Fever to Tell trouxe à onda revivalista rock de início de século um lado mais glam, de artifício e purpurina que as restantes bandas não tinham.
O Setembro de 2001, para além do dia 11 de má memória para os americanos, trouxe também outra explosão – a revitalização do rock que teve como epicentro Is This It. Pareceu que o mundo ia de facto mudar do dia para a noite, e todos voltaríamos a dançar rock nas discotecas até ao amanhecer pelo resto das nossas vidas, mas o que é facto é que a coisa não foi instantânea.
Em 2002 houve aqui e ali alguns fogachos de bandas que apareceram nesta senda, mas chegámos ao fim do ano e não guardámos na memória mais que uma mão cheia de discos realmente pertinentes e duradouros nos tempo (Libertines – Up the Bracket; Broken Social Scene – You Forgot it in People; Interpol – Turn on the Bright Lights; Wilco – Yankee Hotel Foxtrot) dos que se podem inserir neste rótulo indie rock.
Também 2003 não foi estrondoso em termos de desenvolvimento deste novo galho da árvore rock, entretanto já dois anos se tinham passado da explosão isthisitiana e no ar pairava a dúvida sobre a sustentabilidade e durabilidade do mesmo. Entre os melhores do ano encontram-se nomes como The Wrens, The Books, Ted Leo & the Pharmacists, M83, Prefuse 73, The Darkness (credo), e mais algumas bandas que desde 2003 ninguém ouve. Foi preciso que os grandes responsáveis pelo movimento, White Stripes e Strokes, se chegassem à frente novamente para forçar a barra, no caso dos primeiros com o sublime Elephant, no dos segundos com um intenso e bem esgalhado segundo disco Room on Fire. A eles juntou-se uma frente nova-iorquina com vontade de aproveitar o embalo e levar o rock para a pista de dança, constituída pelos Yeah Yeah Yeahs e os Rapture. Echoes foi um estrondo, com “House of Jealous Lovers” a conquistar a anca assim que chegava ao ouvido. E depois houve Fever to Tell.
Começou-se a ouvir falar em Nova Iorque de uns miúdos de artes que se juntaram para fazer música punk, aqui e ali a aparecer nas primeiras partes de Strokes e White Stripes, a fazerem tour na Europa com Jon Spencer Blues Explosion, mas mais pela pose, que miúdos de arte tanto gostam, do que pela música feita – assim surgiram os Yeah Yeah Yeahs. Karen Orzelek deu corpo a Karen O, figura de ícone de rock pastiche como afirmação, roupas extravagantes muito glam, banhos de cerveja nos concertos, acompanhada por um tipo que se achava com muito estilo só porque tocava guitarra numa banda. Dizem as más línguas que as performances dos primeiros tempos mais pareciam circo do que concerto. E depois houve Fever to Tell.
Com o lançamento do primeiro álbum, a banda realmente mostrou que era mais do que a imagem que tinham criado, havia substância na música, havia pungência nas letras, havia ganas de abanar a pista de dança. “Date with a Night”, “Pin”, “Tick” são canções às quais é simplesmente impossível não reagir, sendo que para mim “Y Control” é mesmo a canção mais bem esgalhada neste equilíbrio rock para a pista. E em cima disto tudo, há a tal pungência acima referida, na canção suprassumo do disco – “Maps”. Mostra a banda e a sua líder Karen O despida de artifícios, esvaindo-se da dor num contundente “Wait! They don’t love you like I love you”.
Depois vieram muitas outras bandas dar maior solidez ao rock alternativo que dominou a década, casos de The Walkmen, Arcade Fire, The National, TV on the Radio, Vampire Weekend, Arctic Monkeys, Bloc Party, Franz Ferdinand, mas em 2003 foram os Yeah Yeahs a carregar a tocha olímpica. E que bem que o fizeram.
Wilson Simonal foi um cantor, artista e showman que fez muito sucesso nos anos 60, trazendo muita carisma, alegria ao povo e ótimas músicas que são arrebatadoras, muitas foram arrasa-quarteirão. Porém, sua carreira foi repentinamente abalada por causa de um infame incidente no qual se dizia que ele era um informante na era da ditadura militar nos anos 60, 70 (o que eu acho, particularmente, uma mentira, ou o que o povo chama de 'fake news'). Com esses problemas, isso fez a carreira dele ser diminuída, os holofotes não estavam mais nele, o cara que antes era o sorriso pra galera, se tornou a lágrima pro povo.
Todos estes acontecimentos se deram por volta do final dos anos 60', e ao longo dos anos 70, então isso fez o Simonal perder a fama e acabar sendo esquecido com o tempo por toda a cultura brasileira. Mas, mesmo com esses infames acontecimentos, Simonal tentou perserverar durante os Anos 70, discos incríveis que podem ser até mesmo clássicos (apesar de não tão populares e conhecidos pelo público, são jóias raras sim da música brasileira!!!)
E a propósito, um desses clássicos é exatamente esse daqui. O Wilson Simonal tinha lançado um disco em 1970 chamado de 'Simonal', uma obra-prima, e logo no ano seguinte ele lança o 'Jóia, Jóia' que é um disco muito bom, mas não chega à altura de ser um sucessor do álbum de '70, mas 'Se Dependesse de Mim' de 1972, esse sim consegue chegar aos pés de ser um sucessor à altura!
Agora, uma coisa que eu não entendo é Como o público ignorou esse disco tão belíssimo? Dizem que o ano de 1972 tiveram muitos discos ignorados pelo público, como o "Tim Maia '72" e "Quem Sou Eu?" de Ivan Lins, são discos maravilhosos mas que não cativou o público (Que ano estranho esse de 1972!).
Se Dependesse de Mim é um disco que eu visualizo como a atualização certeira do Wilson Simonal para a época que foi lançado. Por vezes o Simona lançava certas coisas meio datadas pra época e demorava um tempo pra se atualizar as tendências. Tudo bem que nem sempre as tendências da época são as melhores, mas nos anos 70 elas eram! Por isso quando o Wilson Simonal se entregava cada vez mais pro Funk e a Soul Music, a coisa evoluía de patamar. E isso tudo foi começando aos poucos nas séries de discos "Alegria, Alegria” e com uma maior entrega nos discos "Mexico '70" e "Simonal". Neste disco, ele se embala de vez nos gêneros e crescendo ainda mais as influências de samba e samba-rock, que já havia trago no disco anterior, músicas como 'Feitio de Oração', 'Ninguém Tasca' e 'Quarto de Tereza' provam isso com maestria. E a gama de influências e músicas de diversos compositores que o Wilson Simonal traz é surpreendente, 'Noves Fora' é uma composição do Fagner e Belchior, interpretada por muitos (A que eu conheço além do Simona é a da Elis Regina, mas pra mim a melhor é a dele, sem dúvidas!), 'Irmãos de Sol' que é uma composição dos irmãos Valle, que traz uma viola cintilante com um ar de nostalgia, como se fosse uma viagem ao interior, belíssima!
Os arranjos nesse disco também são os melhores, feitos pelo Sérgio Carvalho, devo dizer que ele soube pontuar bem cada música pro Simonal, e eu tenho que te avisar Wilson Simonal já trabalhou com grandes nomes da música que fizeram arranjos pra ele, e tem que ser mestre pra trabalhar direito nos arranjos das músicas dele. Foi feito o acompanhamento certeiro pra voz do Simonal e a base instrumental que soube mandar bem no groove e no swing das músicas.
Wilson Simonal trouxe de tudo pra esse disco, inclusive uma música excelente chamada "Glória e Paz Nas Alturas", de Tony Osanah, que traz uma música na perspectiva de "um certo cara que fez sacrifícios pela humanidade", achei muito top(!), tudo desde o instrumental à interpretação do Simonal na música, e aquela intro... Caramba! Coisa que só o Simonal sabia fazer. Também há outras músicas tão incríveis como "Mexerico de Candinha" de Roberto e Erasmo Carlos, num groove funkeado que só o Simonal pra conduzir e arrebentar, e de sobra ainda tem "Expresso 2222" do Gilberto Gil, que cá entre nós eu prefiro (UM MILHÃO DE VEZES!!!) a versão do Simona!
O Wilson Simonal ainda faz uma coisa que eu gostei muito, que é trazer uma composição própria chamada de "A Quem Interessar Possa" (com parceria de Luiz Claudio Ramos), que é uma música onde ele abre o coração sobre não conseguir ser o maior poeta do mundo, mas mesmo assim tentar abrir o peito pra cantar e compor uma música especial para alguém especial, isso é uma prova que o cara se entregou mesmo nesse disco. Eu sou vidrado nessa música, ela é linda e ainda com uma intro de violão de fazer qualquer lágrima arranjar um plano de fuga dos olhos. Ele finaliza o disco com a música "Não Me Deixe Sozinho", que na primeira vez que eu ouvi me veio a mente a Nossa Queridíssima Alcione, talvez pelo estilo balada mais lenta e bem mais romântica sofrida tenha me feito pensar isso, contudo isso não interfere em nada na experiência, música arrebatadora e ainda numa harmonia maravilhosa num cantarolar magnífico do nosso fantástico Simonal!
Como eu já mencionei esse disco foi esquecido pelo público em geral e está meio apagado na discografia do Simonal, por isso vocês não encontrarão este disco nas plataformas de streaming de forma alguma, a menos que procurem no Youtube ou comprem o Vinil, é coisa rara. Mas com tudo isso, ainda acho que esse achado vai ver a luz do dia e vai ressoar nos ouvidos de muita gente ainda, por isso desfrutem mesmo quando ouvirem esse disco, vão encontrar tesouros que nenhum outro artista foi capaz de mostrar. Wilson Simonal ainda continuaria a lançar mais discos pela frente, mas nem preciso dizer que esse daqui tem um brilho especial além dos outros!
Considero a banda estadunidense de rock progressivo sinfônico, Spock’s Beard, um grupo de pouquíssimos erros durante os seus 30 anos de carreira e 13 discos lançados até hoje, porém, V é um acerto único, algo que a banda até hoje nunca conseguiu igualar – embora muitas pessoas considerem Snow ou The Light a grande obra-prima do grupo. Aqui a banda conseguiu unir de forma perfeita, melodias à lá Genesis, misturado a um talento musical encontrado no Yes e Emerson, Lake & Palmer, além de uma ferocidade crimsoniana e uma sofisticação encontrada em sons do Alan Parsons, tudo isso dentro de uma incrível proficiência instrumental extremamente criativa para que tudo fosse feito da forma mais acertada possível. V é sem dúvida uma verdadeira maravilha do rock progressivo moderno, misturando com maestria músicas de sonoridade até mesmo de pop-rock curtas com épicos cheio de pompas, de musicalidade riquíssima, além de sinfônico e extremamente artístico, desenvolvida de uma maneira calorosa e agradável.
“At The End Of The Day” é a peça que abre o disco e também a minha preferida de todo o catálogo da banda. Começa muito bem em um clima de música ambiente e com alguns sons suaves de teclados e mellotron. Até as letras são excelentes, algo que nunca considerei um dos pontos fortes da banda. Possui solos maravilhosos de órgão e de guitarra em determinados pontos que fazem com que a temperatura da peça aumente consideravelmente. De arranjo perfeito, possui cada uma de suas seções muito bem entrelaçadas. As melodias vocais são edificantes e as texturas da faixa – principalmente o trabalho de mellotron de Okumolto – remete o ouvinte facilmente ao rock progressivo dos anos 70 embalado em um som muito mais moderno. Uma peça perfeita.
“Revelation” direciona o disco para uma linha mais suave e agradável - ainda que o refrão soa em uma pegada hard rock. De ideias até mesmo espaciais devido a exploração feita pelas teclas, flui muito bem do começo ao fim dentro dessa variação de bonança e tempestade. Mesmo que às vezes pareça um pouco arrastada demais, no geral é uma música excelente. “Thoughts (Part II)” é aquele tipo de música que sugere uma sonoridade ao melhor estilo Gentle Giant, por meio de muitos vocais e musicalidade meio estranha. A bateria é maravilhosa e possui algumas explorações orquestrais em algumas de suas transições. Uma peça feita principalmente para aquele fã de Gentle Giant que quer ver o tipo de som da banda invadindo um progressivo moderno, porém, entusiastas de Kansas também podem se encontrar bastante acolhidos aqui.
“All On A Sunday”, é uma peça bastante simples, um número pop, mas extremamente agradável, com destaque para o excelente trabalho de órgão/teclado que às vezes remete um pouco aos encontrados no Procol Harum. A peça mais unilateral do disco, quase sem variação. Eu a colocaria facilmente na trilha sonora de alguma comédia romântica. “Goodbye To Yesterday” é mais uma balada muito bonita. Belíssimo violão, Morse cantando em sua área de conforto onde eu sempre achei mais interessante e uma linha de baixo singela, mas muito bem incorporada à música. O lindo mellotron de fundo também merece menção.
“The Great Nothing”, com os seus 27 minutos é o grande épico que finaliza V. Existe um problema que me fez não ter nessa peça uma primeira impressão tão forte quanto na que abre o disco, a sua falta de fluxo entre as suas seções, as coisas não fluem com muita facilidade e acaba deixando uma sensação de que 27 minutos foi algo bastante exagerado – lembrando que o tamanho de uma música nunca foi problema pra mim. Mas mesmo assim, existe muito o que aproveitar aqui durante as suas 6 seções. Interlúdio acústico com duas vozes antes de uma bela explosão de guitarra – que foi muito bem explorada durante toda a faixa - e sintetizador, efeitos sonoros imersos em ótimos riffs de baixo e uma comovente seção de órgão, mostrando uma música antes suave se transformando em algo intermitente durante uma de suas transições. Ainda que, como eu disse, o fluxo musical não aconteça de uma maneira memorável - assim como não haja melodias vocais boas o suficiente para grudar na cabeça -, a peça continua a ser um épico que oferece uma grande variedade de estilos e sons/efeitos explorando todos os talentos que a banda possui.
Facilmente um dos 10 melhores discos de rock progressivo sinfônico moderno – leia-se 1991 em diante -, mesmo não sendo exatamente perfeito devido a alguns ajustes que eu acho que deveriam ter sido feitos na última faixa. No geral, V entrega músicas dinâmicas, bem-produzidas, bem escritas e executadas por músicos extremamente habilidosos.
Marisa Monte iniciou a década de 1990 com popularidade em alta graças ao sucesso comercial do álbum Mais, seu segundo álbum, e o primeiro de estúdio, já que o seu primeiro álbum, MM (1989), foi gravado ao vivo. Com mais de 700 mil cópias vendidas, Mais conquistou o gosto do grande público com sua sonoridade pop sofisticada e embalado por canções como “Beija Eu”, “Volta Para O Seu Lar”, “Ainda Lembro” (dueto de Marisa com Ed Motta) e “Eu Sei (Na Mira) ”. Assim como o álbum, a turnê de Mais foi muito bem sucedida, chegando ao fim em 1992.
Quem imaginou que Marisa engataria um novo álbum imediatamente após o sucesso de Mais, enganou-se. Marisa passou pouco mais de um ano participando de encontros musicais e colaborações com outros artistas, e que acabariam influenciando mais adiante na concepção do próximo álbum da cantora carioca.
Em agosto de 1992, Marisa dividiu o palco num show com os Titãs no Riocentro, no Rio de Janeiro, onde cantou “Umbabarauma”, de Jorge Ben Jor, e “Panis Et Circensis”, de Caetano e Gilberto.
Capa do álbum Mais.
No ano seguinte, em 1993, cantou com Laurie Anderson no Knitting Factory, em Nova York, nascendo daí uma amizade entre as duas artistas. Ainda em 1993, em abril, participa das gravações do primeiro álbum solo de Arnaldo Antunes, Nome, cantando em quatro faixas. Dois meses depois, foi a convidada do show do violonista Raphael Rabello (1962-1995) e do cantor Paulinho da Viola, no Olympia, em São Paulo. Ao participar de saraus no Rio de Janeiro, conhece o legendário conjunto Época de Ouro, grupo regional que acompanhava Jacob do Bandolim (1918-1969). Em novembro do mesmo ano, Marisa é convida do show de Gilberto Gil em Munique, Alemanha, onde canta “Dança da Solidão” (de Paulinho d Viola), e “Balança A Pema” (Jorge Bem Jor), duas canções que a cantora gravaria para o seu próximo disco.
Em janeiro de 1994, Marisa Monte e o ainda integrante dos Titãs, Nando Reis (na época, seu namorado), gravaram com Carlinhos Brown e a Timbalada, a música “Grite Se Quiser Gritar” (de Carlinhos Brown), para o carnaval de Salvador. A música não foi registrada em disco, apenas veiculada nas rádios da capital baiana. Desse encontro, iniciou-se a amizade e parceria entre Marisa e Brown, que geraria várias canções e futuramente, ao lado de Arnaldo Antunes, o trio Tribalistas. Desse encontro entre Marisa, Nando e Brown, surgiram três canções novas, “Na Estrada”, “E.C.T” e “Seo Zé”. “E.C.T” acabou sendo gravada por Cássia Eller naquele ano para o seu terceiro disco, Cássia Eller, enquanto que “Seo Zé” foi gravada por Brown para o seu primeiro álbum solo, Alfagamabetizado (1996).
Nando Reis e Marisa Monte: música e romance.
Todos esses encontros e colaborações dos quais Marisa esteve envolvida, estabeleceu o fortalecimento de laços de amizade da cantora com quem ela já tinha, como Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Nando Reis e Arnaldo Antunes, e aproximação com gente com quem ela não tinha nenhum relacionamento até então, como Carlinhos Brown, mas que se tornariam bastante influentes na sua carreira a partir dali.
O processo de gravação do novo álbum aconteceu entre março e maio de 1994, no estúdio Skyline, em Nova York, nos Estados Unidos, e no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro. A produção ficou por conta do produtor Arto Lindsay, o mesmo de Mais. No entanto, neste novo trabalho, pela primeira vez, Marisa esteve mais envolvida na produção, o que acontecia pela primeira na sua carreira. Ela foi credita como co-produtora.
Intitulado Verde Anil Amarelo Cor De Rosa E Carvão, o novo álbum de Maris Monte ganhou esse título baseado nos versos da canção “Seo Zé”: “O Brasil não é só verde, anil e amarelo / O Brasil também é cor-de-rosa e carvão”. A canção ficou de fora do álbum, mas deu título a ele. Em entrevista para o programa O Som do Vinil, apresentado pelo ex-baterista dos Titãs, Charles Gavin, no Canal Brasil, em outubro de 2013, Marisa explicou o sentido do título do álbum: “Era uma alusão aos valores e ao que ouvimos sobre a bandeira representar as riquezas do Brasil, o ouro, as florestas, o mar, os rios; e o cor de rosa e o carvão seriam as pessoas. Onde estariam as pessoas como valor nesse país? A música falava disso, ‘patrimônio de Antônio/anônimo’, falava da valorização do ser humano brasileiro como uma riqueza. Um país rico é um país com um povo bravo, valoroso, educado, saudável”.
Lançado em 1º de agosto de 1994, Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão foi muito bem recebido pela crítica. O crítico musical Carlos Calado, na época do jornal Folha de S. Paulo, em seu artigo de 29 de julho de 1994, afirmou que Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão era o álbum mais maduro de Marisa. O público, que estava ansioso por um novo álbum de Marisa Monte após três anos desde o lançamento do bem-sucedido Mais, também recebeu muito bem o terceiro álbum da cantora. Em pouco, tempo, Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão figurava entre os álbuns mais vendidos do Brasil em 1994.
Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão é uma perfeita celebração entre o antigo e o novo, a tradição e o experimentalismo. Marisa conseguiu trazer para o seu terceiro álbum, gerações diferentes de compositores, desde os mais antigos como Jamelão, passando pela geração intermediária como a de Jorge Ben Jor e Paulinho da Viola, até a geração de Arnaldo Antunes, Nando Reis e Carlinhos Brown que despontaram a partir dos nos 1980.
“Maria de Verdade”, de Carlinhos Brown, é a canção que abre Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão, e que fala de todas as “Marias”, apesar de se tratar de uma letra um tanto quanto complexa. A faixa seguinte é “Na Estrada”, uma canção MPB com nuances de soul music.
Carlinhos Brown: duas canções próprias e uma em parceria com Marisa Monte e Nando Reis em Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão.
É possível alguém que está distante estar tão perto de nós? “Ao Meu Redor” mostra que é possível, quando tudo que nos cerca nos faz lembrar desse alguém: “Ao meu redor está deserto / Você não está por perto / E ainda está tão perto / Dentro dessa geladeira, dentro da despensa e do fogão / Dentro da gaveta, dentro da garagem e no porão”.
“Segue O Seco” é uma canção composta por Carlinhos Brown, e que foi gravada por Marisa Monte atendendo a um pedido do próprio Brown. Ele acreditava que o prestígio alcançado por Marisa, ajudaria a chamar a atenção da opinião pública à seca que castiga o sertão do Nordeste e aflige milhares de famílias.
A primeira regravação presente no álbum é “Pale Blue Eyes”, de Lou Reed, gravada originalmente pela antiga banda de Reed (1942-2013), a Velvet Underground, presente no álbum homônimo da banda, de 1969. Os arranjos da versão de Marisa mantiveram as características de folk music da versão original, porém, acrescidas de uma leve percussão que faz a canção lembrar sutilmente um baião. Na época de lançamento de Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão, “Pale Blue Eyes” foi incluído apenas no formato CD do álbum, ficou de fora do formato LP.
Na sequência, outra regravação, desta vez o samba “Dança da Solidão”, uma canção clássica de Paulinho da Viola gravada pelo próprio em 1972 para o seu álbum A Dança da Solidão. Marisa canta acompanhada por ninguém menos que Gilberto Gil, na voz e violão.
“De Mais Ninguém”, parceria de Arnaldo Antunes e Marisa Monte, é uma bela canção que faz lembrar os choros e sambas-canções dos anos 1940 e 1950. Essa viagem musical é garantida graças ao grupo Época de Ouro que fez a base instrumental. O conjunto se notabilizou por ter acompanhado o mestre do choro, Jacob do Bandolim. A letra, dotada de uma incrível sensibilidade poética por parte de Arnaldo, trata da amargura de um homem que fora abandonado pela mulher que amava. A dor do sofrimento para esse homem é como uma conquista: “É meu troféu, é o que restou / É o que me aquece sem me dar calor / Se eu não tenho o meu amor / Eu tenho a minha dor”.
Arnaldo Antunes
Marisa Monte havia gravado “Alta Noite” como convidada no primeiro álbum solo de Arnaldo Antunes, Nome, em 1993, onde os dois cantam a canção em dueto, e contaram com a participação de João Donato nos teclados. “Alta Noite” é na verdade um poema de Arnaldo que foi publicado num livro de poemas que leva o mesmo título do seu primeiro álbum, e que foi lançado simultaneamente na época, juntamente com o videoclipe da canção. Para o álbum Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão, Marisa fez uma versão mais voltada para a bossa-nova, com direito a um naipe de violinos ao fundo.
“O Céu”, de Marisa Monte e Nando Reis, trata de maneira bastante poética a magnitude do céu: “O céu vai tão longe está perto / O céu fica em cima do teto / O céu tem as quatro estações / Escurece de noite, amanhece com o sol”.
A ecológica “Bem Leve” trata da extração indiscriminada de madeira. Os versos da canção associam o ato à morte: “Vele, vele quem pese, dos pés à caveira / Dali da beira uma palavra cai no chão, caixão”.
“Balança Pema”, grande sucesso da carreira de Jorge Ben Jor, do primeiro álbum do cantor, o célebre Samba Esquema Novo (1963), ganha uma releitura de Marisa Monte com uma sonoridade mais robusta graças ao uso de teclados, bateria, percussão, baixo e guitarra com efeitos wah-wah, mas mantém o suingue da versão original. A cuíca na versão da cantora, pontua toda a música.
Marisa Monte regravou "Balança Pema", canção de Jorge Ben Jor.
Em “Enquanto Isso”, Marisa Monte conta com a participação especial de Laurie Anderson, que lê os versos em inglês da canção, enquanto a cantora carioca canta os versos em português.
Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão termina em grande estilo com “Esta Melodia”, de Bubu da Portela e Jamelão, um samba da Portela, uma das principais escolas de samba do Rio de Janeiro. A ideia de gravar esse samba foi uma sugestão de Paulinho da Viola, que acreditava que a música ficaria bonita na voz de Marisa. A Velha Guarda da Portela, grupo composto por membros veteranos da Portela, faz uma participação especial na faixa, empregando muita emoção e nostalgia. O mesmo Paulinho da Viola, também participou das gravações deste samba, afinal, o sambista é padrinho da Velha Guarda da Portela.
A gravadora EMI apostou todas as fichas em Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão. O álbum chegou a ser divulgado em anúncio nos intervalos comerciais da novela das oito da noite da TV Globo. Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão foi lançado não só no Brasil, mas também em mais 38 países. Nos Estados Unidos, o álbum foi lançado com o título em inglês, Green, Blue, Rose And Charcoal.
As faixas “Maria de Verdade”, “Na Estrada”, “Segue O Seco” e “Balança Pema” foram bastante executadas em rádio, ajudando Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão ultrapassar a marca de 1 milhão de cópias vendidas. Em 1995, o videoclipe de “Segue O Seco” conquistou cinco prêmios no MTV Video Music Brasil: “Melhor Videoclipe do Ano”, “Melhor Videoclipe de MPB”, “Melhor Direção de Videoclipe”, “Melhor Fotografia de Videoclipe” e “Melhor Edição de Videoclipe”.
Marisa Monte em cena do videoclipe de "Segue O Seco",
O lançamento de Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão foi seguido por uma extensa turnê, a Cor De Rosa E Carvão Tour, que passou pelo Brasil, Europa e Estados Unidos. A turnê começou em 1994 e terminou em 1996, quando foi lançado o álbum duplo Barulhinho Bom - Uma Viagem Musical, que traz um disco gravado ao vivo e outro gravado em estúdio. O disco gravado ao vivo é um registro de dois shows, um no Teatro Guararapes, no Recife, e outro no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, e que faziam parte da turnê Cor De Rosa E Carvão Tour.
Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão é considerado pelos críticos musicais o melhor álbum da discografia de Marisa Monte. Representou a consagração de Marisa como artista. Na lista dos 100 Melhores Discos da Música Brasileira de Todos os Tempos, publicada no número 13 da edição brasileira da revista Rolling Stone, de outubro de 2007, Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão ficou em 87º lugar.
Isso prova que o crítico musical Carlos Calado teria sido “profético” no seu artigo no jornal Folha de S.Paulo, de 29 de julho de 1994 a respeito de Marisa Monte e seu Verde, Anil, Amarelo, Cor De Rosa E Carvão ao afirmar: “Morre a ‘starlet’ e começa a nascer uma cantora-compositora”. O tempo mostrou que a “profecia” do jornalista foi certeira.
Faixas
"Maria De Verdade" (Carlinhos Brown)
"Na Estrada" (Marisa Monte - Nando Reis - Carlinhos Brown)
"Ao Meu Redor" (Nando Reis)
"Segue O Seco" (Carlinhos Brown)
"Pale Blue Eyes" (Lou Reed)
"Dança Da Solidão" (Paulinho Da Viola)
"De Mais Ninguém" (Marisa Monte - Arnaldo Antunes)
Na segunda metade dos anos 1980, o mainstream milionário do rock norte-americano era dominado pelo glam metal, também chamado de “hair metal”. No Brasil, era tachado pejorativamente de “metal farofa”. O glam metal era um modismo caracterizado por bandas que praticavam um hard rock ou heavy metal com apelo mega comercial, em que músicos mais pareciam ter acabado de sair de um salão de beleza, com aquelas cabeleiras armadas e trajes extravagantes. Grupos como Poison, Cinderella, Motley Crue e Bon Jovi, foram algumas das bandas que mais “rodavam” nas rádios FM e na MTV dos Estados Unidos, além de terem boa projeção no resto do mundo. Naquele momento, parecia que o rock norte-americano estava condenado à mediocridade.
Contudo, na longínqua Seattle, cidade natal de Jimi Hendrix (1942-1970), estado de Washington, no extremo noroeste dos Estados Unidos, um movimento musical estava em pleno estado de ebulição e que daria dentro em breve, um novo sopro de vida não só no rock norte-americano, mas também no cenário roqueiro mundial: o grunge.
O movimento grunge surgiu em meados dos anos 1980, tendo como como bandas pioneiras a Green River, Soundgarden, The Melvins, dentre outras. O grunge caracterizou-se pelo som pesado e “áspero”, com influências de punk rock, hardcore e heavy metal . A rebeldia e os letras que abordavam temas como isolamento, a angústia e o pessimismo aproximavam o grunge ao punk rock. O selo independente Sub Bop, localizado em Seattle, foi uma espécie de “quartel general” do grunge, onde as bandas da cidade e redondezas gravavam os seus primeiros singles e álbuns.
A “ponta da lança” desse movimento foi o Nirvana, que ao lançar em 1991, o álbum Nevermind, balançou as estruturas do cenário musical mundial, derrubando Michael Jackson e U2 das listas de discos mais vendidos. Além de trazer aos holofotes para o som alternativo do grunge, o Nirvana também trouxe a reboque outras dezenas de bandas da cena grunge de Seattle. Esse impacto do rock alternativo sobre o mainstream da música pop foi comparado ao que aconteceu com a “explosão” dos Sex Pistols e o punk rock, em 1977.
O sucesso do grunge desencadeou uma grande “febre” em torno do movimento, influeciando a moda e o gosto musical de milhões de jovens pelo mundo. Em pouco tempo, em qualquer esquina de alguma grande metrópole, era possível dar de cara com algum jovem trajado com uma camisa de flanela, uma calça rasgada e um par de tênis surrado nos pés.
A morte de Kurt Cobain, líder do Nirvana, em 1994, foi um duro golpe no grunge, o que decretou o começo do seu fim, esse que foi considerado pela crítica, o último grande movimento relevante da história do rock.
Superfuzz Bigmuff (Sub Pop, 1988), Mudhoney. Formada em 1988, em Seattle, a Mudhoney lançou no mesmo ano em que foi fundada, o EP Superfuzz Bigmuff, trazendo seis faixas, nas quais, se percebe referências de punk rock e do rock de garagem dos anos 1960. As faixas “Need” e “In ‘N’Of Grace”, foram os principais destaques do álbum. Embora tenha sido um das bandas pioneiras do movimento grunge, a Mudhoey não teve a mesma projeção como o Nirvana, Pearl Jam ou Soundgarden.
Temple Of The Dog (A&M, 1991), Temple Of The Dog. A banda Temple Of The Dog foi um supergrupo formado em Seattle, em 1990, como um tributo a Andrew Wood, vocalista da banda Mother Love Bone, morto por overdose de heroína naquele mesmo ano, aos 24 anos. A formação contava com amigos do vocalista falecido, que inegrando outras bandas, decidiram se juntar para prestar uma homenagem. A formação do supergrupo contou com Chris Cornell (vocal, Soundgarden), Stone Gossard (guitarra base, ex-Mother Love Bone), Jeff Ament (baixo, ex-Mother Love Bone), Matt Cameron (bateria, Soundgarden), e mais outros amigos que meses depois formariam com outros músicos o Pearl Jam: Mike McCready (guitarra solo) e Eddie Vedder (vocais de apoio). Em abril de 1991, foi lançado o primeiro, único e autointitulado álbum da Temple Of The Dog. Gravado em apenas 15 dias, o álbum só veio ganhar mais visibilidade depois que o álbum Ten, do Pearl Jam, estava fazendo sucesso. O público foi atraído e o álbum vendeu mais de 1 milhão de cópias. Destaque para as faixas “Say Hello 2 Heaven” e “Reach Down”, ambas dedicadas à memória de Andrew Wood, e “Hunger Strike”, faixa em que Cornell e Vedder fazem um dueto.
Ten(Epic, 1991), Pearl Jam. Das grandes bandas do grunge, o Pearl Jam foi a “caçula”. Formada em 1990, em Seattle, após o fim da Mother Love Bones motivada pela morte de seu vocalista, Andrew Wood (vítima de overdose de heroína), a banda Pearl Jam lançou em 1991, Ten, seu primeiro álbum, e logo de cara, por uma grande gravadora, a Epic Records. Ten traz uma bem dosada mistura de hard rock bem ao estilo anos 1970, somado a um ritmo dançante, empregado pelo baixo e bateria, remetendo sutilemente ao funk metal). As guitarras distorcidas e cheias de efeitos de pedais wah-wah, guaradam inspiração em Jimi Hendrix. À frente de tudo isso, a voz rasgada e carismática de Edder Vedder. As faixas “Alive”, “Jeremy”, “Even Flow” e “Black” foram os grandes hits de Ten, e ajudaram o álbum a alcançar a marca de 20 milhões de cópias vendidas em todo o planeta. Ao lado de Nevermind, do Nirvana, Ten foi fundamental na difusão do grunge em escala mundial.
Nevermind(DGC/Geffen, 1991), Nirvana. Segundo álbum de estúdio do Nirvana, Nevermind foi lançado quando o grunge já era uma realidade nos Estados Unidos como movimento. No entanto, o álbum foi responsável por elevar o movimento surgido em Seattle, do patamar alternativo para mainstream da indústria da música pop mundial. Desde Never Mind The Bollocks, dos Sex Pistols, álbum que fez eclodir o punk rock da Inglaterra para o mundo nos anos 1970, não se via um álbum representando um novo movimento de rock com um poder tão avassalador como Nevermind. Diferente do álbum dos Pistols, o segundo álbum do Nirvana não só foi um trabalho icônico de um movimento como também foi um fenômeno comercial: o álbum derrubou do posto de 1º lugar ninguém menos do que Michael Jackson e seu Dangerous. Desde que foi lançado, Nevermind vendeu mais de 30 milhões de cópias. Com seu som pesado, veloz e corrosivo, Nevermind contém músicas que se tornaram clássicos do grunge e do rock contemporâneo como “Smells Like Teen Spirit”, “Come As You Are”, “Lithium”, “Breed” e “In Bloom”.
Brick Are Heavy (Slash Records, 1992), L7. O grunge não envolveu apenas bandas de Seattle. Sua influência foi além dos limites daquela cidade, e foi adotado por bandas de ouoras lugares como a californiana L7, originária de Los Angeles. Nos anos 1990, a L7 fez parte de uma importante geração de bandas de rock formada por mulheres, e que foi responsável por ampliar a representação feminina dentro de um espaço do rock alternativo dominado pelos homens. A L7 já estreitava laços com o grunge desde o segundo álbum, Smell The Magic (1990), mas foi com Brick Are Heavy que a banda mergulhou de vez no gênero nascido em Seattle. Mais sujo e pesado do que os álbuns anterioress, Brick Are Heavy no entanto foi o trabalho que deu projeção internacional à L7. Produzido por Butch Vig, o mesmo de Nevermind, do Nirvana, Brick Are Heavy foi bem avaliado pela crítica e é o álbum de maior sucesso comercial da L7, levando a banda californiana a fazer grande turnês internacionais. A faixa mais famosa do álbum é “Pretend We're Dead”, cujo single ficou em 8º lugar na Billboard Modern Rock Tracks.
Sweet Oblivion (Epic, 1992), Screaming Trees. Criada em 1985, em Ellensburg, estado de Washington, a Screaming Trees é outra banda presente nesta lista que fez parte da primeira geração do grunge. Apesar da associação com o grunge, a banda caracterizou-se por incorporar ao seu som referências de hard rock e psicodelismo. Foi com seu sexto álbum, Sweet Oblivion, que a Screaming Trees encontrou o auge de sua carreira. Apoiado em canções como “Dollar Bill”, “Julie Paradise”, “Winter Song” e o maior hit, “Nearly Lost You”, o álbum alcançou a modesta marca de 300 mil cópias vendidas. “Nearly Lost You” foi incluída na trilha sonora do filme Singles (Vida de Solteiro, no Brasil).
Core (Atlantic, 1992), Stone Temple Pilots. Assim como a L7, outra banda californiana que fez fama através do grunge foi a Stone Temple Pilots. Sob o comando do vocalista Scott Weiland (1967-2015), a banda foi formada em 1985, na cidade San Diego, com o nome de Mighty Joe Young, mas rebatizada para Stone Temple Pilots em 1992, após assinar contrato com a Atlantic Records. No mesmo ano, lançou seu primeiro álbum, Core, um trabalho que foi atacado por uma considerável parcela da imprensa musical que considerou a banda uma mera imitação de Pearl Jam e Alice in Chains. Apesar dos ataques da imprensa, Core teve um grande desempenho comercial ao atingir a marca de 8 milhões de cópias vendidas, levando o álbum a ser o mais vendido da discografia do Stone Temple Pilots. O sucesso do álbum fez a banda ganhar os prêmios MTV em 1993, na categoria “Artista Revelação”, e o Grammy em 1994, de “Melhor Performance de Hard Rock”.
Dirt (Columbia, 1992), Alice In Chains. Embora seu álbum de estreia, Facelift, seja uma típico trabalho grunge, o Alice In Chains mergulhou ainda mais no gênero no segundo álbum, Dirt, empregando mais peso e indo mais a fundo em temas densos e tão comuns ao grunge como isolamento e dependência química. Faixas como “Sickman”, “Junkman”, “Dirt” e “God Smack”, dizem muito sobre a vida do vocalista Layne Staley, morto em 2002, aos 34 anos, vítima de uma combinação bombástica de heroína e cocaína. Dirt emplacou alguns dos maiores sucessos da carreira do Alice In Chains como “Would?!”, “Them Bones”, Angry Chair”, “Rooster” e “Down In A Hole”, levando o álbum a vender mais de 5 milhões de cópias. Considerado por alguns jornalistas o melhor álbum do grunge, Dirt foi indicado ao Grammy em 1992, na categoria “Melhor Performance Vocal de Hard Rock”.
Houdini (Atlantic, 1993), The Melvins. Formada em 1983, na pequena Montesano, interior do estado de Washington, a banda The Melvins fez parte da primeira geração do grunge. No entanto, após quatro álbuns lançados através pequenos selos independentes, a banda só veio ganhar grande projeção em 1993, quando assinou contrato com uma grande gravadora, a Atlantic Records, e lançou o seu quinto álbum, Houdini. O álbum foi co-produzido por Kurt Cobain, líder do Nirvana, que na época desfrutava da fama mundial de astro do rock. Cobain era um fã confesso da Melvins desde os tempos em que o grunge ainda era apenas uma cena alternativa de Seattle, no final dos anos 1980. Dentre as principais faixas do álbum estão “Lizzy”, “Hooch”, “Honey Bucket” e “Goin Blind”, este ultimo um cover do Kiss, originalmente gravada em 1974. Ainda que seja uma das bandas pioneiras do grunge, a Melvins é para alguns críticos musicais, de difícil classificação, pelo fato de flertar com as mais diversas tendências do rock alternativo, indo do próprio grunge até o doom metal, passando pelo sludge metal, um subgênero do heavy metal, o qual a Melvins ajudou a criar.
Superunknown (A&M, 1994), Soundgarden. Formada em 1984, em Seattle, a Soundgarden foi talvez a única banda da geração pioneira do grunge a alcançar a fama mundial, a partir do seu terceiro álbum, Badmotorfinger, de 1991, que vendeu 4 milhões de cópias. Mas foi com Superunknown que o Soundgarden consolidou-se como uma das mais importantes bandas de rock dos anos 1990. Musicalmente, o álbum bebe na fonte do heavy rock dos anos 1970 de Black Sabbath e Led Zeppelin, explora temas densos como suicídio, vício em drogas, depressão e solidão. Puxado por sucessos como “Black Hole Sun”, “Spoonman”, “The Day I Tried To Live” e “My Wave”, o álbum vendeu mais de 10 milhões de cópias. Duas faixas do álbum foram indicadas ao Grammy em 1995: “Black Hole Sun” (“Melhor Performance Hard Rock”) e “Spoonman” (Melhor Performance Metal”).