terça-feira, 21 de julho de 2026

Grandes canções: Sam Cooke - "Having a Party" (1962)

 

"Having a Party", maravilhosa canção gravada por Sam Cooke, foi lançada em 8/mai/1962 pela gravadora RCA Victor. Produzida por Hugo & Luigi (dupla norte-americana de compositores/produtores Hugo Peretti e Luigi Creatore, que dividiam escritório no Brill Building, em NYC, um edifício famoso por abrigar escritórios/estúdios da indústria musical onde algumas das canções mais populares da época foram escritas - era o centro da indústria musical norte-americana que dominou as paradas no início dos anos 60) e arranjada e conduzida por René Hall (uma das figuras mais importantes por trás da cena do início do R'n'R), ela foi o lado A do single que teve "Bring It On Home To Me" no lado B. Olha só o nível. "Having a Party" atingiu o nº, 4 das paradas de R&B da Billboard. Como "Bring It On Home to Me", era uma composição criada por Sam Cooke enquanto ele estava em turnê. Na passagem por Atlanta/GA, Cooke ligou para Luigi Creatore e apresentou ambas canções. Ali, ficou agendada uma sessão de gravação em Los Angeles para duas semanas depois. O "clima da sessão" combinou totalmente com o título da canção, segundo o biógrafo Peter Guralnick, já que muitos amigos foram convidados. "Foi uma sessão muito feliz", lembrou o engenheiro Al Schmitt. "Todo mundo estava se divertindo. Estávamos levando as pessoas para lá [no chão], e alguns takes foram hilários, havia tanto improviso acontecendo". "Having a Party" foi gravada primeiro por ser a "mais leve" das duas canções e foi finalizada em doze takes. René Hall montou um grupo de apoio de dezoito integrantes, "composto por seis violinos, duas violas, dois violoncelos e um sax, além de uma seção rítmica de sete integrantes que incluía dois percussionistas, dois baixistas, duas guitarras e um piano". Lou Rawls, ex-assistente de A&R da Keen Records, os representantes Fred Smith e J.W. Alexander se juntaram ao grupo para encorpar os backing vocals e as palmas no refrão. "Having a Party" se tornaria a canção que fecharia os shows ao vivo de Sam Cooke desde a gravação até a morte do artista. Eram shows que normalmente terminavam com todos os outros artistas se juntando a Cooke no palco, jogando confete para cima, enquanto Cooke fazia o público "keep on having that party" (seguindo curtindo aquela farra) depois que o show terminasse. Uma destas versões magníficas pode ser ouvida na gravação póstuma ao vivo de Cooke, "Live at the Harlem Square Club, 1963". As gravações de "Having a Party" aconteceram em 26/abr/62 no RCA Studio 1, em Hollywood, CA. O engenheiro de som foi Al Schmitt e toda a sessão foi conduzida por René Hall. "Bring It on Home to Me" foi gravada pela mesma turma de músicos e no mesmo dia. Créditos:
Sam Cooke – vocals

Lou Rawls – backing vocals
Clifton White – guitar
Tommy Tedesco – guitar
René Hall – guitar
Adolphus Asbrook – bass guitar
Ray Pohlman – bass guitar
Ernie Freeman – piano
Frank Capp – drums, percussion
William Green – saxophone
Cecil Figelski – cello
Armand Kaproff – cello
Wilbert Nuttycombe – viola
Irving Weinper – viola
Myron Sandler – violin
Joseph Saxon – violin
Ralph Schaeffer – violin
Marshall Sosson – violin
Elliot Fisher – violin
Marvin Limonick – violin

Having A Party / Festejando
We're havin' a party / Nós estamos festejando
Dancin' to the music / Dançando a música
Played by the DJ / Tocada pelo DJ
On the radio / No rádio
The Coke's out in the icebox / A Coca-Cola está no freezer
Popcorn's on the table / A pipoca está na mesa
Me and my baby / Eu e minha garota
We're out here on the floor / Estamos dançando na pista

So Mr., Mr. DJ / Então senhor, senhor DJ
Keep those records playin' / Continue tocando essas músicas
'Cause I'm a-havin' such a good time / Pois eu estou me divertindo tanto
Dancin' with my baby / Dançando com minha garota

Everybody's swingin' / Todos estão dançando
Sally's doin' the twist now / Sally está dançando agora
If you take requests I've / Se você aceitar pedidos
Got a few for you / Eu tenho alguns para você
Play that song called "Soul Twist" / Toque aquela canção chamada "Soul Twist"
Play that song called "I Know" / Toque aquela canção chamada "I know"
Don't forget "The Mashed Potatoes" / Não esqueça "The Mashed Potatoes"
No other songs will do / Nenhuma outra canção funcionará

So Mr., Mr. DJ... / Então senhor, senhor DJ

We're havin' a party / Nós estamos festejando
Everybody's swingin' / Todos estão dançando
Dancin' to the music / Dançando a música
On the radio / No rádio



Oasis: uma das bandas britânicas mais populares e aclamadas da década de 90 (parte 5)

 


Ao longo de 2001, o Oasis dividiu o tempo entre sessões de gravações de seu quinto álbum de estúdio e shows ao vivo em todo o mundo. Os shows incluíram a "Tour of Brotherly Love" de um mês com os Black Crowes e Spacehog e um show em Paris apoiando Neil Young. O álbum, "Heathen Chemistry", o primeiro álbum do Oasis com os novos membros Andy Bell e Gem Archer, foi lançado em jul/2002. O álbum alcançou o nº. 1 no Reino Unido e o nº. 23 nos EUA, embora os jornalistas tenham feito resenhas mistas. Quatro singles foram lançados do álbum: "The Hindu Times", "Stop Crying Your Heart Out", "Little by Little/She Is Love", que foram escritas por Noel, e "Songbird", escrita por Liam (primeiro single deles não escrito por Noel). O álbum combinou os experimentos sonoros da banda de seus mais recentes álbuns, mas também retomou um som Rock mais básico. Toda sua gravação foi muito mais equilibrada para a banda, com todos os membros, exceto White, escrevendo canções. Johnny Marr (ex-The Smiths) forneceu guitarras adicionais, bem como vocais de apoio, em algumas canções. Bem, se "Standing On The Shoulder Of Giants" foi um pouco irregular, em "Heathen Chemistry", o Oasis voltou a agir como "banda" novamente (Liam contribuiu com três canções, o baixista Gen Archer e também Andy Bell participaram ativamente). Entretanto, a produção de Mark "Spike" Stent comandada por Noel (com tudo soando enorme, difuso e vagamente psicodélico) impediu que o disco fosse o tal retorno ao R'n'R básico deles. Bem, quando era combinada com a canção certa, como na abertura rodopiante e majestosa de "The Hindu Times", era um som viciante. Mas, noutras canções, a produção se mostrava incompatível ao expandir o som demais e fazê-las perder o foco e a dinâmica, como em "Force Of Nature" (uma faixa solo de Noel desenterrada de uma trilha sonora para um filme britânico de Jude Law), "Little By Little" (uma balada épica), "Born On a Different Cloud" (com sua psicodelia arrebatadora) ou "Better Man" (espécie de Stones Roses encontrando-se com os Rolling Stones). Canções agradáveis, moderadamente melodiosas, não muito viciantes/memoráveis e com deficiências aliviadas pelos momentos melhores do álbum como no zumbido pesado de guitarra em "(Probably) All In The Mind", na balada poderosa e excelente de "Stop Crying Your Heart Out", na despretensiosa "She Is Love" (soando deliciosamente refrescante) e a faixa de abertura "The Hindu Times" (a melhor do disco), mais "Songbird" de Liam (uma maravilhosa e doce canção Country Rock, facilmente a segunda melhor do disco). Em resumo, não era um trabalho essencial, mas também não era ruim e as partes boas só dava alegrias. O problema era que para os fãs acostumados ao Oasis dos anos 90 (quando Noel tinha tantas canções ótimas que elas transbordavam para os lados B dos singles) ficava difícil não achar "Heathen Chemistry" meio decepcionante.
Após o lançamento do álbum, a banda embarcou em uma bem-sucedida turnê mundial que foi mais uma vez repleta de incidentes. No final do verão de 2002, enquanto a banda estava em turnê nos EUA, Noel, Bell e o tecladista Jay Darlington se envolveram em um acidente de carro em Indianápolis/IN. Embora nenhum dos membros da banda tenha sofrido ferimentos graves, alguns shows foram cancelados. Em dez/02, a última metade da turnê alemã da banda teve que ser adiada depois que Liam, Alan White e três outros membros da comitiva da banda foram presos após uma violenta briga em uma boate de Munique. A banda estava bebendo muito e os testes mostraram que Liam havia usado cocaína. Liam perdeu dois dentes da frente e chutou um policial nas costelas, enquanto Alan sofreu ferimentos leves na cabeça após ser atingido por um cinzeiro. Dois anos depois, Liam foi multado em cerca de 40 mil libras. A banda encerrou a turnê em mar/03, após retornar às datas adiadas. No final de 2003, o Oasis começou a gravar seu sexto álbum no Sawmills Studios, em Cornwall. Entretanto, o baterista Alan White foi convidado a deixar a banda (na época, seu irmão afirmou que o "espírito de estar numa banda havia sido expulso de Alan"). Ele foi substituído por Zak Starkey (baterista do The Who e filho de Ringo Starr). Starkey participou de gravações e tocou em shows, mas sem ser considerado membro oficial.

O Oasis com Starkey foi a atração principal do Glastonbury Festival em 2004 e apresentou um set de grandes sucessos, que incluiu duas novas canções ("A Bell Will Ring" de Gem Archer e "The Meaning of Soul" de Liam). A apresentação recebeu resenhas negativas com o NME chamando-a de 'desastre'. Tom Bishop da BBC chamou o set do Oasis de "sem brilho e monótono... provocando uma recepção mista dos fãs", principalmente por causa do canto pouco inspirado de Liam e da falta de experiência de Starkey com o material da banda. Depois de muita turbulência, o novo álbum foi finalmente gravado no Capitol Studios, em Los Angeles/CA, entre out-dez/2004. O produtor Dave Sardy assumiu o papel de produtor principal (Noel decidiu se afastar desta função após uma década de liderança na produção da banda). Em mai/05, após três anos e tantas sessões de gravação descartadas, a banda lançou "Don't Believe the Truth", cumprindo seu contrato com a Sony BMG.
Ele seguiu o caminho de "Heathen Chemistry" como sendo um projeto colaborativo (ao invés de um álbum escrito por Noel). O álbum foi o primeiro em uma década a não apresentar a bateria de Alan White, marcando a estreia na gravação de Starkey. O álbum foi apontado como o melhor esforço da banda desde "Morning Glory" por fãs e jornalistas, gerando dois singles nº. 1 no Reino Unido: "Lyla" e "The Importance of Being Idle", enquanto "Let There Be Love" entrou no nº. 2. O Oasis ganhou dois prêmios no Q Awards (um na escolha popular e outro como melhor álbum). Seguindo os passos dos cinco álbuns anteriores do Oasis, também entrou nas paradas de álbuns do Reino Unido em primeiro lugar (o álbum vendeu mais de 6 milhões de cópias em todo o mundo). Produções exageradas, arrogância diminuída, preguiça auto satisfeita nas composições, tentativas de atualizar seu som clássico com elementos eletrônicos... tudo isto havia atormentado os álbuns do Oasis desde "(What's The Story) Morning Glory?", de 1995. Parecia que os momentos genéricos haviam encurralado o grupo que não sabia para onde ir. As notícias sobre as gravações do sexto álbum (de longa gestação) chegavam a dar desespero aos fãs (a contratação da dupla eletrônica Death In Vegas como produtora cujas gravações depois foram descartadas; Alan White pulando fora e sendo substituído por Zak Starkey etc.). Por tudo isso, "Don't Believe The Truth" foi um verdadeiro choque: era confiante, musculoso, organizado, firme e melodioso de uma forma que o Oasis não era desde "Morning Glory". Não parecia forçado, nem soava como se a banda estivesse deliberadamente tentando recriar as glórias do passado. Ao invés disso, soava agora revigorada (algo até apropriado já que este Oasis era uma banda bem diferente daquela de uma década atrás). Noel ainda era o principal compositor e quem dava a direção musical, mas seu irmão Liam, o baixista Andy Bell e o guitarrista Gem Archer agora eram parceiros plenos e iguais. Onde Noel havia lutado para preencher os álbuns pós-Morning Glory com faixas esquecíveis, agora ele se encontrava feliz por Bell e Archer comporem sons parecidos com os seus (e melhores do que aquelas faixas filler que ele havia criado anteriormente). Essas novas canções ganhavam a alma e o fogo de Liam, que não apenas recuperava sua coroa como o melhor cantor do Rock de sua geração, mas também se destacava como compositor (ele já havia escrito boas canções antes, mas aqui ele trouxe algumas memoráveis como "Love Like a Bomb", "The Meaning Of Soul" e "Guess God Thinks I'm Abel", tão boas quanto qualquer outra de Noel no álbum). O que não era demérito para Noel, que apresentava cinco canções, as mais fortes e animadas em anos, canções tão boas que fazia sentido que ele tivesse preferido cantar nelas (incluindo o dueto em "Let There Be Love", o melhor dos irmãos desde "Acquiesce"). Mas a chave para o sucesso deste álbum estava na enfatização do Oasis como uma banda genuína, uma reunião de personalidades. Não havia tanta diferença musical em "Don't Believe The Truth" para os outros álbuns do Oasis (permanecendo aquela mistura de British Invasion, The Jam, The Smiths e o gosto pelo Pop clássico da guitarra britânica), mas neste álbum todos os detalhes, desde as composições consistentes até arranjos soltos e confortáveis, o retorno das bravatas e tudo mais, aproximavam-no de sua marca registrada dos tempos do BritPop, quando eles foram a maior e melhor banda do mundo.




Tesouros perdidos

 

Pavlov's dog- 1972 USA

Formada no começo dos anos 70, mais precisamente na cidade americana de St. Louis, no Missouri, Centro-Oeste americano, a Pavlov’s Band é um combo pra lá de interessante e que merece muito a atenção dos verdadeiros amantes do rock, especialmente da era mágica. Com um som repleto de elementos do rock progressivo, pouco afeito ao gosto americano da época, o grupo teve curta duração, tendo encerrado as atividades em 1978. Teve discos lançados por uma major, a Columbia Records, produção de Sandy Peralman (que trabalhara com o Blue Oyster Cult) e até contribuição do baterista Bill Brufford (king Crimson e Yes, entre outros). Com uma sonoridade entre o Rush e o Kansas, talvez tenha sido uma inspiração para os grupos que estouraram no sucesso do gênero AOR anos mais tarde, como o próprio Kansas.

Além da forte inclinação progressiva, o Pavlov’s Dog também pisava forte no hard rock setentista, com um trabalho insinuante de guitarras e uma cozinha muito bem compassada. Tudo isso se casava perfeitamente com a voz sui generis do fundador do conjunto, David Surkamp, que lembra vagamente a de Geddy Lee dos primeiros anos do Rush. Mas o estilo mesclado da banda é bastante peculiar e inovador, muito pouco difundido naqueles anos, talvez um pouco à frente de seu tempo, o que nos leva a crer que tenha sido uma inspiração para a lapidação para AOR na virada da década, sob o comando de Journey, Reo Speedwagon e do próprio Kansas versão pós 79.



O disco de estreia, Pampered Menial, o único que conheço e acho sensacional, saiu em 1974. Entre o estranhamento e a empolgação, é repelo de bons riffs e solos e passagens maravilhosas de teclados, flautas e saxofones. Tudo embalado por melodias contagiantes e uma pegada prog hard que leva o ouvinte às profundezas da curiosidade, jamais querendo interromper a execução e deixando aquele gostinho de quero mais. Tudo isso é mais do que suficiente para querer tê-lo em suas prateleiras, por ser um disco que mexe com os sentidos daqueles rockers que tiveram sua formação musical nos anos 70.

At the Sound of the Bell sai em 1976. Me lembro de tê-lo ouvido nas plataformas digitais, mas sem me empolgar tanto, apesar de manter parte dos elementos da estreia. Um terceiro disco chegou a ser gravado em 1977, mas em razão das baixas vendas dos dois anteriores, a Columbia resolveu não lança-lo e dispensou o grupo. Nos anos 80 o disco acabou vendo a luz do sol na forma de bootleg, sob o nome de St. Louis Houd. Somente em 1994 ele foi legitimado e lançado oficialmente pela gravadora alemã TCR.


Apesar do pouco sucesso, o grupo ficou muito conhecido do público americano por participar ativamente de concertos e festivais de verão dividindo palco com bandas como Blue Oyster Cult e Styx. Surkamp chegou a trabalhar com o ex-Fairport Convention, Ian Mathews, com quem formou a banda Hi Fi, de algum sucesso no começo dos anos 80. Depois, houve uma breve tentativa de reformar o grupo com muitas modificações. Até chegaram a gravar um quarto disco, Lost in America, lançado em 1990 sem qualquer repercussão. Até hoje dizem ser o disco mais difícil de conseguir do combo. Em 2004, o Pavlov se reuniu com a formação (quase) original para diversos concertos, em 2004, com apresentações sold out muito comentadas no meio oeste americano. De qualquer forma, o  Pavlov’s Dog se manteve cult em sua obscuridade, mas legou pelo menos um álbum muito acima da média, exatamente a sua estreia. Vale muito a pena conferí-lo.




Grandes álbuns do Prog-Rock: Soft Machine - "Third" (1970)

 

O início psicodélico do Soft Machine já foi bem contado em outra postagem (leia aqui). Nela, eu expliquei de onde veio a formação Kevin Ayers (baixo, vocal), Robert Wyatt (bateria, vocal), Daevid Allen (guitarras) e Mike Ratledge (teclados), a escolha do nome da banda, toda a experiência pregressa de Allen (como músico, poeta, beatnik e hippie) e a "residência" no lendário clube underground UFO junto com o Pink Floyd onde toda aquela música cheia de improvisação e sons experimentais a levaria a ser aclamada como "uma das bandas mais influentes de sua época". Segundo Wyatt, as reações negativas que o Soft Machine recebeu ao tocar em locais diferentes dos clubes underground foram o que levou à sua inclinação por faixas longas e melodias seguidas, já que tocar continuamente não  deixava ao público a chance de vaiar. É mole?
Kevin Ayers, Robert Wyatt, Mike Ratledge e Daevid Allen
O primeiro single, "Love Makes Sweet Music" (gravado em fev/67 e produzido por Chas Chandler) foi lançado pela Polydor. Foi um fracasso comercial. Em abr/67, a banda gravou nove faixas demo como o produtor Giorgio Gomelsky no De Lane Lea Studios (que ficaram sem lançamento até 71 por conta de uma disputa pelos custos do estúdio). Eles também tocaram na Holanda, Alemanha e na Riviera Francesa. Durante jul-ago/67, Gomelsky agendou shows pela Côte d'Azur (com o show inicial mais famoso da banda acontecendo na praça da vila de Saint-Tropez). Isso levou a um convite para a banda se apresentar no badalado programa "Nuit Psychédélique", do produtor francês Édouard Ruault (mais conhecido como "Eddie Barclay"), realizando uma versão de 40 minutos (!) de "We Did It Again", cantando o refrão repetidamente como num transe. Isso os tornou os queridinhos instantâneos do público "modernex" parisiense, resultando em convites para aparecer em programas de televisão e na Bienal de Paris em out/67. Ao retornar da França, Daevid Allen (um australiano) foi impedido de entrar novamente Reino Unido, então o grupo continuou como um trio, enquanto ele voltou para Paris para formar o Gong (história esta contada em detalhes em outra postagem - leia aqui). Compartilhando o mesmo empresário de Jimi Hendrix, a banda foi atração de abertura da turnê norte-americana do Experience ao longo de 1968. O primeiro álbum do Soft Machine foi gravado em NYC em abr/68, no final da primeira etapa desta turnê. De volta a Londres, o guitarrista Andy Summers (no futuro, do The Police), juntou-se ao grupo e, após ensaios, o quarteto retomou a turnê com Hendrix durante ago-set/68. Entretanto, após 3 meses na banda, Summers foi demitido por Ayers. Para piorar, após o compromisso com Hendrix, um esgotado Ayers vendeu seu baixo para Noel Redding (!) e retirou-se para as praias de Ibiza (ilha mediterrânea no sul da Espanha) junto com Daevid Allen para descansar. O Soft Machine então se desfez. Robert Wyatt ficou nos EUA para gravar demos solo (uma delas contou com Hendrix no baixo), enquanto Mike Ratledge voltou para Londres e se concentrou a compor.
Ou seja, quando o álbum "Soft Machine, Vol. 1" foi lançado em dez/68 a banda já não existia mais. Uma tentativa selvagem, livre e até bem-sucedida de fundir psicodelia com Jazz-Rock, o álbum variava entre estranhas canções Pop executadas com paixão total e performances perturbadoras do trio Wyatt (bateria/vocais), Ayers (guitarras e baixo) e Ratledge (órgão). Com apenas uma pausa (no final do lado um), as canções se fundiam (como nos shows) - nem sempre suavemente, mas sempre com talento o que corrigia eventuais choques. Wyatt na maior parte dos vocais provava ser um cantor surpreendentemente evocativo, apesar da falta de alcance. Como "The Piper at the Gates of Dawn" do Pink Floyd, este "Vol. 1" foi um dos poucos discos excessivamente ambiciosos da era psicodélica que realmente cumpriu todas as suas incríveis promessas. Os elementos consideravelmente melódicos e as harmonias vocais das primeiras gravações agora abriam espaço para uma postura mais artística e desafiadora (que às vezes funcionava, mas outras vezes não), misturando Rock psicodélico com improvisações jazzísticas. Música aventureira e experimental, sem citações eruditas, sem suítes e com muitas miniaturas sonoras, provocações, sons bizarros e solos inesperados. Originalidade acima de tudo. Ainda em dez/68, para cumprir obrigações contratuais, a banda se reformou com o ex-empresário de turnês Hugh Hopper no baixo. Hopper já havia sido baixista no The Daevid Allen Trio (em 63, junto com Wyatt) e já havia participado do The Wilde Flowers (em 64, junto com Wyatt, Ayers e Richard Sinclair). Embora estivesse atuando como empresário de turnês, ele já havia participado das composições do primeiro álbum e tocado baixo numa das faixas. Seu recrutamento então foi até natural. 
Ratledge e Hopper acima com Wyatt no centro/abaixo
O trio gravou o segundo álbum intitulado "Volume Two" (gravado em fev-mar/69 no Olympic Studios, em Londres e lançado em abr/69). Bem, se o álbum de estreia teve o super talentoso Kevin Ayers e todo aquele desbunde psicodélico, este "Volume Two" iniciou a transição para o Jazz Fusion em meio aos ideais Dadaístas e inclinações vanguardistas. O baixo de Hopper com seus tons Fuzz e todo um lado experimental até suplantavam as ênfases Pop de Ayers. Mas o núcleo criativo estava em Robert Wyatt, que fornecia arranjos musicais para as ideias peculiares de Hopper (uma coleção de melodias de fluxo de consciência, "Rivmic Melodies", que ocupava todo o lado 1). A adição do irmão de Hugh, Brian Hopper (nos saxes soprano e tenor) gerava mais vida ao resultado. Os teclados eruditos de Mike Ratledge (que anteriormente se chocavam ao espírito livre de Wyatt, Ayers e Allen) agora se destacavam em "Esther's Nose Job" e seus mais de onze minutos no lado 2. Mas era Wyatt quem elevava esta estranha joia musical ao seu ápice artístico. Ele usava sua voz suave como instrumento fazendo "scatting" em "Dada Was Here" e soando lindamente sincero em "Have You Ever Bean Green?" (uma homenagem ao Experience). Fãs do Canterbury Sound amaram "As Long as He Lies Perfectly Still", um agradecimento amoroso ao ex-colega Ayers. Um álbum único que assimilava Rock, humor absurdo, Jazz e vanguarda. Em mai/69, essa formação atuou como banda de apoio (não creditada) em duas faixas de "The Madcap Laughs" (álbum solo de Syd Barrett).
Em out/69, a banda se tornou um septeto com a adição dos saxofonistas Elton Dean e Lyn Dobson, do cornetista Mark Charig e do trombonista Nick Evans (embora os dois últimos tenham ficado apenas dois meses). O quinteto Soft Machine resultante (Wyatt, Hopper, Ratledge, Dean e Dobson) continuou até mar/70, quando Dobson partiu. 
O quarteto restante gravou os álbuns "Third" (1970) e "Fourth" (1971). "Fourth" foi o primeiro de seus álbuns totalmente instrumentais e o último com Wyatt. A propensão para construir suítes estendidas a partir de composições de tamanho regular, tanto ao vivo quanto no estúdio, atingiu seu apogeu no álbum "Third", incomum para aquela época contendo cada um dos quatro lados apresentando uma suíte. "Third" também foi incomum por permanecer em catálogo por mais de dez anos nos EUA e é até hoje a gravação mais vendida do Soft Machine. "Third" foi destacado na referencial coluna "Discoteca Básica da Bizz", edição 45, pelo jornalista Arthur G. Couto Duarte (leia aqui). Lançado em jun/70, trouxe a banda mergulhando mais fundo no Jazz e na música eletrônica contemporânea. Um álbum crucial considerado mesmo na época um marco. LP duplo contendo música impressionante (como já dito com cada lado dedicado a uma composição, duas de Mike Ratledge, uma de Hopper e uma de Wyatt), gravado ao vivo em estúdio com a banda (Ratledge nos pianos/órgãos; Hopper no baixo; Wyatt na bateria, vocais, órgão, mellotron, piano; Dean no sax alto) e sendo complementada por vários músicos de apoio, incluindo alguns pilares da cena de Canterbury (Lyn Dobson na flauta e sax soproano; Jimmy Hastings - irmão de Pye Hastings do Caravan - na flauta e clarinete, Nick Evans no trombone, Rab Spall no violino). As duas composições de Ratledge se aproximavam do Jazz Fusion, embora na realidade tal fusão acontecesse à base de efeitos de "tape loops" e de padrões de teclados repetitivos e hipnóticos. "Facelift", de Hopper, lembrava "21st Century Schizoid Man" do King Crimson, embora fosse mais complexa, com várias seções bastante distintas (os ritmos pulsantes, os sopros caóticos, os sons de teclados e os drones sombrios antecederam o que Hopper faria em sua carreira solo depois). "Moon In June", de Wyatt, se baseava em ideias musicais contidas nas demo tapes feitas no início de 67 com o produtor Giorgio Gomelsky e era uma composição caprichada, despretensiosa, combinando toda a instrumentação então exótica ao Rock de uma maneira maravilhosa. Aliás, não exatamente Rock, "Third" empurrou os limites do gênero para áreas inexploradas e conseguir fazê-lo sem soar autoindulgente. Uma obra-prima sem dúvida (uma introdução mais adequada para a banda está em qualquer dos dois primeiros álbuns, mas uma vez feita tal introdução, "Third" é a próxima parada certa). Eles receberam uma aclamação sem precedentes em toda a Europa e fizeram história ao se tornar a primeira banda de Rock a ser convidada para tocar no London's Proms em ago/70. O show foi transmitido ao vivo pela BBC e mais tarde viraria um álbum ao vivo.
"Fourth" (lançado em fev/71, gravado em out-nov/70 no Olympic Studios, em Londres) manteve a mesma formação (Dean + Ratledge + Hopper + Wyatt), acrescentou novos convidados de apoio (Roy Babbington no baixo duplo, Mark Charig na corneta, Nick Evans no trombone, Jimmy Hastings na flauta/clarinete, Alan Skidmore no sax tenor) refinou ainda mais toda aquela habilidade musical coletiva hiper complexa do Soft Machine. "Fourth" trouxe a banda eliminando por vontade própria qualquer erudição musical cozinhando estruturas de sons barulhentas e enfumaçadas, ritmos misteriosos com reações rápidas soando incrivelmente novos (para a época). Obviamente, havia ali enorme destreza musical capaz de fundir Free Jazz, Jazz tradicional e psicodelia Gong numa combinação selvagem. A bateria de Robert Wyatt estava impecável, tão perfeita que se tornara um mapa de apoio sobre o qual demais membros seguiam instintivamente. Os teclados de Mike Ratledge mantinham-se quentes por todo lado com os pés na Terra e as ambições no espaço onde toda aquela música tentava alcançar. O trabalho de Elton Dean fugia com cadências muito inventivas assumindo a frente/centro musical cuspindo uma linguagem maluca. O Soft Machine se conectava ali aos experimentos feitos por Miles Davis no revolucionário álbum "Bitches Brew" (de abr/70). Não era tão notável quanto o imponente "Third", mas o hipnotizante trabalho de bateria de Wyatt e a impressionante faixa de abertura ("Teeth", de Ratledge) garantiam a obrigatoriedade da aquisição. Foi o primeiro álbum deles totalmente instrumental com abandono completo daquela formatação Prog-Rock psicodélico. Infelizmente, seria também o último com Wyatt.





Grupo Chapéu de Palha – Grupo Chapéu de Palha vol.2 1979

 

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Colaboração do Celso Almeida, do Rio de Janeiro – RJ.

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Esse é o volume dois do Grupo Chapéu de Palha, grupo do qual Toco Preto era um integrante.

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Gravado no Rio de Janeiro – RJ e em São Paulo -SP, com direção executiva de Talmo Scaranari e Lindolfo Barbosa.

Grupo Chapéu de Palha – Grupo Chapéu de Palha vol.2
1979 – Copacabana

01
Sei que é covardia (Ataúlfo Alves – Claudionor Cruz)
Deus me perdoe (Lauro Maia – Humberto Teixeira)
O orvalho vem caindo (Noel Rosa – Kid Pepe)
Não me diga adeus (Paquito – Luiz Soberano – João Corrêa da Silva)
Se é pecado sambar (Manoel Santana)
Helena, Helena (Antonio Almeida – Constantino Silva)
Emília (Wilson Baptista – Haroldo Lobo)
02 Chora Cavaquinho (Dunga)
03
Seu Libório (João de Barro – Alberto Ribeiro)
Piston de gafieira (Billy Blanco)
Conversa de botequim (Noel Rosa – Vadico)
04 Nossas terras (Geraldo Barboza – Xavier)
05 Um gago apaixonado (Noel Rosa)
06
Aos pés da Santa Cruz (Marino Pinto – J. Gonçalves)
Aperto de mão (Augusto Mesquita – Jayme Florence – Horondino Silva)
Pombo correio (Benedito Lacerda – Darcy de Oliveira)
Me deixa em paz (Monsueto Campos Menezes – Ayrton Amorim)
Bonde de São Januário (Ataúlfo Alves – Wilson Batista)
Zé Marmita (Luiz Antonio – Brasinha)
O trem atrazou (Arthur Vilarinho – Estanislau Silva – Paquito)
07 Paraquedista (José Leocádio)
08 Dançarino de Gafieira (Dedé da Portela – Dida)
09 Metrux (Toco Preto)

MUSICA&SOM ☝



Alceu Valenca – 7 Desejos 1992

 

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Colaboração do João Gabriel, de Niterói – RJ

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Arranjos e Concepção: Alceu Valença; Violões: Alceu Valença, Paulo Rafael e Herbert Azul; Percussão: Marcos Suzano; Teclado: Márcio Miranda; Sax Soprano: Paulinho Andrade; Trombone: Ed Maciel; Acordeon: Severo; Coro Masculino: Alceu, Herbert, Guto Graça Mello e Flávio Sena; Coro Feminino: As Gatas

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Sete Desejos remete a Estação da Luz que remete a Molhado de Suor. São discos gêmeos. Herbert Azul ia muitas vezes em minha casa e assim fizemos algumas composições em parceria. Chamei ele, Paulinho Rafael e Marcos Suzano e entramos em estúdio para fazer este disco. Guto Graça Mello produziu e fez os arranjos de cordas. Tem uma participação belíssima de Zizi Possi, em “Tesoura do Desejo”, além de “Belle du Jour”.

Alceu Valenca – 7 Desejos
1992 – EMI

01. Papagaio do Futuro (Alceu Valença)
02. La Belle de Jour (Alceu Valença)
03. Tesoura do Desejo (Alceu Valença) Participação: Zizi Possi
04. Sete Desejos (Alceu Valença)
05. Junho (Alceu Valença / Geraldo Valença)
06. Tomara (Alceu Valença / Rubem Valença Filho)
07. Bicho Maluco Beleza (Alceu Valença)
08.
Papagaio do Futuro (Alceu Valença)
Coco das Serras (Tradicional / Adpt. Emmanuel Cavalcanti)
09. Desprezo (Alceu Valença)
10. Respeita Januário (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira) 
11. Desejo (Alceu Valença)

MUSICA&SOM ☝



Destaque

GONG - Teapots In São Paulo - 2013

  Apesar da idade avançada, Allen ainda é sinônimo de muita energia e contagiante presença de palco, fazendo com que o Gong em pleno século ...