quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Red Sand – A World Without War 2026

 


Genre: Neo-Prog
Country: Canada
Release Year: 2026

1. Stories Of Liars 04:44
2. I’ll be alone 05:29
3. The ballad of Edgar and Chelsea 11:50
4. A World without war 20:10
5. A world of change 05:37
6. Torpille 03:51

Line-up / Musicians
– Simon Caron / guitar, bass, keyboards
– Michel Renaud / vocals
– Perry Angelillo / drums




Mark Duda – Bodega Flowers 2022

 


Mark Duda é um artista do East Village, em Nova York, que canta, toca guitarra e compõe ótimas canções originais de rock e punk.

Ao longo de sua carreira memorável, ele trabalhou com um verdadeiro panteão da realeza do rock and roll nova-iorquino e ajudou a levar adiante o legado de bandas e artistas como New York Dolls, Dead Boys e Johnny Thunders até o século XXI.

1. Ambulance Song 03:30
2. Bodega Flowers 04:03
3. Astroland 04:09
4. Avenue A is Dead 03:27
5. Hush Money 03:56
6. Don't Wanna Be Right 03:48
7. Black Eyed Susan 03:52 8.
Wednesday 02:51
9. My Stash 02:59
10. There Goes the Band 03:51
11. Dead Again 02:39

MUSICA&SOM ☝



ARKAN Tech/Extreme Prog Metal • France

 

ARKAN

Tech/Extreme Prog Metal • France

Biografia do Arkan:
ARKAN é uma banda de tech/prog metal extremo originária da França. Formada em 2005 como um quinteto de melodic death metal, sua música pode ser considerada apenas isso, mas o uso de vocais limpos e músicas mais longas que o padrão os coloca no gênero progressive metal.

Seu EP de estreia, "Burning Flesh", lançado em 2006, mostrou a banda produzindo música sólida, mas foi seu primeiro álbum completo, "Hilal", lançado em 2008, que gerou toda a expectativa em torno da banda. Com músicas de aproximadamente 6 minutos de duração, o álbum demonstrou o potencial do Arkan como uma banda de progressive metal. A banda é impressionante e espero vê-los em ação novamente no futuro!

Sofia
Arkan Tech/Metal Prog Extremo

 

UAU, este é um prog extremo muito bom, superou minhas expectativas. Os trabalhos anteriores dela eram incríveis, mas com Sofia, a harmonia e a progressão são ainda maiores. A voz de Sarah Layssac nas partes claras é perfeita; a maior parte do álbum é cantada por ela, com a quantidade certa de voz gutural, em perfeito equilíbrio (se você procura música, entre em contato com
mcdo@bell.net ). A música em Sofia é mais organizada, melódica e simplesmente brilha. Este é um prog extremo melódico para um público maior e muito, muito bom, de fato, em todo o álbum. Um som refinado da França com um toque árabe. Simplesmente ótimo.





Salam
Arkan Tech/Metal Prog Extremo

 Mais um trabalho bem-sucedido da banda franco-argelina de metal extremo Arkan. Seguindo a linha do álbum anterior, eles nos presenteiam novamente com sua mistura perfeita de metal extremo e música étnica norte-africana (argelina). Graças às diversas mudanças de estilo, a música deles te prende do início ao fim. Ao assimilar a música norte-africana de forma autêntica, eles adicionaram uma nova dimensão ao metal extremo. Novamente, os vocais guturais se alternam com melodias cantadas em árabe, e mais uma vez o oud (alaúde árabe) é executado com perfeição. Desta vez, Sarah Layssac, que já havia participado como convidada no álbum anterior, integra a banda como membro permanente, contribuindo com vocais femininos impecáveis. Um toque virtuoso de guitarra flamenca (que, claro, tem origem norte-africana) encerra o álbum (antes da faixa bônus "escondida"), tornando-o mais um fantástico trabalho do Arkan. Uma banda que vale a pena conferir!!! Danny Martins.





ARK Progressive Metal • Norway

 

ARK

Progressive Metal • Norway

Biografia do Ark:
Originária de Toten, Noruega, a ARK foi fundada pelo guitarrista Tore OSTBY após o fim de sua influente banda de metal progressivo, CONCEPTION, no ano anterior. Inicialmente, ele contou com a companhia de seu amigo, o experiente baterista John MACALUSO, ex-aluno do California Percussion Institute of Technology e membro das bandas MCM, POWERMAD, TNT e RIOT. Juntos, John e Tore criaram uma fusão de estilos musicais, sustentada por ritmos pesados ​​e grooveados de rock progressivo, combinados com guitarras flamencas, bateria com bumbo duplo e paisagens sonoras à la Pink Floyd. A árdua busca por um vocalista com ampla e expressiva extensão vocal, capaz de articular o exigente repertório, terminou com a contratação de Jorn LANDE, ex-vocalista do THE SNAKES (com Bernie MARSDEN e Mickey MOODY) e da banda de metal sinfônico MUNDANUS IMPERIUM. O trio tomou a decisão consciente de se afastar da composição de hard rock comercial que havia influenciado suas trajetórias, o que resultou em um legado consideravelmente mais influente para o metal progressivo do que apenas dois álbuns poderiam sugerir.

Essa explosão criativa culminou em seu aclamado álbum de estreia homônimo, "Ark" (1999). Com a ajuda de Trond Nagell DAHL nos teclados, o trio criou um álbum de grande diversidade, exibindo um som dinâmico firmemente enraizado no hard rock, misturado com padrões rítmicos intrincados e uma estrutura melódica viciante que agradou a um amplo espectro de ouvintes da comunidade rock e metal. Com o som do baixo estranhamente suprimido, a seção rítmica é compensada pelos ritmos criativos da bateria de MACALUSO, enquanto OSTBY cria um trabalho de guitarra em estilo flamenco bastante incomum em "The Hunchback of Notre-Dame".

LANDE, cujo estilo vocal versátil alternava sem esforço entre Steve PERRY, David COVERDALE, Ronnie DIO e STING, provou ser um vocalista popular em todo o circuito de shows, e a banda rapidamente conquistou um forte público fiel. Com o apelo crescendo, o trabalho em um segundo álbum começou, para o qual o baixista Randy COVEN (Steve VAI, Steve MORSE, MOUNTAIN) e o tecladista Mats OLAUSSON (Yngwie MALMSTEEN) foram recrutados para aprimorar o som geral. Seu segundo álbum, "Burn The Sun" (2001), produzido por Tommy NEWTON e considerado um marco do metal progressivo underground, levou a banda um passo notável em seu desenvolvimento, incorporando ritmos e cantos orientais, justapostos a seções latinas e às agora características mudanças constantes de compasso.

A banda descreve o conceito geral do álbum da seguinte forma: "O álbum fala sobre a inquietação e a perturbação no equilíbrio universal do nosso planeta. Começando no núcleo da Terra, a música se desdobra para abranger a terra firme, o mar e as criaturas da Terra, o céu, o espaço e além. Pensando bem, você realmente não pode queimar o sol - ainda assim, todos nós tentamos todos os dias de nossas vidas, nos esforçando para progredir sem dar atenção às pessoas ao nosso redor, em um curso ou missão que nos leva ao desconhecido. Sempre buscando um objetivo comum, mas às vezes esse objetivo é impossível e alguns morrerão tentando, tentando 'Queimar o Sol'".

Após a turnê de divulgação do álbum, o ARK entrou em hiato e acabou se separando em 2002. Lande já havia decidido se juntar a Roland Grapow e Uli Kusch para formar a banda de power metal Masterplan, além de seguir sua carreira solo. Antes do anúncio da separação, no entanto, esboços e ideias inéditas de vários membros da banda para o que seria usado no terceiro álbum foram eventualmente utilizados por John. MACALUSO & UNION RADIO, em seu álbum "The Radio Waves Goodbye" (2007). Em 2009, MACALUSO anunciou que havia se reunido com OSTBY, COVEN & OLAUSSON e que o trabalho no terceiro álbum do ARK, intitulado "Aradiokaos", estava em andamento, tendo posteriormente recrutado Adrian HOLTZ como vocalista substituto. Infelizmente, nada mais se ouviu até 2011, quando ele lamentavelmente confirmou o cancelamento da produção, com o ARK oficialmente se dissolvendo.

Estilisticamente, o ARK criou seu próprio nicho único dentro do metal progressivo, influenciando mais do que sendo influenciado, com a consequência de que é difícil encontrar comparações diretas. Dito isso, qualquer pessoa que goste de sua música deve se familiarizar com os quatro álbuns criados pela banda anterior de Tore OSTBY, CONCEPTION, um pioneiro muito respeitado do metal progressivo escandinavo, enquanto os fãs do estilo vocal de Jorn LANDE devem experimentar o álbum de estreia do BEYOND TWILIGHT; enquanto seus dois álbuns MASTERPLAN também vêm Recomendado, embora estes sejam estruturalmente mais simples.

Álbuns de estúdio: "Ark" (1999), "Burn the Sun" (2001).

Membros finais:

Tore OSTBY: Guitarra;
John MACALUSO: Bateria e percussão;
Jorn LANDE: Vocal;
Randy COVEN: Baixo;
Mats OLAUSSON: Teclados.

Burn The Sun
Ark Metal Progressivo

 Influenciada pela ascensão do metal progressivo dos anos 90, liderado por bandas como Fates Warning, Symphony X e, acima de tudo, Dream Theater com seu esplêndido "Metropolis Part 2: Scenes From a Memory", a Ark lançou "Burn the Sun" (2001), seu segundo e último álbum.

A abordagem dos noruegueses entrelaça sons de metal vigorosos com elementos de vários gêneros, guiados pela voz poderosa e expressiva de Jorn Lande, para criar atmosferas que são ao mesmo tempo fortes e flexíveis. Algumas delas se aproximam mais do hard rock, como na intrincada "Heal the Waters", na homônima "Burn the Sun" e no ótimo solo de guitarra de Tore Østby, nos riffs impactantes da faixa oitentista "Feed the Fire" e na acelerada "Noose". Outras são mais psicodélicas e opressivas, como na espacial "Torn", com o ótimo baixo de Randy Coven, na hipnótica "Absolute Zero" e na sombria "Waking Hour". Há também algumas mais desafiadoras, como a fusão de jazz latino em "Resurrection" e os sons cristalinos do flamenco do virtuoso Østby em seu violão espanhol na revigorante "Just a Little".

Todas as músicas em que a banda toca com impressionante habilidade e virtuosismo, culminando na épica e comovente "Missing You", onde as guitarras de Østby, no estilo Pink Floyd, flutuam sobre os teclados etéreos de Mats Olausson, criando uma profunda melancolia que é complementada pelos vocais introspectivos e pungentes de Lande, até que a melodia se estabelece em um intenso clímax instrumental. Uma das melhores faixas do melhor álbum do Ark.

Após a calorosa recepção de "Burn the Sun" e sua subsequente turnê promocional, os membros do Ark seguiram caminhos separados, dedicando-se às suas carreiras solo e/ou participando de projetos de outros músicos (Lande com Beyond Twilight e Masterplan, por exemplo). Anos depois, uma tragédia atingiu a banda dissolvida: Coven morreu em 2014 de um ataque cardíaco e Olausson em 2015 devido ao abuso de álcool.

3,5/4 estrelas





Rainbow: projeto de Ritchie Blackmore que produziu clássicos do Hard Rock (parte 1)

 

Micky Lee Soule, Dio, Craig Gruber, Blackmore e Gary Driscoll
Em 1973, o guitarrista Ritchie Blackmore conduziu o Deep Purple para uma mudança significativa de formação com Ian Gillan (vocais) e Roger Glover (baixista) sendo substituídos por David Coverdale e Glenn Hughes, respectivamente. No entanto, os novos membros mostraram-se ansiosos para adicionar estilos musicais à banda (Blackmore declarou publicamente não ter gostado do álbum "Stormbringer", de nov/74, por conta de seus elementos de Soul e Funk, classificando-o como "música polida"). Além disso, Blackmore teve sua proposta de gravar "Black Sheep of the Family" (uma canção da banda Quatermass) e "Sixteenth Century Greensleeves" (canção autoral do próprio Blackmore) recusada pela banda. Um vocalista, Ronnie James Dio (da banda Elf), já havia chamado atenção do guitarrista. Ele convidou Dio, junto com Gary Driscoll (também baterista do Elf), para gravar aquelas duas canções em Tampa/FL, em 12/dez/74, planejando um single solo. Blackmore declarou: "Deixei o Deep Purple porque conheci Ronnie Dio e ele foi tão fácil de trabalhar junto. Inicialmente, a ideia era gravar apenas algumas faixas para um álbum solo, mas quando efetivei minha saída em jun/75 acabamos fazendo um álbum inteiro em três semanas, o que me deixou muito empolgado". Tendo recrutado os demais membros da banda Elf (o tecladista Micky Lee Soule e o baixista Craig Gruber) para formar sua própria banda de apoio, inicialmente chamada "Ritchie Blackmore's Rainbow" (nome inspirado no Rainbow Bar & Grill, em West Hollywood/CA), o álbum foi completado entre fev-mar/75 (no Musicland Studios, em Munique) e lançado em ago/75.
Na época do seu lançamento, Blackmore já havia evoluído a ideia de um álbum solo para um projeto com uma banda nova. Talvez, esta estreia do grupo seja o primeiro exemplo de Rock com fantasias medievais (algo que seria muito explorado depois por bandas como Iron Maiden e o próprio Dio em carreira solo). Ronnie James Dio fornecia grande presença vocal na frente de um Blackmore cada vez mais barroco (parcialmente porque ele havia começado a estudar violoncelo para ajudá-lo a construir progressões mais interessantes de acordes). Os destaques estavam nas faixas "Sixteenth Century Greensleeves" e "Man On The Silver Mountain", duas pedradas Hard Rock, mas a sombria e arrastada "Self Portrait" também deixava claro do que eles eram capazes. Havia ainda a linda "Catch The Rainbow" e o cover "Still I'm Sad" (dos Yardbirds). Entretanto, o potencial do grupo somente ficava aqui na sugestão. Pouco depois do lançamento do disco, o tecladista Soule saiu, enquanto o baixista Gruber e o baterista Driscoll foram despedidos (claramente, nenhum deles estava nos planos de Blackmore numa formação para os palcos). Esta primeira formação nunca tocou ao vivo. O álbum teve recepção positiva e vendeu bem tanto no Reino Unido, quanto nos EUA. Dio possuía um alcance vocal muito poderoso e era um cantor versátil (capaz de atuar bem tanto em canções pauleiras, quanto em baladas suaves). Blackmore relatou, na época: "Ele me dava arrepios na espinha com seus incríveis vocais". Embora Dio nunca tenha tocado qualquer instrumento no Rainbow, Blackmore o creditou como compositor e arranjador junto com o próprio guitarrista, além de lhe dar crédito por todas as letras. Outro aspecto que fortaleceu a boa relação foi que ambos encontraram um terreno comum num relacionamento de amizade e senso de humor. Ronnie Dio declarou, tempos depois: "Foi minha oportunidade de mostrar meus talentos. Agradeço a Ritchie por isso o tempo todo. Ele foi quem me deu a oportunidade para mostrar o que eu tinha". Foi neste contexto de uma experiência de gravações altamente positiva que Blackmore decidiu deixar o Deep Purple (seu último show com eles foi em Paris em abr/75 e o anúncio ocorreu em 21/jun/75). Sem o resto do Elf, mantendo apenas Dio, Blackmore passaria a controlar/escolher os músicos pelo resto da vida da banda.
Cozy Powell, Jimmy Bain, Ronnie Dio, Tony Carey e Blackmore
Ele, na sequência, recrutou o baixista Jimmy Bain, o tecladista norte-americano Tony Carey e o baterista Cozy Powell (além do talento musical, Powell atraiu Blackmore pelo gosto mútuo por brincadeiras tipo "pegadinhas"). Essa sensacional formação foi a que iniciou a primeira turnê mundial da banda (primeira data foi em Montreal, em 10/nov/75). Uma das atrações dos shows era um arco-íris de luzes controlado por computador (com mais de 3 mil lâmpadas) que se estendia por toda a frente do palco. 


Tesouros perdidos

 

Hannibal - Inglaterra - 1970

Esta pequena grandiosa pérola do rock raro poderia muito bem estar sob as asas da coluna dos grandes álbuns do prog. Mas é de uma obscuridade tamanha que realmente cabe mais nessa seção que tira poeira do infinito baú dos renegados.  O som desse grupo originário da industrial cidade de Birmingham, noroeste da Inglaterra, navega pelas águas calmas do jazz, turbinado pelos intrincados arranjos do rock progressivo e conta com apimentadas pitadas de hard rock. A marca do único lançamento do sexteto Hannibal, entretanto, é a qualidade. Riqueza sonora em suas seis faixas.

 O som do Hannibal lembra fortemente grupos como o Colosseum e Raw Material, mas em alguns momentos remete aos primeiros trabalhos do Atomic Rooster. Conterrâneo do gigante Black Sabbath, chegou a dividir palcos com a banda de Ozzy-Iommi-Butler-Ward quando ambos davam seus primeiros passos. Mais tarde, abriu para o Free em digressões pelo Reino Unido. Foi um grupo que tocou muito em várias partes das Ilhas Britânicas e Europa Central, desfrutando de certa notoriedade no chamado boca-a-boca. Mas ficou nisso.

 


 A técnica instrumental do Hannibal é o ponto alto. O trabalho de guitarra de Adrian Ingram é primoroso, assim como o acompanhamento do baixo de Jack Giffiths e da bateria de John Parkes. Mas vem dos teclados de Bill Hunt as nuances que preenchem o som do grupo, em que o destaque especial fica para a seção de sopros de Cliff Williams (nada a ver com o baixista do AC/DC), que pilota sax e clarinete com maestria e criatividade nos lindos solos. O vocal de Alex Joyce merece respeito embora não inspire grandes arroubos. Não chega a ser o ponto de menor destaque e tampouco compromete numa estrutura que prima pelo equilíbrio. A canção que fecha o álbum, Winter, no entanto, mostra que ele tem capacidade e que as composições poderiam abrir mais espaço para o trabalho vocal.

 Enfim, o Hannibal bem que poderia ter alçado voos maiores, condições totais tinha para tanto. O álbum lançado em 1970 parece um pouco à frente de seu tempo, já que o jazz rock teria mais espaço e aceitação nos anos seguintes.  Sem dúvida, uma dica preciosa para quem admira o gênero. Infelizmente, a banda não sobreviveu e não se tem notícias dos caminhos trilhados por seus integrantes após este trabalho. Tesouro perdido mesmo!



Grandes canções: Rainbow - "Stargazer" (1976)


"Stargazer" foi lançada no segundo álbum do Rainbow, o magnífico "Rising", de mai/76. Uma canção épica que narrava a história de um poderoso mago cuja tentativa de voar construindo uma torre mística para as estrelas levava à escravização de um grande número de pessoas. Era notável sua complexidade musical e as incríveis performances de guitarras, vocais e bateria, exemplo significativo dos talentos de Ritchie Blackmore, Ronnie James Dio e de Cozy Powell. Abria com um curto, porém estupendo solo de bateria de Powell (frequentemente citado como grande exemplo de suas habilidades diferenciadas). A bateria introduzia uma orquestra, a Munich Philharmonic Orchestra, e o Vako Orchestron (tocado por Tony Carey - um sintetizador/sequenciador criado por David Van Koevering, pioneiro técnico na criação de teclados eletrônicos. O Orchestron foi um modelo profissional alternativo ao Mellotron, repleto de sons pré-gravados), ambos tocando uma escala sonora que Blackmore descreveu como "meio turca". As letras relatavam a história do ponto de vista de um escravo nos tempos egípcios, conforme contou Dio. Um mago astrônomo tornava-se obcecado com a ideia de voar e decidia escravizar um vasto exército de pessoas para construir para ele uma torre da qual pudesse decolar e voar. Os escravos esperavam pelo dia em que toda aquela situação chegasse a um fim e seguiam construindo a torre sob condições de vida duríssimas. No final, o mago subia no topo da torre, mas, em vez de voar, caía e morria. No álbum, a canção seguinte, "A Light In The Black", continuava a mesma história destas pessoas que haviam perdido todo o propósito de vida após a morte do mago. Um clássico do Rainbow e do Hard Rock, bombástico, épico, dramático e enriquecido pelas performances. O solo de Blackmore, após o segundo verso, é citado por entendidos como um de seus melhores. A atmosfera soturna, carregada, com elementos orientais, o poder da guitarra de Blackmore, as letras e os vocais de Dio e o rolo compressor da bateria de Powell colocaram "Stargazer" como uma das maiores performances em todo o Rock. Monumental.
Stargazer / Observador de Estrelas
High noon, oh I'd sell my soul for water / Meio-dia, oh, eu venderia minha alma por água
Nine years worth of breakin' my back / Nove anos dignos de quebrar minhas costas
There's no sun in the shadow of the wizard / Não há sol na sombra do mago
See how he glides, why he's lighter than air? / Veja como ele plana, por que ele é mais leve que o ar?
Oh, I see his face! / Oh, eu vejo o rosto dele!

Where is your star? / Onde está a sua estrela?
Is it far, is it far, is it far? / Está longe, está longe, está longe?
When do we leave? / Quando partimos?
I believe, yes, I believe / Eu acredito, sim, eu acredito

In the heat and the rain / No calor e na chuva
With whips and chains / Com chicotes e correntes
To see him fly / Para vê-lo voar
So many die / Tantos morrem
We build a tower of stone / Nós construímos uma torre de pedra
With our flesh and bone / Com nossa carne e osso
Just to see him fly / Só para vê-lo voar
But don't know why / Mas não sabemos o porquê
Now where do we go? / Agora para onde vamos?

Hot wind, moving fast across the desert / O vento quente, movendo-se velozmente pelo deserto
We feel that our time has arrived / Nós sentimos que nossa hora chegou
The world spins, while we put his dream together / O mundo gira, enquanto construímos o sonho dele
A tower of stone to take him straight to the sky / Uma torre de pedra para levá-lo diretamente ao céu
Oh I see his face! / Oh eu vejo o rosto dele!

Where is your star? / Onde está a sua estrela?
Is it far, is it far, is it far? / Está longe, está longe, está longe?
When do we leave? / Quando partimos?
Hey, I believe, I believe / Ei, eu acredito, eu acredito

In the heat and the rain / No calor e na chuva
With whips and chains / Com chicotes e correntes
Just to see him fly / Só para vê-lo voar
Too many die / Muitos morrem
We build a tower of stone / Nós construímos uma torre de pedra
With our flesh and bone / Com nossa carne e osso
To see him fly / Apenas para vê-lo voar
But we don't know why / Mas não sabemos por quê
Ooh, now where do we go? / Oh, agora para onde iremos?

solo

All eyes see the figure of the wizard / Todos os olhos observam a imagem do mago
As he climbs to the top of the world / Enquanto ele escala até o topo do mundo
No sound, as he falls instead of rising / Nenhum som, enquanto ele cai em vez de subir
Time standing still, then there's blood on the sand / O tempo continua parado, então há sangue na areia
Oh, I see his face! / Oh, eu vejo o rosto dele!

Where was your star? / Onde estava a sua estrela?
Was it far, was it far / Estava longe, estava longe?
When did we leave? / Quando partimos?
We believed, we believed, we believed / Nós acreditávamos, nós acreditávamos, nós acreditávamos

In heat and rain / No calor e na chuva
With the whips and chains / Com chicotes e correntes
To see him fly / Para vê-lo voar
So many died / Muitos morreram
We built a tower of stone / Nós construímos uma torre de pedra
With our flesh and bone / Com nossa carne e osso
To see him fly / Para vê-lo voar

But why / Mas por quê
In all the rain / Em toda a chuva
With all the chains / Com todas as correntes
Did so many die / Tantos morreram
Just to see him fly / Apenas para vê-lo voar?
Look at my flesh and bone / Olhe para minha carne e osso
Now, look, look, look, look, / Agora, olhe, olhe, olhe, olhe
Look at his tower of stone / Olhe para a torre de pedra dele
I see a rainbow rising / Eu vejo um arco-íris surgindo
Look there, on the horizon / Olhe lá, no horizonte
And I'm coming home, I'm coming home, I'm coming home / E eu estou voltando pra casa, estou voltando pra casa, estou voltando pra casa
Time is standing still / O tempo continua parado
He gave back my will / Ele me devolveu minha liberdade
Ooh, ooh, ooh, ooh
Going home / Indo pra casa
I'm going home / Estou indo pra casa
My eyes are bleeding / Meus olhos estão sangrando
And my heart is leaving here / E meu coração está deixando este lugar
But it's not home / Mas isto não é um lar
But it's not home / Mas isto não é um lar
Ooh
Take me back / Leve-me de volta
He gave me back my will / Ele me devolveu minha liberdade
Ooh, ooh, ooh, ooh
Going home / Indo pra casa
I'm going home / Estou indo pra casa
My eyes are bleeding / Meus olhos estão sangrando
And my heart is leaving here / E meu coração está deixando este lugar
But it's not home / Mas isto não é um lar
But it's not home / Mas isto não é um lar
Ooh
Take me back, take me back / Leve-me de volta, leve-me de volta
Back to my home, ooh, ooh, ooh / De volta para minha casa, ooh, ooh. ooh




Grandes álbuns do Prog-Rock: Kansas - "Point Of No Return" (1977)

 

Fundindo a complexidade do Prog Rock inglês com Hard Rock, o Kansas foi das bandas mais populares do final dos anos 70, com muitos de seus hits se tornando obrigatórios das playlists das rádios. Em 1969, Lynn Meredith (vocais), Don Montre e Dan Wright (tecladistas) e Kerry Livgren (guitarras) tocavam juntos numa banda chamada "The Reasons Why" em sua cidade natal Topeka, capital do estado do Kansas. Após mudarem o nome para "Saratoga", eles começaram a tocar composições próprias de Livgren. Em 1970, eles passaram o nome para "Kansas", ao mesclar membros com outra banda local chamada "White Clover", de onde viriam Dave Hope (baixo) e Phil Ehart (bateria). Somados a outro vocalista Greg Allen e ao saxofonista Larry Baker, esta formação pioneira do Kansas durou apenas até 1971, quando Ehart, Hope e Baker resolveram sair. Ehart foi substituído por Zeke Lowe e depois por Brad Schulz. Hope foi substituído por Rod Mikinski. Baker foi substituído por John Bolton. Em 1972, após Ehart retornar de viagem à Inglaterra, ele e Hope resolveram remontar o "White Clover" com Robby Steinhardt (violino, violoncelo, viola e vocais), Steve Walsh (teclados, percussões e vocais) e Rich Williams (guitarra ritmo). No início de 1973, esta turma do "White Clover" se juntou a Kerry Livgren, surgindo então uma nova versão do "Kansas".
Phil Ehart, Kerry Livgren, Steve Walsh, Rich Williams, Robby Steinhardt e Dave Hope
Eles conseguiram um contrato de gravação com o novo selo de Don Kirshner quando seu assistente, Wally Gold, ouviu uma demo tape da banda e veio conferi-los num show local, em mar/73.
O álbum de estreia, produzido por Wally Gold, foi lançado em mar/74, quase um ano após ser gravado no Record Plant, em NYC. Ele definiu o som "marca-registrada" da banda: uma mistura inusitada de Hard Rock com arranjos complexos Prog Rock. Este estranho híbrido mesclando pompa britânica, conceitos artísticos tenazes e Hard Rock para arenas, com um violino mais pronunciado do que a flauta no Jethro Tull, gerou espanto. Por outro lado, difícil não admirar flagrante ambição e determinação, afinal eram escalas, arpejos, órgãos dramáticos, vocais grandiloquentes, baladas majestosas. Tão baseado no Hard quanto no Prog, o grupo soava como uma cobra de duas cabeças, num som único. O material, quase todo composto por Livgren e Walsh, pegava canções das bandas anteriores deles. As canções de Livgren geralmente eram mais longas e mais elaboradas, cheias de letras místicas e interesse em religiões orientais. A capa retratava o abolicionista John Brown numa cena do "Tragic Prelude", um mural feito por John Steuart Curry, artista nativo do estado, pintado numa parede do Kansas State Capitol. Lentamente, eles foram desenvolvendo um público graças à promoção de Kirshner e às extensas turnês. "Songs For America", gravado no "Wally Heider Studios", em Los Angeles, CA, e lançado em fev/75, talvez seja o álbum mais Prog Rock do Kansas. Canções longas e orquestradas, tempos não usuais, diversos tipos de teclados, o violino em grande destaque entre as guitarras... as faixas mais curtas eram cheias de energia intensa, como em "Down The Road" e "The Devil Game", mas as mais longas devem ter cansado alguns ouvintes não tão determinados.
"Masque", lançado em out/75 e gravado no Studio in the Country, Bogalusa, Louisiana, foi o terceiro álbum e veio mais "dark", por conta das composições cada vez preocupadas e doloridas de Kerry Livgren. De certa forma, antecipou as melodias mais coesas e as interações instrumentais que viriam nos dois próximos discos (que juntos representariam o auge da banda). O violino de Robby Steinhardt certamente dava ao Kansas uma sonoridade bem própria. Na capa, as liner notes davam a entender que "Masque" era um álbum conceitual: "Um disfarce da realidade criado através de uma performance teatral e musical". A faixa "It Takes A Woman's Love (To Make A Man)" era a principal, porém atípica em relação ao resto do disco. Ela tratava sobre a solidão dos músicos na estrada. "Two Cents Worth" juntava culpa, tristeza e anseio espiritual, coisas bem pesadas para seis caras tão jovens. Em "Icarus-Borne On Wings Of Steel", as ambições Prog Rock do Kansas voltavam-se para letras mitológicas e arranjos densos cheios de guitarras e teclados. "All The World" era outra sobre solidão e morte, embora ela trouxesse um pouco de esperança. "Child Of Innocence" era Prog com pitadas Hard Rock. "Mysteries And Mayhem" era outra na mesma linha, ainda que cheia de imagens de pesadelos e referências bíblicas. E ainda havia o épico "The Pinnacle", com mais de nove minutos, fechando o disco. Foi certamente o álbum que fez com que o Kansas passasse a ser visto com respeito, pelo modo como incorporava Hard Rock e Prog Rock, além de se destacar na cena Progressiva como a única banda dos EUA digna de nota, no auge do gênero. "Leftoverture", de out/76, o quarto álbum, também gravado em Louisiana, foi o álbum da afirmação estilística. Um enigma de impenetrável significação cercado por uma suíte de cinco partes (apropriadamente chamada "Magnum Opus"). Nem dava para dizer se esta faixa, que fechava o álbum, tinha alguma relação com a que abria, "Carry On Wayward Son", o maior single que o Kansas jamais gravou, uma canção que lidava com pompa, poder, força e energia contagiante, tudo de uma só vez. Uma canção tão matadora que nada no resto do disco nem de longe rivalizava com seu impacto, ainda que sobrassem competência musical, boas canções, ambição artística Prog e o Hard Rock na base. O álbum foi um sucesso (chegou ao nº. 5 das paradas), mesmo com toda sua complexidade erudita (fruto do domínio composicional de Livgren, já que Walsh encontrava-se dedicando maior tempo ao ofício de escritor).
O trabalho seguinte seria ainda melhor. "Point Of Know Return", gravado no Woodland Sound, em Nashville, TN e também no Studio In The Country, de Bogalusa, Louisiana, foi lançado em out/77. Considerada a gravação definitiva do Kansas, ele trouxe a canção mais famosa da banda, "Dust In The Wind". Com o grupo no auge da forma, "Point Of Know Return" disparou ainda a faixa-título, que até hoje é tocada nas rádios. Enquanto a pegada melodiosa e voltada ao som de guitarras ajudou a definir o que hoje se chama Classic Rock, audições cuidadosas revelavam o talento da banda. Com arranjos e tempos típicos da música do Yes ou do ELP, eles não abandonavam o Prog Rock ("Paradox" e "The Spider" eram bons exemplos). Às vezes, a coisa não funcionava tão bem, mas tirando pequenas inconsistências e um som em certos momentos algo datado, as performances musicais eram cheias de enorme interação e virtuosismo. O disco bateu numa posição ainda mais alta nas paradas (o nº. 4 - aliás, "Leftoverture" e "Point", cada um, vendeu mais de 4 milhões de cópias só nos EUA). Tanto "Carry On Wayward Son" como "Dust In The Wind" venderam, como single, mais de um milhão de cópias, cada (mais de 30 anos depois, "Dust In The Wind" foi novamente certificada pela RIAA por vender mais de um milhão de cópias, agora em download digital). "Leftoverture" seria certificado com 5x Platina, em 2001. Nessa fase, o Kansas se tornou uma atração principal em qualquer evento que aparecesse e tocou em todas as melhores casas de shows disponíveis às bandas de Rock, incluindo no Madison Square Garden, em NYC.
A banda documentou esse auge no álbum "Two For The Show", lançado em out/78. Tratava-se de um álbum duplo com gravações ao vivo tiradas de apresentações feitas nas turnês de 77/78. Já considerada uma das melhores bandas norte-americanas, após a sequência de cinco álbuns de estúdio e vários sucessos no Top 20, a ideia de dar uma parada para um descanso e preencher o vazio com um álbum ao vivo fez todo sentido. "Two For The Show" era realmente alucinante, de explodir cabeças com seus épicos "Journey From Mariabronn" e "Magnum Opus", passando pelos hits obrigatórios como "Carry On Wayward Son" e "Dust In The Wind". Estávamos na era dos LPs duplos de vinil, e ainda que este não esteja no nível dos grandes do gênero, ele guarda particular atrativo. Com sólida reputação como ótima banda ao vivo e também por seus bons álbuns de estúdio, o Kansas embarcou numa turnê pela Europa, pela primeira vez (e chegaram até a ser nomeados embaixadores do UNICEF).