Em 2019, o ano que marcou o décimo aniversário do álbum “Femina”, The Legendary Tigerman passou mais de 3 meses em Paris à procura de um novo som, à procura de uma nova maneira de criar Rock’n’roll, escrevendo, pela primeira vez, canções com sintetizadores modulares e não guitarras.
Viu o Inverno a transformar-se em Primavera e a Primavera em Verão, tristemente viu a Notre-Dame a arder, vagueou, sozinho à noite, pelos corredores vazios do Le 104, passou dias a observar as pessoas a dançar em frente às janelas do seu atelier e realmente viveu Paris.
Sentiu a cidade, perdeu-se na cidade, viu o seu lado negro e a sua loucura, mas também a sua luz. Escreveu sobre tudo isso e esses pedaços de Paris foram a maior influência para a sua transformação, para a criação de uma nova voz.
A primeira música que escreveu foi “Good Girl”.
“Com “Good Girl”, senti finalmente que havia aqui algo novo nesta exploração de paisagens musicais desconhecidas, mas ainda assim mantendo a alma e o esqueleto de The Legendary Tigerman bastante vivos.
Foi emocionante ver esse novo som ganhar vida, dançar no escuro enquanto o sub-grave e os arpeggios dos sintetizadores modulares distorciam o meu PA e sentir que, ainda assim, continuava a fazer Rock’n’roll.
Foi também a primeira música que o Anthony Belguise produziu em Paris, mas, imediatamente, senti que precisava de um pouco de Roma, onde o “Femina” começou, tantos anos antes, com a Asia Argento (as primeiras músicas gravadas no “Femina” foram “Life Ain’t Enough for You” e “My Stomach Is the Most Violent of All of Italy”).
A Asia Argento foi a convidada perfeita para “Good Girl”: uma música sexy, poderosa e provocativa, pedia uma artista de rock badass e nisso a Asia é imbatível”, diz Tigerman.
A primeira faísca para este trabalho foi essa ideia de fazer outro álbum de colaborações – como o “Femina” – mas desde o início percebeu que estava a escrever músicas para as pessoas dançarem, e tudo o que tinha escrito e sentido – e que pertencia ao seu micro-cosmos – era, na verdade, mais universal do que pensou quando começou.
“Good Girl” é a primeira canção do novo disco do artista, a editar este ano, que será apresentado no festival Super Bock Super Rock, no dia 13 e Julho.
Post Malone está de volta com um novo single, “Chemical”. Este novo single conta com a participação especial de Mick Jagger, o incontornável vocalista dos Rolling Stones, que toca maracas neste novo tema.
“Chemical” assinala o início da próxima era de Post Malone, enquanto o artista conclui o quinto álbum de estúdio que é já um dos álbuns mais aguardados de 2023.
A caminho de um dos mais aguardados lançamentos de 2023, os Unsafe Space Garden fazem mais uma paragem em jeito de antecipação com “TREMENDOUS COMPREHENSION!”.
O mais recente single do sexteto é o último apeadeiro antes de perguntar ao destino aonde é que ele pôs o chão, com uma malha que nos serena o olhar no momento de encarar o espelho, convidando-nos numa jornada pelos subúrbios do “eu” ao som de um hino cartoonesco e cúmplice de uma assustadora verdade que nos faz querer cantar em uníssono.
Tal como a alegada inocência das crianças, suavemente enclausurada d@s outr@s (e de nós própri@s), a canção que os estádios não querem ouvir guia-nos de ilusão em ilusão até à derradeira à derradeira desilusão que nos põe a levitar por cima do caos iminente.
No seguimento da anterior “GROWN-UPS!”, os Unsafe Space Garden não precisavam de mais uma prova de maturidade artística de uma banda que não joga pelas mesmas regras do mundo que inventou o UNO e da qual questões de género ou de influências há muito ficaram para lá do retrovisor.
A estreia dos White Stripes é puro desbravamento de terreno desconhecido, guitarra na mão servindo de catana e bateria por trás a manter o ritmo de exploração imparável. Nada foi igual, mas só o saberíamos uns anos depois.
Ainda faltavam dois anos para a verdadeira revolução rock (ou vá, um novo capítulo de evolução) chegar com os Strokes e o seu Is This It, mas os White Stripes plantavam aqui as primeiras sementes do indie rock que haveria de atingir os escaparates lá para o final de 2001. Partindo de uma base de blues, colocando na bimby laivos de punk e de garage rock, Jack e Meg criaram uma receita distinta e bombástica, mas que ninguém ouviu na altura, a não ser frequentadores de bares de música ao vivo em Detroit. Consta que um tal de John Peel pegou neles e fez uma das suas em Julho de 2001, já com o De Stijl lançado, mas ainda bem antes do pico da coisa.
Para quem não se recorda, 1999 foi um momento no tempo desolador em termos de rock. Basta ir ver o alinhamento e a estupidez que foi o Woodstock 99 para se perceber isso mesmo – as escolhas variavam entre o nu metal dos Korn e Limp Bizkit e uns “alternativos” Creed e Live, passando por uns facilmente esquecíveis Lit e Buckcherry, tudo embrulhadinho num inenarrável Kid Rock. Urgia uma mudança radical e nada como mudar um século e um milénio para virar a página. Para tal foram essenciais os White Stripes, mas também os Strokes e uns tais The Hives, vindos da gelada Suécia mas prontos a conquistar o mundo, com um back to basics, editando, em 2000, o abrasivo Veni Vidi Vicious.
Se quisermos definir The White Stripes numa palavra, essa será cru. Ir às raízes buscar a base de tudo, neste caso ao Delta do Mississipi buscar inspiração em Son House, mítico bluesman. Juntar um esquema de cores primitivo para tudo, a trilogia vermelho, branco e preto. Letras sobre emoções básicas – amor e ódio. Parece simples, mas o que é certo é que naquele momento ninguém o estava a fazer, e o casal White soube encontrar e preencher a lacuna, dando-lhe a velocidade e rugosidade das bandas de garage rock dos anos sessenta.
Como a maioria dos comum mortais, só fui descobrir este disco no pós-Elephant, e pareceu-me apenas um bom princípio para o que veio depois, mas revendo agora está aqui um belo produto jack whitiano, sem cedências ou concessões a editoras, ele e a sua guitarra catana a desbravar terreno desconhecido, com a sua querida Meg a acompanhar com a sua cadência metódica e contundente.
Lançado no ano da pandemia, Eva é mais uma prova (como se fosse preciso) de importância de Cristina Branco no panorama da música nacional.
Cristina Branco ataca-nos com toda a sua “Delicadeza” durante 35 minutos, não sendo portanto grande “Prova de Esforço” ouvi-lo de uma “Leva” e voltar ao início para repetir. Mas só “Quando eu Quiser”, atentem bem, que admito ter “Mau Feitio” e não fazer as coisas só porque os leitores assim exigem. Sou assim desde os tempo de escola, se a professora mandava fazer “Contas de Multiplicar” achava aquilo tão fácil que pura e simplesmente me recusava a tal tarefa, se o tema fosse História e falar do passado eu suplicava “Conta-me dos Vivos”, para me distrair. Apesar de tudo isto, consegui arranjar uma “Maria” que me ature dia após dia. Às vezes não é fácil e nesses casos recorremos à intervenção d'”A Doutora”, que está de momento assoberbada de casos clínicos de depressão, esta pandemia trouxe à Terra um “Inferno do Céu” cujas ramificações estamos ainda por desvendar. Haja música para nos fazer passar por tudo. Haja Eva.
Eva é resultado de duas residências artísticas de Cristina Branco – uma em Loulé, outra no Museu de Arte Moderna de Louisiana, na Dinamarca e coloca a voz de Cristina Branco a cantar letras de vários contribuidores para o álbum, casos de Francisca Cortesão, André Henriques, Kalaf, Pedro da Silva Martins e o seu irmão Luís José Martins (Deolinda), Filipe Sambado e Sara Tavares. Um bonito rendilhado que se apoia no fado para daí crescer e incorporar elementos pop e jazzísticos e tornar a música portuguesa bastante mais rica. Cristina Branco é um dos nomes mais internacionais que temos e percebemos bem porquê.
Um algarvio a soar a Cabo Verde. Uma figura lisboeta a soar ao Mundo. Um músico capaz de cantar a mais tradicional das canções e de nos fazer sentir como se estivéssemos a ouvir a mais recente das tendências de dança. Sem nunca deixar de soar a Portugal, Dino soa ao Mundo. Será esse o seu segredo?
Apareceu discreto e foi ficando. Aparecendo aqui e por ali, ora sozinho ora acompanhado, em versão tradicional ou em versão Lux, numa dança muito sua, mas que cada vez mais gente contagia. Em 2018, com Mundu Nobu, Dino estreou-se entre os melhores. Da estreia (Eva, 2013) ao seu novo Mundo, ganhara personalidade, confiança até no talento em que, parece, ter demorado a confiar. E nunca mais lhe perdemos o rasto.
Continuou a aparecer, ora sozinho ora nem tanto, mas sempre por perto. Tão perto que 2018 parece ter sido há três vidas. Culpa da pandemia, dirão os cépticos. Magia da música, digo-vos eu, fã convicto da música do Continente berço e das boas misturadas que de lá nos vão chegando. E Dino é uma grande misturada. Será esse o seu segredo?
Admito que a pandemia possa ter ajudado, mas não sei há quanto tempo foi 2018. Menos ainda sei por onde andava em 2013. E a ideia que tenho é que o Dino sempre andou por aí. Na sua dança, entre o TitoParis, a Cesária e o Branko, ora a fazer-nos dançar ora a fazer-nos cantarolar versos a que só podemos tentar adivinhar o significado.
Não foi acidente KRIOLA ter acabado entre os melhores discos nacionais do ano. Da “Roda” ao “Kriolu”, da “Sofia” ao “Arriscar”, num ano em que tudo nos foi proibido, Dino fez-nos dançar, também nos fez viajar para paragens mais quentes, mais livres. Também nos lembrou de quando a vida era mais simples, de quando podia bastar sair para dançar, funaná ou funk como diz a já famosa t-shirt, de quando viajar era tão mais caro quanto mais simples. 2020 foi o ano em que Dino nos lembrou que, afinal, andou sempre por aí. Será esse o segredo?
Ao terceiro longa duração, o duo portuense de Black Metal encontrou uma fórmula para encaixar no seu caos distorcido e gutural a elegância jazzística do saxofone e do trompete.
Jazz e black metal. Misturar estes dois géneros pode soar uma “pizza de nutella”, recorrendo a uma expressão usada por um membro do Altamont, mas o resultado não deixa ninguém indiferente, goste-se ou não do que se ouve. E a conjugação é mais natural do que parece: afinal, negrume é sempre negrume, seja qual for o género.
Ao terceiro longa duração, os Névoa encontraram uma fórmula para encaixar no seu Black Metal o saxofone elegante do alemão Julius Gabriel (que já trabalhou com a London Jazz Composers Orchestra) e o trompete gritante do norueguês Arve Henriksen (que já prestou os seus serviços ao pianista soviético Misha Alperin e a David Sylvian, frontman da banda Japan). O resultado é Towards Belief, 40 minutos de improviso hipnotizante, atmosférico e caótico, entre escalas harmónicas menor da guitarra, ora distorcidas ora límpidas, embebidas nos requintes jazzísticos dos instrumentos de sopro – e com o ocasional gutural de Nuno Craveiro.
Curiosamente, este disco está pronto desde outubro de 2018, após oito meses de labuta sonora dentro do estúdio onde aprimoraram este som fora da caixa. Divergências com o manager levaram ao adiamento do seu lançamento. Dois anos depois, Towards Belief finalmente vê a luz do dia. Ou melhor, a escuridão de quem a procura. E é assim que chega ao top nacional Altamont, pelos Névoa serem, como a jornalista Kim Kelly os descreve, uma “lufada de ar fresco”.
Em Meia Riba Kalxa, Tristany alonga-se nos temas, sem preconceitos, compõe e canta sobre camadas rítmicas muito diferentes e mistura isso com conversas e sons de rua. Partindo do hip-hop, Tristany expande-o ao infinito, misturando-o com tudo e mais alguma coisa. Sempre com intenção.
Fazer música original é talvez um dos grandes e mais difíceis desafios de quem decide pegar em alguma coisa, seja um instrumento real, seja uma mesa de mistura, sejam técnicas de produção digitais.
Quem decide começar a fazer música tende a gostar de ouvir música, tende a ter os seus modelos artísticos, tende a inspirar-se por esses modelos. E tende a ter receio: o risco de fazer uma coisa que se diferencie de tudo o que ande a ser feito, seja pelos amigos seja pelos pares e por aqueles que se admira, é imenso.
É pela imensidão de música antiga e presente e pelo risco de procurar terrenos realmente novos, por isso movediços, que é difícil encontrar artistas e discos profundamente originais, cuja música não tenha paralelo próximo. Gente crie uma fórmula que não se encontre em mais lado nenhum.
Alegremo-nos, portanto: em 2020, a música portuguesa foi confrontada com um álbum que não só é único, diferente de tudo o resto que se anda a fazer em todos os géneros ‘cantados’, como ainda por cima não soa gratuito na subversão nem expansivo, eclético e diferente só por mera vontade de brincar com sons.
Tristany, João Tristany, um rapaz português de ascendência angolana que cresceu na Linha de Sintra e que quando editou este disco tinha 24 anos, lançou a primeira canção de Meia Riba Kalxa em 2018. O disco saiu dois anos depois e isso não é surpresa: é percetível, ouvindo-o de fio a pavio, que cada canção foi muito trabalhada, que o som é desconcertante e desarmante porque foi trabalhado ao mesmo tempo livremente e com detalhe.
Fazer uma canção com letras relativamente simples, com estrutura de verso-refrão ou fazer temas de hip-hop com a ladainha do costume (as mesmas palavras de sempre, as mesmas batidas de sempre, os discursos de sempre) não é necessariamente fácil — há quem o faça bem e quem o faça de forma desinteressante. Mas fazer um disco em que cada canção parece conter duas ou três canções dentro de si, que soa a algo que nunca ouvíramos, que consegue misturar sons de rua, gravações com o som manipulado, batidas de todos os tipos e diferentes ritmos (mais dolentes e emotivas, mais agressivas e rappadas, mais eletrónicas e cósmicas, mais ambientais e contemplativas, mais ritmadas e percussivas), em português e crioulo, é um desafio e pêras.
Tristany, que cresceu com dois pais músicos, diz sentir que não é exatamente um músico. É um músico, talvez, mas acha que não é menos um cineasta, um jornalista, um documentarista que através da música conta e canta o que viu enquanto crescia.
Acresce que Meia Riba Kalxa tem algumas canções verdadeiramente portentosas e alguns pedaços de música desarmantes. A guinada a meio de “Amor de Jinga”, por exemplo, revela uma audácia imensa. “Rapepaz” é uma das canções mais bonitas feitas e cantadas neste país nos últimos anos, perfeita do início ao fim, original da primeira à última nota, do português ao crioulo, começando como soul eletrónica e dolente, espécie de Frank Ocean movido a Xanax e tristeza, e acelerando até uma toada mística, antes de Tristany voltar a dar a primazia à palavra dorida. E deixando várias frases a reter, de “só quis ser jogador porque cantor não dá nacionalidade onde eu nasci” ou “é na Lisboa adormecida que se sentem as verdadeiras almas”.
Apesar dessa obra-prima que é “Rapepaz”, todo o disco é um abalroamento ao ouvinte. Entre rap lo-fi, canto baldeiro e arrastado com efeitos eletrónicos e distorcidos, uivos, conversas entre amigos, hip-hop e R&B enevoado e espacial, afro-dança inspirada por vários ritmos africanos, tarraxo (na senda do que se ouve na editora da Príncipe Discos), funaná, uns pozinhos jazzísticos, há de tudo. E há outras grandes canções, como a montanha-russa de ritmos “Aciclas” (com Blade, Julinho KSD e Chullage), “O Menino Ke Brinkava Com Bonekas” (mais uma grande cantiga emotiva, de soul eletrónica cósmica e atmosférica), as rimas de “Mark Landerz” e “Verde 2”, a festa cheia de vozes, barulhos, rua e vida de “Naxer Du Sol”, o R&B muito próprio que se há-de tornar electrónica e rua tornada música de “Mô Kassula”, uma “Verde 1” com pratos de bateria, sopros jazzísticos, a voz de Chullage e a liberdade do free-jazz trazida para este exercício libertário crioulo e crítico das relações humanas com o “verde”, o dinheiro.
O autor diz que não quer representar nada, quer testemunhar. Talvez seja por isso que o álbum é tão inclusivo, abraçando sonoridades tão diferentes umas das outras, incorporando tantas vozes e sons de ambiente e rua. Não encontramos palavras que o definam melhor do que “livre”, “vivo”, “comunitário”, “rua”. E estão lá outras coisas: reflexões sobre a relação entre a periferia e o crime (sem moralismos nem romantismos, muito menos glorificações, mas enquadrando-o), sobre as desigualdades raciais, a forma como as desigualdades raciais originam outras desigualdades (e vice-versa).
Talvez seja impossível perceber inteiramente Meia Riba Kalxa, pese embora todas as tentativas de críticos e jornalistas. Talvez fosse preciso ter crescido na periferia, conhecer as ideias de Tristany a fundo, perceber o que quer dizer com as coisas que diz, perceber tudo o que ouviu, que conversas teve, o que gosta de ouvir e o que procura quando faz música. Talvez fosse preciso mais tempo e mais vida. Que sabemos nós, que não crescemos na periferia, não sabemos o que é viver na sua pele, não acompanhámos a construção de tudo isto a par e passo, não compreendemos sequer inteiramente todo o seu discurso? Mas se compreender pode ser inglório, apreciar não é difícil. Basta colocar a tocar, perceber que tudo isto é novo e que tudo soa único, próprio, autêntico, a sério, bom. Sem caixas nem rótulos, Tristany tornou-se um artista à parte.
Meia Riba Kalxa é sonho e lamento, festa e melancolia, tensão e distensão, agressividade e placidez. É a rua, a periferia e os sonhos de quem nela cresceu transformados num objeto artístico com drama, vida e seus diferentes ritmos, festa e tristeza, dor e conquista. Que tenha saído no ano em que o cineasta Basil da Cunha nos presenteou a todos com o espantoso O Fim do Mundo, um filme que também não romantiza a rua e a periferia mas a humaniza e a mostra na sua completude, cheia de cores e emoções e ‘andamentos’ rítmicos, é só uma coincidência feliz.
“Next Emma Stone” é um tema de ruptura, que sublinha a vontade da banda em procurar novas formas de abordar a sua música. Este single junta-se ao recém-lançado EP “The Silence Between Songs”, gravado ao vivo durante a pandemia, e que deu também origem a um filme-concerto.
Depois da tour de apresentação do segundo disco de estúdio, “Under The Weather” (2020), ter sido cancelada, os Them Flying Monkeys isolaram-se em Tavira, no Algarve, numa tentativa de explorar novas texturas e sonoridades.
“Next Emma Stone” é o primeiro vislumbre do retiro da banda, um grito de emancipação solitário, desenhado sob dúvidas e frustrações. Uma canção em forma de revolta, que não teme ser levada pelo rock n’ roll a um lugar de desapego e introspecção, podendo ser vista como a antítese de uma “love song”.
A acompanhar este regresso, os Them Flying Monkeys disponibilizaram um EP gravado ao vivo em período de isolamento, “The Silence Between Songs”. A sessão deu origem a um filme-concerto com o mesmo nome, que estreou este mês em exclusivo no Canal 180, com mais emissões hoje, 14 de abril, e nos dias 22 e 27 de abril (depois das 23:59).
Esta sexta feira, 14 de abril, é o dia em que Salvador Sobral começa a mostrar o seu novo trabalho de estúdio. “al llegar feat. Jorge Drexler” é o primeiro tema de avanço do novo álbum “TIMBRE” que estará disponível a 29 de Setembro de 2023.
Sobre o novo single Salvador Sobral conta-nos todo o processo: “Todos los propósitos cambian de forma al llegar”
“Foi tendo este ditado como ponto de partida que surgiu esta canção, construída quase em forma de esqueleto esquisito com o meu companheiro de sempre Leo Aldrey. Eu enviava-lhe uma frase e ele respondia com outra, como num diálogo. Foi um processo de construção muito semelhante ao que se passa numa conversa entre duas pessoas. Talvez por isso mesmo, tenha sido claro desde o início que teria de ganhar forma num dueto. Quando compusemos a música, era claríssimo que, ainda que de forma involuntária, ia beber muito ao universo musical do Drexler. Há muito tempo que o Drexler me dizia que gostava que gravássemos juntos, mas foi um parto difícil. Enviei-lhe a canção quando estava pronta, ele adorou e quis logo avançar, mas até acertarmos agendas ainda demorou uns largos meses. Ele sempre me disse: continua a chatear-me, porque quero muito fazer isto, havemos de encontrar um dia. E assim foi, de um momento para o outro escreveu-me a dizer que vinha para Madrid e tinha uma janela de tempo para ir para estúdio, eu apanhei um avião e daí a pouco tempo estávamos a gravar a “al llegar”.
Com o videoclipe aconteceu mais ou menos a mesma coisa: a única altura em que o Jorge podia gravar, era num espaço de duas horas antes do concerto dele em Lisboa. Falei logo com a Casota – perfeita para este tipo de missões impossíveis – e eles tiveram esta ideia de fazer uma espécie de quadro vivo, que acabou por funcionar muito bem. A letra assenta muito na ideia de que todos os nossos propósitos ou intenções, mudam assim que lá chegamos. Essa vontade de ir sempre atrás de mais qualquer coisa, de que há sempre um sonho novo a surgir, sempre que um outro se cumpre. Como este que cumpro agora ao editar esta canção. Sinto-me muito grato por ter tipo a oportunidade de gravar com um dos artistas que mais admiro. E de poder ir jantar e conversar com ele depois!”