letra, tornou-se "En brazos de Rosalita" (Nos Braços de Rosalita), com Agnetha e Frida alternando os versos, cada uma retratando uma mulher de coração partido. Mas nenhum dos quatro ficou totalmente satisfeito com essa versão. Uma semana depois, Benny e Björn regravaram a música, suavizando o tom e enfatizando os elementos latino-americanos. Inspirado pelo novo arranjo, Ulvaeus escreveu uma letra revisada que se adequava melhor à atmosfera. "Rosalita" tornou-se "Chiquitita Angelina" e, finalmente, simplesmente "Chiquitita".


AC/DC - Highway to Hell


Highway to Hell é uma demonstração de rebeldia descarada que poucas bandas de rock alcançaram tão rapidamente. Gret Knot expressou isso da melhor forma em sua resenha do álbum para a Rolling Stone em 2003: “Os caras saem do fundo do bar para a frente do estádio”. E é verdade, você consegue sentir visceralmente o quinteto se tornando uma lenda do rock em tempo real. Não foi uma ascensão meteórica como a do Guns N’ Roses com Appetite for Destruction; o sucesso não foi instantâneo. O AC/DC trabalhou duro para se tornar a maior banda de rock do mundo. Um ano antes, Powerage era sua oferta mais eclética até então; o projeto apresentava músicas como “Down Payment Blues”, “Riff Raff” e “Up to My Neck in You”, faixas explosivas que não causaram um alvoroço cultural (como as de Highway to Hell e Back in Black causariam nos três anos seguintes), mas que abalaram as estruturas o suficiente para impulsionar o AC/DC para as mãos de Lange e catapultá-los definitivamente para os degraus da imortalidade do rock.

Nunca haverá um mundo onde "Highway to Hell" não seja a música mais famosa do álbum. Você nem precisa ser fã do AC/DC para reconhecer o riff de abertura de Angus Young; ele é sinônimo não só dos anos 70, mas do rock 'n' roll em geral. A Atlantic Records desaconselhou a banda a intitular o álbum de "Highway to Hell" e, como resultado, o álbum só foi lançado nos Estados Unidos em 1981. Mas o AC/DC ofereceu sua própria reflexão pessoal sobre uma vida dedicada à estrada, um tema que se tornou relevante, visto que sua explosão nos EUA em 1977, sem apoio das rádios, lhes rendeu uma reputação por suas performances ao vivo e uma base de fãs que permanece fiel até hoje. A música surgiu após uma turnê e, como você pode imaginar, aquela turnê foi um inferno. Dormir com as meias do vocalista a cinco centímetros do seu nariz é quase como estar no inferno. "Highway to Hell" nasceu quando Angus e Malcolm estavam sem dinheiro e isolados em uma sala de ensaio em Miami. Angus tocou o riff de abertura e, num instante, Malcolm estava na bateria e eles gravaram uma demo juntos. Conta-se que o filho de um engenheiro de som mexeu na fita e a arruinou, mas Bon Scott, com sua engenhosidade característica, a recuperou e preservou o esboço do que se tornaria uma das canções mais onipresentes do rock. Desde o momento em que Bon começa a cantar "Living easy, loving free, season ticket on a one-way ride" (Vivendo fácil, amando livre, ingresso de temporada para uma viagem só de ida), a gravação exala uma tenacidade singular. Se você já viu uma apresentação ao vivo do AC/DC gravada antes da morte de Bon, provavelmente já está familiarizado com a silhueta de seu membro e com a forma como ele cantava cada música como se estivesse prestes a arrebentar as costuras de suas calças jeans justíssimas. Apesar da energia devastadora e vigorosa com que Angus toca guitarra, "Highway to Hell" não seria nada sem a bravata de Bon: uma camada de verniz demoníaco, forjada por cantar com os dentes cerrados com tanta força que pareciam prestes a quebrar. E então, milagrosamente, o solo de Angus transforma a voz áspera e desafinada de Bon em uma beleza caótica. Há uma ferocidade palpável: uma declaração estoica e impassível de desprezo pelos cinco álbuns que antecederam Highway to Hell. O AC/DC finalmente havia alcançado um sucesso comercial estrondoso, obliterando completamente as vendas modestas de todos os seus discos, de High Voltage a Powerage. Num piscar de olhos tão sísmico que suas brasas ainda tremeluzem, Highway to Hell se ergue como um dos maiores exorcismos e introduções do rock 'n' roll. Lange foi o responsável pelo solo de guitarra em Highway to Hell, guiando Angus por diferentes partes do braço da guitarra e extraindo resultados imediatos e históricos dos australianos. Jeffery resumiu da melhor forma: Lange nunca pediu a Angus e Bon que fizessem nada que ele mesmo não pudesse fazer. "Ele realmente os lapidou até chegarem ao que aquele álbum se tornou", continuou.Há rumores de que a Atlantic Records era grata a Lange por tornar o AC/DC mais acessível ao público em geral, mas o que é certo é que ele reconheceu o talento da banda e a guiou até o patamar necessário para alcançar o sucesso nos Estados Unidos. E foi exatamente isso que aconteceu, e até mais.


My, My, Hey Hey / Hey, Hey, My, My - Neil Young

 


Na canção número 1772 da "História da Música em Canções" do site 7dias7notas.net, vamos dar uma pequena escapadinha, porque na seção destinada a esta canção, na verdade, falaremos de duas canções, ou da mesma canção em duas versões muito diferentes.

"My My, Hey Hey (Out of the Blue)" é uma canção acústica gravada ao vivo em uma apresentação de Neil Young em 1978 no The Boarding House em São Francisco, e incluída como faixa de abertura de seu álbum "Rust Never Sleeps" (1979) . Inspirada pelo "electro-punk" de grupos como Devo e pela chegada do punk no final dos anos setenta, "My My, Hey Hey (Out of the Blue)" revitalizou a carreira de Neil Young na época e, muitos anos depois, se tornaria uma espécie de canção amaldiçoada após ser mencionada por Kurt Cobain em sua carta de suicídio.

Por outro lado, "Hey Hey, My My (Into the Black)"  é o contraponto elétrico e proto-grunge que encerra  "Rust Never Sleeps ", novamente influenciado pelo punk rock do final dos anos 70. Em meados de 1978, Neil Young colaborou com o Devo em estúdio nesta versão da música, e foi durante essa sessão de gravação que surgiu a mudança na letra, resultando na inclusão da frase "rust never sleeps" (a ferrugem nunca dorme), que eventualmente se tornaria o título do álbum de Neil Young and Crazy Horse . Neil Young manteve a frase na versão final da música, que encerrou o álbum.

Acreditamos que, para apreciar a relevância e o impacto desta(s) canção(s) tanto no álbum quanto na história da música, é essencial considerá-las como uma única obra. Em ambas as versões, encontramos Neil Young em sua forma mais pura e em um de seus momentos mais inspirados, seja como  "My My, Hey Hey (Out of the Blue)" ou como  "Hey Hey, My My (Into the Black)" , ela(s) é(são) parte indiscutível(is) desta coleção de grandes canções da história. 



Destaque

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