quinta-feira, 2 de abril de 2026

Que fim levou? David Byron, do Uriah Heep

 

David Garrick, mais conhecido pelo seu nome artístico David Byron, foi o cantor do Uriah Heep, em sua melhor fase no início dos anos 70. David nasceu em 1947 na Inglaterra, em Epping, condado de Essex. Na escola, foi um destacado aluno em esportes (principalmente, no futebol). Do meio dos anos 60 até o final da década, fez trabalhos numa firma chamada "Avenue Recordings" gravando vocais principais e de apoio, onde ocasionalmente conheceu Mick Box (guitarra) e Paul Newton (baixo). Era comum gravarem covers de hits do Top 20 da época e lançarem EPs. Ainda em Epping, participou da banda semi-profissional "The Stalkers", que também contava com Box.
Mick Box, Paul Newton, Alex Napier (agachado) e David Garrick
Aliás, a dupla na sequência formou outra banda, "Spice" (entre 1967-69), que também contava com Newton no baixo e Alex Napier na bateria (antes de escolher o nome "Spice", outros nomes foram considerados, incluindo "The Play" e existem inclusive alguns acetatos de faixas gravadas na época e creditadas a "The Play"). A banda fez muitos shows localmente sob a gestão do pai de Paul Newton e conseguiu um contrato de gravação com a United Artists, que lançou o único single deles, "What About The Music/In Love" (em nov/68, hoje ultra raro). Decidindo que o som do Spice precisava de teclados, eles recrutaram o tecladista/guitarrista/cantor/compositor Ken Hensley, que fora colega de banda de Newton no "The Gods". Foi aí que Byron renomeou a banda para "Uriah Heep", um nome tirado do romance de Charles Dickens, "David Copperfield" (publicado originalmente entre 1849-50).
Entre 1969-76, Byron cantou em dez álbuns do Uriah Heep: "Very 'eavy Very' Umble", "Salisbury", "Look at Yourself", "Demons and Wizards", "The Magician's Birthday", "Live", "Sweet Freedom", "Wonderworld", "Return To Fantasy" e "High and Mighty". Em mar/75, Byron lançou seu primeiro álbum solo, "Take No Prisoners", que também contou com a participação de outros membros do Heep.
Este primeiro lançamento solo de David Byron, soou em grande parte como um disco do Uriah Heep, com seus Hard Rocks robustos e movidos por órgãos (como "Silver White Man" e "Hit Me With a White One"). Portanto, não ficaria deslocado como um álbum típico da banda desse período. Aliás, o fato de todos os então membros do Uriah Heep fazerem pelo menos uma aparição ajudava ainda mais nesta conclusão. Mais surpreendente era o quão sólido/consistente ele era para um empreendimento solo entre álbuns. Já começava poderosamente com "Man Full of Yesterdays", um Rock meio-tempo com um arranjo melancólico/dramático que combinava um som emocional movido por mellotron com letras autobiográficas. A partir daí, Byron combinava habilmente seus Rocks no estilo Heep com uma variedade de experimentos de Rock e Soul que combinavam bem com faixas mais tradicionais: "Steamin' Along" abordava o Funk com uma habilidade surpreendente, enquanto "Saturday Night" adicionava um toque agradável de Country-Rock ao seu ataque de Rock & Roll amplificado. "Love Song" provava que Byron poderia fazer uma balada direta com sensibilidade surpreendente e benefícios adicionais de um arranjo adorável construído sobre um som suave de cravo. Muitos Rocks afiados eram intercalados entre essas faixas experimentais, sendo a melhor “Midnight Flyer”, um Rock habilmente arranjado que alternava versos assustadores e de ritmo médio com um refrão escaldante para criar uma explosão emocionante de Hard Rock. No geral, "Take No Prisoners" carece de um single inovador ou de elementos de expansão de gênero que normalmente conquistam o ouvinte casual, mas é um álbum bem elaborado que definitivamente agradará os fãs de Uriah Heep. Em paralelo, Byron também ganhou a reputação de beber muito, o que o levou a ser demitido do Uriah Heep no final de uma turnê pela Espanha, em jul/76 (houve um desentendimento final com o tecladista Ken Hensley, supostamente devido ao seu comportamento cada vez mais errático e ao consumo excessivo de álcool).
Ken Hensley disse na época: "David é uma daquelas típicas pessoas que não consegue enfrentar o fato de que as coisas estão erradas e aí procurou consolo na garrafa". Antes de sua demissão, o Uriah Heep procurou garantir John Lawton como cantor substituto. Seu empresário na época, Bron, disse que Byron foi dispensado "no melhor interesse do grupo". Bron explicou que Byron e os outros membros do Uriah Heep estavam em desacordo, há algum tempo, sobre questões fundamentais de política de grupo, e que as diferenças finalmente chegaram ao auge, após a então recente turnê da banda pela Grã-Bretanha e Europa. "O resto do grupo sentiu que não conseguia mais conciliar a atitude de David com a sua própria", comentou Bron.
A partir daí, Byron se juntou ao ex-guitarrista do Colosseum/Humble Pie, Clem Clempson, e ao ex-baterista do Wings, Geoff Britton, para formar o Rough Diamond. Era na realidade um supergrupo e sua formação gerou alarde em 76: Dave Clempson (guitarras) vinha do Bakerloo, do Colosseum e do Humble Pie. Damon Butcher (teclados) vinha do Steve Marriot's All Star. Willie Bath (baixo) e Geoff Britton (bateria) era ex-Wings. Eles gravaram um LP autointitulado para a Island Records em mar/77. Mas tudo deu errado. O lançamento foi prejudicado por um processo judicial movido por outro grupo que reivindicava o mesmo nome e o atraso minou a confiança do quinteto. O álbum foi decepcionante vendeu mal. Seu lançamento aconteceu durante a explosão do Punk Rock, o que exacerbou os problemas. A banda buscou algum sucesso nos EUA, mas o atrito de Byron e seus colegas logo deixou tudo intransponível. Byron então saiu e embarcou numa carreira solo em out/77 (os membros restantes adicionaram Garry Bell e adotaram um novo nome, "Champion", e lançaram outro álbum pela Epic Records, em 78).
"Baby Faced Killer" (de 1978) foi o primeiro álbum solo pós-Uriah Heep e encontrou o cantor experimentando uma série de novos estilos musicais numa tentativa de estabelecer uma nova identidade musical. Trabalhando com o produtor/multi-instrumentista Daniel Boone, Byron criou um álbum que era muito mais Pop e musicalmente ambicioso do que o Hard Rock gótico que lhe rendeu fama. Na verdade, "Baby Faced Killer" era uma verdadeira extravagância de gênero, cobrindo territórios tão diversos quanto Rockabilly (“Rich Man’s Lady”), Pop puro (“Heaven or Hell”) e até Disco (“African Breeze”). Surpreendentemente, o álbum conseguia fazer jus a esse senso de ambição, porque suas canções eram cativantes, bem elaboradas e trazidas à vida com arranjos imaginativos. Os destaques incluíam "Only You Can Do It", uma faixa que equilibrava riffs de guitarra no estilo Uriah Heep com uma melodia Pop repleta de harmonia, e "African Breeze" criava uma melodia insidiosamente cativante ao sobrepor ritmos tribais e cantos sobre um fundo de sintetizador percolado. A desvantagem era Byron tentar fazer tanto num álbum, que nunca estabelecia uma identidade geral forte e isso limitava o apelo: era um pouco pesado demais para os fãs de Pop e muito astuto e orientado para o Pop para satisfazer um público de Hard Rock. Ocasionalmente, também caía na imitação de estilos que explorava. O exemplo mais notável era "Heaven or Hell", que seguia a melodia de "Turn to Stone" da Electric Light Orchestra um pouco próxima demais para seu próprio bem. Apesar desses problemas, "Baby Faced Killer" continua sendo um álbum estiloso e agradável que representa o melhor trabalho de David Byron pós-Uriah Heep.
Em seguida, Byron se juntou ao guitarrista Robin George para formar a The Byron Band, que assinou contrato com a Creole Records (um selo que talvez tenha sido uma escolha inadequada, já que se especializou no Reggae antigo, apresentando artistas como Sugar Minott e Max Romeo) e estreou com o single "Every Inch of the Way/Routine". Foi seguido pelo single "Never Say Die/Tired Eyes", antes do lançamento do álbum "On the Rocks", em 81. No entanto, como aconteceu com sua banda anterior, Rough Diamond, não houve aclamação crítica, nem comercial. Uma pena, afinal hoje reouvi-lo é não apenas revigorante, mas também surpreendente descobrir quão bom ele soa. Embalado por alguns dos riffs mais ameaçadores de sua carreira - confira "King" - e uma voz que ruge do lado certo da raiva, "On the Rocks" tem o som do clássico Heep, repleto de adrenalina fresca da NWOBHM e um ouvido para o que estava acontecendo em outras partes do mundo. "Start Believing" se sobrepunha ao sax de Mel Collins para adicionar uma sensação quase funky aos procedimentos, mesmo quando "Piece of My Love' ecoava no piano Blues, enquanto "Bad Girl" era simplesmente furtiva. Reedições acrescentaram três faixas-bônus mantendo o clima quente e animado e o livreto catapulta o ouvinte de volta às sessões e à criação do que deveria ter sido uma banda muito maior do que jamais foi permitido se tornar. Em 81 ainda, Mick Box e Trevor Bolder convidaram Byron para voltar ao Uriah Heep, após Ken Hensley sair, mas Byron recusou. 
No final de 83, Richard Manners (da Blue Mountain Music) pediu a Richard "Digby" Smith (do Rough DiamondFree, Sammy Hagar, Mott The Hoople) que montasse uma banda e gravasse algumas faixas com Byron. O grupo incluiu Neil Conteh (bateria, Jagger/Bowie), Alan Spenner (baixo, Joe Cocker, Roxy Music), Tim Renwick (guitarras, Elton John/Eric Clapton/Pink Floyd), John "Rabbit" Bundrick (teclados, Free/Roger Waters/The Who), mais as Chanter Sisters nos backing vocals. "That Was Only Yesterday – The Last EP" (lançado em 2008, mas gravado em fev/84, no Power Plant Studios, em Londres, um ano antes de sua morte) trouxe as últimas gravações de Byron. Apenas 3 faixas/covers: "That Was Only Yesterday" (Gary Wright), "Waiting for the Sun" (Jim Morrison) e "Pride and Joy" (Marvin Gaye). Ainda surgiu "Lost and Found" (em 2003), um álbum duplo com demos e gravações ao vivo da Byron Band, feitas entre 1980-82.  Byron morreu em sua casa em Berkshire, em fev/85, de complicações ligadas ao consumo de álcool, incluindo lesão hepática complicada com epilepsia. Ele tinha 38 anos. 





Grandes álbuns do Prog-Rock: Ibis - "Sun Supreme" (1974)

Ibis foi uma banda do Rock Progressivo nascida da separação (ocorrida em 1972) dos New Trolls. Nós já destacamos toda a formação e carreira do New Trolls até o lançamento do essencial álbum "Concerto Grosso per i New Trolls", em 1971 (leia aqui). Um trabalho de enorme sucesso (vendeu mais de 800 mil cópias) combinando música erudita com passagens que lembravam as grandes bandas Prog britânicas da época. Entretanto, em 1972, o baixista Giorgio D'Adamo deixou o grupo, sendo substituído por Frank Laugelli. Maurizio Salvi também se tornou membro neste período e foi com esta formação modificada (Vittorio De Scalzi no violão e sintetizador ARP; Nico Di Palo nas guitarras e vocais principais; Maurizio Salvi no piano, órgão Hammond e no cravo; Frank Laugelli no baixo e Gianni Belleno nas percussões) que os New Trolls lançaram dois álbuns seguintes, "Searching For a Land" (LP duplo, parte em estúdio e parte ao vivo) e "UT", ambos ainda em 72. Ambos eram muito bons e, junto com o "Concerto Grosso", representam o melhor da produção do grupo. Há até quem os prefira já que sem o produtor Sergio Bardotti, o maestro Luis Enríquez Bacalov e sua orquestra, os New Trolls focaram num som mais roqueiro (inspirado no ColosseumDeep PurpleLed Zeppelin e Jethro Tull), uma mistura de Hard Rock com elementos eruditos.
"Searching For a Land" era irregular, embora muito cativante (havia o LP de estúdio, bem acústico, e havia o LP ao vivo, uma pedrada áspera e crua, mas com o público mixado bem alto). "UT", gravado e lançado no final de 72, foi o trabalho da polarização e da divisão interna, que traria um fim provisório do grupo. O guitarrista De Scalzi desejava uma rota Prog mais eclética, enquanto o outro guitarrista (Di Palo) preferia uma abordagem mais Hard Rock. Esta divergência cresceu muito durante a gravação de "UT". Ainda assim, este álbum é considerado o ponto alto da carreira dos New Trolls por muitos, com um repertório realmente fantástico e que não deixa transparecer os conflitos de bastidores. De fato, "UT" trouxe algumas faixas matadoras, num álbum quase perfeito, sem dúvida um dos melhores em todo o Prog italiano, uma porta de entrada super recomendada para quem não conhece a banda. Por causa das divergências, eles se separaram e, durante o período 1973-76, se dedicaram a alguns projetos paralelos: Nico Di Palo, Frank Laugelli, Maurizio Salvi e Gianni Belleno lançaram o álbum "Canti d'innocenza, canti d'experience" em 73, enquanto Vittorio De Scalzi pretendeu continuar com o nome "New Trolls", mas teve problemas legais e teve que criar o "New Trolls Atomic System" (junto com o baixista Giorgio D'Adamo e mais Tullio De Piscopo na bateria, Renato Rosset nos teclados, Giorgio Baiocco nos sopros e Ramasandiran Somusundaran nas percussões). Lançaram dois álbuns e, também neste período, De Scalzi fundou o selo Magma, com sede em Gênova, e distribuído pela Dischi Ricordi
"Nico, Gianni, Frank & Maurizio: Canti d'Innocenza, Canti d'Esperienza..." foi, claro, um trabalho com musicalidade acima da média, tudo muito bem trabalhado, mas não era exatamente Prog Italiano como se espera. Esqueça momentos sinfônicos ou aquelas sutilezas tipicamente italianas. Havia sim teclados pesados, faixas complexas e pauleiras a la Deep Purple (a principal referência aqui). Veja, ainda não existia o grupo seguinte, o Ibis. "Canti d'innocenza, canti d'esperienza" era um trabalho feito por uma banda sem nome e daí o grande ponto de interrogação na capa e a divulgação apenas dos nomes dos integrantes. Musicalmente, era algo não tão distante do que os New Trolls fizeram em partes de "UT" (aliás, funcionava em grande parte como uma continuação com as influências eruditas e muito Hard Rock). Muitas mudanças de tempo, elementos eruditos, guitarras Hard na frente, órgão Hammond pesadão, seção rítmica bombástica, vocais feitos por três membros, tudo bem agressivo, áspero e esporrento. 
Ric Parnell e Di Palo (em cima); Salvi e Laugelli (embaixo)
Di Palo, então, formou o Ibis, que lançaria dois álbuns, entre 1973-75. A ideia era continuar com os elementos mais pauleiras (vocais berrados, guitarras Heavy, letras em inglês etc.). Na formação, além de Di Palo, ainda estavam Laugelli, Salvi e agora o baterista inglês Ric Parnell (do Atomic Rooster, com quem gravou "Made in England", de 72, e "Nice 'n' Greasy", de 73 - o baterista Belleno participou de outro projeto paralelo, "The Tritons", e também tocou com Fabrizio De André). O nome "Ibis" foi escolhido após enquete organizada entre os leitores da famosa revista "Ciao 2001". Eles conseguiram um contrato com a Polydor Italia (braço da gigante alemã-britânica) e lançaram o álbum de estreia, "Sun Supreme" em 74, todo em inglês. Dividido em duas suítes (uma em cada lado do LP), "Divine Mountain / Journey Of Life (Swift River Rushing, Flowing)", com 4 partes, e "Divinity (Dedicated To Satguru Maharaji And His Followers)", com 3 partes, o álbum tinha pouco mais de 36 minutos mágicos. Hoje, reconhecido como um dos grandes, porém esquecidos, álbuns do Prog italiano, "Sun Supreme", de fato, era um trabalho superior. Excelentes e barbarizantes performances, refrões multi vozes, guitarras Hard Rock, letras com temas religiosos orientais (baseando-se no líder espiritual nigeriano Guru Maharaj Ji e seus conceitos de ascenção do espírito via picos elevados de consciência interior - daí a metáfora da escalada de uma alta montanha sobre a qual, além das núvens, era possível ver e contemplar a divindade -, embora a música não tenha nada desta influência), atmosferas Yes (pense "Tales From Topographic Oceans"), tudo criando um embasbacante Hard Prog (o lado 1 é sensacional, o lado 2 é um degrau abaixo). Aliás, a forma como as partes das suítes se desenvolvem, como movimentos de uma composição, deixa uma questão: se era para soar tão absolutamente Prog, por que a separação tão amarga do New  Trolls? Enfim, um álbum de banda em que as faixas reforçam o conjunto num resultado muito bonito, com mellotrons maravilhosos, belo trabalho de guitarra, ótimos vocais (cantados em inglês, porque se esperava que pudesse lhes levar a uma carreira fora da Itália), gerando um Prog sinfônico clássico misturado com Hard Rock, uma joia esplêndida, num alto padrão de qualidade, música refinada. Sim, enormes influências britânicas (Yes, principalmente), mas em composições complexas e sólidas, num disco memorável. 
Nico Di Palo, Renzo Tortora, Frank Laugelli e Pasquale Venditto
Com outra formação (Nico Di Palo e Frank Laugelli mantidos, mas agora sem teclados e com Renzo Tortora nas guitarras-base, e Pasquale Venditto na bateria, ambos ex-Forum Livii), o Ibis lançou outro ótimo álbum, autointitulado (de 1975), geralmente considerado até como o seu mais bonito e maduro. O protagonista era o guitarrista/cantor Nico Di Palo com seus solos ardentes/selvagens e violões maravilhosos. Mantida a orientação Hard Rock (esqueça o lado sinfônico do Prog), agora sem um tecladista para temperar as coisas, mas com vários vocais em italiano e boa mistura de partes mais acústicas com outras soltando a pauleira. A história do Ibis chegaria ao fim com o retorno de Nico Di Palo (e também Gianni Belleno) aos New Trolls reformados em 1976 (Vittorio De Scalzi, Nico Di Palo, Ricky Belloni, Giorgio D'Adamo e Gianni Belleno novamente se juntaram ao maestro Luis Enriquez Bacalov e soltaram o álbum "Concerto Grosso nº. 2", uma continuação com bons momentos, porém inferior no todo ao nº. 1). Aliás, esta reunião das duas cabeças-mestras da banda, Vittorio De Scalzi e Nico di Palo, seguiu gerando frutos (e perdendo os elementos Prog em troca de uma direção Pop Rock) e mil idas e vindas.




Grandes canções: Bryan Ferry - "Slave To Love" (1985)

 

"Slave To Love" foi o primeiro single tirado de "Boys and Girls" (de jun/85), sexto álbum solo do Bryan Ferry, cantor e líder do Roxy Music. A canção se tornaria um dos hits mais populares da carreira solo dele. O single surgiu em abr/85 e passou nove semanas nas paradas do Reino Unido naquele ano (alcançando o nº. 10). Dois meses depois, Ferry a tocaria no Live Aid (em 13/jul/85, contando com David Gilmour na guitarra solo), no Wembley Stadium, em Londres. Para a gravação em estúdio de "Slave To Love", Ferry arregimentou Neil Hubbard e Keith Scott (nas guitarras - o solo é feito por Hubbard), Guy Fletcher (nos teclados, então no Dire Straits), Omar Hakim (bateria) e Tony Levin (baixo). "Boys and Girls" seria o primeiro solo do cantor em sete anos e também o primeiro após a debandada no Roxy Music em 1983. O álbum foi ao nº. 1 nas paradas inglesas (certificado como "disco de platina"), sendo o álbum solo dele mais bem sucedido. Outra canção magnífica deste mesmo álbum foi "Don't Stop The Dance".
Christine Bergström, Laurence Treil, Julie Bramwell e Allison Bramwell
O vídeo promocional marcou época. Dirigido pelo francês Jean-Baptiste Mondino (um fotógrafo de moda originalmente que se aventurou pelo mundo dos music videos, tendo trabalhado para Madonna, David Bowie, Sting, Björk, Don Henley, Neneh Cherry etc.), o vídeo trouxe as modelos Christine Bergström (sueca), Laurence Treil (francesa), Marpessa Hennink (dinamarquesa) e Jillian King (americana). Ferry era chegado e tinha um gosto ultra refinado para um mundo feminino. 
Slave To Love / Escravo do Amor
Tell her I'll be waiting / Diga a ela que estarei esperando
In the usual place / No lugar de sempre
With the tired and weary / Com os cansados e exaustos
And there's no escape  E não há escapatória

To need a woman / Pra precisar de uma mulher
You've got to know / Você tem que saber
How the strong get weak / Como os fortes enfraquecem
And the rich get poor / E os ricos empobrecem

(Slave to love) / (Escravo do amor)
Ooh,  Ooh
Slave to love / Escravo do amor

You're running with me / Você está fugindo comigo
Don't touch the ground / Não toque o chão
We're restless hearted / Temos corações inquietos
Not the chained and bound / Não presos e acorrentados

The sky is burning / O céu está queimando
A sea of flame / Um mar de fogo
Though your world is changing / Ainda que seu mundo esteja mudando
I will be the same / Vou continuar o mesmo

(Slave to love) / (Escravo do amor)
Ooh, Ooh
Slave to love / Escravo do amor

Slave to love (nanananana) / Escravo do amor (nanananana)
Ooh (nanananana)
Slave to love / Escravo do amor
(And I can't escape / (E não consigo fugir
I'm a slave to love) / Sou um escravo do amor)

The storm is breaking / A tempestade está indo embora
Or so it seems / Ou é o que parece
We're too young to reason / Somos jovens demais para argumentar
Too grown up to dream / Crescidos demais para sonhar

Now spring is turning / Agora a primavera está virando
Your face to mine / Seu rosto para o meu
I can hear your laughter / Posso ouvir sua risada
I can see your smile / Posso ver seu sorriso

(Slave to love nanananana) / (Escravo do amor nanananana)
Ooh (nanananana)
Slave to love / Escravo do amor
(I can't escape) / (E não consigo fugir)
(I'm a slave to love) / (Sou um escravo do amor)





Jack Casady: um dos melhores baixistas da Psicodelia de SF

Ele foi um dos melhores baixistas a emergir do movimento psicodélico de San Francisco/CA, membro do Jefferson Airplane e do Hot Tuna, foi um dos primeiros músicos do Rock a tocar o baixo como se fosse um instrumento principal. John William Casady nasceu em Washington/DC, filho de pai de origem protestante irlandesa e com ancestralidade de judeus poloneses. Ele começou tocando guitarra numa banda local chamada "The Triumphs", depois migrou para o baixo no segundo grau e, mesmo ainda antes de fazer 18 anos, já tocava na cena de clubes como músico de apoio. Casady tornou-se baixista do Jefferson Airplane quando o guitarrista principal da banda, Jorma Kaukonen, seu amigo de segundo grau e guitarrista-base dos Triumphs o convidou, no final de set/65. Ele logo foi além do papel coadjuvante convencional do baixo no Rock explorando ideias melódicas sugeridas pelos ritmos e progressões de acordes. Seu impacto ficou imediatamente evidente no álbum de estreia do Airplane, "Jefferson Airplane Takes Off" (de ago/66). Seu som extraordinariamente grande e poderoso inspirou fãs que o chamavam carinhosamente de "God". Casady também tocou com Jimi Hendrix ao vivo e em estúdio (o baixo em "Voodoo Chile", no álbum "Electric Ladyland", é dele). Ele também tocou com o Grateful DeadCountry Joe & The Fish, David Crosby, Roky Erickson etc. Casady e Kaukonen formaram o Hot Tuna em 1969 (base que existe até hoje). A primeira fase do Airplane acabou em 1972 e, no final dos anos 70, o Hot Tuna também parou durante vários anos. Casady, então, montou a banda "SVT" com Brian Marnell, Nick Buck e Bill Gibson. Era um estilo New Wave, mas Casady demonstrou toda sua versatilidade. O SVT gravou dois singles em 79, um EP em 80 e um álbum, "No Regrets", em 81. Nos anos 80, Casady também fez parte da KBC Band (The Kantner Balin Casady Band) junto com Paul Kantner e Marty Balin. Este projeto começou em 85. Outros membros incluíam Keith Crossan, Tim Gorman, Slick Aguilar e Darrell Verdusco. A banda fez turnês entre 85-87 e lançou um álbum. Então, Kantner viajou para a Nicaragua (para conhecer o movimento Sandinista) e quando voltou disse que Balin estava se tornando uma pessoa muito difícil. Kantner e Casady continuaram a tocar juntos em concertos no final de 87-88 junto com o Hot Tuna e acabou que isto gerou a reunião do Airplane em 89. Em 92, Casady participou a reunião do Starship. Como Casady não cantava e nem era um compositor prolífico, foi só em 2003 que ele lançou seu primeiro álbum solo, "Dream Factor". Como outros trabalhos solos ligados ao Airplane, ele trouxe ajuda substancial de vários de seus amigos da cena de San Francisco. Casady continua tocando no Hot Tuna  e ensina baixo no Fur Peace Ranch, em Ohio. Em 2007, ele começou outra banda, "Moonalice", incluindo Pete Sears, baixista/tecladista do Starship. O primeiro álbum foi lançado em abr/2009. Casady é amplamente reconhecido pela qualidade imponente de sua execução no baixo, com um tom poderoso e facilmente reconhecível. Ele está hoje com 79 anos. 




Em 02/04/1970: Cream lança o álbum Live Cream

Em 02/04/1970: Cream lança o álbum
Live Cream.
Live Cream (também chamado de Live Cream, Volume 1) é um álbum de compilação ao vivo da banda de rock britânica Cream, lançado em abril de 1970. O álbum é composto por quatro faixas ao vivo gravadas em 1968 e uma faixa de estúdio "Lawdy Mama" de 1967.
A faixa instrumental para "Lawdy Mama" é o mesmo ouvido em " Strange Brew " com um solo de guitarra e vocal de Eric Clapton.
Live Cream atingiu a 15ª posição na Billboard 200, e alcançou a 4ª posição no UK Albums Chart. e a 10ª posição nas paradas de álbuns finlandesas.
Lista de faixas:
Lado 1:
1. "N.S.U.", 10 March 1968, Winterland : 10:15
2. "Sleepy Time Time", 9 March 1968, Winterland : 6:52
3. "Lawdy Mama", May 1967,
Atlantic Studios : 2:46
Lado 2:
4. "Sweet Wine", 10 March 1968,
Winterland : 15:16
5. "Rollin' and Tumblin'", 7 March 1968,
The Fillmore : 6:42.
Lista de faixas da versão do CD:
6. "N.S.U." (Bruce) – 10:12
7. "Sleepy Time Time" (Bruce, Godfrey) – 6:50
8. "Sweet Wine" (Baker, Godfrey) – 15:15
9. "Rollin' and Tumblin'" (Newbern) – 6:42
10. "Lawdy Mama" (Traditional) – 2:46.
Pessoal:
Jack Bruce – baixo, gaita, vocais
Eric Clapton – guitarra, vocais
Ginger Baker – bateria, vocais
Felix Pappalardi - produtor, exceto em
"Lawdy Mama"
Ahmet Ertegun - produtor em "Lawdy Mama"
Robert Stigwood - produtor em "Lawdy Mama"
Adrian Barber – engenheiro de gravação, engenheiro de remixagem
Tom Dowd - engenheiro de gravação
Bill Halverson - engenheiro de gravação
Stephen Paley – fotografia.



Em 02/04/1964: Elvis Presley lança o álbum Kissin' Cousins

Em 02/04/1964: Elvis Presley lança o álbum Kissin' Cousins.
Kissin 'Cousins o oitavo álbum de trilha sonora do cantor americano Elvis Presley. Foi lançado em abril de 1964 pela gravadora RCA Victor em mono e estéreo.
É a trilha sonora do filme homônimo de 1964 estrelado por Presley. As sessões de gravação aconteceram no RCA Studio B em Nashville, Tennessee, nos dias 26 e 27 de maio e 29 e 30 de setembro de 1963. Alcançou a posição seis na parada de LPs Top da Billboard.
Foi certificado Ouro em 27 de março de 1992 pela (RIAA) Recording Industry Association of America.
Lista de faixas:
Lado um:
1. "Kissin' Cousins (Number 2)" : 1:16
2. "Smokey Mountain Boy" : 2:37
3. "There's Gold in the Mountains" : 1:54
4. "One Boy, Two Little Girls" : 2:32
5. "Catchin' On Fast" : 1:21
6. "Tender Feeling" : 2:33
Lado dois:
1. "Anyone (Could Fall in Love with You)" : 2:29
2. "Barefoot Ballad" : 2:26
3. "Once Is Enough" : 1:55
4. "Kissin' Cousins" : 2:14
5. "Echoes of Love" : 2:20
6. "(It's a) Long Lonely Highway" : 2:38.
Pessoal:
Elvis Presley - vocais,
The Jordanaires - vocais de apoio ,
Millie Kirkham - vocais de apoio
Dolores Edgin - vocais de apoio
Winnifred Brest - vocais de apoio
Boots Randolph - saxofone , jarro em
"Barefoot Ballad" , Bill Justis - saxofone
Cecil Brower - violino , Scotty Moore - guitarra
elétrica , Grady Martin - guitarra elétrica
Jerry Kennedy - guitarra elétrica, banjo em
"Smokey Mountain Boy", Harold Bradley - guitarra elétrica, banjo em "Barefoot Ballad"
Floyd Cramer - piano, Bob Moore - contrabaixo
DJ Fontana - bateria, Buddy Harman - bateria.



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