sábado, 9 de maio de 2026

Pluto – Bom Dia (2004)


Bom Dia é o meio, entre o que fez e o que faria. Mas é um produto acabado, que vale por si mais do que por qualquer nostalgia. Um disco imenso, um dos melhores das últimas décadas na música portuguesa, e que merecia ser mais conhecido e celebrado.

No final de 2000, os Ornatos Violeta anunciam o fim da banda, deixando uns poucos milhares de fãs apaixonados órfãos dos seus artistas preferidos. Nos anos seguintes, não houve nada senão silêncio da parte de Manuel Cruz, força motriz por trás dos Ornatos e provavelmente o mais interessante compositor de canções da sua geração, como haveríamos de constatar com o passar dos anos.

Mas o silêncio não significava inacção, sobretudo para um artista tão impaciente e inquieto como Cruz. O projecto seguinte, Pluto, surge em 2002, assente em boa parte do histórico chassis dos Ornatos: Manuel Cruz e Peixe, o guitarrista.

O disco de estreia, e infelizmente único disco até agora, dos Pluto, é editado em 2004. Bom Dia vê a luz com esta saudação de começo, de início de ciclo, de vida nova. Apesar disto, não é um álbum luminoso, matinal. A própria capa remete-nos para o espaço, a eterna noite das estrelas. E é de noite que falamos, de pensamentos que nos assaltam quando o cansaço do dia já fez o seu estrago, quando a fragilidade da almofada nos faz pensar naquilo que não queremos.

A própria energia do disco é feroz, violenta, de ataque ou até, quem sabe, de vingança. É o som de alguém que tem algo a provar, que ainda é relevante, que ainda tem muito para dar e para dizer ao mundo. É o som de Manuel Cruz e os seus fantasmas, como sempre, claro, mas aqui sem barreiras, sem disfarces, sem medo, ou atacando raivosamente esse mesmo medo.

Se os Ornatos nos conquistaram com o seu pop/rock idiossincrático, nos Pluto temos rock puro e duro.

Veja-se “Entre Nós”, que abre o disco. Uma sonoridade de raiva contida, numa guitarra quase grunge, com Cruz a dissecar, como só ele sabe, sobre relações e desencontros. “Sexo Mono” segue-se com início num riff vintage, quase Nirvana, para ir subindo de intensidade com um teclado discreto colheita Faith no More e a guitarra de Peixe, oscilando entre o delicado e o tresloucado, na mesma música.

“Segue-me À Luz” é outra fortíssima malha rock, feita de existencialismo, dúvidas e temores. “O 2 Vem Sempre Depois” começa com um riff de guitarra quase cabaret, sendo uma das várias grandes pérolas rock do álbum. “A Vida Dos Outros” é outro clássico, e ainda vamos na quinta música do disco! Um som claustrofóbico, acelerante, rock em estado puro movido a guitarra e bateria, numa letra sobre segredos e mentiras com a qual necessariamente nos identificamos.

“Convite” é o primeiro momento realmente calmo da rodela, e um tema que poderia, este sim, ter feito parte de O Monstro Precisa De Amigos, o último disco de originais dos Ornatos Violeta. Ouvimos aqui Cruz no seu mais exposto e mais sensível. “Prisão” lembra “Tanque”, desse disco, e é um assalto rock, poderoso do princípio ao fim, sobretudo a caminho deste.

Segue-se “Lição De Adição”, 2:07 minutos de rock sempre a rasgar, antes de “Líderes & Filhos Lda”, uma das canções mais complexas do disco. Há ainda tempo para “Só Mais Um Começo”, um portento de guitarra e bateria, com Cruz a mostrar todo o seu naipe de truques e capacidades. Este tema foi, justamente, um dos singles de Bom Dia, e devia ser matéria de conhecimento obrigatório para quem quer dizer seja o que for acerca da música portuguesa.

A caminho do fecho do disco temos ainda “Bem-vindo A Ti”, talvez o momento mais pop deste conjunto. O álbum fecha com “Algo Teu”, uma delícia de balada, feita de dor, arrependimento, cansaço e desilusão. Manuel Cruz, sussurrante, acompanhado apenas por um discreto piano, menos de dois minutos, mais uma daquelas mini-pérolas que o homem vai largando pelos seus discos, como “Chuva” ou “Letra S”, do disco de estreia dos Ornatos, temas que poderiam fazer a carreira de muitas bandas que por aí andam, mas que na pena desta génio podem ser “desperdiçadas”, assim, num inacreditável understatement que nos faz desejar que ele tivesse desenvolvido a canção até aos quatro minutos da praxe. Não é preciso, não neste universo.

Bom Dia é um disco imperdível e obrigatório, e não apenas para os fãs de Ornatos Violeta. Onde Manuel Cruz junta aos predicados que já trazia dessa banda uma pica e uma energia rock que nos faz apetecer ir para trás do volante e conduzir, rápido e alto. Com uma vantagem, que distingue os bons dos realmente grandes: tudo é feito com a sapiência pop de uma canção bem construída, viciante, implacável. Considero, sem qualquer favor, que este disco está pelo menos ao nível da produção da sua banda de origem, e em certos aspectos até ultrapassa tudo o que foi feito até então.

Anos mais tarde teríamos Foge Foge Bandidomega-trabalho a solo feito com a ajuda de um grande colectivo, e que cimentaria ainda mais o estatuto à parte deste grande autor. Isto antes da investida dos mais recentes Supernada, que mantêm o mínimo olímpico mas que ficam algo aquém da singular obra feita antes.

Bom Dia é o meio, entre o que fez e o que faria. Mas é um produto acabado, que vale por si mais do que por qualquer nostalgia. Um disco imenso, um dos melhores das últimas décadas na música portuguesa, e que merecia ser mais conhecido e celebrado.



DJ Krush – Holonic-The Self Megamix (1998)


Como categorizá-lo? Uma amálgama de pequenas histórias, ambientes andrajosos submersos num fumo escuro e denso? Obscuridade opiácea down-tempo? Bola de neve mirabolante?

Holonic-The Self Megamix. Para os que já me vão conhecendo um bocadinho melhor, o hip-hop não é propriamente a minha “chávena de chá”. No entanto, sou obrigado a reconhecer que há muito bons trabalhos nessa área. No que toca ao hip-hop, tenho duas editoras de referência: a Ninja Tune e a Mo’Wax (ambas londrinas). Atenção, não tenho nada contra o material oriundo dos Estados Unidos. São é escolas completamente diferentes. Uma mais jazzística, outra menos jazzística. Ora, e para os que já me vão conhecendo um bocadinho melhor, é óbvio que escolho a mais jazzística. Eu até já conhecia o DJ Krush. Sabia que era japonês, que tinha um estilo bastante dark, e que gostava de misturar samples de jazz com sons diversos da natureza. O que eu não sabia é que ele tinha tido o arrojo de gravar um self megamix. E se os megamixes são por si conceitos assustadores, então o que dizer de um próprio megamix! Mas há uma coisa que me chamou logo à atenção. A palavra Holonic.

Um hólon (do grego holos “todo”) é algo que é ao mesmo tempo um todo e uma parte. A palavra foi reinventada por Arthur Koestler, no seu livro The Ghost in the Machine de 1967. Koestler foi compelido por duas observações ao propor a noção de hólon. A primeira observação conclui que os sistemas complexos irão evoluir muito mais rapidamente a partir de sistemas simples, se existirem formas intermediárias estáveis nesse processo de evolução. Na segunda, o escritor concluiu que, embora seja fácil identificar sub-conjuntos, as partes, em sentido absoluto, não existe em nenhum lugar.

Contendo faixas (ou bocados das mesmas) dos álbuns a partir de 1994 – Strictly Turntabilzed até 1997 – Milight, DJ Krush transforma essa amálgama num erudito fluxo de livre coesão. Vai repescar o mais pesado de Milight, incluindo alguns segmentos falados desse álbum, sem mergulhar numa vibração tão agressiva como a de Doomy, álbum quase apocalíptico, contracenando com a doçura nipónica de Meiso. Atenção, a música de DJ Krush nunca poderá ser apelidada de alegre. Mas este disco em particular, apresenta um inusitado perfil brincalhão, perfil esse mais adormecido na restante parte do seu trabalho. É por isso que continua a achar que Holonic é uma excelente introdução à obra de DJ Krush.

O melhor dos dois mundos…



The Delta Magpie – Discography 2023-2026 (3 CD)

 


Genre: Blues/Roots Rock
Country: Switzerland (Zug)
Year of release: 2023-2026

2023 “Mad Over You” [EP] (00:22:03)
2024 “Cold In Hand” (00:35:11)
2026 “The World Keep On Turning” (00:38:45)

MUSICA&SOM ☝


Lightning Threads – Trinkets (2026)

 


Country: UK
Genre: Blues Rock, Classic Rock
Year: 2026

1.Nowhere To Go [4:32]
2.Wild One (Radio Edit) [3:24]
3.What Can I Say [3:11]
4.Rags & Riches [3:50]
5.What A Fever Does [3:39]
6.With A Heavy Heart [3:48]
7.Shook (Radio Edit) [2:45]
8.Just Might Be [3:17]
9.Devil Inside Me [2:52]
10.White Dress [4:14]

Total length: 00:35:27

Tom Jane on guitar and vocals
Sam Burgum on bass and vocals
Hugh Butler on drums and keyboards

MUSICA&SOM ☝



TRIDELI – JACKPOT (2026)

 


Hard rock contemporâneo, com um toque funky e um groove contagiante, além de uma produção grandiosa. A banda italiana TRIDELI conquista com composições versáteis e imprevisíveis. Um álbum repleto de surpresas e com a voz verdadeiramente excepcional de Marco Bucci.O compositor e produtor Mike Della Bella apresenta uma banda única e realmente especial que, com sorte, lançará mais músicas incríveis no futuro. Faixas como "Here And Now" ou "The Loser" conquistam você imediatamente. Algo entre DAN REED NETWORK, DAUGHTRY e THE ANSWER. Inacreditável, mas verdade! 

Tracklist:
1. Here and Now (03:48)
2. Everything (04:20)
3. Shame (03:01)
4. The Loser (03:19)
5. Push It (04:09)
6. Ginger Doll (03:24)
7. Somehow Someday (03:20)
8. The Echo (03:32)
9. Let Yourself Go (04:57)

MUSICA&SOM ☝



Sense Of Fear – Infernal Decay (2026)

 


Country: Greece
Genre: Heavy Metal
Year : 2026

Tracklist:
1. Infernal Decay (02:05)
2. Cerberus (04:15)
3. Empathy To Darkness (05:22)
4. Conflict Of Interest (04:43)
5. Ethereal Requiem (02:03)
6. Kiss Of War (06:09)
7. Kleos (Glory) (03:51)
8. Labyrinth (06:00)
9. Riddle Of Shadows (07:57)
10. The Shallow Journey of Your Soul (10:24)
11. Retaliation (04:31)

MUSICA&SOM ☝


Barclay James Harvest – Gone To Earth [Reissue 2003] (1977)

 

Artist: Barclay James Harvest  Genre: Art | Soft Rock  

Tracklist:

01. Hymn (5:06)
02. Love Is Like A Violin (4:03)
03. Friend Of Mine (3:30)
04. Poor Man’s Moody Blues (6:55)
05. Hard Hearted Woman (4:27)
06. Sea Of Tranquility (4:03)
07. Spirit On The Water (4:49)
08. Leper’s Song (3:34)
09. Taking Me Higher (3:07)
Bonus tracks
10. Lied (previously unreleased) (5:05)
11. Our Kid’s Kid (B-side of Polydor 2058 904) (4:00)
12. Hymn (single edit previously unreleased) (4:26)
13. Friend Of Mine (single Version – B-side of Polydor 2059 002) (3:01)
14. Medicine Man) (originally released as A/B side of “BJH Live” EP) (11:53)

MUSICA&SOM ☝




JOHN ARCH Progressive Metal • United States

 

JOHN ARCH

Progressive Metal • United States

Biografia de John Arch:
John Maurice Archambault - Nascido em 15 de maio de 1959 (Colorado Springs, EUA).

John Arch foi o primeiro vocalista do Fates Warning . Ele emprestou sua voz única aos três primeiros álbuns da banda, antes de se afastar da música. Em 2002, após ter recusado a oferta de Jim Matheos (Fates Warning) para participar do projeto OSI, John Arch finalmente entrou em contato com Jim, e Mike Portnoy (Dream Theater) se juntou a eles após o término das gravações do OSI. A colaboração entre John Arch, Jim Matheos, Mike Portnoy e Joey Vera (outro membro da formação original do Fates Warning) resultou no EP "A Twist of Fate", composto por duas faixas épicas. Após dezesseis anos de ausência, a voz de John Arch soa tão fresca quanto em seus primeiros trabalhos com o Fates Warning, e até melhor, com um timbre muito agudo, e a música segue a linha dos últimos álbuns produzidos pelo Dream Theater e pelo Fates Warning. É possível notar que Jim Matheos toca não apenas guitarra, mas também teclado.

Este é, até o momento, o único álbum de John ARCH e talvez o último (John ARCH é pai e trabalha em tempo integral), mas podemos esperar que sua performance incrível (ele se perguntou se conseguiria cantar tão agudo quanto no passado para o lançamento deste álbum) o motive a lançar outros trabalhos no futuro. Como mencionado anteriormente, se você gosta de bandas como FATES WARNING ou DREAM THEATER, este álbum é indispensável e, portanto, altamente recomendado. Mas quem aprecia vocais marcantes também pode ouvir este EP, não se decepcionará.


 Fates Warning é uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos, então não é nenhuma surpresa que, quando seu vocalista original, John Arch, retornou à cena musical após 16 anos de ausência e lançou 'A Twist of Fate', esse EP se tornou indispensável para mim!

Não vou negar, antes de ouvir este disco eu não era o maior fã do Arch. Embora tenha gostado das suas primeiras contribuições para o Fates Warning, sempre preferi os vocais do Ray Alder. Aliás, apesar de o Arch ser bom, havia momentos em que achava os seus vocais agudos bastante irritantes. No entanto, 'Twist...' mudou isso. Talvez os anos tenham sido generosos com a sua voz, ou talvez a produção moderna tenha sido, mas de qualquer forma, este EP é algo muito especial!

Apesar de conter apenas duas faixas, 'A Twist of Fate' é um deleite absoluto para os ouvidos. Ambas as músicas, 'Relentless' e 'Cheyenne', transbordam vocais emotivos e riffs de guitarra saborosos, sendo quase únicas em suas próprias maneiras especiais. Com cerca de meia hora de duração, este EP apresenta algumas das passagens musicais mais belas que já ouvi, particularmente em 'Cheyenne', que é provavelmente uma das melhores músicas de metal progressivo que você nunca ouviu.

Com uma verdadeira seleção de músicos de renome, Arch recrutou alguns dos melhores instrumentistas do gênero. Entre eles, seus antigos companheiros do Fates Warning, Jim Matheos na guitarra, o baterista Mike Portnoy, mais conhecido por seu trabalho com o Dream Theater e o Transatlantic, e o baixista Joey Vera, do Armoured Saint e do Fates Warning. Impressionante, não é?

Música fantástica, letras inteligentes, contadas por uma voz inigualável e totalmente única. Não importa se você não gosta de Fates Warning. Nem mesmo se você não gosta de metal progressivo, porque este EP simples é muito mais do que isso! Esperemos que o Sr. Arch pretenda ficar por aqui desta vez!





ARCH ECHO Progressive Metal • United States

 

ARCH ECHO

Progressive Metal • United States

Biografia do Arch Echo
Fundado em Nashville, Tennessee, EUA, em 2016,

o ARCH ECHO é o reencontro de músicos experientes com o produtor e compositor Joey IZZO (teclados), Adam RAFOWITZ (guitarra), Adam BENTLEY (engenheiro de som, compositor e guitarrista), Joe Calderone (baixo) e Richie MARTINEZ (bateria). A banda lançou seu primeiro álbum homônimo em 2017, um álbum instrumental de rock progressivo/fusion/djent no estilo de ANIMALS AS LEADERS e PERIPHERY.







 Arch Echo é uma banda de metal progressivo de Nashville, Tennessee, formada em 2016. Desde então, lançaram dois álbuns completos, sendo o segundo intitulado "You Won't Believe What Happens Next?". A banda foi fundada por Joey Izzo nos teclados, que também atua como produtor e compositor; Adam Rafowitz na guitarra; Adam Bentley como compositor e guitarrista; Joe Calderone no baixo; e Richie Martinez na bateria. A formação da banda permanece a mesma para este álbum, lançado em maio de 2019. O álbum consiste em 8 faixas com duração total de 46:14. A música deste álbum é instrumental e definitivamente progressiva, com uma ótima mistura de teclados e guitarra.

O álbum abre com "Daybreak", anunciada por um sintetizador rápido seguido por guitarras pesadas com um toque melódico e uma pegada heavy metal, incluindo passagens rápidas. Uma boa percussão nos teclados impede que este seja apenas um álbum típico de heavy metal, mas as passagens melódicas de guitarra também são bastante progressivas, já que o ritmo permanece complexo, porém sem exageros. Há uma ótima mistura de teclados e guitarras, cada um criando um som brilhante e agradável, mas pesado o suficiente para satisfazer os fãs de prog rock. A complexidade aumenta com "Immediate Results!", mas os teclados e guitarras ainda dominam a música. As notas passam voando em velocidade vertiginosa. Um piano com influências de jazz assume o controle no meio da faixa, mas as notas continuam rápidas e a banda logo retoma o ritmo, mantendo o estilo de fusão jazz/rock.

Esse estilo complexo se mantém ao longo de todo o álbum, com guitarras e teclados dividindo as melodias rápidas. Embora os músicos sejam realmente incríveis, a música em si não apresenta muita distinção entre as faixas. A música é bastante densa, embora melódica, mas peca pela falta de variedade. A faixa mais marcante é a última, "Iris", que ainda possui algumas passagens insanas, mas também permite mais espaço para a expansão temática e a exploração de diferentes texturas. Você olha para a capa do álbum tentando imaginar o que acontece a seguir, mas a música te faz pensar que o que acontece em seguida é um gato de desenho animado perseguindo um rato de desenho animado. A música praticamente se mantém complexa e frenética, com tudo correndo a toda velocidade. É uma ótima música, mas algo que eu preferiria ouvir com doses de mais emoção e não apenas techno e djent te atingindo na cabeça o tempo todo. Isso faz com que o álbum pareça carecer de coração ou alma. Os músicos são talentosos, mas a música simplesmente não é variada o suficiente. 3 estrelas.






Grandes canções: Alice Cooper - "I'm Eighteen" (1970)

 

"I'm Eighteen", da banda Alice Cooper (destaco isto porque muita gente pensa que o cantor Vincent Furnier é a banda - só pela apropriação do nome - e não foi assim no início), foi lançada como single em nov/1970 (com "Is It My Body" no lado B). Foi o primeiro Top 40 da banda (chegando ao 21º lugar) e convenceu a gravadora Warner Bros. de que ela tinha potencial comercial para lançar um álbum. A música e seu lado B apareceriam no álbum da banda, "Love It To Death" (1971). Um riff de guitarra arpejado e uma performance vocal agressiva criaram um hino. A letra descreve a ansiedade que surge quando se está "no meio" da infância e da idade adulta. Surgiu como uma jam de oito minutos, que o então jovem produtor canadense Bob Ezrin convenceu a banda para compactá-la numa faixa de três minutos. A canção representou um grande avanço musical e deixaria uma influência considerável para todo o Hard Rock e até para o Punk Rock e para o Heavy Metal. Joey Ramone, por exemplo, escreveu sua primeira canção para os Ramones com base nos acordes de "I'm Eighteen", e John Lydon fez seu teste para os Sex Pistols fazendo cover desta canção. Bandas como o Anthrax também fizeram cover da canção e o Kiss fez um acordo fora do tribunal por plágio de "I'm Eighteen" na faixa "Dreamin'" (do álbum "Psycho Circus", de 1998).
"I'm Eighteen" abria com um riff de guitarra distorcido e arpejado em 'Mi menor' conduzindo a canção de maneira sombria e agressiva. A dupla de guitarristas, Glen Buxton (solo) e Michael Bruce (rítmica), tocava partes semelhantes, com pequenas diferenças, ambos usando guitarras Gibson SG. Dennis Dunaway fazia uma linha de baixo melódica e comovente, em vez de seguir a estratégia típica do Rock de se manter na base. De cara também surgia uma guitarra solo distorcida, Vincent Furnier na gaita numa introdução e partia para seus vocais roucos cantando toda uma angústia existencial por se estar à beira da idade adulta. No refrão, uma série de acordes poderosos proclamando: "Tenho dezoito anos / e não sei o que quero... Preciso sair deste lugar / Vou correr para o espaço". A banda Alice Cooper foi formada em meados da década de 60, mas adotou tal nome apenas em 1968 (tirado de uma bruxa do século 17). Antes de "Love It To Death", a banda já havia lançado "Pretties For You" (de 69) e "Easy Action" (de 70) pelo selo Straight Records, de Frank Zappa. A banda se mudou para Detroit/MI e se viu no meio de uma cena musical povoada pelo Rock pesado do MC5, pelas performances de Iggy Pop com os Stooges, e pela teatralidade do Parliament/Funkadelic de George Clinton. O Alice Cooper acabou incorporando todas essas influências num som pesado combinado um show teatral e escandaloso. Zappa vendeu a Straight Records para a Warner Bros em 1970 por 50 mil dólares. 
Enquanto estava no Strawberry Fields Festival no Canadá em abr/70, o empresário da banda Shep Gordon contactou o produtor Jack Richardson (uma espécie de chefão da indústria musical canadense), que enviou Bob Ezrin, de dezenove anos, em seu lugar. Ezrin inicialmente recusou trabalhar com a banda, mas mudou de ideia quando os viu se apresentar no Max's Kansas City, em NYC, em out/70. Ezrin ficou impressionado com a participação do público na performance de Rock-teatro da banda e com a devoção dos fãs da banda. Ezrin voltou a Toronto para convencer Richardson a assumir a banda. Richardson não queria trabalhar diretamente com tal grupo, mas concordou com a condição de que Ezrin assumisse a liderança. A banda e Bob Ezrin fizeram a pré-produção do álbum em Pontiac/MI, em nov-dez/70. Ezrin, com sua formação clássica e Folk, tentou fazer com que a banda reforçasse suas canções pouco estruturadas. A banda resistiu no início, mas passou a ver as coisas do jeito de Ezrin, e 10-12 horas por dia de ensaio resultaram num conjunto compacto de canções de Hard Rock com pouco da estética de Rock psicodélico dos dois primeiros álbuns. De acordo com Cooper, Ezrin "aprimorou as canções nota por nota, dando-lhes colorido e personalidade", incluindo reduzir "I'm Eighteen", de uma jam de 8 minutos para um Rock compacto de 3 minutos, uma canção cujo refrão agressivo que ele ouviu mal no início e entendeu como "I'm Edgy". "I'm Eighteen" foi uma gravação de 16 canais feita no RCA Mid-American Recording Center, em Chicago/IL. Ezrin achou um desafio capturar os vocais roucos de Furnier com as técnicas padrão. Ele decidiu usar um microfone Shure SM57 com alta compressão e adição criteriosa de equalização de agudos e médios. Em nov/70, o grupo lançou o single de "I'm Eighteen" (mostrado no rótulo simplesmente como "Eighteen" - veja foto no início da postagem). Logo, a canção estava nas ondas de rádio de todo o país - até mesmo nas principais rádios AM - e alcançou a posição 21 nas paradas. No Canadá, quebrou o Top Ten, chegando ao número 7. O sucesso convenceu a Warner a permitir que a banda seguisse em frente com "Love It to Death", lançado em mar/71. A revista Rolling Stone já inclui "I'm Eighteen" em sua lista das 500 melhores canções. 
I'm Eighteen / Tenho Dezoito
Lines form on my face and hands / Linhas se formam em meu rosto e em minhas mãos
Lines form from the ups and downs / Linhas se formam dos altos e baixos
I'm in the middle without any plans / Estou no meio do caminho sem nenhum plano
I'm a boy and I'm a man / Sou um garoto e sou um homem

I'm eighteen / Tenho Dezoito
and I don't know what I want / E eu não sei o que eu quero
Eighteen / Dezoito
I just don't know what I want / Eu simplesmente não sei o que eu quero
Eighteen / Dezoito
I gotta get away / Tenho que fugir
I gotta get out of this place / Tenho que sair desse lugar
I'll go runnin in outer space / Vou correndo para além do espaço
Oh yeah

I got a / Eu tenho
baby's brain and an old man's heart / A mente de um bebê e o coração de um ancião
Took eighteen years to get this far / Levei dezoito anos para chegar até aqui
Don't always know what I'm talkin' about / Nem sempre sei do que estou falando
Feels like I'm livin in the middle of doubt / Sinto como se eu estivesse vivendo em meio a dúvidas
Cause I'm / Porque eu tenho

Eighteen / Dezoito
I get confused every day / Fico confuso todo dia
Eighteen / Dezoito
I just don't know what to say / Simplesmente não sei o que dizer
Eighteen / Dezoito
I gotta get away / Tenho que fugir

Lines form on my face and my hands / Linhas se formam no meu rosto e mãos
Lines form on the left and right / Linhas se formam à esquerda e à direita
I'm in the middle / Estou no meio
the middle of life / No meio da vida
I'm a boy and I'm a man / Sou um menino e sou um homem
I'm eighteen and I like it / Tenho dezoito e eu gosto disto
Yes, I like it / Sim eu gosto
I'm eighteen and I like it / Tenho dezoito e eu gosto
like it / Gosto
Love it / Amo
Like it / Gosto
Love it / Amo
Eighteen! / Dezoito!
Eighteen! / Dezoito!
Eighteen! / Dezoito!
I'm eighteen and I like it / Tenho dezoito e eu gosto



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