quarta-feira, 12 de junho de 2024

Review: Stereo Nasty – Twisting the Blade (2017)

 


Entre as bandas que executam o que podemos chamar de metal tradicional retrô, o Stereo Nasty certamente é uma das mais divertidas. Após a estreia com Nasty by Nature (2015), os irlandeses retornaram em 2017 com Twisting the Blade – ambos os discos foram lançados recentemente  em CD no Brasil pela Hellion Records.

O que se percebe logo de cara em Twisting the Blade é que tudo que já era bom no primeiro disco, aqui ficou melhor ainda. As músicas estão maduras, a evolução da banda é clara em todos os aspectos. Além disso, a produção é bem melhor.

Temos um álbum curto, com apenas 34 minutos e nove faixas, e que vale o investimento. A abertura com “Kill or Be Killed” já mostra serviço. O riff e o clima Accept de “No One Gets Out Alive” tornam a canção um destaque imediato. “Reflections of Madness” une o speed metal às mudanças de andamento e à enxurrada de riffs do thrash, enquanto a ótima “Through the Void” é uma espécie de balada thrash metal. Falando no gênero, a abordagem do grupo nesse segundo disco conversa, em diversos momentos, com a onda de bandas que há poucos anos revisitou o estilo e teve como principais expoentes nomes como o Toxic Holocaust. “Hauting the Night” é um exemplo claro dessa aproximação.

Twisting the Blade é um disco muito bom, e que agradará sem muito esforço qualquer fã de heavy metal, principalmente quem curte a pegada dos anos 1980. Recomendo fortemente!



Review: Baroness – Gold & Grey (2019)

 


Ao apreciar álbuns clássicos, um pensamento que sempre me ocorre é: qual foi a sensação dos ouvintes na época do lançamento? Será que possuíam a noção de que estavam vendo a história ser escrita? Ou levou algum tempo para a ficha cair?

Inicio esta resenha com essa reflexão pois o que temos em Gold & Grey é uma daquelas maravilhas sonoras que nos fazem abrir um grande sorriso e ter a certeza de que estamos diante de algo único e sublime, de uma obra que vai marcar época e apontar novos caminhos dentro da música. Aqui o Baroness se distancia ainda mais de qualquer classificação, trazendo de forma harmoniosa estruturas e riffs que dialogam tanto com os trabalhos anteriores da banda quanto com o que o Mastodon apresenta em Crack the Skye (2009), combinados à texturas sonoras etéreas e viajantes. A inventividade da banda parece não ter limites: há fortes elementos de progressivo e psicodélico ao longo das 17 faixas, bem como ecos de The Smiths, em “I'm Already Gone” e do antigo U2 em “Pale Sun” – mas isso pode apenas ser um delírio meu.

O trabalho de produção de Dave Fridmann também é primoroso: o peso, a  distorção e a limpidez vem na medida certa, de forma cirúrgica, realçando as atmosferas criadas pelo Baroness e a alternância de riffs mais metálicos com outros que remetem ao progressivo e até ao pós-punk. E Sebastian Thomson é um baterista que acrescentou em muito ao som da banda, trazendo novas possibilidades, o que já podia ser visto em Purple (2015) e aqui salta ainda mais aos olhos.

Como nos álbuns anteriores do Baroness, as músicas de Gold & Grey são marcadas por fortes doses de emoção, em momentos belíssimos como “Tourniquet”, “Throw Me an Anchor”, “Broken Halo”, “Borderlines” e na linda balada “I'd Do Anything”.

Pode-se dizer que o novo trabalho aprofunda as possibilidades criativas abertas por Yellow & Green (2012) e seus elementos  progressivos e de rock alternativo, combinando-os à sonoridade mais vigorosa e pesada de Purple. O resultado é de cair o queixo: trata-se de uma banda no auge de seus poderes criativos, apresentando uma série de canções que já nascem clássicas.

Dê um presente a si mesmo: ouça Gold & Grey. Seus ouvidos agradecerão.



Review: Black Alien – Abaixo de Zero: Hello Hell (2019)

 


É comum artistas abordarem através de músicas, ou até mesmo álbuns completos, seus vícios. Amy Winehouse passou a curta carreira falando explicitamente sobre seu vício em drogas, enquanto o Dream Theater em Six Degrees of Inner Turbulence (2002) fez quase todo o álbum abordando a trajetória de Mike Portnoy nos Alcoólicos Anônimo. Já Black Alien, rapper carioca que há muito anos deixou para trás o estigma de apenas ser um ex-integrante do Planet Hemp, quatro anos após seu último disco – Babylon by Gus Vol. II: No Princípio Era o Verbo (2015) - e quinze depois do já clássico Babylon By Gus Vol 1: O Ano do Macaco (2004), expõe de forma sublime seu turbilhão de ideias com citações sinceras sobre a sua própria batalha contra o vício em cocaína.

Sob a produção de Papatinho do contestado ConeCrewDiretoria, Black Alien inicia com a faixa “Área 51”, contendo uma batida tão descontraída quanto a sua letra, que lembra seus grandes momentos do primeiro disco. "Vital pra mim que nem a moto pra Vital / Paralama do meu sucesso, de fábrica, original / É minha coragem" é somente uma das suas características sacadas líricas que já estão presentes na primeira - e ótima – música do álbum.

Em “Carta para Amy”, ouvimos uma batida mais calma e uma letra bem reflexiva sobre as mudanças em suas vidas, que emenda em “Vai Baby”, canção que ganhou videoclipe. Nessa faixa, que possui potencial para compor qualquer festa de rap daqui em diante, temos talvez a música mais leve do trabalho, tanto pelo conteúdo da letra quanto pelo beat, que é um dos melhores do disco inteiro, remetendo ao hip hop da costa leste norte-americana dos anos 1990.

Em seguida vem o primeiro single, "Que Nem o Meu Cachorro", excelente escolha de divulgação, pois além da faixa manter o nível elevado no que tange à batida, produção e abordagem lírica, temos um dos refrãos mais marcantes do disco. No verso final - "Se vem baseado no passado / Só há um resultado / Cê vai se foder / Porque eu sou o agora / Eu sou o agora" - vemos uma possível resposta aos críticos e pessoas que o viram como derrotado e elemento fora da cena, durante o auge da sua dependência química.

“Taken Ten” apresenta uma das letras mais fortes em relação à abordagem de seu antigo vício, porém, em contraste com uma batida e produção mais animadas, que faz com a que a faixa se torne ao mesmo tempo reflexiva e muito leve e agradável aos ouvidos. Cheia dos seus característicos jogos de palavras mescladas entre inglês e português, é uma das melhores do disco. “Au Revoir” é a love song do álbum, remetendo a "Como Eu Te Quero" do disco de estreia, onde mais uma vez toda a versatilidade lírica de Black Alien cria outra canção que também mantém uma sonoridade leve e que ao mesmo tempo hipnotiza pelo jogo de palavras.

Em “Aniversário de Sobriedade” temos a faixa que fala de forma mais direta sobre o vício em cocaína, mais uma vez contrastada por uma excelente batida (com espaço até para um surpreendente solo de saxofone), flow e abordagem descontraída. Se na canção anterior Black Alien fala sobre o pior momento de sua vida, em "Jamais Serão" apresenta uma letra onde cita o que tem de melhor, contando momentos da sua história e características pessoais e de sua musicalidade, cujo o beat continua na última composição do álbum, a curta "Capítulo Zero", a despedida dessa jornada pessoal e de excelente musicalidade que é Abaixo de Zero: Hello Hell.

Indispensável não só para quem gosta de rap, mas para todos os amantes da boa música e que apreciam um conteúdo lírico relevante, temos aqui com certeza um dos melhores discos do ano e que eleva ainda mais o status de Black Alien como um dos grandes rappers do Brasil.



Review: Arch/Matheos – Winter Ethereal (2019)

 


Dá pra classificar o Arch/Matheos como uma espécie de dream team do prog metal. Liderado pelo vocalista John Arch (que gravou os três primeiros álbuns do Fates Warning e saiu em 1987) e pelo guitarrista Jim Matheos (que continuou no Fates Warning, um dos pilares do metal progressivo norte-americano ao lado do Dream Theater), a banda é completada por Frank Aresti (também guitarrista do Fates Warning), Joey Vera (baixista experiente e que chegou ser cotado para assumir o posto de Cliff Burton no Metallica, e que construiu carreira no Armored Saint e com o Fates Warning) e Bobby Jarzombek (baterista com longa rodagem e discos gravados com Riot, Halford, Sebastian Bach, Demons & Wizards e mais uma turma, e atualmente no Fates Warning). De modo geral – e literal -, o Arch/Matheos é o Fates Warning com John Arch no lugar de Ray Alder, atual vocalista da banda.

Winter Ethereal é o segundo álbum do grupo e o sucessor de Sympathetic Resonance, estreia do projeto e aclamado como um dos grandes discos de 2011. Esse segundo capítulo segue pelo mesmo caminho. Trazendo o refinamento instrumental e a inquietude características do progressivo, devidamente unidas por um vocalista muito acima da média e que sabe dosar interpretações mais delicadas com momentos mais agressivos, Winter Ethereal é um daqueles discos que você pode usar como exemplo para apresentar um estilo – no caso, o prog metal – para um novo ouvinte.

A abertura com as mudanças de dinâmica de “Vermilion Moons” mostra que o nível será altíssimo. Matheos segue despejando riffs em “Wanderlust”, e dá o tom do nível melódico do trabalho ao lado de Arch. O peso é uma constante e não é nada sutil. A sensibilidade assume o protagonismo na ascendente “Tethered”, enquanto o lado metal do projeto toma a frente em “Straight and Narrow”, a faixa mais curta do disco, onde o destaque é Jarzombek. O encerramento, com a longa suíte “Kindred Spirits”, atesta o ditado de que se a primeira impressão é a que fica, a última é a que segue com a gente.

Talvez Winter Ethereal não tenha o mesmo impacto de Sympathetic Resonance, afinal o disco de 2011 marcou o reencontro entre John Arch e Jim Matheos após uma longa separação. Mas o fato é que, musicalmente, trata-se de um disco similar ao debut e um dos grandes álbuns de prog metal lançados nos últimos anos.

Se você é fã do gênero – e do Fates Warning -, encare sem medo.



Richard Swift – The Hex (2018)

 

Led Zeppelin – Presence (1976)

 9

Led Zeppelin – In Through the Out Door (1979)

 

Led Zeppelin – Coda (1982)


Djavan – Vesúvio (2018)

 

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Destaque

Bad Company – Bad Co (1974)

Em seu primeiro álbum, o Bad Company — liderado pelo ex-vocalista do Free, Paul Rodgers, e pelo guitarrista original do Mott, Mick Ralphs — ...