quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Steve Gunn – Way Out Weather (2014)


Way Out Weather, lançado a 7 de Outubro,de 2014 é um 

disco de Steve Gunn, talentoso guitarrista que no currículo conta já com colaborações com o histórico guitarrista Mike Cooper (lançaram juntos, este ano, um disco intitulado Cantos de Lisboa) e com um dos grandes nomes do rock contemporâneo: Kurt Vile – Gunn chegou a tocar na banda de apoio a Vile ao vivo, os Violators. As credenciais são, por si, esclarecedoras. Contudo com este Way Out Weather Steve Gunn dá um passo importante para assumir também ele um papel relevante na (boa) música americana e deixar de ser apenas «o rapaz que tocou com o Kurt Vile e fez um disco a solo».

Em Way Out Weather Gunn expande os horizontes, conseguindo proezas difíceis: ao misturar vários instrumentos, consegue que, tornando-se o som orgânico, ainda oiçamos claramente os seus dotes de guitarrista e alcança a criação de um universo musical próprio e heterogéneo: intimista, solar e relaxante mas, aqui e ali, também capaz de voar e acelerar o ritmo. O disco soa a um encontro imaginário entre o seu companheiro Kurt Vile, um desses guitarristas clássicos que todos os bons guitarristas conhecem, como John Fahey ou Townes van Zandt, por exemplo – se bem que paire também aqui o ritmo das canções de Bob Dylan – e uma banda como os Real Estate (pela criação desse ambiente relaxante, solar e viajante).

A dimensão das canções é uma das notas: este disco tem cerca de 43 minutos e apenas oito canções. Já imaginam a duração de cada tema, e bastará dizer que a mais curta ronda os quatro minutos; ou que, das outras sete, cinco ultrapassam os cinco minutos e meio. Outra nota que faço é relativa aos versos da canção. Talvez pela cada vez maior experiência a solo (de discos e de palco), Gunn vai aprimorando a sua técnica vocal e ao mesmo tempo vai criando temas onde os versos, cantados, soam cada vez melhor – as palavras ligam-se bem umas às outras, as rimas soam bem e conectam-se bem com a secção rítmica.

Todos os oito temas do disco têm uma qualidade muito alta. Na inaugural «Way Out Weather», tema-título, Steve Gunn mostra logo ao que vem: tema de dimensão superior a seis minutos, longo período instrumental no início (a voz só surge após quase dois minutos) e a criação desse universo relaxante, onde os acordes de guitarra se ouvem muito bem sobre um fundo algo distante. É um tema intimista muito bonito. «Wildwood» começa mais depurada e mantém um ritmo primordial constante – que nos soa clássico, talvez por relações com a canção tradicional americana –, mas ao qual os restantes instrumentos acrescentam variedade quando entram. «Milly’s Garden» é um single perfeito: nunca a voz de Steve Gunn soou tão perfeita, sob um instrumental com imenso groove, que se vai prolongando até subir o volume na intensidade certa – diga-se que há também por lá um solo de guitarra absolutamente incrível –, e um refrão que fica no ouvido («Your faith is savage / And your mind is damaged / You’re more than halfway there»). Steve Gunn é isto: imenso sentido melódico, grande capacidade de harmonizar os instrumentos e, acima de tudo isto, um virtuoso e pouco folclórico guitarrista, e esta é possivelmente a canção onde os seus dotes como guitarrista – a capacidade de variar o ritmo, a habilidade nos solos, etc – melhor se notam em todo o disco. Em «Drifter», a sexta canção, temos um tema mais eléctrico, de maior peso e intensidade, talvez até mais negro, mas onde a guitarra volta a ser magistralmente bem tocada. E há ainda “Tommy’s Congo”, a canção mais “marginal” do disco, com pitadas de blues e até krautrock e alguma hipnose e groove nos momentos certos.

Enfim, Way Out Weather é, definitivamente, um dos grandes discos de 2014, e Steve Gunn, com o que tem lançado (a já referida – boa – colaboração com Mike Cooper, este disco a solo e um disco, que sairá ainda este ano, onde toca com a banda do baterista que o acompanha) revela-se um dos mais prolíficos músicos do ano e uma das certezas do presente.



Conduit of Humanity – The Rook (2026)

 


Year of manufacture: 2026
Genre: Alternative / Progressive Rock / Crossover Prog
Country: USA

Tracklist:
01. Twin Peaks Rising (03:24)
02. Tangiers (05:01)
03. Regret (03:54)
04. How To Cry (04:05)
05. Dear Sweet Mean Boy (05:09)
06. New Realm (03:25)
07. One Way Bed (03:36)
08. Hopeful (03:56)
09. Portugal Song (04:19)
10. Rose Colored Glasses (05:32)
11. From (03:26)
12. To Only See You Lighter (04:39)
13. The Rook (08:45)

Line Up:
– Mei-Lee Chen / vocals
– Fred Jeske / guitar, vocals
– Joe Maydak/bass
– Jerry Pellizzer / drums
– David Ziegler / guitar, violins
– Zan McQuade / keyboards
– Jordon Zadorozny / background vocals

MUSICA&SOM☝


William D. Drake – Moulded By Industry (2026)

 


Year of manufacture: 2026
Genre: Progressive Rock / Classic Rock
Country: UK

Tracklist:
01. The Flickering Shade (03:58)
02. Bliss Again (05:53)
03. Green Shadows (04:32)
04. Turtledove (03:22)
05. A Vision (04:25)
06. The Storm (04:38)
07. Me Fish Bring (06:16)
08. Distant Hills (06:34)
09. Love in the Universe (05:11)

Line Up:
– William D. Drake / vocals, piano, harmonium, mellotron
– James Larcombe / vocals, hurdy gurdy, dulcitone, melodeon
– Dean Gaisburgh-Watkyn / bass, guitars, slide guitar
– Steve Jackson/drums
– Treana Morris / vocals

With:
– Ott/psych-dub audio mixing

MUSICA&SOM☝



Ashes of Autumn – The Darker Side of Now (2026)

 


Country: Australia
Genre: Hard Rock, Melodic Rock
Year: 2026

Tracklist:
1. Enemy (02:33)
2. All That You Have (04:49)
3. Little Bit Broken (04:12)
4. When it Comes (04:39)
5. Burn (02:56)
6. In the Dark (04:17)
7. 2020 (03:15)
8. Minor Issues (04:53)
9. Undone (04:46)
10. I Am More (03:40)
11. Forgiven (05:05)
12. Refuse to Break (Piano Version) (04:36)

MUSICA&SOM☝



Phil Lanzon (Uriah Heep) – Discografia– 2017-2026

 


Genre: Classic Rock
Country: United Kingdom (Broadstairs)
Year of release: 2017-2026

2017 “If You Think I’m Crazy!” (00:54:18)
2019 “48 Seconds” (00:55:20)
2026 “The Golden Door” (00:32:30)

MUSICA&SOM☝


ARKHE' Progressive Metal • Italy

 

ARKHE'

Progressive Metal • Italy

Biografia do Arkhe':
ARKHE' (que significa 'início/começo' em grego) foi uma banda italiana de metal progressivo de Milão, formada em 1994 e com curta duração. A banda lançou apenas um álbum completo (homônimo) em 1997, após uma demo em 1996. A última formação incluía três membros que posteriormente se juntariam a outras bandas italianas, sendo a mais famosa o TIME MACHINE: Claudio RIOTTI (bateria), Gianluca FERRO (guitarras) e Pino TOZZI (vocais); Michele BUZZETTI no baixo e Lorenzo MILANI nos teclados completavam a formação. Anteriormente, a bateria foi ocupada por Roberto RAGAZZO (ex-AMBERMOON) e Viviano CRIMELLA (ex-DARK AVENGER).

O Arkhe' é um exemplo típico do metal progressivo italiano de meados dos anos 90 e não deve decepcionar os fãs de LABYRINTH, TIME MACHINE, KHALI, etc.

Metal Progressivo Arkhe
Arkhe

 Uma banda italiana de prog metal de primeira linha, surgida em meados dos anos 90, com o nome grego Arkhe - que significa "início" - e um álbum homônimo lançado em 1997, muito sólido. Liderada pelo mestre da guitarra Gianluca Ferro (que mais tarde integraria bandas respeitadas de prog metal na Itália e em outros países, como Time Machine, Heart of Sun, além de ter uma carreira solo), ele conseguiu criar um som forte, repleto de passagens complexas e ideias geniais junto com seus companheiros. Quase desconhecidos nos círculos do prog metal, eles merecem muito mais do que aparentam. Para mim, é um lançamento incrível de prog metal, um dos melhores já feitos na Itália. Músicas longas e elaboradas, onde a guitarra e os teclados se destacam, as quatro primeiras faixas são matadoras, com destaque para "The Grey Falcon". O vocal é mais do que agradável e se encaixa perfeitamente nesse tipo de música. Difícil de encontrar hoje em dia, mas se você encontrar, recomendo fortemente essa pequena preciosidade, uma verdadeira joia no cenário do prog metal. Semelhante a, digamos, Time Machine, Madsword, Empty Tremor, etc. 4 estrelas, arte muito bonita.




ARKHAM Zeuhl • Belgium

 

ARKHAM

Zeuhl • Belgium

Biografia do Arkham:
O ARKHAM foi uma banda de rock progressivo do início dos anos 70, formada pelo tecladista Jean-Luc Manderlier, que mais tarde se juntaria ao MAGMA, o baterista Daniel Denis, que também tocaria no MAGMA e no UNIVERS ZERO, e o baterista Patrick Cogneaux. Como você já deve ter imaginado, a música deles lembra bastante os gigantes da vanguarda. Esse trio instrumental (teclados, baixo e bateria) nunca gravou um álbum oficial, embora gravações de seus muitos shows e ensaios entre 1970 e 1972 tenham resultado na compilação de um CD, lançado em 1994 pela Cuneiform.

O ARKHAM não é tão sombrio quanto o MAGMA ou o UNIVERS ZERO; suas nuances jazzísticas os aproximam um pouco mais do SOFT MACHINE. Os três músicos, que demonstram certa maturidade, claramente se entregam de corpo e alma ao longo do álbum, que exala uma intensidade inegável. O material, no entanto, não envelheceu muito bem – e não apenas tecnicamente falando. O espírito de improvisação e jams intensas que eram a força vital de tantas bandas semelhantes no início dos anos 70 soa tedioso e um pouco forçado hoje em dia. Por esse motivo, as faixas mais bem-sucedidas de "Arkham" são as mais curtas. O valor histórico deste CD não deve ser subestimado. Ele não só conquistou seu lugar na árvore genealógica do euro-prog, como também mostra um grupo de jovens músicos que não tinham medo de experimentar estilos musicais inusitados e foram os precursores de muitas coisas boas que viriam a seguir.


Arkham
Arkham Zeuhl


 Embora lançado em 1994, este é um álbum improvisado com faixas ao vivo/de ensaio de uma banda de organ-prog relativamente obscura que, apesar de conter nomes associados a Magma ou Univers Zero, provavelmente se encaixa vagamente na categoria Zeuhl e tem um estilo mais próximo ao de Canterbury. A qualidade do som do álbum (como se pode esperar de faixas gravadas ao vivo em pequenos locais na década de 1970) não é das melhores, com muito ruído difuso. "Upstairs in the Granery" e "Monolithic Progression with Anticipated Rupture" são duas faixas com influência de jazz que eu gostei bastante, principalmente por serem talvez as duas com a melhor qualidade de som. Infelizmente, a maior parte do resto do álbum é apenas ruído aleatório que soa como se tivesse sido gravado debaixo d'água.




A canção que previu a morte de Jimi Hendrix

 

Hendrix e Knight no palco do Cheetah, em NYC, mai/66.
Como qualquer fã de Rock que se preze sabe, a performance eletrizante de Jimi Hendrix no Monterey Pop Festival de jun/67 fez dele uma estrela. Porém, durante os anos que antecederam sua fama, Hendrix foi um sideman, tocando ao vivo e gravando no estúdio com artistas como Little Richard e Isley Brothers. Um cantor de R&B chamado Curtis Knight foi outro artista com quem Hendrix trabalhou, tornando-se parte da banda de apoio do cantor, os Squires, em 1965. Em out/65, Hendrix fez sua primeira sessão de gravação com Knight.
Nesse mesmo mês, Knight apresentou Hendrix a Ed Chalpin, um produtor que também possuía uma gravadora independente. Jimi então assinou um contrato de três anos com Chalpin por US$ 1 – uma decisão que, mais tarde, resultaria em grandes batalhas legais por Hendrix, que continuaram pelo resto de sua vida e por décadas após sua morte. Uma vez que Jimi atingiu o sucesso, Chalpin licenciou as músicas de Knight (nas quais Hendrix tocou) para uma infinidade de gravadoras que geraram singles e álbuns, posteriormente lançados em vários países.
Uma música chamada "Ballad of Jimi" estava frequentemente entre as faixas desses lançamentos, incluindo a edição de 1968 amplamente distribuída de "Get That Feeling" pela London Records. O LP foi creditado a "Jimi Hendrix and Curtis Knight" e apresentava uma foto de Hendrix tirada no Monterey Pop. Knight recebeu crédito de composição por "Ballad of Jimi", também conhecido como "Ballad of Jimmy" e "My Best Friend". A letra falava a respeito de uma garota que o cantor da música (Knight) e seu melhor amigo gostavam. A garota saía com o amigo, que morria em um acidente de carro no primeiro encontro. O cantor mais tarde se casava com a garota no 5º aniversário da morte de seu melhor amigo. Para a faixa, Jimi usou um pedal wah-wah e sua guitarra podia ser ouvida por toda parte. 


Hendrix acrescentou overdubs na gravação quando se reuniu com Knight e Chalpin para duas sessões (em jul e ago/67). Coisa realmente inconcebível, considerando que Chalpin estava na época tentando impedir legalmente o lançamento de mais álbuns do Jimi Hendrix Experience. A conversa de estúdio capturada em fita revelou Hendrix dizendo a Chalpin: "Você não pode usar meu nome", em relação às gravações que eles estavam fazendo ao que o produtor riu e disse a Jimi para não se preocupar com isso. Hendrix morreu em 18/set/70. No final daquele ano, "Ballad of Jimi" foi relançada como single. Após a morte de Jimi, Knight e Chalpin voltaram ao estúdio e recortaram o vocal de Knight (que não era particularmente bom em nenhuma versão) e as letras foram alteradas. O foco da música agora era o melhor amigo, Jimi/Jimmy, um guitarrista que previa sua própria morte ("Cinco anos, isso ele disse"). 
Como prova de que a faixa havia sido gravada cinco anos antes do falecimento de Hendrix, uma suposta cópia do registro da sessão foi incluída numa prensagem alemã da "Ballad of Jimi". Para além de todo o sentimento ruim e de desgosto desta gravação, existem alguns "buracos" nesta história toda. Em primeiro lugar, Hendrix entrou em estúdio com Knight e Chalpin em out/65, semanas após a data de 18 de setembro. Em segundo lugar, “Ballad of Jimi” já havia lançada há alguns anos, com letras significativamente diferentes. Em terceiro lugar, o pedal wah-wah não chegou ao mercado até o início de 1967 – bem depois da data reivindicada de 1965. A "Experience Hendrix", empresa de propriedade e operada pela família Hendrix, hoje tem os direitos não apenas das gravações de Curtis Knight em que Jimi tocou, mas de todas as fitas que eram controladas por Ed Chalpin. Vou terminar com mais algumas fotos da sessão de jul/67:

Grandes canções: Franz Ferdinand - "Take Me Out" (2004)

 

"Take Me Out", canção da banda escocesa Franz Ferdinand, foi lançada como segundo single, antes mesmo do surgimento do famoso álbum de estreia (o single saiu em jan/2004 e o álbum em fev/2004, isto no Reino Unido, porque nos EUA ele só saiu em abr/2004). O single alcançou o nº. 1 das paradas britânicas e o nº. 3 nos EUA. O Franz Ferdinand foi formado em Glasgow, em 2002, e "Take Me Out" foi composta no ano seguinte. O compositor Alex Kapranos contou que a ideia do tema da canção veio de um duelo entre atiradores que ele assistiu no filme "Enemy At The Gates" (no BR, "Círculo de Fogo", de 2001) e que "parecia uma metáfora muito boa para o tipo de situações românticas em que às vezes nos encontramos". Na época, a canção foi idolatrada como o renascimento do Pós-Punk (mas há ali Indie Rock, Dance Rock, Garage Rock e até Art Rock). Ela é basicamente dividida em duas partes: a primeira sob direção da guitarra em ritmo rápido e uma segunda mais lenta e com padrões Disco. A banda tentou arranjos bem diferentes antes de se decidir pelo formato final. O riff de guitarra, do tipo chamada e resposta, foi inspirado no bluesman Howlin' Wolf. Kapranos contou: "Os versos soaram melhor quando tocamos um pouco mais rápido e o refrão soou melhor quando tocamos um pouco mais devagar e nunca conseguimos resolver isto... Eu tive essa ideia de pegar todos os versos, colocá-los no início da música e então diminuir a velocidade e tocar todos os refrões, o que é meio que a maneira errada de fazer a coisa". A canção foi gravada no Gula Studion em Malmö, Suécia, com o produtor Tore Johansson. As mudanças de tempo foram gravadas ao vivo no estúdio. O som do prato sendo capturado assim que batido foi uma influência de bandas como o Queen. Johansson disse: "não houve edição além de compilarmos a melhor tomada. Não fizemos nenhum truque de fazer isso em uma tomada diferente e depois fazer o resto da faixa". Johansson usou múltiplos efeitos de eco para obter uma "sensação de marcha, máquinas, algo industrial... Foi muito orgânico, mas queríamos que soasse como se você estivesse em uma grande oficina ou algo assim". "Take Me Out" é, sem dúvida, uma das obras-primas do século 21 no Rock. Diversas revistas especializadas já a incluíram em listas de melhores, inclusive a Rolling Stone que a colocou em sua lista de "The 500 Greatest Songs of All Time".

Take Me Out / Tire-me Daqui
So, if you're lonely / Então, se você estiver solitário
You know I'm here waiting for you / Você sabe que estou aqui esperando por você
I'm just a crosshair / Eu sou só uma mira
I'm just a shot away from you / Eu estou apenas a um tiro de distância de você

And if you leave here / E se você partir daqui
You leave me broken, shattered I lie / Vai me deixar arruinado, estarei despedaçado
I'm just a crosshair / Eu sou só uma mira
I'm just a shot, then we can die / Eu sou apenas um tiro, depois nós podemos morrer

I know I won't be leaving here / Eu sei que não partirei daqui
With you / Com você

I say: Don't you know? / Eu digo: Você não sabe?
You say you don't know / Você diz que não sabe
I say: Take me out / Eu digo: Tire-me daqui

I say you don't show / Eu digo que você não demonstra
Don't move, time is slow / Não se mexa, o tempo é lento
I say: Take me out / Eu digo: Tire-me daqui

I say you don't know / Eu digo que você não entende
You say you don't go / Você diz que você não vai
I say: Take me out / Eu digo: tire-me daqui

If I move, this could die / Se eu me mexer, isso poderia morrer
If eyes move, this could die / Se olhos se moverem, isso pode morrer
I want you to take me out / Quero que você para me tirar daqui

I know I won't be leaving here (with you) / Eu sei que não partirei daqui (com você)
I know I won't be leaving here (with you) / Eu sei que não partirei daqui (com você)
I know I won't be leaving here (with you) / Eu sei que não partirei daqui (com você)
I know I won't be leaving here with you / Eu sei que não partirei daqui com você

I say: Don't you know? / Eu digo: Você não sabe?
You say you don't know / Você diz que não sabe
I say: Take me out / Eu digo: tire-me daqui

If I wane, this could die / Se eu abaixar, isso poderia morrer
If I wait, this could die / Se eu esperar, isso poderia morrer
I want you to take me out / Quero que você me tire daqui


If I move, this could die / Se eu mexer, isso poderia morrer
If eyes move, this can die / Se olhos se moverem, isso poderia morrer
Come on, take me out / Vamos lá, me tire daqui

I know I won't be leaving here (with you) / Eu sei que não vou embora daqui (com você)
Oh, I know I won't be leaving here (with you) / Oh, eu sei que não vou embora daqui (com você)
I know I won't be leaving here (with you) / Eu sei que não vou embora daqui (com você)
I know I won't be leaving here with you / Eu sei que não vou embora daqui com você



Quicksilver Messenger Service: banda psicodélica exemplo do som de San Francisco

 

O Quicksilver Messenger Service foi uma banda de Rock Psicodélico formada em 1965 em San Francisco/CA. Alcançou enorme popularidade na Bay Area de SF, conquistou fãs entusiasmados, fez parte de uma onda de bandas que miravam sua produção nos álbuns (LPs) e, apesar de não ter se tornado tão bem sucedida quando seus contemporâneos do Jefferson Airplane e Grateful Dead, foi essencial no início do movimento, com suas influências jazzísticas e eruditas, e todo um forte background na Folk Music, e acabou tipificando a maior parte do estilo, atitude e sonoridade daquela época. Hoje, revisitaremos a história do QMS. Há muito confusão e desinformação quanto à verdadeira origem da banda.
Foi Dino Valenti (nome real: Chester William Powers, Jr.), um cantor/compositor Folk, quem concebeu o grupo como um veículo para seu trabalho. A ideia era todos usarem violões, vestirem jaquetas de couro, algumas garotas e uma seção rítmica e todos vestidos como índios americanos tocando instrumentos de percussão. Valenti era natural de Danbury, Connecticut, serviu na força aérea dos EUA, tocou em cafés de Boston e Provincetown, Massachusetts, tocou em pequenas bandas naqueles seis estados da "New England", no início dos anos 60 migrou para NYC e passou a se apresentar em cafés do Greenwich Village (o famoso Cafe Wha? entre eles) no auge do revival da Folk Music norte-americana. Devido a pressão por adquirir a licença para tocar, em 63 migrou para Los Angeles. Foi aí que compôs "Let's Get Together", um hino do Peace & Love por excelência (a canção só ganharia gravação com The Kingston Trio em mar/64 e depois no álbum de estreia dos Youngbloods, para enorme sucesso, em 67). Dali, Valenti subiu para San Francisco onde tentou gravações para a Autumn Records. Ficou amigo de Roger McGuinn (antes do The Byrds) e foi, neste momento, que Valenti montou a sua banda de apoio acima referida, em 1964. A formação era John Cipollina (guitarras), Jim Murray (vocais), David Freiberg (baixo, uma amigo de Valenti), Greg Elmore (bateria) e Gary Duncan (guitarras). Ainda não se chamava Quicksilver Messenger Service, mas os planos ruíram quando Valenti foi preso por posse de drogas. Ele já havia sido vítima de outras prisões deste tipo, mas a polícia o monitorou e encontrou maconha e anfetaminas (inclusive, com ele preso, revistaram seu apartamento e encontraram mais drogas). Ele recebeu sentença de dois anos de reclusão a ser cumprida na Folsom State Prison. Para pagar sua defesa, ele teve que vender os direitos de "Let's Get Together" para o empresário dos The Kingston Trio. Dino Valenti não chegou nem a ensaiar com a banda! Aliás, o primeiro ensaio estava programado para a noite em que Valenti foi preso!
David Freiberg, Greg Elmore, Gary Duncan, John Cipollina e Jim Murray
A banda então começou a ensaiar por si só no Matrix, restaurante transformado em clube por Marty Balin (na época organizando o Jefferson Airplane). Jim Murray e David Freiberg é que criaram o nome Quicksilver Messenger Service. Cipollina explicou: "Jim e David faziam aniversário no mesmo dia. Gary e Greg também faziam aniversário em outro mesmo dia. Todos nós éramos virginianos e Jim era geminiano. E Virgem e Gêmeos são regidos pelo planeta Mercúrio. Outro nome para Mercúrio é 'quicksilver', o mensageiro dos deuses. Virgem é o servo. David disse 'Oh, quicksilver messenger service'". O empresariamento inicial do grupo ficou com Ambrose Hollingworth (que ficaria paraplégico num acidente de carro em 67) e depois foi transferida a Ron Polte. O QMS estreou no final de 1965 e passou a tocar, primeiro em toda a Bay Area, mas depois em toda a West Coast nos dois anos seguintes construindo uma grande base de fãs, mas resistindo às ofertas para gravações (não queria se comprometer) que haviam sido aceitas aos seus colegas de Acid Rock de SF como Jefferson Airplane e Grateful Dead. Eles se apresentaram no Monterey International Pop Festival em jun/67 e Jim Murray saiu da banda não muito depois. Vamos recordar:

Neste momento, como quarteto, passaram por um período de turnês pesadas na costa oeste, tocando em espaços famosos como no Avalon Ballroom e no Fillmore West. Owsley Stanley (inventor, engenheiro e químico do LSD) gravou regularmente concertos da banda durante esta fase (66-67, que depois seriam lançados comercialmente pelo selo Bear Recordings). O QMS acabou assinando com a Capitol Records no final de 67, tornando-se a última das bandas de SF a se filiar a uma grande gravadora. Como a Capitol foi a única que perdeu oportunidade de contratar uma boa banda "hippie" de SF, isto fez com que o QMS conseguisse negociar um contrato melhor do que seus pares (a Capitol também assinou com a Steve Miller Band, com quem o QMS apareceu no filme "Revolution", junto com o Mother Earth).
O QMS então lançou seu álbum de estreia homônimo em mai/68. Foi um disco mais contido (dada a reputação de longas jams nos shows) e mais Folk do que os fãs esperavam. Entretanto, o repertório era muito forte e poderoso com ênfase num Folk-Rock melódico. Destaques incluíam o cover "Pride Of Man" (do cantor Folk Hamilton Camp), provavelmente a melhor gravação deles em estúdio, "Light Your Windows", a melhor composição original do grupo e "Dino's Song", composição do fundador Dino Valenti (que estava preso ainda), "Gold and Silver", uma sensacional jam instrumental e "The Fool" e seus doze minutos refletindo o auge da era psicodélica.
Este álbum foi seguindo por "Happy Trails", lançado em mar/69 e amplamente gravado ao vivo no Fillmore East e no Fillmore West. Era um trabalho mais preciso em retratar a banda em suas aclamadas (por imprensa e fãs) performances nos palcos. Essencialmente centrado nas versões estendidas para "Who Do You Love?" (25 minutos, todo o lado 1) e "Mona" (quase 7 minutos), ambas de Bo Diddley, assim como na canção "Calvary", do guitarrista Gary Duncan, não menos intensa. Foi o último álbum a trazer a encarnação original do QMS. Os esforços do quarteto Cipollina-Elmore-Freiberg-Duncan mantinham a incrível capacidade de tocar com a frouxidão psicodélica de espírito, sem se deixar ficar chato ou pretensioso. "Who Do You Love?" era épica, com introdução e coda, bem com quatro partes com destaque para cada membro da banda. Inventividade, ótimo instrumental, interações quase telepáticas permitiam que eles entrassem e saíssem do tema principal. Nas outras canções do disco, o esquema era o mesmo, o tempo todo cada músico ocupando a ribalta com solos sensacionais. Aqui, o QMS era uma unidade coesa, memorável, capaz de evocar espíritos sonoros de uma maneira diferente de qualquer um dos seus contemporâneos da Bay Area. "Maiden of the Cancer Moon" era outro grande exemplo disto tudo. Energia, fraseados técnicos, virtuosismo... um fabuloso quarteto de psicodelia no seu absoluto auge. Como a maioria dos álbuns ao vivo da época, "Happy Trails" teve overdubs e suas duas últimas canções eram gravações de estúdio. Ainda assim, permanece como uma reprodução das mais precisas das aclamadas apresentações ao vivo da banda. Aliás, esses dois primeiros do QMS já foram considerados como "dois dos melhores exemplos do som de San Francisco em sua forma mais pura...", enfatizando arranjos estendidos e improvisação fluída de duas guitarras. O estilo solo altamente melódico e individual de Cipollina combinado com a escala menor da guitarra de Gary Duncan (tocando uma guitarra jazzística) resultou num contraste claro e notável ao som fortemente amplificado e sobrecarregado de contemporâneos como Cream e Jimi Hendrix.
Duncan e Cipollina
Duncan deixou o grupo pouco depois da gravação de "Happy Trails", em grande parte por causa de seus crescentes problemas com opiáceos e anfetaminas. Suas últimas gravações com a banda foram as faixas de estúdio do álbum e uma apresentação na véspera da virada de 68/69. A saída de Duncan, claro, abalou o núcleo da banda.
Ele era uma espécie de motor, sem ele não funcionaria a coisa toda, mas para o trabalho seguinte, "Shady Grove", de dez/69, ele foi substituído pelo renomado tecladista inglês Nicky Hopkins (que já havia tocado em dezenas de álbuns de sucesso de bandas como Kinks, Rolling Stones, The Who, Jeff Beck Group, Steve Miller etc.). Seu virtuoso piano boogie acaba dominando o álbum e dando um som único dentro do catálogo do QMS. Um disco bem diferente com faixas mais curtas em oposição às longas jams. A banda incorporou vários estilos diferentes (Country'n'Western, Folk, orquestração leve, valsa de cowboy) num esforço desigual. Depois disso, Gary Duncan e Dino Valenti (libertado da prisão) retornaram à banda, que virou um sexteto (mantendo Hopkins). "Just For Love" (de ago/70) e "What About Me" (de dez/70) foram gravados simultaneamente no Havaí, numa abordagem indisciplinada e muitas horas de estúdio (o grupo tinha contrato que permitia tempo ilimitado de estúdio sem nenhum produtor da Capitol presente - é mole?). Valenti assumiu os vocais sob pseudônimo de Jesse Oris Farrow e se tornou o principal compositor, mas com uma sonoridade totalmente diferente. Agora, o QMS era o que deveria ter sido com seu mentor, mas o irônico disso é que ficou pior, mais Pop. Finalmente, o grupo tornava-se apoio para Valenti. Esqueça improvisações longas e fluídas que haviam prevalecido nos dois primeiros discos. Chocante. Ainda assim, os dois discos venderam relativamente bem e produziram o single de sucesso "Fresh Air".
John Cipollina e Nicky Hopkins resolveram sair e o QMS continuou com Gary Duncan, Greg Elmore, Dino Valenti e David Freiberg até set/71, quando Freiberg foi preso por porte de maconha. Ele foi substituído por Mark Ryan. O tecladista Makr Naftalin também entrou. Esta formação gravou dois álbuns sem sucesso, "Quicksilver" (de nov/71) e "Comin' Thru" (de 72), e isto fez com que perdessem o contrato de gravações. Agora, amplamente veículo acessório para Valenti e Duncan, o grupo continuou a excursionar esporadicamente nos dois anos seguintes. A banda acabou em 75. Curiosamente, ainda em 75, Elmore, Duncan, Valenti, Freiberg e Cipollina gravaram um álbum de reunião da formação clássica, "Solid Silver". Foi uma reunião e não uma continuação do trabalho anterior. O resultado às vezes foi glorioso, tão bom quanto no auge (a assombrosa "Cowboy On The Run" por si só valia o disco). Na maior parte, havia o Acid Rock que lhes deu fama, mas havia também o Folk-Rock dos últimos dias. Foi um fracasso comercial, mas não pela qualidade, mas em 75 soou como algo ultrapassado. Entretanto, era o tipo de som exato para a banda.