segunda-feira, 6 de novembro de 2023

“Here's Little Richard” (Specialty, 1957), Little Richard

 




Richard Wayne Penniman nasceu em pleno Natal de 1932, em Macon, Geórgia, Estados Unidos. Filho de pai que ganhava a vida contrabandeando bebida clandestina, e de mãe membro de Igreja Batista, Richard era o terceiro filho de um total de doze que o casal Penniman pôs no mundo. Sua família era bastante religiosa e conservadora, o que iria gerar mais tarde conflitos entre o futuro astro do rock e seu pai.   

Na infância, Richard começa a cantar música gospel numa igreja evangélica que sua família frequentava, em Macon. Aprende a tocar saxofone e piano na adolescência. E é justamente na adolescência que os conflitos entre Richard e seu pai se tornam intensos. O estopim foi a homossexualidade de Richard que se revela mais aflorada, o que motiva seu pai a expulsá-lo de casa aos 15 anos de idade.

Expulso de casa, Richard ganha o mundo e inicia a sua carreira profissional cantando nos shows itinerantes de Doctor Nubillo. Entre 1949 e 1950, integrou a orquestra de Buster Brown, que o batiza com o nome artístico que o tornaria famoso no mundo inteiro mais tarde: Little Richard.

Little Richard na adolescência.

Ao mudar-se para Atlanta, na Geórgia, Richard frequenta clubes e casas noturnas da cidade, e nelas tem contato com o rhythm and blues assistindo a apresentações de Roy Brown e Billy Wright, artistas que irão influenciá-lo artística e esteticamente. Torna-se amigo de Billy Wright, e dele adota o estilo de penteado, maquiagem e o bigode feito a lápis. Um outro artista influenciou esteticamente Little Richard foi o cantor Esquerita (1935-1986), cujo nome de batismo era Eskew Reeder Jr., e que se apresentava usando figurinos bastante extravagantes e topete exagerados. 

Em 1951, Billy Wright apresenta Little Richard a Zenas Sears, um radialista branco que tinha um programa numa emissora de rádio em Atlanta dedicado à música. Richard tornou-se uma das atrações nas apresentações ao vivo que Sears costumava promover. Acreditando no seu talento, Sears fez algumas gravações de Little Richard e as enviou para a gravadora RCA Victor, que logo o chamou para assinar um contrato.

Através da RCA Victor, Little Richard lançou entre 1951 e 1952, quatro singles com duas canções cada uma, mas sem nenhuma repercussão, o que motiva o fim do contrato com a gravadora. Richard deixa Atlanta e vai morar em Houston, onde assina em 1953 com uma gravadora local, a Peacock Records, que lança dois singles, mas que também não causam nenhuma repercussão.

Billy Wright e Esquerita: referências estéticas para Little Richard.

Desiludido com o fracasso comercial dos singles que gravou, Little Richard retorna a Macon em 1954. Nessa época, o pai de Richard já era falecido haviam dois anos. Foi assassinado a tiros inacreditavelmente pelo melhor amigo de Richard.

Para sobreviver, Richard foi trabalhar como lavador de pratos num restaurante em Macon. Mas ele não havia desistido da música definitivamente: em fevereiro de 1955, envia uma fita demo para a gravadora Specialty Records. Sete meses depois, veio a resposta da gravadora que enxergou em Little Richard, um artista que ela procurava para enfrentar no mercado fonográfico Ray Charles e Fats Domino, cantores pianistas negros que estavam fazendo um enorme sucesso. Richard além de cantar e tocar piano, tinha um estilo próprio e fora do comum de apresentar-se ao vivo.

Richard rescinde o contrato que ainda tinha com a Peacock Records, e assina com a Specialty Records, que de imediato escala Robert “Bumps” Blackwell para produzir as gravações do seu novo contratado.

Em setembro de 1955, Blackwell e Little Richard partiram para Nova Orleans, onde foram fazer as primeiras gravações do jovem cantor pela Specialty no J & M Studios, do engenheiro de som Cosima Matassa, estúdio fundado por ele em 1945 e que foi fundamental na formatação do som que daria origem ao rock’n’roll. Diversos astros da música como Fats Domino e Ray Charles, costumavam gravar no J & M Studios naquela época.

A contratação de Little Richard foi uma resposta da Speciality Records ao
sucesso de Ray Charles e Fats Domino.

Durante as gravações, Little Richard foi acompanhado por músicos da orquestra de Dave Bartholomew, e que se tornaram músicos de estúdio excepcionais como o saxofonista Lee Allen - cujos solos de saxofone tenor se tornaram padrão no rock'n'roll - Alvin "Red" Tyler (saxofones barítono), Huey Smith (piano), Ernest McLean (guitarra), Frank Fields (baixo) e Earl Palmer (bateria).

O primeiro single de Little Richard pela Specialty a ser lançado foi nada menos que “Tutti-Frutti”, em outubro de 1955. Ao contrário dos singles anteriores que Richard gravou pela RCA Victor e Peacock Records, este causou um grande impacto no meio musical norte-americano. A começar com a voz gutural de Little Richard no início da música ao berrar o indecifrável “Wop bop a loo bop a lop bam boom!”. O single alcançou o 2º lugar da parada de rhythm and blues da Billboard, nos Estados Unidos, e o 29º lugar no Reino Unido. As vendas do single atingiram a marca de 1 milhão de cópias.

Little Richard no auge da fama. 

Daí em diante, seguiram-se mais cinco singles lançados pela Specialty até o lançamento do primeiro álbum, dentre os quais o de “Long Tall Sally” (1º lugar na parada de singles de rhythm and blues da Billboard em março de 1956) e de “Rip It Up” (1º lugar na parada de singles de rhythm and blues da Billboard em agosto de 1956). A ascensão de Little Richard acabou atraindo a atenção de outros astros do rock’n’roll como Elvis Presley, Bill Haley, Eddie Cochrane e Pat Boone que regravaram as canções que se tornaram sucesso na sua voz.

Em março de 1957, a Specialty lançou o primeiro álbum de Little Richard, intitulado Here's Little Richard. Além das faixas lançadas anteriormente como singles, o álbum trouxe outras até então inéditas. Here's Little Richard é marcado pelo vozeirão agressivo e potente de Richard, e o seu piano frenético e nervoso. As raízes musicais que deram formato ao rock’n’roll, como o blues, o rhythm and blues, o jazz, o boogie-woogie e o jump blues, estão presentes ao longo das 12 faixas que compõem o álbum.

Bill Haley e Elvis Presley foram alguns dos astros do rock que regravaram
sucessos de Little Richard.

Here's Little Richard abre com a música que foi o primeiro single de Richard pela Specialty, a extraordinária “Tutti Frutti”, e o seu já conhecido grito indecifrável. Little Richard toca seu piano inquieto, enquanto Lee Allen faz os solos de saxofone tenor fenomenais, o que demonstra que nos primórdios do rock’n’roll, as guitarras ainda não tinham assumido o protagonismo nesse gênero musical.

Embora seja um rock’n’roll, percebe-se em “True Fine Mama” que Little Richard escancara nos seus vocais as suas raízes na música gospel que ele aprendeu a cantar na igreja durante a infância, uma influência que ele carregaria para o resto da sua carreira artística. Em toda a canção os vocais são apoiados no canto à base de “chamada e resposta”, um legado da música gospel que o rock’n’roll e a soul music herdaram.

“Can’t Believe You Wanna Leave” é uma balada romântica sobre um homem que sofre ao saber que a mulher que ama irá partir com outro homem. Richard faz um uso da sua voz potente, cantando de maneira estridente na busca de dar ênfase à dor desse homem que fora abandonado pela mulher tanto amou.

Em “Ready Teddy”, Little Richard canta sobre o efeito irresistível que o rock’n’roll causa nas pessoas. A música for regravada por Elvis Presley, Buddy Holly, The Tornados entre outros astros do rock.

Little Richard e sua banda em performance no filme Don't Knock The Rock 
(Ritmo Alucinante, no Brasil), em 1956.

Little Richard canta em “Baby”, mas o piano aqui fica por conta de Huey Smith. Nesta faixa, os saxofones exercem um total protagonismo. A presença intensa dos saxofones prossegue em “Slippin’ And Slidin”, onde o saxofone barítono de Alvin Tyler, juntamente com o piano frenético de Little Richard, “forram” o fundo instrumental da música, enquanto Lee Allen desfila com solos magníficos com o seu saxofone tenor.

A contagiante “Long Tall Sally” é outra faixa antes lançada como single e que foi incluída no álbum. Richard canta alucinadamente e toca piano. Lee Allen mais uma vez se destaca com seu saxofone tenor em solos brilhantes. “Long Tall Sally” é um dos maiores sucessos da carreira de Little Richard. Foi regravada por vários artistas, dentre os quais Pat Boone, Elvis Presley e Beatles.

“Miss Ann” é um rhythm and blues de ritmo moderado cuja letra trata da paixão de um homem pela senhoria Ann, a quem diz que estar ao seu lado, é como morar no paraíso. Um tormento toma conta de Little Richard em “Oh Why”, em que ele sonha que está preso por um crime que não cometeu.

Little Richard dando um trato no topete.

Lançada antes como single, “Rip It Up” é um rock’n’roll sobre a felicidade de um rapaz que recebe o seu salário e sai na noite de sábado para se divertir. “Rip It Up” ganhou versões de Bill Haley & His Comets, Elvis Presley, Chuck Berry e Buddy holly.

Little Richard parece entrar numa maratona vocal em “Jenny, Jenny”, fazendo os vocais de “chamada e resposta”. Normalmente isso é feito entre o cantor e os vocais de apoio. Os saxofones pontuam todo andamento da faixa, tendo uma participação mais perceptível do saxofone barítono fazendo a base rítmica, enquanto o saxofone executa os solos.

Fechando o álbum, “Shes Got It”, um rock’n’roll sobre uma linda e sedutora garota de olhos azuis e longos cabelos negros. Animada, a música a partir da sua reta final traz um “duelo” entre o piano enlouquecido de Little Richard e os solos de saxofone tenor de Lee Allen, ambos tocando num ritmo como se estivesse disputando uma corrida.

Here's Little Richard figurou por cinco semanas em 13º lugar na parada de álbuns da Billboard, nos Estados Unidos. O sucesso que já vinha desfrutando desde o lançamento dos compactos, o levou a uma turnê pela Austrália com Gene Vincent & Blue Caps e Eddie Cochrane. No meio da turnê australiana e em pleno auge da fama, Richard anuncia que está abandonando a carreira artística para se dedicar à religião. Ao voltar aos Estados Unidos, decide que irá se dedicar à música gospel. Nos próximos sete anos, lança discos e faz shows voltados à religião.

Little Richard em 1962, quando se apresentou em Liverpool, Inglaterra, e teve os Beatles
abrindo o seu show, dois anos antes da fama mundial. 

Em 1964, com a “Invasão Britânica”, capitaneada pelos Beatles, Richard volta ao rock’n’roll, uma atitude que se tornará constante ao longo de sua vida, o que demonstra um conflito entre a sua religiosidade e o rock’n’roll que permaneceu ao longo de sua vida.

Apesar de tudo, Little Richard já havia plantado as sementes do futuro do rock nos anos 1950 quando vivenciou a plenitude da sua carreira. Os cortes extravagantes de cabelo, os figurinos espalhafatosos e a sua postura um tanto quanto efeminada, anteciparam o glam rock de David Bowie e Marc Bolan nos anos 1970. A equação astro do rock, piano e excentricidade e apresentações explosivas, serviu de modelo para Elton John. Seu canto potente, agressivo e selvagem, influenciariam mais tarde os vocalistas de hard rock como Ian Gillan (Deep Purple) e Bon Scott (AC/DC).

Embora Richard tenha gravado vários discos durante a sua longa carreira, ele nunca conseguiu gravar um álbum que superasse Here's Little Richard, que em 2003, figurou em 50º lugar na lista dos 500 Maiores Álbuns De Todos Os Tempos da revista Rolling Stone.

Faixas

Lado 1 
  1. "Tutti Frutti" (Richard Penniman - Dorothy LaBostrie - Joe Lubin)
  2. "True, Fine Mama" (Penniman)
  3. "Can't Believe You Wanna Leave" (Leo Price)
  4. "Ready Teddy" (Robert Blackwell - John Marascalco)
  5. "Baby" (Penniman)
  6. "Slippin' and Slidin'" (Penniman - Eddie Bocage - Al Collins - James Smith)


Lado 2 
  1. "Long Tall Sally" (Enotris Johnson – Blackwell - Penniman)
  2. "Miss Ann" (Penniman - Johnson)
  3. "Oh Why?" (Winfield Scott)
  4. "Rip It Up" (Blackwell - Marascalco)
  5. "Jenny, Jenny" (Johnson - Penniman)
  6. "She's Got It" (Marascalco - Penniman)

"Tutti Frutti"



"True Fine Mama"



"Can't Believe You Wanna Leave"



"Ready Teddy"



"Baby"



"Slippin' And Slidin (Peepin' And Hidin')"



"Long Tall Sally" (Little Richard em
performance no filme 
Don't Knock The Rock, 1956)



"Miss Ann"



"Oh Why?"



"Rip It Up"



"Jenny Jenny"



"She's Got It"


“Estúpido Cupido” (Odeon, 1959), Celly Campello

 


Famosa pelos sambas-canções falando das dores do amor carregadas de versos melodramáticos, Nora Ney (1922-2003) foi, no entanto, a primeira voz a gravar um rock no Brasil. Em outubro de 1955, ela gravou, em inglês, “Rock Around The Clock”, grande sucesso de Bill Haley & His Comets que estava varrendo os Estados Unidos de ponta a ponta naquele mesmo ano. A gravação de Nora dava à luz o rock brasileiro.

Porém, o grande ídolo do rock brasileiro estava por vir pouco depois, e assim como Nora Ney, também era mulher, mais precisamente, uma garota de 16 anos: Celly Campello (1942-2003). Com sua voz doce, jeito meigo e carismático, Celly se tornaria ainda adolescente, o primeiro grande fenômeno de massa do rock brasileiro. Entre 1959 e 1962, emplacou vários rocks ingênuos e canções românticas “açucaradas” que embalaram mentes e corações de milhões de jovens de norte a sul do Brasil naqueles “anos dourados”.

Nascida em 18 de junho de 1942, em São Paulo, Célia Bennelli Campello, ainda bebê, mudou-se com sua família para Taubaté, interior do estado de São Paulo. Aos seis anos de idade, a pequena Célia fez a sua primeira apresentação ao vivo cantando na Rádio Cacique, em Taubaté. Dali em diante, sucederam-se as apresentações nas emissoras de rádio de Taubaté, juntamente com seu irmão, Sérgio Campello, mais velho do que ela. No comecinho de sua adolescência, Célia passa a apresentar o seu próprio programa na Rádio Cacique, ao lado do irmão Sérgio.

Em 1956, Sérgio Campello deixa Taubaté e parte para São Paulo para buscar novas possibilidades na carreira artística. Dois anos depois, consegue um contrato com a gravadora Odeon para gravar um disco de 78 rotações com duas canções. Teve a ideia de convidar a irmã Célia, que ainda morava em Taubaté, para gravar a outra canção. Sérgio gravou “Forgive Me”, enquanto que Célia gravou “Handsome Boy”. Os dois foram acompanhados nas gravações por Mário Gennari e seu conjunto. O próprio Mário Gennari foi também o produtor. O radialista Hélio Alencar, da Rádio Nacional de São Paulo, foi quem criou os nomes artísticos para os dois irmãos: Sérgio passou a ser conhecido como Tony Campello, e Célia, virou Celly Campello. E foi com esses nomes artísticos que o primeiro disco dos irmãos Campello chegou às lojas, em junho de 1958, e vendeu mais de 38 mil cópias. Em outubro do mesmo ano, é lançado um disco de 78 rotações apenas de Celly, com as canções “Devotion” e “O Céu Mudou de Cor”.

Mas o salto para o sucesso de Celly Campello acontece com o lançamento do disco de 78 rotações com “Secret” e “Estúpido Cupido”, em março de 1959. O lado B que trouxe “Estúpido Cupido”, versão em português feita por Fred Jorge para “Stupid Cupid”, composta por Neil Sedaka e  Howard Greenfield, e que fez um grande sucesso mundial na voz de Connie Francis, em 1958. Aqui no Brasil, no entanto, a música sobre o cupido e suas flechas do amor catapultou Celly para o estrelato, aos 16 anos. O disco com “Estúpido Cupido” chegou à incrível marca de 120 mil cópias, tornando Celly o primeiro grande fenômeno do rock brasileiro. Assim como ela, seu irmão, Tony Campello, prosseguia a sua carreira de rock star brasileiro com grande êxito.

Em maio de 1959, Celly estreou o seu próprio programa de TV, o Crush Em Hi-Fi, na TV Record de São Paulo, comandado por ela e seu irmão Tony, e no qual recebiam convidados, todos eles ligados ao nascente rock brasileiro como Wilson Miranda, Sérgio Murilo, George Freedman, Demétrius, Ronnie Cord e The Jordans.

Os irmãos Celly e Tony Campello em divulgação de disco em
uma emissora de rádio, em 1959. 

Finalmente, em setembro de 1959, a gravadora Odeon lançava o primeiro álbum de Celly Campello, Estúpido Cupido, título da música que era o grande sucesso do início da carreira da jovem cantora, e uma das músicas mais tocadas daquele ano no Brasil.

Estúpido Cupido é um álbum que reflete muito bem o jeito meigo e carismático da cantora. É recheado de rocks e canções românticas com um frescor juvenil. Embora seja um disco precursor do rock brasileiro, Estúpido Cupido está distante da transgressão do rock americano, e se aproxima mais do romantismo do rock italiano. Se em tese, o rock é a mola mestra de Estúpido Cupido, o conteúdo do álbum passeia por outros gêneros musicais como bolero, calypso e rumba, além é claro, das baladas românticas carregadas de muito sentimentalismo adolescente. A grande maioria das músicas são versões em português ou regravações em inglês de canções do rock e pop estrangeiros da época. As versões em português são de Fred Jorge, que se tornou um especialista no assunto. Um detalhe interessante no álbum é que das doze faixas, cinco são cantadas por Celly em inglês.

O álbum começa muito bem com a faixa-título, já que havia sido lançada num disco de 78 rotações que vendeu mais de 100 mil cópias. Em “Estúpido Cupido”, a canção, Celly canta de maneira graciosa e muito bem afinada. Aliás, chama a atenção como Celly era tão bem afinada, apesar da pouca idade. “Estúpido Cupido” é uma das melhores versões feitas em português para uma canção estrangeira, e que acabou sendo incorporada na música brasileira.

O estrelato de Celly Campello fez a jovem cantora
estampar várias capas de resvista da época.

Após o alegre e animado rock “Estupido Cupido”, vem o bolero “The Secret”, gravado originalmente por Gordon McRae, em 1958. Apesar da versão original ter uma inclinação para o bolero, o arranjo era bem mais estilizado, enquanto que a versão de Celly, gravada em inglês, é um bolero mais carregado de “latinidade”. O rock “Muito Jovem” é uma versão em português de “Just Young”, sucesso de 1958 de Paul Anka. Nessa canção, Celly se passa por uma garota que tem medo do que as pessoas vão falar por causa de um beijo.

“Túnel do Amor” é uma versão em português de “Tunnel of Love”, canção gravada originalmente por Doris Day, em 1958, e que foi tema do filme de mesmo nome, estrelado pela própria Doris ao lado de Richard Widmark. Celly canta “Tunel do Amor” com muita graça e acompanhada por um coro masculino. A canção foi um dos maiores sucessos do álbum e da carreira de Celly Campello.

Ao olhar “Handsome Boy” na lista de faixas do álbum, alguém poderá imaginar que é mais uma canção “gringa” gravada por Celly Campello. Contudo, embora escrita em inglês, “Handsome Boy” foi composta por compositores brasileiros, Mário Gennari Filho e Celeste Novaes. Mário é o mesmo que produziu e comando o conjunto que acompanhou Celly nas gravações do álbum. A música é um misto de rumba e calypso.

“Who's Sorry Now” é uma canção antiga, de 1923, gravada pela primeira vez por Ted Snyder. A partir daí, teve várias regravações, sendo a de Connie Francis, de 1957, a de maior sucesso. Celly regravou a canção, porém cantando no idioma original, o inglês. Enquanto a versão de Connie é mais pop e leve, a de Celly é mais lenta, bem ao estilo do rock balada dos anos 1950, e com uma dose a mais de carga dramática do que a versão de Connie.

O lado B da versão LP de Estúpido Cupido começa com o bolero “Broto Já Chorar” (uma versão em português de "Heartaches At Sweet Sixteen", sucesso na voz de Kathy Linden, em 1959) que trata sobre uma garota que tem amor próprio e não quer saber rapaz mulherengo. “Fale-me Com Carinho” é uma versão em português da canção francesa “Dis-moi Quelque Chose de Gentil”, cuja versão original foi gravada por Solange Berry, e é uma canção sobre juras e promessas de amor. “Querido Cupido” seria uma espécie de “continuação” de “Estúpido Cupido”. Desta vez, Celly não escapa das flechadas de amor do cupido. Destaque para as harmonizações vocais de apoio. “Tammy” é uma balada romântica lindamente cantada por Celly Campello em inglês, como no original, gravado por Debbie Reynolds, em 1957. Os arranjos e vocalizações são muito bem elaborados, e seguem o padrão americano da época.

Estrelas do rock brasileiro, os irmãos Celly Campello e Tony Campello com a cantora
norte-americana Brenda Lee (ao centro), que estava visitando o Brasil em 1959.

“Melodie d’Amour” é uma canção típica das Antilhas Francesas, composta em francês nos anos 1930 com o título original “Maladie d'Amour”. A canção só veio ganhar fama internacional em 1949, através da gravação de Henri Salvador (1917-2008). Em 1957, foi lançada uma versão em inglês como “Melodie D’Amour”, gravada pelo grupo vocal americano The Ames Brothers. Celly canta em inglês, e os arranjos instrumentais da música seguem bem ao estilo do beguine, gênero musical típico das ilhas de onde surgiu a canção. Os arranjos da versão brasileira são bem diferentes da versão artificial e pouco empolgante da dos Ames Brothers.

Estúpido Cupido termina com “Lacinhos Cor-de-Rosa”, outro grande sucesso da carreira de Celly Campello, e outra versão em português de canção estrangeira presente no álbum. A música é uma versão de “Pink Shoe Laces”, lançada pela cantora pop adolescente Dodie Stevens, no comecinho de 1959. “Lacinhos Cor-de-Rosa” é um rock’n’roll sobre uma garota bem novinha que tenta conquistar com seu sapatinho com laços cor-de-rosa, um jovem e rebelde playboy que desfila pelas ruas com a sua lambreta. Porém, a garotinha tem seus sonhos frustrados porque o rapaz prefere garotas mais velhas.

Em abril de 1960, Celly lança o seu segundo álbum, Broto Certinho, cujo grande sucesso é “Banho de Lua”. Nos próximos dois anos, Celly Campello desfruta de um grande prestígio, e se torna uma figura quase que onipresente. Faz grandes turnês nacionais e até pela América do Sul. Participa de dois filmes de Mazzaropi, grava um jingle do achocolatado Toddy com seu irmão Tony Campello, e uma fábrica de brinquedos lança a boneca Celly, que apareceu na capa do terceiro álbum da cantora, A Bonequinha Que Canta, de 1960.

Casamento de Celly Campello com o contador José Eduardo Chacon, em 1962. 

Depois de um período de fama e muita exposição, Celly Campello casou-se em 1962 com o contador da Petrobras, José Eduardo Gomes Chacon, e abandonou a carreira artística aos vinte anos. Durante a década de 1960, chegando a lançar um álbum em 1968, mas sem grande repercussão. Em 1976, fez um grande retorno à carreira musical por causa do impacto do sucesso da telenovela Estúpido Cupido, da TV Globo, ambientada no começo dos anos 1960. A telenovela provocou um revival dos primórdios do rock brasileiro, e artistas daquela geração como Celly Campello, Tony Campello, Carlos Gonzaga, Ronnie Cord entre outros, foram redescobertos. Celly chegou a fazer turnê pelo Brasil, lançar discos e fazer apresentações na TV, mas após a fama da novela, a cantora se afastou novamente da carreira artística.

Em março de 2003, aos 60 anos, Celly Campello faleceu vítima de câncer de mama. Mesmo tendo abandonado a carreira de sucesso, teve um casamento feliz, construiu uma família e chegou a conhecer o primeiro neto, um ano antes de morrer. Ou seja, realizou o sonho que qualquer garota de sua geração dos ditos “anos dourados” sonhava. Mesmo com uma carreira curta, e com alguns breves retornos, Celly deixou o seu legado na história do rock brasileiro. 

Faixas

Lado A
  1. “Estúpido Cupido” (Stupid Cupid) (Neil Sedaka - Howard Greenfield - versão: Fred Jorge)
  2. “The Secret” (Joe Lubin - I. J. Roth)
  3. “Muito Jovem” (Just Young) (Lya S. Roberts - versão: Fred Jorge)
  4. “Túnel do Amor” (Tunnel of Love) (Patty Fischer - Bob Roberts - versão: Fred Jorge)
  5. “Handsome Boy” (Mário Gennari Filho - Celeste Novaes)
  6. “Who's Sorry Now” (Ted Snyder - Bert Kalmar - Harry Ruby) 
Lado B
  1. “Broto Já Sabe Chorar” (Heartaches at Sweet Sixteen) (Reld - Kosloff - Springer - versão: Fred Jorge)
  2. “Fale-me Com Carinho” (Dis-moi Quelque Chose de Gentil) (Paul Misrak - Andre Hornez - versão: Espírito Santo)
  3. “Querido Cupido” (Fred Jorge - Archimedes Messina)
  4. “Tammy” (Jay Livingston - Ray Evans)
  5. “Melodie d'Amour” (Henry Salvador - Marc Lanjean)
  6. “Lacinhos Cor-de-Rosa” (Pink Shoe Laces) (Mickie Grant - versão: Fred Jorge)



“Muito Jovem” (Just Young)


“Handsome Boy”


“Who's Sorry Now”



“Broto Já Sabe Chorar”


“Melodie d'Amour”



Classic Rock - Curiosidades (Em 06/11/1972: Slade lança álbum Slayed?)

Em 06/11/1972: Slade lança álbum Slayed?
Slayed? é o terceiro álbum de estúdio do grupo de rock britânico Slade. Lançado em novembro de 1972 e alcançou o primeiro lugar no Reino Unido. Ele permaneceu nas paradas por 34 semanas e foi certificado como Prata no início de 1973.
O álbum também foi o de maior sucesso da banda na década de 1970 nos Estados Unidos, chegando ao número 69 e permanecendo nas paradas por 26 semanas. Na Austrália, o álbum alcançou o primeiro lugar e foi ouro, batendo o álbum ao vivo da banda Slade Alive! para o nº 2. Slayed? foi produzido por Chas Chandler.
Lista de faixas:
Lado um:
1. "How d'You Ride": 3:11
2. "The Whole World's Goin' Crazee": 3:35
3. "Look at Last Nite": 3:05
4. "I Won't Let It 'Appen Agen": 3:16
5. "Move Over": 3:45
Lado dois:
6. "Gudbuy T'Jane": 3:32
7. "Gudbuy Gudbuy": 3:28
8. "Mama Weer All Crazee Now": 3:44
9. "I Don' Mind": 3:05
10. "Let the Good Times Roll / Feel So Fine": 3:46
Pessoal Slade :
Noddy Holder - vocal principal, guitarra base
Dave Hill - guitarra principal, vocais de apoio
Jim Lea - baixo, piano, violino, vocais de apoio
Don Powell - bateria.



“COMMON GROUND” É O SEGUNDO SINGLE E TITULO DO FUTURO ÁLBUM DOS MAD NOMAD

 

Depois da edição de “Wounded Pieces“, tema que marcou um novo passo na afirmação da banda, “Common Ground”, surge com uma estética sónica e compositiva em afirmação, de disrupção estrutural e simultânea fluidez melódica.

Com a temática da polarização social e da discriminação bem presentes, assim como a necessária e urgente procura de um lugar de comunicação que una muito mais que separe, “Common Ground” é um manifesto para: “Levantar as camadas de manipulação social para olhar o outro para além do status quo, levantar o chão que esconde a Natureza, o chão comum entre todos os seres, e apoiar processos de empatia e abertura ao outro“, como sublinha Catarina dos Santos, mentora do projeto.

 

Os MAD NOMAD continuam assim, na sua expansão exploratória da forma “canção” num híbrido de géneros que funde o sampling, o jazz, e a eletrónica.

Common Ground” e o videoclipe que acompanha a faixa, realizado por Mário J. Negrão e com pintura de Cristina Rosa, estão disponíveis, digitalmente, a partir deste dia, 6 de novembro.

NOIATT ESTREIA “SULTÃO” COM A PARTICIPAÇÃO DE MURA

 

Dia 5 de novembro marca a estreia de “Sultão” com a participação de MURA, tema que fará parte do EP intitulado “Oblíquo“. EP esse inteiramente escrito e produzido por NOIATT com data prevista de lançamento para 4 de dezembro.

Oblíquo“, palavra utilizada na gíria do boxe, designa um golpe na zona obliqua do abdominal. Palavra e movimento que é utilizado como metáfora para este EP que não fala diretamente de pugilismo, mas que serviu de mote para o mesmo.

A persistência e a tenacidade muitas das vezes utilizadas no boxe foram qualidades que NOIATT incorporou na confecção deste EP. Em “Oblíquo” pode se ouvir samples de voz do ex-pugilista e atleta paralímpico Jorge Pina que nos convida a entrar neste “combate” de sons que NOIATT preparou ao longo deste último ano.

 

NOIATT faz o papel de MC e produtor e traz-nos 7 músicas com influências variadas desde Navy Blue a Griselda, a estilos de produção que roçam o jersey club. O EP conta também com a participação de MURA, Grilocks e 605PRATA.

Em Outubro de 1975, o Queen lançou o single "Bohemian Rhapsody


Em Outubro  de 1975, o Queen lançou o single "Bohemian Rhapsody" (31 de outubro)

Uma das canções mais importantes da história do rock, “Bohemian Rhapsody” quebrou todas as regras; durou seis minutos; tinha uma seção de ópera; sua própria gravadora nem queria lançá-la como single!

Mas acabou sendo uma das canções de maior sucesso da história.

"Bohemian Rhapsody" liderou o UK Singles Chart por nove semanas e vendeu mais de um milhão de cópias até o final de janeiro de 1976.

Em 1991, após a morte de Mercury, liderou as paradas por mais cinco semanas, tornando-se o terceiro single mais vendido de todos os tempos no Reino Unido.

É também a única música do mesmo artista a alcançar o número um de Natal no Reino Unido duas vezes.

Também liderou as paradas em países como Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Irlanda e Holanda, e vendeu mais de seis milhões de cópias em todo o mundo.

Nos EUA, a canção alcançou a 9ª posição em 1976, mas alcançou um novo pico de 2º lugar na Billboard Hot 100 depois de ser usada no filme "Wayne's World" (1992).

Em 2018, o lançamento da cinebiografia do Queen, “Bohemian Rhapsody”, trouxe popularidade renovada e sucesso nas paradas em todo o mundo.

Em março de 2021, foi certificado Diamante nos EUA pelas vendas digitais combinadas e streams iguais a 10 milhões de unidades.

A Rolling Stone afirmou que sua influência "não pode ser exagerada, praticamente inventando o videoclipe sete anos antes de a MTV ir ao ar".

O The Guardian nomeou seu videoclipe como um dos 50 eventos principais na história do rock, ajudando a tornar os vídeos uma ferramenta crítica no marketing musical.

Em 2004, "Bohemian Rhapsody" foi incluído no Grammy Hall of Fame.

Ela apareceu em inúmeras pesquisas sobre as melhores canções da música popular, incluindo uma classificação em 17º lugar na lista da Rolling Stone das "500 melhores canções de todos os tempos".

A performance vocal de Mercury foi escolhida como a maior da história do rock pelos leitores da Rolling Stone.

Em dezembro de 2018, tornou-se a música mais transmitida do século 20 e foi baixada ou transmitida mais de 1,6 bilhão de vezes…

Um verdadeiro clássico do rock…



Em Novembro de 1986, o single “No Lies” do Noiseworks estreou nas paradas australianas


 Em Novembro de 1986, o single “No Lies” do Noiseworks estreou nas paradas australianas (3 de novembro)

Quando você olha para o nível de habilidade dos membros da banda, o Noiseworks sempre seria um sucesso, e este foi seu lançamento de estreia.

Stuart Fraser tocou nas lendas do rock de Oz dos anos 1970, Blackfeather, e também Swanee; o baixista Steve Balbi era membro do Kevin Borich Express; Kevin Nicol era um baterista talentoso, e Justin Stanley nos teclados era um multi-instrumentista brilhante que trabalhou com uma gama eclética de músicos, incluindo Beck, Prince, Jimmy Cliff, Leonard Cohen, Paul McCartney e Snoop Dogg, e como produtor trabalhou com nomes como Eric Clapton, Sheryl Crow e Jet.

E juntando tudo, é claro, estava Jon Stevens; grande voz e grande frontman que instantaneamente estabeleceu um relacionamento fácil com qualquer público e que já era uma estrela em sua terra natal, a Nova Zelândia, com um álbum solo e vários singles de sucesso (incluindo um dueto com Sharon O'Neill) antes de se mudar para Sidney em 1981.

A banda trabalhou no circuito de pub rock de Sydney antes de entrar em cena com este single de estreia, que foi incluído em junho seguinte em seu álbum de estreia autointitulado.

“No Lies” alcançou a 15ª posição na Nova Zelândia e quebrou o Top 40 na Austrália, chegando à 31ª posição.

A banda, é claro, se tornou uma das melhores do rock de Oz, com quatro álbuns no Top 10 e três singles no Top 10.

Eles se separaram há trinta anos, em 1992, mas voltaram a tocar inúmeras vezes nas décadas seguintes, antes de lançar um novo single em agosto deste ano...



ROCK ART




 

DE Under Review Copy (BAD LEGACY)

 

BAD LEGACY

Criados no Porto em Abril de 1993, os Bad Legacy foram constituídos por Daniel Martins (guitarra, voz), Prata (guitarra), António Sab (baixo) e Isidro C. (bateria), tendo mantido sempre a mesma formação até terem encerrado actividade em Março de 2000. Antes de ter adoptado a denominação com que se tornou relativamente conhecido e ter editado um longa duração, o projecto teve outros nomes. O grupo beneficiou de alguma aura de hype e manteve-se particularmente activo em termos de concertos, realizados sobretudo na zona norte do país. Vencedores da segunda edição do Termómetro Unplugged, realizada em 1995, actuaram também no Festival "Noites Ritual Rock" de 1996 e na Queima das Fitas de Coimbra, em 1997. Integraram temas seus numa série de colectâneas e, em 1996, editaram o seu único longa duração a que deram o título de "The Songbird", trabalho lançado pela CD7, um subselo da Discossete. O disco continha temas compostos entre Janeiro de 1995 e Outubro de 1996 e a sua sonoridade assentava nos pergaminhos da música independente de influência predominantemente norte-americana, aproximando-se quer do grunge quer do legado de Neil Young. Nalguns temas mais calmos aparentavam sinais de aproximação ao síndrome dos Heroes del Silêncio, o que não augurava sinais tranquilizadores em termos de qualidade, mas foi suficiente para lhes abrir as portas a um contrato discográfico com a suspeita Discossete. Dois anos após terem dado por concluida a sua existência, os Bad Legacy reuniram-se, a pedido da organização do Termómetro Unplugged, com vista à participação na qualidade de banda convidada na final do evento de 2002 que se realizou no Coliseu do Porto. Apesar dos seus membros se terem mantido amigos, o grupo nunca mais se reuniu.

DISCOGRAFIA

 
THE SONGBIRD [CD, CD7, 1996]

COMPILAÇÕES

 
RITUAL ROCK 02 [CD, Xinfrim, 1995]

 
REPÚBLICA DAS BANANAS [CD, Numérica, 1995]

 
TERMÓMETRO UNPLUGGED [CD, BMG, 1996]

 
RITUAL ROCK 03 [CD, Xinfrim, 1997]



The Who ataca em Portland, outubro de 2022 – substituindo o caos pela dignidade


Roger Daltrey e Pete Townshend no início de The Who Hits Back! Tour (foto de Rick Kern/Getty Images para The Who)

Quando Pete Townshend e Roger Daltrey subiram despreocupadamente ao palco no Moda Center de Portland, Oregon, na noite de 20 de outubro de 2022, parecia que os dois membros sobreviventes do The Who deixariam a orquestra e a banda de quase 50 músicos atrás deles faça o trabalho pesado. Já se passaram 40 anos desde que o The Who anunciou sua despedida dos palcos de shows. O caos frenético da banda foi perdido para sempre quando Keith Moon morreu quatro anos antes. Townshend estava exausto, viciado e esgotado criativamente, e Daltrey admitiu que “seria um alívio quando tudo acabasse”.

Acontece que esse não foi o fim e através de inúmeras reuniões e despedidas a banda tocou. Ainda assim, com Daltrey e Townshend agora se aproximando dos 80 anos, o que se deve esperar desses dois?

O show começou com a “Abertura” de Tommy e imediatamente a orquestra de câmara - composta por cerca de 40 músicos da comunidade sinfônica de Portland, incluindo cordas, trompas, tímpanos e instrumentos de sopro - proporcionou a força maior , a grandeza que a primeira ópera rock de Townshend merece.

Assista ao The Who apresentando a “Abertura” de Tommy, com a orquestra completa, em 8 de maio de 2022

Foi uma abertura inspirada para o show, que continuou com seis músicas de Tommy, mas quando Townshend tocou os acordes de abertura de “Pinball Wizard”, a energia mudou de orquestra para banda, colocando o público de pé pela primeira vez. Seguiu-se “We're Not Gonna Take It”, com Daltrey se recuperando com uma força reverberante. Ele não tem o falsete angelical de antes, mas seu barítono é inabalável; quando ele cantou o refrão “Veja-me, sinta-me, toque-me, cure-me  , ainda causou arrepios. O público, ainda de pé, cantou junto enquanto a música atingia seu auge com o refrão hino  I get the glory  . Interpretações empolgantes de “Who Are You” e “Eminence Front” fecharam o primeiro dos três sets.

Assista ao The Who tocando “Who Are You” no início da turnê

A orquestra fez uma pausa para o segundo set, deixando a banda em turnê no palco para um show de rock que começou com “You Better You Bet”. Com o foco agora inteiramente no Who, Townshend demonstrou que sua agressividade e timing preciso eram tão potentes como sempre. Seus dias agitados de acrobacias já se foram, mas ele abriu “Won't Get Fooled Again” com um moinho de acordes poderosos e continuou a quebrar esses acordes ao longo da música. Daltrey também não anda mais pelo palco como um cavalo selvagem, mas ainda usa o fio do microfone como um laço, embora de uma forma muito mais domesticada do que em sua juventude.

Mesmo assim, em “Won't Get Fooled Again” ambos provaram que suas habilidades musicais ainda estão em pleno vigor. Quando a seção intermediária do sintetizador da música chegou ao fim, Daltrey ficou no centro do palco com o braço levantado como se dissesse: “Espere”. Você tinha que se perguntar se ele ainda poderia fazer isso. A resposta foi, sim, ele pode, enquanto solta um uivo catártico, o maior grito primitivo do rock 'n' roll. Mais arrepios.

O filho de Ringo, Zak Starkey, é uma presença constante no The Who desde meados dos anos 90, ocupando o lugar inutilizável de seu padrinho, Keith Moon. Com um raio onipresente de luz dourada brilhando sobre ele durante todo o show, a energia de Starkey era implacável. Ele joga com a mesma ferocidade de Moon, mas usa precisão técnica no lugar do caos de Moon. Suas habilidades ficaram em exibição a noite toda e ele reproduziu de forma impressionante o som da bateria que definiu o som do The Who.

Antes da orquestra retornar para o terceiro set, os membros da banda e líderes da orquestra Katie Jacoby no violino e Audrey Snyder no violoncelo ocuparam o centro do palco para uma linda versão de “Behind Blue Eyes”, e Daltrey entregou um vocal comovente que trouxe um arrepio ao coluna.

O terceiro conjunto de músicas foi de Quadrophenia . Alguém se perguntava se seria a decisão certa ter a orquestra de volta, já que a energia do rock de arena que enchia o local rapidamente se esvaiu nas três músicas seguintes: “The Real Me”, “I'm One” e “5:15. ” Mas então, a faixa instrumental, “The Rock”, explodiu com vivacidade enquanto a banda e a orquestra realmente se fundiam na rockestra dos sonhos operísticos de Townshend. Townshend estava em chamas enquanto liderava esta obra de sete minutos, concluindo com um suntuoso solo de piano de Loren Gold que lentamente fez a transição para os acordes de abertura de “Love Reign O'er Me”. Daltrey cantou com total vigor e paixão e a banda e a orquestra tocaram com tanta maestria que parecia que haviam dado tudo.

Assista ao The Who tocando “The Rock” no início da turnê

Mas eles não o fizeram, e para o encerramento do show “Baba O'Riley”, uma multidão correu para a frente do palco como se fosse 1975. Conheça o novo chefe. O mesmo que o antigo chefe.

A noite terminou com Townshend agradecendo de coração e agradecido ao público por “ainda estar lá, dedicar tempo e gastar dinheiro” para vir vê-los. E Daltrey acrescentou: “Boa noite, boa saúde e tenha sorte”.

Assista ao Who apresentando “Baba O'Riley” em Portland em outubro de 2022

Temos sorte, de fato, que 40 anos depois de se despedir, o The Who continua tocando com dignidade, não aceitando a idade como uma limitação, mas sim um convite para deixar brilhar suas habilidades musicais incomparáveis.

 

Destaque

Bad Company – Bad Co (1974)

Em seu primeiro álbum, o Bad Company — liderado pelo ex-vocalista do Free, Paul Rodgers, e pelo guitarrista original do Mott, Mick Ralphs — ...