sexta-feira, 14 de abril de 2023

GARAJAU LANÇAM O SEU PRIMEIRO ÁLBUM… “O AMOR NÃO SE ABREVIA”

 


Em Março de 2022 os Garajau entraram no Estúdio Elétrico, juntamente com o produtor Andrés Malta, com a missão de dar corpo às canções que tinham composto.

Entre os três tocaram todos os instrumentos do álbum e, juntamente com um trio de sopros, criaram uma sonoridade que varia entre o Pop e o Indie Rock. A estes temas junta-se o single “O Amor não escolhe o dia” produzido e misturado por João André nos Soundhill Studios.

Liricamente o disco conta histórias de amor nas diferentes fases da vida, umas vezes de forma irónica, outras vezes de forma mais séria.

Os Garajau são do Porto e foram formados em 2020. André Pires Costa e Tiago Luz aproveitaram os seus interesses comuns e começaram por escrever canções através de videochamada.

Review: Nazareth – Hair of the Dog (1975)

 


Fundado em 1968 na Escócia, o Nazareth possui uma legião de fãs no Brasil – o que inclusive rendeu uma turnê pelo interior do país nos anos 2000 – e uma longa discografia. Ainda assim, raramente a banda é citada quando se fala do hard rock dos anos 1970. No entanto, ao menos um dos álbuns do quarteto merece ser colocado entre os grandes discos da história do rock pesado.

Lançado em 30 de abril de 1975, Hair of the Dog é o sexto álbum de Dan McCafferty (vocal), Manny Charlton (guitarra e sinterizador), Pete Agnew (baixo) e Darrell Sweet (bateria). Produzido pelo próprio Charlton, é um disco decisivo na carreira da banda, já que transformou o Nazareth de um sucesso local em um fenômeno de alcance mundial. Até então, a banda tinha no currículo bons trabalhos como Razamanaz (1973) e Loud ‘n’ Proud (1973), além de alguns singles de destaque como “Bad Bad Boy” e “This Flight Tonight”, cover de Joni Mitchell. Porém, ainda faltava "O" álbum na trajetória dos escoceses, e ele veio com Hair of the Dog.

A canção que dá nome ao disco abre a audição e é um dos grandes clássicos da banda e do hard rock. A introdução de bateria é seguida por um riff emblemático, e o solo central traz Manny Charlton fazendo uso do talk box. A voz de McCafferty, bastante semelhante à de Brian Johnson do AC/DC, é uma das marcas registradas da banda, sempre com muita energia e interpretações sanguíneas. “Miss Misery” traz um dos riffs mais pesados daquela primeira metade da década de 1970 e é sensacional, enquanto “Changin’ Times” vem com grandes doses de groove. O destaque é Charlton, voando alto em uma das melhores e menos comentadas músicas da banda.

O clima se mantém nas alturas com “Beggar’s Day”, com ótimo refrão e a dupla Dan e Manny à frente em uma performance arrebatadora para a canção originalmente gravada pelo Crazy Horse, uma das bandas de apoio de Neil Young. Ela se une à “Rose in the Heather”, instrumental do próprio Nazareth e que funciona como um belo epílogo. O blues dá as caras em “Whiskey Drinkin’ Woman”, enquanto a psicodélica “Please Don’t Judas Me” encerra o disco como uma espécie de spiritual transcendental.

Um fato interessante sobre o álbum é que ele deu ao mundo o maior sucesso do Nazareth, a balada “Love Hurts”, porém de maneira indireta. Pra começar, pouca gente sabe que, na verdade, “Love Hurts” é uma versão para uma canção gravada pelo duo The Everly Brothers em julho de 1960. O Nazareth gravou uma versão que foi lançada somente como single em novembro de 1974, com forma de antecipar o álbum que estava vindo, e não deu muita importância para a canção. O jogo mudou quando a A&M Records, gravadora da banda nos Estados Unidos, ouviu todas as faixas vindas das sessões de gravação e decidiu incluir “Love Hurts” no lugar de “Guilty” na edição norte-americana. A faixa foi então lançada como single nos EUA e vendeu como água, transformando-se em uma das baladas mais conhecidas do hard rock e acabou inclusive mudando o direcionamento musical do Nazareth, que desde então sempre passou a incluir uma balada mais acessível e adocicada em seus álbuns, buscando repetir o sucesso de “Love Hurts”.

Hair of the Dog ganhou reedições com o passar dos anos, sempre trazendo faixas extras. A primeira saiu em 1997 pela Castle e trouxe como bônus “Down” (o lado B do single “Love Hurts”), “Railroad Boy” e uma versão editada para “Hair of the Dog”. Em 2001 foi lançada uma edição celebrando os trinta anos do álbum e ela trouxe, além dos bônus acima, a faixa “Holy Roler” em sua gravação original e com uma mixagem alternativa (essa versão saiu no Brasil pela ST2 e é a que tenho em minha coleção). E em 2010 Hair of the Dog foi remasterizado e relançado em CD duplo com oito músicas extras, incluindo covers de Frank Zappa e do Little Feat.

Vale mencionar também que a música “Hair of the Dog” recebeu versões de diversos artistas ao longo das décadas, com destaque para a releitura feita pelo Guns N’ Roses no disco de covers The Spaghetti Incident? (1993), além de versões gravadas por Paul Di’Anno, Warrant, Britny Fox e Michael Schenker Group.

Álbum essencial do Nazareth, Hair of the Dog é discoteca básica e o registro definitivo de uma das grandes bandas da história do hard rock.

Review: Jack Slamer – Keep Your Love Loud (2020)

 


A banda suíça Jack Slamer consegue se destacar do enxame de grupos que investe no revival do hard rock setentista ao equilibrar a poeira setentista com o brilho da década de 1980, tudo embalado em uma sonoridade muito bem construída.

O Jack Slamer entrega melodias e grooves que tornam o seu som bastante agradável, além de trilhar por andamentos e atmosferas que dão um ar solto e até mesmo um pouco psicodélico para as faixas. As dez músicas formam um conjunto de canções gostoso de ouvir, onde os destaques são “Favorite Enemy”, “Lost”, a balada “War of Words”, a grooventa “Magic Woman” e “Bouquet of Decibels”. As guitarras ganham destaque em todas as composições, seja através de riffs ou solos, enquanto a voz de Florian Ganz conduz a banda por caminhos sinuosos.

Como curiosidade, vale mencionar que a edição brasileira lançada pela Shinigami Records possui uma falha no encarte, com a foto do vocalista Florian Ganz não sendo impressa de forma individual com as dos demais músicos, e o cantor aparecendo somente na imagem em que toda a banda está junta, no final do livreto. E como ponto positivo, é impossível não citar a bela capa e o projeto gráfico de todo o material.

No fim das contas, Keep Your Love Loud é um disco inferior ao trabalho anterior do grupo, o auto-intitulado disco lançado em 2019 e que também ganhou uma edição nacional pela Shinigami Records.


Review: Pink Floyd – Pulse (1994)

 


Segundo álbum ao vivo do Pink Floyd, Pulse também é o mais emblemático registro em cima de um palco da lendária banda inglesa. Uma prova da força da terceira encarnação do grupo, liderada por David Gilmour e sem a presença de Roger Waters.

O Pink Floyd foi o centro de uma gigantesca batalha judicial em meados dos anos 1980, quando Gilmour e Waters lutaram nos tribunais pelos direitos pelo nome da banda. Essa guerra teve como vencedor o guitarrista, que passou a ser o dono do nome Pink Floyd, enquanto o baixista garantiu para si os direitos de The Wall (1979) e do característico porco da capa de Animals (1977), que costumava voar sobre a plateia durante os concertos.

O primeiro movimento desse novo Pink Floyd, agora reduzido a Gilmour, ao tecladista Richard Wright e ao baterista Nick Manson – além de vários músicos de apoio -, foi o mediano A Momentary Lapse of Reason, que chegou às lojas em 1987 e foi seguido pelo primeiro álbum ao vivo da carreira da banda, Delicate Sound of Thunder (1988). Mas faltava um trabalho que fizesse jus à toda a celeuma gerada pela batalha e justificasse, em termos artísticos, as razões pelas quais David Gilmour lutou tão ferrenhamente para ter os direitos sobre o nome do Pink Floyd. Esse disco saiu em 1994 e foi The Division Bell, um dos grandes discos da banda inglesa.

O capítulo seguinte foi Pulse, registro ao vivo da turnê de The Division Bell. Gravado durante a tour europeia de 1994 em shows realizados em Londres, Roma e Hanover, chegou às lojas em 29 de maio de 1995 no Reino Unido e em 6 de junho daquele ano nos Estados Unidos. Duplo, traz no primeiro CD músicas desde a primeira fase da banda ainda com Syd Barrett (“Astronomy Domine”), passa por clássicos do porte de “Wish You Were Here” e “Comfortably Numb”, mostra a força de canções então novas como “High Hopes” e, como cereja do bolo, entrega a performance na íntegra e definitiva do maior clássico do Pink Floyd, e imortal e sempre atual The Dark Side of the Moon (1973). A banda que acompanhou Gilmour, Wright e Mason nos shows contava com músicos fantásticos como o baixista Guy Pratt, o tecladista Jon Carin e o trio de backing vocals Sam Brown, Durga McBroom e Claudia Fontaine, entre outros.

Pulse marcou época também por causa de sua embalagem chamativa, antecipando em décadas a tendência dos digibooks, hoje bastante populares entre os colecionadores. Porém, em 1994, aquilo era uma novidade, ainda mais trazendo em suas tiragens iniciais uma luz vermelha interna que pulsava infinitamente (ou pelo menos até a bateria que a mantinha ligada se esgotar). Acondicionado em um box, o CD duplo contou também com um lindo e longo encarte repleto de fotos da turnê.

As vendas foram astronômicas. Pulse alcançou o primeiro lugar em dezenas de países, incluindo Estados Unidos e Inglaterra. Além disso, é um dos discos ao vivo mais vendidos de todos os tempos, com mais de 6 milhões de cópias comercializadas em todo o planeta.

O culto a Pulse levou ao lançamento de versões em LP quádruplo, cassete duplo, VHS, laser disc e DVD durante os anos, formando um pacote multimídia altamente colecionável, com o CD com o led sendo um dos itens mais cobiçados entre os fãs.

O Pink Floyd possui poucos registros ao vivo, e entre eles outro com qualidade tão estelar quanto Pulse – o também duplo Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980-1981 (2000), registro ao vivo de uma das poucas mais de duas dezenas de shows que a banda fez para promover o clássico The Wall.

Com o passar dos anos, Pulse alcançou um status quase divino entre os fãs e serviu de parâmetro também para as turnês cada vez mais produzidas e grandiosas tanto de David Gilmour quanto de Roger Waters. Um registro único e especial, que elevou uma música já única e brilhante ao mais alto estado de arte.


TIAGO NACARATO EDITA NOVO SINGLE “CEDO” COM CRISTIANA SILVA

 


Tiago Nacarato edita esta sexta-feira, 14 de Abril, o seu novo single em conjunto com Cristiana Silva, “Cedo”.

Cedo” é uma balada de Tiago Nacarato cantada em dueto, onde se abordam os tabus e preconceitos das relações modernas. “As pessoas tendem a criar regras ou pré-definições sobre como e quando as coisas devem ou não acontecer [numa relação], esquecendo-se de que cada um tem uma forma muito pessoal de viver a própria vida e de que não existe forma certa nem errada de o fazer”, explica Nacarato.

 

Cristiana Silva considerava-se um “produto dessas ideias pré-concebidas de que quem demora a gostar vai construir um amor mais sólido e estável”, admite. Tiago Nacarato, pelo contrário, entrega-se “de cabeça” à sua intuição, segundo o próprio.

O novo single de Tiago Nacarato tem letra e música do próprio e foi produzida pelo artista portuense com Cristiana Silva.

“LIVE ALONE” É O NOVO SINGLE DO MULTI-INSTRUMENTISTA KIKOMORI

 


“live alone” é o novo single do multi-instrumentista kikomori, alter-ego artístico de Frederico Medeiros, músico e produtor natural de Mafra e um dos nomes emergentes da bedroom pop portuguesa.

O single “live alone” junta-se ao recentemente editado “brainrot” e antecipa o lançamento do segundo EP de originais do artista, “In the Blink of an Eye“, com data de edição agendada para 19 de maio. Estas duas canções são já um vislumbre para o próximo trabalho do artista que continua a construir numa identidade musical onde R&B, city pop, hip-hop e música de videojogos coabitam em igual medida, culminando num dos resultados mais idiossincráticos da pop electrónica produzida actualmente a nível nacional.

 

kikomori, sobre este novo single, refere que “talvez seja a canção mais íntima que já escrevi. Esta é sobre uma relação à distância entre duas pessoas que querem manter-se juntas a todos os custos, enquanto tentam dar espaço um ao outro para crescer individualmente, tentando suportar os sonhos e planos de vida um do outro, para que um dia se possam vir a realizar. Embora estar sozinho possa ser uma ideia inquietante, uma pessoa nunca está realmente sozinha desde que exista este apoio.”

live alone” é um tema produzido, escrito, misturado e masterizado por kikomori.

EDUARDO MORENO - Disorder / Inner Odyssey (2023 / EM) (Artículo/Entrevista)



 Eduardo Moreno foi uma daquelas poucas ilhas a que nos agarramos nos anos 90. Quando havia fome de prog espanhol. Seus "Music for Imaginary Cinema" (1990) e "The Last Man" (1995) nos salvaram da fome progressiva naqueles dias difíceis.



Desde então, nada sabíamos de Granada. E, inesperadamente, ele reaparece quase três décadas depois, com um trabalho que nos atualiza em seu mundo particular. E de que maneira! "Disorder / Inner Odyssey" contém material criado e gravado entre 1995 e 2022. Eduardo Moreno volta a se encarregar de praticamente tudo: Guitarras, baixo, teclados, bateria, coros, programação, produção... Acompanhado pelas vozes de Daniel Campaña e Jéssica Brizio. E um pouco de saxofone de Jesús Molina.

A "parte psiquiátrica" ​​começa com "Transtorno Bipolar" (7'39). O que é como conseguir aquele disco do King Crimson que não saiu desde "The Power to Believe". Com a herança dos “Red” recuperada em ataque brutal de riffs, rítmica selvagem e esquizofrenia progressiva ao mais alto nível. Proclamar que está nessa altura já me parece mais do que suficiente. Não é só Fripp. É Weton. E Bruford. Demais para acreditar na primeira audição. "Sísifus Syndrome" (5'52) continua no mesmo estilo avassalador. Porém, o solo de guitarra é bem mais ágil aqui, de outra escola, talvez de Eric Johnson, mas sem perder a fúria carmesim. Bile pura e terapia aconselhável para enfrentar o mundo numa manhã de segunda-feira. O "Transtorno Bipolar Parte II" (8'19) é retomado, agora com participação de órgão no vórtice sonoro. Além da potência vocal de Jéssica Brizio. Contém os elementos mais sofisticados da trilogia, sem deixar de ser o "rock pró-agressivo" da Rocadura. Diria-se que composto de um estado emocional de ódio ou impotência diante das injustiças de um mundo à deriva. Duro como um diamante.

Saímos do asilo e enfrentamos a peça mais recente, "Inner Odyssey" (28'23). Nove partes o dividem e é um animal de pelagem diferente do anterior. Embora sua ferocidade permaneça. Não perde força ou avalanche instrumental. Ele dobra, sim. O modelo estilístico mudou. Talvez tenha se desviado ainda mais para o planeta Sim. Mas como eles veem isso dos EUA. Há peças que lembram o tão esperado Magellan ou o primeiro Glass Hammer ou Presto Ballet. A acústica, sintetizadores, ritmos e vocais tendem mais para esse lado do prog clássico. E acaba sendo fabuloso, triunfante e imensurável. Uma alegria que não admite críticas adversas. Densidade detalhada que beira a obsessão. E uma decidida e clara homenagem ao melhor progressivo dos anos 70, atualizado nos anos 90 por aquela equipe prodigiosa da gravadora Magna Carta.



Como o título diz, este álbum é composto por dois mini-álbuns bem definidos e diferentes entre si. E ambos são bestas cruéis de cuidado. Alien VS Predator no Prog World. Um dos álbuns do ano em todo o mundo.


 

ENTREVISTA EDUARDO MORENO

Olá Eduardo, desde a última vez que falamos com você, maio de 2020, o que aconteceu com sua vida?
Bem, por ter mais tempo livre, e circunstâncias pessoais que me permitiram, minha vida tem se direcionado de forma importante para a criação musical. 
 
Vinte e oito anos desde a publicação de seu último trabalho. Como Eduardo Moreno mudou como músico?
Acho que musicalmente não mudei muito, continuo com os mesmos gostos e influências, e a mesma forma de trabalhar, tirando a facilidade que o que disse antes me dá. Meus conhecidos me dizem que amadureci como músico. Levando em conta que meu último trabalho publicado é de 1995 algo deve ter mudado, mas sinceramente não notei muita diferença. Minha fidelidade ao estilo de música que sempre gostei se mantém, e meus processos de criação e gravação são semelhantes. No mínimo, posso dizer que minha tendência de recriar a progressiva dos primeiros 70 aumentou. Digamos que não faço mais a menor concessão a outros estilos.


Na entrevista anterior você nos disse que após a publicação de " El último Hombre ", você continuou compondo e gravando músicas. Você incluiu algumas dessas composições neste projeto?
Exatamente, embora não tenha publicado, sempre continuei compondo. Não gravo tudo que componho, muitas coisas ficam na minha cabeça, mas nesses anos consegui gravar três músicas que são a primeira parte do meu novo CD lançado. São músicas que originalmente compus para serem tocadas ao vivo com uma banda, mas o projeto não foi adiante e agora recuperei essas gravações. Mais tarde gravei a música Inner Odyssey, que parte de uma pequena ideia antiga, mas que desenvolvi a ponto de transformá-la em 28 minutos de música.Sou um músico que mais cria do que interpreta, compus toda a minha vida. 

Você pode nos dar detalhes da gravação? 
Meu processo de gravação é muito lento e trabalhoso, pois toco todos os instrumentos. Não sou um músico que grava a primeira coisa que vem à cabeça. Eu trabalho muito tudo isso, penso nisso, penso nisso e finalmente gravo. Às vezes, posso passar dois meses criando um solo de guitarra até que fique do jeito que eu quero. Eu gravo em estúdio pessoal, na minha casa, e o processo geralmente começa com uma ideia, normalmente com guitarra, à qual acrescento o resto, bateria, baixo, arranjos de teclado. Tudo muito meticuloso e com muitas horas de trabalho. Eu cuido de tudo, interpretação, gravação, produção, etc... Já fazia assim nos meus dois primeiros trabalhos, só que aí não tinha as facilidades técnicas que tem agora, era tudo muito mais tradicional. Agora, resultados muito bons podem ser alcançados com quatro potes em sua casa. Isso melhorou muito, com certeza. Gravei as três músicas do Disorder intermitentemente entre 1996 e algum tempo que não consigo especificar por volta de 2010. Comecei o Inner Odysee e ele em maio de 2020 e terminei em dezembro de 2022. Duas partes diferentes do álbum, na atmosfera e no tempo . É por isso que praticamente o dividi em dois: Desordem / Odisséia Interior

Que colaborações você tem neste último trabalho?
Pois bem, nesta ocasião, como queria canções cantadas e não canto muito bem, tive a colaboração de vários cantores. A música Bipolar Disorder Part 2 era originalmente instrumental, mas alguns anos atrás foi adicionada a voz poderosa de Jessica Brizio, que também escreveu a letra. Para Inner Odyssey tive o cantor valenciano Daniel Campañá, que também tem feito um trabalho incrível, e teve uma participação louvável no projeto, Vanessa Ruiz colaborou em alguns coros e Jesús Molina fez um solo de sax estupendo. Estou muito satisfeito com essas colaborações, todas pessoas muito boas, pessoalmente e musicalmente. tem sido um luxo


A gravação começa com "Bipolar Disorder", um tema bem carmesim.
A origem desse tema é de 1996, e de fato é bem carmesim e não por acaso. Eu a escrevi depois de ver um show do King Crimson que me impressionou, e decidi tentar algo assim ao vivo, e foi daí que surgiu essa música. Na verdade, o solo central é uma homenagem ao 21th Century Squizoid Man, e eu tento fazer uma participação especial com aquela música icônica, recuperar aquele som e aquele momento único na história do rock que foi aquela música. O projeto de tocar ao vivo não se concretizou, como eu disse antes, mas o tema ficou e aí está.

Continuamos com "Sísifus Syndrome", com um título tão curioso, o que podemos esperar desta composição?
Haha, bom, eu sempre sou daqueles que vê a vida um pouco como Sísifo, não se termina de subir a pedra quando já se está jogando ladeira abaixo de novo, e essa é a ideia. É uma música que eu gosto, ficou muito bem arredondada, com várias partes que eu ligo e misturo e que junto todas elas na parte final. Estou muito orgulhoso do solo no meio. Eu nem sei como eu mesma consegui tocá-lo, agora acho que não sairia de novo, haha.

"Bipolar Disorder Part II", continua a linha da primeira parte, mas com a contribuição vocal de Jessica Brizio. 
Sua origem foi o desenvolvimento de certas ideias de Transtorno Bipolar que ficaram de fora porque eu não poderia acrescentar mais a esse tema. Mas eram ideias que eu gostava e não tinha vontade de jogar fora, então vi que uma segunda parte poderia ser feita perfeitamente com elas. Respira-se a mesma atmosfera, e há coisas comuns, mas desenvolvo as ideias e frases de uma forma diferente. Uma vez gravada, vi que uma voz lhe cairia muito bem, mas foi só em 2020 quando durante a pandemia me ocorreu que Jéssica Brizio iria cantá-la, nos demos bem e saiu.

Por fim a ótima suíte "Inner Odyssey", com nove partes e cerca de 27 minutos. 
Bom, a ideia original dessa música é um riff de guitarra bem antigo que ficava rodando na minha cabeça, e é esse que você ouve no começo. A partir desse riff comecei a criar todo o resto. O que aconteceu é que depois de tantos anos sem gravar as ideias começaram a brotar de mim e eu não conseguia parar. O resultado foi um tema de mais de 28 minutos. Eu queria voltar de forma clara e sem remorso ao som progressivo do início dos anos setenta e eu fiz.  



Vejo que a seção gráfica é muito cuidadosa. Quem é o autor? 
Paco Boto é o autor da contracapa e da contracapa, nas quais procurámos introduzir elementos que descrevam os temas musicais. Na verdade, é como narrar os próprios temas com desenhos. Além disso, colocamos algumas piadas, participações especiais e homenagens, algumas que podem ser claramente observadas, e outras que têm a ver com minha própria história pessoal e ícones culturais da minha juventude. Quanto aos desenhos do encarte interior, devo admitir que usei inteligência artificial, não resisti, haha. É como uma espécie de réplica de IA das capas desenhadas. 

Você pretende apresentar o CD ao vivo?
Isso é impossível, prefiro nem imaginar do que tentar outra vez hahaha…. 

Muito obrigado Eduardo pelo seu tempo. Há mais alguma coisa que você queira dizer aos leitores da Rockliquias?
Bem, nada mais, apenas agradecer o interesse que sempre demonstraram pelo meu trabalho, e aos leitores, porque espero que quem decidir adquirir o meu álbum goste, e que todos continuemos a lutar para manter viva esta música que amamos .
JCMinana




Jacula – Tardo Pede In Magiam Versus (1972)



Os Jacula conseguiram incorporar certos impulsos da cultura de terror italiana dos anos 70. Sua música tem a mesma sensação dos filmes e dramas de Mario Bava como Il Segno del Comando. 



Os registros de Jacula e Antonius Rex sempre foram envoltos em um halo escuro e amaldiçoado. O falecido Antonio Bartoccetti era realmente um personagem sombrio com uma veia satânica, mesmo que sempre tenha sido um mistificador. A lenda dizia que os registros de Jacula eram destinados a seitas religiosas (gostaria de saber se isso é verdade). A impressão é que ele realmente acreditou em sua pesquisa, mesmo que tenha brincado com ela. Na verdade, segundo ele, ele esteve em contato próximo com uma garota que estava sendo exorcizada.



Tardo Pede In Magiam Versus (1972) continua a ser um álbum dark e underground e, ainda hoje, não perdeu o seu encanto oculto. O disco foi vendido junto com a revista Jacula, a revista pornô de terror. A música era muito original: não havia bateria e o som era caracterizado por um belo órgão de igreja e atmosferas góticas um tanto ingênuas mas muito eficazes, assim como Antonio Bartoccetti (que apesar de ser um excelente guitarrista, não usa o instrumento aqui) . ), o médium Franz Parthenzy, o organista Charles Tiring e a cantora Fiamma dello Spirit são credenciados no grupo


Temas
1. U.F.D.E.M. (0:00);
2. Praesentia Domini (9:04);
3. Jacula Valzer (20:03);
4. Absolution* (26:30) ;
5. Long Black Magic Night (31:30);
6. In Old Castle (37:55).


 

TOBRUK - Pleasure + Pain (FM REVOLVER, 1987)

 

Hoje trazemos para vocês o exemplo clássico de uma banda que praticou "junta mas não mexida" com a NWOBHM. Trajetória semelhante, (algumas listas os incluem, embora eu difira disso), conexões semelhantes... mas a anos-luz de sua estética visual, musical e pretensiosa. Formado em 1981 e com sede em Birmingham, algo tinha que tocá-los de seus "primos. 


Eles levam uma demo para o "Friday Rock Show" de Tommy Vance em 82. Eles conseguem lançar um single sujo pelo selo não menos sujo, NEAT. E em 83 eles saem em turnê com Diamond Head. Para essas datas, eles alugaram o Birmingham Odeon com todo o luxo técnico, a fim de atrair a atenção dos olheiros da EMI Parlophone. Objetivo alcançado. Eles são assinados por um selo tão histórico, mas suas ambições para o som/mercado dos EUA são claras. Eles vão para a Filadélfia para gravar o que será "Wild on the Run" com Lance Quinn (Lita Ford, Bon Jovi...), co-produzindo com a banda.

E eles conseguem uma bela filmagem de UFO melódico que é bom de ouvir. Muito bonito. Em 85 eles logicamente abrem para UFO, assim como Tokyo Blade e...Manowar!!! Mas o som americano cada vez mais marcado de Tobruk não se encaixa com alguns gostos ingleses (não estou dizendo a você, se eles os colocarem com o Manowar, o que eles esperam). As vendas estão fracas e a EMI dá a eles o cartão da liberdade. Eles imediatamente assinaram com a banda indie indie, FM Revolver, e editaram "Pleasure + Pain" em 1987. Melhor ano para este álbum, impossível. Pior ano por competição também. Após algumas mudanças, a formação atual é a seguinte: Stuart "Snake" Neale para a maravilhosa voz solo. Nigel Evans e Mick Newman são uma respeitável dupla de guitarristas. Jem Davies nos teclados onipresentes. E Mick Brown no baixo e Eddie Fincher na bateria, O estilo Tobruk foi "radicalizado" para AOR completo.

"Rock'n'Roll Casualty" puxa o gancho Jovi com autoconfiança e sem ficar vermelho. "Outtake" puro de "7800* Fahrenheit". O Hammond "envelhecido" do primeiro álbum dá lugar a teclados digitais de última geração, para um "Lick It Up" de sua autoria chamado "Love Is in Motion". São dias para isso. "Alley Boy" é o nicho perfeito para o estilo de Tobruk. Hard AOR com punch, contundência e altas doses de melodia. Que em "No Paradise in Heaven" acrescentam urgência e maturidade quase ao nível da Europa, Treat ou Skagarack (com licença). "Burning Up" abre o lado B com semelhanças com Shy nos refrões (Snake/Nigel/Mike) e modus operandi. A meia produção com Chris Gorham retrata o som de uma época com “hi-fidelity”.

Olhando friamente, é possível que "Wild on the Run" seja um álbum superior em composição, dentro de seu estilo hard rock. Mas a minha escolha por "Pleasure + Pain" deve-se ao seu claro clima de festa, despreocupado, selvagem e moeda corrente naqueles dias. É aí que este álbum define o momento. Além de ser uma rodada marcante.

Snake e Fincher vão para o Idol Rich. Enquanto Tobruk tenta com um cantor desconhecido chamado Tony Martin, que logo roubará o Black Sabbath deles (ou melhor, Iommi, que foi o que sobrou). Nova tentativa de Snake com uma formação original de The Wildhearts, que não alcança mais do que algumas demos. Mike Brown se junta ao baterista do Shy, Alan Kelly, em Why The Rabbit. Jem Davies e Eddie Fincher formam Midnight Blue com outro "desconhecido" na época, Doogie White, gravando um álbum em 94. Davies também colabora com UFO, Praying Mantis e FM. Nigel Evans faz turnê com Shy.



Em 2006, Snake morre. Todos estes movimentos pós-Tobruk reafirmam a qualidade indubitável de uma banda que merecia algo mais, deixando-nos dois bons discos (relançamentos e um ao vivo à parte), como legado de uma formação mais que potável. Pena. 

         

Jethro Tull - 1973-07-23 - Oakland Coliseum, Oakland CA

 


 23/07/1973
Oakland Coliseum, Oakland CA


Aqui está mais um show do poderoso Jethro Tull , de alguns anos antes, de sua lendária turnê americana de 1973. Mas este não é do taper Mike Millard (isso foi alguns anos antes de ele começar a gravar), é do Progressive Rock Remasters Project (PRRP) e uma ótima gravação remasterizada para o público. Este foi o A Passion Playturnê, e a turnê começou antes do álbum ser lançado, então para as primeiras datas (maio até a maior parte de julho), o álbum ainda não havia sido lançado. Os shows começaram com a execução completa de A Passion Play , que para o público que ainda não tinha ouvido, foi bastante para assimilar, 45 minutos de música ininterrupta, a maioria instrumental, às vezes bastante densa, e ainda mais escalada hardcore de Thick as a Brick . As primeiras críticas e reações não foram muito favoráveis. O show é, no entanto, extraordinariamente incrível. Mas A Passion Play leva algum tempo para se acostumar, várias audições para abraçar completamente tudo o que está acontecendo. Depois de jogar A Passion Play por 45 minutos, sem uma palavra falada, Ian Andersonse vira para o público e diz "e agora para o nosso segundo número", antes de lançar um trecho de quase 20 minutos de Thick as a Brick . Depois disso, a banda tocou várias seleções de Aqualung e outras faixas, antes de encerrar com todo o drama e emoção de 'Wind Up'. Tive a sorte de ver a banda nesta turnê, mas os vi alguns meses depois (em setembro), depois de ter tido tempo de sobra para absorver e digerir todas as complexidades e nuances de A Passion Play (álbum lançado no final July), e adorei o álbum (não tanto quanto Thick as a Brick , mas ainda assim um álbum incrível), então vê-lo tocado ao vivo por essa grande banda foi fantástico, e então ser seguido por Thick as a Bricke destaques Aqualung , foi tremendo. Mesmo assim, um dos melhores shows que já vi. De qualquer forma, aqui está o show completo (Nota: você tem que passar dos 9 minutos iniciais de apenas uma batida e música de fundo que abre o show antes da banda aparecer. Pessoalmente, havia um curta-metragem que tocava, mas com apenas a música de fundo mínima, é muito chato, mas uma vez que o show começa, é maravilhoso).  

 
Tracklist:
Disc One
- A Passion Play -
01. Lifebeats 08:57
02. Prelude 02:25
03. The Silver Chord 04:24
04. Re-Assuring Tune 01:14
05. Memory Bank 04:32
06. Best Friends 04:35
07. Critique Oblique 05:15
08. Forest Dance #1 01:15
09. The Story Of The Hare Who Lost His Spectacles 04:15
10. Forest Dance #2 01:43
11. The Foot Of Our Stairs 04:50
12. Overseer Overture 03:26
13. Flight From Lucifer 03:52
14. 10:08 From Paddington 01:06
15. Magus Perde 03:58
16. Epilogue 01:41
17. Thick As A Brick 17:07
18. Cross-Eyed Mary 04:09

Disc Two
01. No Rehearsal (segment) 02:12
02. Drum Solo (cut) 08:09
03. Instrumental 05:21
04. Maternity Ward 01:24
05. Aqualung 10:07
06. Band Introductions 01:35
07. Wind Up 13:05
08. Locomotive Breath 06:38
09. Wind Up Reprise 06:01

Personnel
Ian Anderson - Vocals, Guitar, Flute & Saxophone
Barriemore Barlow - Drums & Percussion
Martin Barre - Lead Guitars
John Evans - Keyboards
Jeffrey Hammond-Hammond - Bass Guitars


Destaque

Grandes canções: Van Morrison - "The Way Young Lovers Do" (1968)

  Esta linda canção do cantor/compositor irlandês Van Morrison apareceu em seu segundo álbum solo, "Astral Weeks" (lançado em nov/...