sexta-feira, 9 de maio de 2025

Quarto Crescente - Quarto Crescente (1981)

 

 

E vou exemplificar um que considero um dos expoentes da música pesada no Brasil. Um cara que deixou, de forma indelével, a sua marca no hard, no heavy e que merece, por todo sempre, ser reverenciado: Falo do grande Percy Weiss.

Percy Weiss

Aos que acompanha o rock brasileiro, sobretudo dos anos 1970, Weiss conquistou notoriedade tocando em bandas seminais como Made in Brazil, tida hoje como a banda mais antiga em atividade no Brasil e certamente uma das mais influentes desse país. Sua estreia foi com o excelente “Jack, o estripador”, de 1975, o segundo trabalho da banda.

Percy teve a difícil responsabilidade de substituir outro grande vocalista do rock brasileiro, o teatral e influente Cornelius Lucifer que se notabilizou pela sua estética subversiva e extravagante. Ele ficou conhecido por gravar o debut do Made in Brazil, que completou 50 anos em 2024, conhecido pelo “Disco da banana”, de 1974. Percy sofreu com as comparações com Cornelius no início, mas, com seu carisma e presença de palco, além, é claro, de sua potente voz, acabou conquistando seus fãs.

Percy com o Made in Brazil

Weiss participaria do seminal e censurado álbum “Massacre”, gravado em 1975, mas podado pela infame Ditadura Militar sendo engavetado, proibido de ser lançado, vendo a luz apenas em 2005. Weiss deixaria a banda em 1979 para tocar em outra importante banda do cenário rock brasileiro chamado Patrulha do Espaço substituindo outro seminal vocalista, que fez sucesso nos Mutantes, o Arnaldo Batista. 

Percy tocaria junto com músicos excepcionais como os já falecidos guitarristas Dudu Chermont e Walter Baillot e do baixista Cokinho, além, claro, do baterista Rollando Castello Junior. Um cara com esse currículo musical não poderia deixar de ganhar adeptos, seguidores fieis, verdadeiros apreciadores, do genuíno rock brasileiro da melhor década, a de 1970.

Mas esse grande vocalista, como tantos outros, começou sua carreira em bandas totalmente, diria, atípicas e diferentes, em termos sonoros, do que ele se notabilizaria. Para se ter uma noção, ele iniciaria a sua trajetória musical em bandas de baile, o que, de certa forma, era comum, na transição dos anos 1960 para os anos 1970 no Brasil. 

E a primeira era a U.S. Mail e, para variar, as bandas tinham nomes em inglês e cantava músicas igualmente em inglês nas domingueiras do Clube Banespa, em São Paulo, cidade que adotou desde os cinco anos de idade. Mas o que verdadeiramente me chamou a atenção foi ouvir a voz inconfundível e poderosa de Percy Weiss em uma banda chamada Quarto Crescente, que passou pela vida do grande vocalista antes do Made in Brazil e Patrulha do Espaço, em 1973.

E um dos grandes momentos de se conhecer bandas obscuras é ter a alegria, não só de desbravar os escombros empoeirados do rock nacional, vilipendiado pela grande mídia e indústria, mas também possibilita navegar nos mares selvagens e intocáveis das carreiras de músicos emblemáticos, como Percy, por exemplo.

Mas não enganem, caros e estimados leitores, que o Quarto Crescente, que Percy Weiss tocou nos anos 1970 é a banda QUARTO CRESCENTE que irei falar neste texto, aquela, igualmente obscura e desconhecida do início dos anos 1980, mas prometo explicar com requintes de detalhes.

Mas ambas as bandas, de mesmo nome, eram bandas totalmente desconhecidas, claro, por isso figuram aqui neste reles e humilde blog, mas o Quarto Crescente oitentista contava com músicos tarimbados, a começar pelo próprio Percy, que à época quando foi convidado, já gozava de fama, bem como Babalu, nome artístico de Antônio Medeiros Junior, também conhecido como Tony Babalu, que também, como Percy, chegou a gravar alguns álbuns com o Made in Brazil.

Não podemos esquecer de que Percy Weiss foi o frontman de bandas como Chave do Sol, mostrando que era um músico de versatilidade, não se limitando ao hard rock e heavy metal. E foi exatamente por isso, além, claro, da admiração que tenho pelo seu trabalho, que me chamou a atenção, essa versatilidade. E o que dizer, já que falamos do heavy metal, de sua participação na banda dos anos 1980, o Harppia?

Percy com o Harppia

Gravou talvez um dos mais influentes trabalhos, não apenas da banda, mas de toda uma cena pesada underground daquela década, o “7”, de 1987. Weiss foi convidado quando o vocalista original, Jack Santiago, se recusou a continuar no projeto de retomar a banda, após sua dissolução precoce, saindo da banda. Embora o Harppia não tenha respirado os ares do sucesso, “7” se tornou referência no estilo, afinal ter, em sua formação, Weiss no vocal, Tibério Luthier na bateria, Cláudio Cruz no baixo, Fillippo Lippo e Flávio Gutok nas guitarras, não poderia ser diferente.

Mas o assunto é o Quarto Crescente, o Quarto Crescente dos anos 1980. “Quarto Crescente”, o álbum, nasceu do desejo do baterista Horácio Malanconi Neto, de gravar um trabalho de estúdio, com músicas autorais. Nos primórdios da banda, os jovens músicos começaram como uma banda de bar e utilizaram o curioso nome de “Cadela”, mas quando decidiram que iriam levar a sério o projeto de gravar um álbum, optaram por um nome, digamos, menos impactante ou, para alguns, melhor.

Os jovens músicos, a “ala” menos conhecida da formação que gravou o único trabalho do Quarto Crescente, quando convidou Percy Weiss para o cargo de vocalista da banda, lembraram que Weiss havia tocado, lá em 1973, em uma banda chamada “Quarto Crescente” e perguntaram ao vocalista se poderiam usar o nome, já que a banda não existia mais, Percy autorizou e a partir daí, surgiria a nova e mais arrojada “versão” do Quarto Crescente, porém com o Percy novamente como frontman.

O álbum, como acontece com várias bandas undergrounds, foi concebido em tempo recorde, levando, pasmem, uma semana para gravar, mixar e masterizar o trabalho. A produção e a direção dos arranjos são dos próprios músicos, o que corrobora a condição das bandas independentes no Brasil e no mundo também. Completava a banda, além de Horácio, Percy e Babalu, Tigueis no baixo.

“Quarto Crescente” tinha tudo para ser sucesso comercial, afinal tinha um já Percy e Babalu que gozavam de alguma reputação e experiência, além de trazer músicas lentas, algumas boas baladas de apelo comercial, mas muito bem-feitas. O álbum trazia um rock n’ roll voltado para o hard rock, o classic rock, música brasileira e umas discretas pitadas de rock progressivo e até mesmo um blues rock.

O álbum é inaugurado com a faixa “Bicicleta” que é envolvida por uma belíssima balada blues, sustentada pelo lindo e melódico vocal de Percy Weiss, mostrando versatilidade. Solos de guitarra breves, mas viajantes, contemplativos, com uma entrosada e linda seção rítmica entregando uma textura mais comercial. A letra personificação a condição sonora.

"Bicicleta"

“Serra Pelada” vem com uma pegada totalmente distinta. Algo de country rock é evidente. Uma faixa solar e animada, e a gaita ganha destaque, fazendo da música um pouco mais dançante, mas a letra traz um cenário meio apocalíptico daqueles tempos e dos atuais também.

"Serra Pelada"

“Aves Noturnas” traz outra vibe do álbum e agora é o hard rock que ganha protagonismo. Guitarras mais pesadas, baixo mais pulsante, bateria com mais pegada, com mais peso e agressividade, com vocal mais pungente, vivo e alto. A potência vocal de Weiss nos remete ao Made in Brazil de um passado não muito distante em sua carreira. Essa faixa trouxe uma discussão polêmica. Para muitos há uma semelhança desta com a música do Made in Brazil chamada “Me Faça Sonhar”, do álbum “Minha Vida é o Rock n’ Roll”, de 1981. A questão do plágio foi levantada, mas a polêmica é: quem plagiou? O Quarto Crescente ou o Made in Brazil? Ambos os álbuns foram gravados em 1981!

Mas tudo indica que não ocorreu plágio e tentarei explicar, caros leitores: pouco antes da separação de Percy com o Made in Brazil, ele e Oswaldo Vecchione haviam começado a trabalhar uma nova música que ficou inacabada. E os dois tiveram a ideia de terminar a faixa inacabada para o projeto que estavam desenvolvendo, daí a aparição de algumas frases em comum nas duas músicas.

"Aves Noturnas"

A faixa seguinte traz um medley intitulado “Jovem Guarda” com parte das faixas “Gênio”/”Pica Pau”/”Parei na Contra Mão”/”Rua Augusta”/”O Bom”/”Splish/Splash”/”Você me Acende”. É bem divertido, animado, mas fica nisso. A banda decidiu lembrar um pouco do popular movimento musical que dominou as paradas de sucesso de meados dos anos 1960.

"Jovem Guarda"

Segue com “Mercado Modelo” retoma a pegada mais pesada do álbum, sendo animada, pesada, que já começa com solos curtos, pesados e diretos de guitarra e que remete um pouco dos anos 1960 do rock no Brasil, sendo bem dançante, algo um pouco voltado também para o rockabilly. Certamente uma das melhores faixas do álbum e que retrata com fidelidade dos comportamentos da sociedade à época em sua letra.

"Mercado Modelo"

“Boa Garota” traz de volta as baladas do álbum, mas com um toque mais “apimentado”, mais pesado. A presença dos riffs de guitarra corrobora esse detalhe picante. Os vocais, mais uma vez, cheio de sedução e balanço de Weiss se destaca, bem como a presença da flauta contrabalanceando o peso, mas executado com personalidade.

"Boa Garota"

Segue com “Regue Fajuto” e, como sugere o nome, traz a pegada reggae, mas com uma levada um tanto quanto new wave e um apelo radiofônico e letra romântica que corrobora esse apelo comercial. Não podemos negligenciar, contudo, o trabalho de baixo de Tigueis que é fabuloso, cheio de groove e ritmo. Cabe aqui, já que mencionei em Tigueis, não podemos comparar ou lembrar do Tigueis da banda Chave do Sol, mas não é. O Tigueis do Quarto Crescente Antonio Carlos Lopes e é conhecido por seu trabalho de luthier e seu registro ao lado do grupo Cão Fila.

"Regue Fajuto"

“Fique Frio” resgata a sonoridade do Made in Brazil, mas não se caracteriza como plágio, afinal, Percy trazia um pouco do DNA da banda por ter feito parte dela em seu ápice musical e criativo. Mas em “Fique Frio”, além do hard rock, traz aquela pegada dançante que me remete, como em “Boa Garota” aos anos 1960.

"Fique Frio"

E fecha com “Triste Cidade” da mesma forma como começou o álbum, com uma faixa voltada para o blues rock, mas nesta a veia blueseira me parece mais viva, evidente e pesada. O trabalho da guitarra é muito mais apurado nesse sentido e a gaita ganha mais protagonismo trazendo o balanço do velho blues. Solos de guitarra mais elaborados, a “cozinha” entregando um groove legal. Fechou em grande estilo!

"Triste Cidade"

A minha reverência com o gigante e inesquecível Percy Weiss me possibilitou desbravar o lado obscuro de sua brilhante trajetória musical me fazendo descobrir o Quarto Crescente e a sua faceta mais despojada, livre e consequentemente versátil. Um Percy blues rock, blueseiro, MPB, rockabilly. Um múltiplo músico que merece todas as reverências eternas. Quarto Crescente entregou ao mundo um álbum sem pompas, simples, cru em sua concepção, simples, um som sincero feito com a verdade de quatro músicos que só queriam produzir música dignamente no Brasil dominado por pseudo músicas pasteurizadas para atender a efêmeras necessidades de mercado.

Em “Quarto Crescente” tiveram alguns músicos convidados fazendo percussão, gaita, flauta, mas não consegui encontrar nenhuma referência com os seus nomes para aqui elencar. Um trabalho atípico, mas extremamente palatável a vários ouvidos, dos mais exigentes até aqueles que apreciam a verdadeira música popular.


A banda:

Percy Weiss nos vocais

Tony Babalu na guitarra

Horácio na bateria

Tigueis no baixo

 

Faixas:

1 - Bicicleta

2 - Serra Pelada

3 - Ave Noturna (Rock n Roll)

4 - Jovem Guarda: Gênio / O Pica Pau / Parei Na Contramão / Rua Augusta / O Bom / Splish Splash) / Você Me Acende

5 - Mercado Modelo

6 - Boa Garota

7 - Regue Fajuto

8 - Fique Frio

9 - Triste Cidade


"Quarto Crescente" (1981)


ANTONIO PEREIRA


Com sua voz inconfundível, cabelos compridos e sandália de couro, Antonio Pereira se destaca entre os pioneiros da resistência aos ritmos sazonais na Amazônia.

Em 1981, após sair uma empresa do Distrito Industrial, comprou uma pequena caixa de som e resolveu fazer aquilo que gostava: ser cantador. Com um público fiel, lotava as casas noturnas, interpretando Zé Ramalho, Elomar, Milton Nascimento e outros.

Após 4 anos de estrada começou a se juntar com outros músicos e realizar shows, para grandes platéias. Em 1985 participou no CD do projeto “NOSSA GENTE”, com a música de sua autoria “MI CANTO”. Vencedor do V Festival Universitário de Música (FUM/86), com a música de sua autoria “PÁSSARO CANTO E CATIVEIRO”.

Em 1987, com outros cantores amazonenses, fez show em Belém-PA, levando para fora do estado a nossa música. Participou, em 1988, do Festival de Artes e Ciências, na Bahia, com a música “Vida Cabocla” de autoria do paraibano radicado no Amazonas, Pepê Fonnã. O sucesso neste festival lhe abriu espaço para um show, logo em seguida, no tradicional Teatro “Vila Velha”.

Em 89, gravou em fita cassete, 12 músicas de sua autoria e outros. Bastante divulgada pela TV Rio Negro, que estava iniciando suas atividades, além das rádios locais. Com este processo iniciou-se em Manaus, a abertura da nossa música com o rótulo de MPA (Música Popular Amazonense), que o gerou a necessidade de se afastar dos bares e trabalhar de forma profissional, em shows a serem realizados em Manaus e nos Municípios.

Em 1991 venceu o Festival da Canção de Itacoatiara (FECANI), com a música “GAIA” do autor Renato Linhares. Escolhido por membros do DCE e artistas da terra, Pereira representou o Amazonas no festival de Cultura da UNE (União Nacional dos Estudantes) na histórica cidade mineira de Ouro Preto em 92, onde cantou para 20.000 pessoas.

Em 96 gravou seu primeiro CD, nos estúdios da Amazon Record. No ano seguinte, fez shows para divulgação em Rio Branco, Roraima e Fortaleza. 1998, segundo semestre, após planejamento e trabalho em pré-produção, inicia a gravação do segundo CD, estúdio Espelho da lua, com os mais conceituados músicos do Amazonas, lançando em 99 no Teatro Amazonas. Relança seu primeiro CD, com o título “O lago das 7 Ilhas”.

Em 2000, gravou o seu terceiro CD, com o apoio da Fundação Villa Lobos “LENDAS”, com certeza um trabalho que o projetará a nível nacional.

JOHN LENNON - I'M LOSING YOU - 1980

 


bro de 2014
“I’m Losing You” foi escrita por John Lennon e lançada em seu álbum de 1980 Double Fantasy. Foi concluída nas Bermudas em junho de 1980, depois que Lennon tentava telefonar para Yoko Ono e não conseguia. “I’m Losing You” também aparece na coletânea The John Lennon Collection de 1982, na boxset John Lennon Anthology de 1998, na compilação da caixa, no disco Wonsaponatime, na coletânea Working Class Hero de 2005, The Definitive Lennon e em 2010 para o álbum Gimme Some Truth.
Uma primeira versão da canção recebeu o título provisório de “Stranger’s Room”Lennon gravou uma versão demo de “I’m Losing You” em julho de 1980. Esta versão, parte da qual apareceu em The Lennon Lost Tapes, foi tocada no violão com uma bateria eletrônica. O Produtor Jack Douglas sugeriu inicialmente que Lennon usasse o Cheap Trick como banda de apoio para tocar na música. Essa versão com o Cheap Trick foi gravada em 12 de agosto de 1980. Eles também gravaram uma versão de Yoko Ono para "I'm Moving On" (Eu estou seguindo em frente), que é um complemento para “I’m Losing You”.
Por mais que tenham ficado boas, essas versões não apareceram no Double Fantasy. As possíveis razões para as suas exclusões são de que a gestão do Cheap Trick quisesse muito dinheiro, ou que Lennon acreditava que as performances foram mais "pesadas" do que ele queria. No entanto, quando a versão de “I’m Losing You” do Double Fantasy foi ser gravada, a versão com o apoio do Cheap Trick foi tocada para os músicos da sessão para ajudar a inspirar as suas performances. Essa versão com o Cheap Trick finalmente apareceu em John Lennon Anthology.

“I’m Losing You” foi gravada pela primeira vez com os músicos do Double Fantasy, em 18 de agosto de 1980, mas Lennon não gostou desse desempenho e assim uma terceira gravação foi feita em 26 de agosto, a que foi lançada em Double Fantasy. Um arranjo de sopros foi adicionado em 5 de setembro, mas este acabou por ser excluído da versão final. O vocal final de Lennon foi gravado em 22 de setembro.

No início do projeto, “I’m Losing You” estava planejada para ser lançada como single, mas depois do assassinato de John Lennon, isso foi descartado como "assustadoramente inapropriado".



THE BEATLES - A HARD DAY'S NIGHT - THE SONG - 1964

 


"A Hard Day's Night" abre com o acorde mais famoso do rock: uma rajada radiante de uma guitarra de 12 cordas, evocando o caos e a euforia da Beatlemania em seu auge. O tom ensolarado do acorde, a empolgação do desempenho dos Beatles e o suspiro de exaustão do título fazem de Os Reis do Iê-Iê-Iê, o filme ficcional, um documentário compacto sobre a ascensão meteórica dos Beatles"Naquela época, os começos e encerramentos das músicas eram algo que eu tendia a organizar", disse George Martin. "Precisávamos de alguma coisa arrasadora, que fosse um 'chacoalhão' súbito na música. Ele acertou por acaso", contou o produtor. (Em uma entrevista em fevereiro de 2001, Harrison disse que o acorde era um "Fá com um Sol por cima, mas você vai ter de perguntar a Paul sobre a nota do baixo para saber a história toda". McCartney tocou um Ré em tom alto.
O título veio de uma brincadeira de Ringo. "Nós estávamos trabalhando dia e noite", ele relembrou. "E eu fiquei pensando que ainda era dia e disse: 'It's been a hard day' ['está sendo um dia duro']. Ao perceber que já estava escuro, [completei com]: '...'s night!' ['... noite!']". Quando Lennon contou a observação ao diretor Richard Lester, ela se tornou instantaneamente o título do filme. Tudo o que tiveram de fazer foi escrever uma música que o acompanhasse. "John e eu estávamos procurando por títulos", disse McCartney"Uma vez que você tem um bom título, é meio caminho andado. Com A Hard Day s Night', você já tinha quase tudo". John compôs a música na noite anterior à gravação e o grupo a registrou em espantosas três horas.

"A Hard Day's Night" foi gravada no dia 16 de abril de 1964 em 9 takes. Quando a sessão terminou, às 22h daquela mesma noite, Harrison havia esculpido um de seus mais memoráveis solos - um precioso dedilhado crescente tocado duas vezes e arrematado com um floreio circular, com o badalar de sino de igreja de sua guitarra ecoado no piano por George Martin"George passava muito tempo trabalhando nos solos", disse Geoff Emerick"Tudo era um pouco mais difícil para ele, nada veio muito facilmente". Harrison também tocou o arrasador fade-out, um ressoante arpeggio de guitarra que foi inspirado por Martin"Eu estava frisando a eles a importância de fazer a música se encaixar, não exatamente terminando, mas ficando suspensa de modo a conduzir para a atmosfera do próximo clima", disse o produtor. John Lennon – vocal principal e guitarra; Paul McCartney – vocal harmônico e baixo; George Harrison – guitarra de doze cordas; Ringo Starr – bateria, bongôs e caneca; e George Martin – piano.

GEORGE HARRISON - O BEATLE RELUTANTE

 


Para o britânico Philip Norman, um dos mais respeitados "beatlelogos" em atividade, escrever a biografia "George Harrison - O Beatle Relutante" foi uma espécie de ajuste de contas consigo mesmo. O autor se destacou lá em 1981, ao lançar "Shout! - The True Story of the Beatles", um imediato best-seller que vendeu cerca de 1 milhão de exemplares.
Cerca de 15 biografias se seguiriam na sua obra, como as de Buddy Holly, Elton John, Eric Clapton e dos Rolling Stones. No meio disso, quando Harrison morreu, em 2001, Norman foi convocado pelo jornal The Times a escrever um obituário. O resultado - que tinha "um viés incessantemente negativo, em alguns trechos até insultuoso", segundo ele próprio - despertou inúmeras reações contrárias, o que o marcou. Nos agradecimentos desta nova biografia, lançada agora no Brasil, Norman diz que "precisa reconhecer um erro grave". Pede desculpas pelo artigo e lamenta que ele esteja disponível na internet"É como um vampiro, você não pode matá-lo", afirma jornalista à reportagem em uma entrevista por vídeo. "Harrison nunca foi o maior guitarrista, vocalista ou compositor do mundo", dizia aquele texto, completando que ele havia sido, contudo, essencial para a fórmula do Fab Four. E quanto ao novo livro? "Eu não sabia o suficiente sobre ele quando escrevi aquele obituário. Não era totalmente falso, mas o momento não era certo para dizer aquelas coisas. Mas muito era de fato verdade".

"Eu realmente tive que escrever a biografia de John Lennon [2008] e depois a de Paul McCartney [2016] para descobrir sobre George, como ele foi marginalizado por anos pelo enorme talento de Lennon e McCartney, como ele foi realmente muito corajoso. Ele não desistiu. E no final, fez o melhor de suas músicas, tão boas quanto as melhores músicas de Lennon e McCartney. Elas não eram tão numerosas, mas as melhores delas eram como as melhores de John e Paul", diz. A boa notícia é que isso não significa que o autor vá tratar Harrison com condescendência agora. Questionado sobre a capacidade do guitarrista de ser detestável - conforme histórias que estão no livro -, Norman não titubeia. "Muito desagradável e muito, muito mundano também. Apesar de sua espiritualidade, ele era muito mundano. Sua primeira mulher, Patty Boyd, lembra como ele podia mudar de um para o outro em um segundo. Poderia estar girando sua roda de orações em um momento e querendo usar cocaína no outro". "Para mim, isso é resumido pela história que aconteceu em um voo longo, quando ele está murmurando algo para si mesmo", lembra o biógrafo. "Uma comissária de bordo diz: 'Gostaria do seu almoço agora, senhor Harrison?' Ele responde: 'Vá se lascar, não vê que estou meditando?' Isso é George para mim em poucas palavras". Essas histórias, porém, não são o cerne do livro e não se deve esperar uma obra "anti-Harrison. Ele é muito mais complexo e interessante do que eu havia percebido", aponta o autor. "Ele é uma contradição enorme. Harrison podia ser muito charmoso ou nada legal. Podia ser muito nobre, como no show para Bangladesh que organizou, o primeiro tipo real de benefício de estrela do rock para uma instituição de caridade. Mas podia ser muito desprezível. Ele seduziu a esposa de Ringo. Dizem que ele era o Beatle quieto, mas a maioria das pessoas que o conheciam me disse que ele nunca parava de falar. Então, foi a contradição do personagem que me interessou".

Quanto ao adjetivo que está no título da biografia, "relutante", Norman diz não se referir a sua atuação como músico, mas como estrela do rock"Ele era uma pessoa muito reservada e odiava a histeria da Beatlemania. Quando as pessoas não conseguiam ouvir seu solo de guitarra muito bem elaborado - e na América, às vezes ele tentava tocar com duas jovens penduradas em seu pescoço -, ele odiava tudo isso". Devido ao obituário do Times, Norman nem tentou ouvir a segunda mulher de Harrison, Olivia Arrias"Não achei que houvesse esperança de que ela aceitasse". Por outro lado, teve bastante contato com a primeira, Patty Boyd, e tinha em seus arquivos o material de pelo menos três livros já lançados sobre os Beatles, sem contar a biografia de Clapton, o melhor amigo de Harrison e que lhe roubou a esposa nos anos 1970. E Norman não pretende parar por aí. Seu novo objeto de pesquisa é Brian Epstein, o empresário dos Beatles que morreu no auge da banda, em 1967. "Não há uma biografia adequada de Epstein, que realmente mostre toda a extensão de suas conquistas. Seu efeito na história da música popular foi fenomenal, e é também incrível a maneira como ele se relacionava com os Beatles. Eles eram como seus filhos, mais do que seus clientes". 

Sloche "J'un Oeil" (1975)

 

A biografia do "projeto" canadense Sloche é tão colorida e insidiosa quanto a Hidra de Lerna. Cada detalhe da biografia esconde camadas adicionais por baixo. É seguro dizer que tudo começou com Pierre Bouchard . Filho de uma dupla de piano familiar, músico autodidata, ele se sentiu atraído pela criatividade séria desde a juventude. Pierre se inspirou em obras de câmara acadêmicas, jazz de vanguarda, experimentos de rock de Canterbury e nos primeiros programas de Frank Zappa . Esses interesses determinaram o som eclético do próprio conjunto de Bouchard (criado em 1971). Entretanto, no processo de múltiplas perturbações, o membro mais persistente do Sloche permaneceu da formação original - um graduado do Conservatório de Quebec, Réjean Yakola (teclados, percussão, vocais). Era ele quem estava destinado a liderar as batalhas sonoras no futuro, sob a agora conhecida placa. 
Durante a gravação do álbum de estreia "J'un Oeil" , além de Réjane, as fileiras de Sloche incluíam: Martin Murray (órgão, minimoog, piano, saxofone, percussão, vocais), Carolle Bérard (guitarras, percussão, vocais), Pierre Hébert (baixo, percussão, vocais) e Gilles Chasson (bateria, vocais). Os rapazes não tinham falta de experiência e talento, e seu pensamento composicional sofisticado seria motivo de inveja até mesmo de artistas mais experientes. Não é por acaso que Sloche teve a honra de abrir o concerto da banda inglesa Gentle Giant , que se apresentou em Quebec em janeiro de 1975 . O show foi um grande sucesso. E literalmente na manhã seguinte os caras já estavam esperando o cobiçado contrato com a gravadora RCA Records...
O primogênito dos canadenses são cinco números estendidos de natureza muito original. O princípio fundamental da música + polifonia complexa = material único. O "fermento" filarmônico se faz sentir na fase introdutória de "C'pas Fin du Monde". E não se deixe confundir pelo "gorgolejo" futurista dos teclados. Sob a expressiva camuflagem cinematográfica, histórias inusitadamente interessantes são construídas. O ambiente "aquático" dá lugar à concretude, corais "hermafroditas" se dissolvem no som do órgão e partes virtuosas de fusão são executadas com deliberada imprudência. "Le Karême d'Éros" evolui de um estudo para piano de câmara para uma poderosa obra progressiva, repleta de esquemas interestilos de vários calibres. Você pode unir jazz-rock com ecos da era galante dos trouvères e a solenidade vocal do zoïl ("J'un Oeil"), misturar "truques" atonais da vanguarda com riffs extravagantes de saxofone ("Algebrique"), cingir uma base progressiva extensa com intrincados brotos florais ("Potage aux Herbes Douteuses") com loops de funk e, então, dar um passo para trás para avaliar objetivamente o efeito do uso de armas sonoras de destruição em massa...
Resumindo: um ato artístico brilhante, não sujeito à deterioração, como convém a uma verdadeira obra de arte. Altamente recomendado. 




Sloche "Stadaconé" (1976)

 

Outono do septuagésimo quinto. O quinteto Sloche está no auge da alegria de aproveitar a vida. Eles podem fazer tudo. O álbum "J'un Oeil" no espelho da imprensa, as faixas do disco são transmitidas regularmente pelas estações de rádio de Quebec, as cópias impressas estão esgotadas como pão quente... Felicidade e nada mais. Contudo, a euforia não impede que se perceba adequadamente a realidade. Os músicos continuam trabalhando duro. Concertos, composição de novo material, ensaios ativos... A máquina do Sloche está a todo vapor, nem mesmo a saída repentina  de Gilles Chasson (bateria) tira os caras do sério. Uma rápida substituição na forma de Andre Roberge e os garotos estão de volta ao palco. 
No verão de 1976, Sloche se conheceu no Studio B (RCA) de Montreal. O próximo passo é gravar um novo programa. Os pedidos dos cinco "estrelas" são ouvidos, nenhum detalhe é deixado sem atenção. Você precisa de um novo olhar sobre criatividade e de conselhos competentes de fora? Sem problemas. Aqui você tem o arranjador experiente Gilles Ouellet . Um homem respeitado, um produtor de primeira classe. Se necessário, ele tocará teclado e ajudará na percussão. Você aceita? Incrível. 
"Stadaconé" foi criado com um milagre em mente. Era isso que todos ao nosso redor queriam, desde a equipe técnica até a gerência da gravadora. E eles não tinham o direito de enganar as esperanças dos fãs do Sloche . Eles não nos decepcionaram. O lançamento acabou sendo forte, ousado e aventureiro no bom sentido. Os integrantes do conjunto não perderam o talento, não perderam a paixão e, sem dúvida, aprimoraram suas habilidades. Que dose quente de rock de fusão nos primeiros dez minutos! O ponto de partida é um ritmo pop contagiante. Blenda? Naturalmente! Os canadenses, mais do que ninguém, não baixam os padrões e não correm atrás de sucesso inflado. Então, por favor, dê uma mordida: truques de guitarra alucinantes de Carol Bérard , um diálogo de sintetizador e teclado entre Réjean Yakola e Martin Murray , os coros obrigatórios e uma coda de menestrel com um pôr do sol barulhento e evanescente. "Le Cosmophile" é um estudo que vai além do folk artístico francófono e do jazz impecavelmente tocado (a combinação saxofone-órgão está além de todos os elogios). "Il Faut Sauver Barbara" é uma colisão de vanguarda hard-boiled e fusão espacial amorfa em tons psicodélicos. "Ad Hoc" é algo delirante no sentido positivo da palavra. Meias dicas sobre Hendrix são abruptamente transformadas em jazz-rock ácido de qualidade exemplar e excelente gosto, filtrado pelo prisma da imaginação coletiva dos compositores. "La "Baloune" de Varenkurtel au Zythogala", de Pierre Hébert, pode, se desejado, ser comparado ao falecido Soft Machine (a linha entre a arte da escola de Canterbury e os sintetizadores é apagada por completo), mas o Sloche é bom porque sempre consegue evitar comparações diretas. Por fim, somos brindados com o número "Isacaaron" (Ou o demônio das escolhas sexuais) do fundador do grupo, Pierre Bouchard . E aqui os artistas demonstram uma classe extra, cobrindo de uma só vez uma ampla camada estilística:  Stravinsky , vanguarda progressiva esquizóide, e assim por diante em ordem crescente, aprofundando-se em matagais sonoros inimagináveis...
A carreira de Sloche foi interrompida no auge. A era dos gênios do prog acabou, o crepúsculo dos deuses chegou... Tentativas de reviver a formação foram feitas. Martin Murray e Andre Roberge até conseguiram fazer uma pequena turnê com a ajuda dos novos recrutas. No entanto, sem Rejan Yakola, as coisas não funcionaram para eles. Este último se sentia bastante confortável no papel do diretor musical Raoul Dughet e não tinha nenhum plano de dar as boas-vindas ao "filho pródigo"... 
Resumindo, esse é o fim da história. Mas vale a pena reclamar? O legado de Sloche é perpetuado e reeditado de tempos em tempos. E assim ainda temos motivos legítimos para admirar.




Lars Danielsson "Tarantella" (2009)

 

Como um verdadeiro artista, Lars Danielsson busca a diversidade. A busca por uma ideia, forma e conteúdo contextual para suas criações é uma necessidade urgente para o artista sueco. Ao embaralhar escalas de forma eficaz (do orquestral ao extremamente camerístico), o compositor Danielsson constrói gradualmente seu próprio universo musical. Seu programa de jazz sinfônico "Libera Me" (2004) pode ser considerado um padrão de gosto. Harmonia melódica, sensualidade, cores polifônicas discretas, uma abundância de solistas famosos, fundindo-se uns com os outros em harmonia... E uma situação fundamentalmente diferente com a criação subsequente de Lars - o álbum "Mélange Bleu" (2006). Aqui, ocorreu um experimento puramente modernista: uma mistura de técnicas tradicionais de jazz e clusters eletrônicos, resultando em um afastamento do mundo dos motivos para um ambiente exclusivamente sonoro. A virada para as melodias aconteceu no disco "Pasodoble" (2007). O dueto de piano e baixo com o pianista polonês Leszek Możder não apenas demonstrou mais uma vez o pensamento universal de Danielsson, mas também revelou uma das raras qualidades humanas: a arte de se sacrificar em benefício de um parceiro. E isso é especialmente apreciado pelos colegas de Lars no palco...
O disco conceitual "Tarantella" é mais uma prova da evolução pessoal do nosso herói. Treze estudos complexos visam unir a base clássica europeia com perspectivas improvisadas de jazz e um tom nórdico melancólico. A tarefa não é nada simples. Lars (contrabaixo, violoncelo, viola da gamba baixo) assumiu a tarefa de dar vida ao espetáculo com a ajuda de um elenco internacional: Leszek Mojder (piano, celesta, cravo), Matthias Eick (trompete), John Parricelli (guitarra), Eric Harland  (bateria, percussão). O resultado, como esperado, é surpreendentemente bom. A pureza aconchegante das linhas barrocas é saturada com o volume pós-bop dos metais ("Pegasus"). Em "Melody on Wood", a dupla Danielsson-Mojder pinta figuras de natureza contemplativa da paisagem. O drama de cordas "Traveller's Wife" (uma apresentação beneficente do gênio) flui suavemente para a imagem do grupo "Traveller's Defense", de um tipo de nu-jazz. O equilíbrio flutuante na plataforma instável da peça "1000 Ways" é equilibrado pela inteligência silenciosa do afresco "Ballet". A beleza arejada do número "Across the Sun" involuntariamente faz seu coração doer (aliás, isso traz à mente algumas analogias especulativas com Ivan Smirnov durante o período das "Férias da Crimeia"), mas a peça seguinte, "Introitus", ilustra uma jornada de vanguarda ao Oriente árabe. A elegia "Fiojo" de Leszek literalmente brilha com ondulações do sol de verão, enquanto na peça título, a equipe única realiza manobras folk-jazz transcontinentais. Sonhos da meia-noite pulsam sutilmente sob a carne delicada e aristocrática do esboço da "Bailarina". O espaço da composição "A Madona" é dedicado ao trompetista Eick, enquanto o restante fornece um cenário pitoresco para seu longo monólogo. O final, "Postludium", é belo em sua essência neoclássica cristalina, que brilha nas partes de piano, celesta, violoncelo e baixo.
Resumindo: um excelente lançamento de soft fusion, marcado pela sabedoria e maturidade espiritual de seus criadores. Recomendo que você leia. 




Bill Nelson "Northern Dream" (1971)

 

Sou um ouvinte onívoro. Quando adolescente, vasculhei a coleção de discos dos meus pais, que continha muitos discos de swing de 45 rotações e de big bands. No final dos anos 60, eu curtia gente como Syd Barrett , Jimi Hendrix e bandas de blues britânicas como Fleetwod Mac , Chicken Snack e a banda de John Mayall . Também curtia Bob Dylan and The Band . Todas essas influências se refletiram no material de "Northern Dream", em maior ou menor grau. Bem, não há nada a acrescentar ao discurso direto de Bill Nelson , exceto tocar na história da criação do álbum. E isso, admito, é interessante à sua maneira.
Tudo começou na cidade de Wakefield, West Yorkshire. O Maestro Nelson estava tocando blues psicodélico em um grupo chamado Global Village . No princípio, ele gostava desse negócio, mas pensamentos sobre seu próprio álbum o assombravam. Uma coleção de músicas prontas para serem implementadas já estava acumulando poeira nos depósitos criativos. Não foi difícil para Bill lidar com eles sozinho (felizmente, Deus não o privou de talentos instrumentais). Entretanto, a base técnica de Wakefield estava limitada a um estúdio de duas pistas. Era de propriedade de um cara chamado Mike Levon , e o equipamento estava localizado em seu quarto. É claro que o multi-tracking estava fora de questão em tal situação. Em geral, eram necessários acompanhantes. Eles foram encontrados na igreja pentecostal local, onde a primeira esposa do nosso herói era paroquiana. Os caras da equipe Gentle Revolution tocaram hinos pop gospel e concordaram em ajudar Nelson com o projeto aventureiro. O álbum autolançado, artisticamente projetado por Bill, inesperadamente chamou a atenção do popular DJ John Peel . Graças a este último, o artista provincial ganhou rotação na BBC Radio One. Bem, então o volante do  Be Bop Deluxe começou a girar , sobre o qual não vamos fofocar aqui. Vamos rever o conteúdo de "Northern Dream".
Riffs de guitarra pesados ​​em "Everyone's Hero" contra o pano de fundo de uma seção rítmica tranquila ( Liam Arthurs - baixo, Richard Brown - bateria), vocais prolongados, um leve sabor "ácido", letras lacônicas. Não há sinais de genialidade, embora a impressão geral não seja ruim. Fica ainda mais agradável quando o músico opta pelo folk (“House of Sand”) ou multiplica seus derivados com baladas e rock forte (“End of Seasons”). No estudo pastoral "Rejoice", Nelson, entre outras coisas, demonstra de forma convincente seu domínio da flauta e da flauta doce. A suave "Love's a Way" é cativante com sua melodia e drama natural. O próprio Bill menciona algum tipo de experiência espiritual que lhe permitiu compor esse esboço (suspeito que LSD estava envolvido). O instrumental "Northern Dreamer (1957)" é marcado por um clima retrô, filosófico e se destaca pelo fraseado expressivo da guitarra. O modelo primitivo do rock 'n' roll ("Bloo Blooz") é transformado no blues-rock hippie de "Sad Feelings", que por sua vez é substituído pela alegre música country "See it Through". A coisa dos "Sorrisos" parece ser uma espécie de "mistura", com uma combinação desanimadora de todos os tipos de ingredientes. O final é uma passagem de transe de 20 segundos, "Chymepeace (An Ending)" - um fragmento de uma canção de ninar ácida especulativa para um androide viajante estelar.
Resumindo: um mosaico sonoro eclético, convenientemente disfarçado com características folk-rock. Nota para fãs de programas extravagantes de subgêneros




John G. Perry "Seabird" (1995)

 

A editora Voiceprint tem um destino estranho. Em 1990, o britânico Rob Ayling fundou a gravadora com o objetivo geral de apoiar veteranos da cena artística inglesa que continuam a fazer história modestamente. David Allen , Fish , Anthony Phillips , Patrick Moratz e outros luminares do gênero encontraram um amigo leal e patrono em Rob. Com o tempo, o número de clientes aumentou e o repertório se expandiu. Além de progressistas, Eiling gostava de música clássica, bardos e pop-rock "avançado". E a única razão pela qual alguém poderia não gostar da Voiceprint Records eram os parâmetros sonoros peculiares dos lançamentos que eles faziam. É verdade que no início do Milênio a situação havia melhorado notavelmente. No entanto, os CDs de meados dos anos noventa eram inferiores em termos de som não apenas aos produtos da Musea Records, mas também a outros poucos "redutos culturais" da música progressiva.
Todo esse prelúdio, como você provavelmente adivinhou, não foi sem razão. O material do álbum "Seabird", para dizer o mínimo, não brilha com delícias qualitativas (simplesmente não está claro para onde foram os esforços dos quatro engenheiros de som). Dois pontos justificam isso: 1) arquitetura composicional colorida; 2) o poderoso potencial criativo e o nível de desempenho dos participantes. Para o maravilhoso baixista John G. Perry (ex- Caravan , Qantum Jump , Aviator etc.) este é o segundo programa solo (seu LP de estreia "Sunset Wading" foi lançado em 1976). Surpreendentemente, vinte anos depois, o maestro conseguiu reunir novamente seus amigos setentões sob sua bandeira. Colegas eminentes (o músico de sopro Ellio D'Anna , o baterista Michael Giles , o tecladista/produtor Rupert Hine , o percussionista Morris Peart , o violista/flautista Jeffrey Richardson , o guitarrista Corrado Rusticci ) não hesitaram em responder ao chamado do Sr. Perry. Como antes, os arranjos de cordas tornaram-se prerrogativa exclusiva de Simon Jeffes ( Penguin Cafe Orchestra ). Bem, a letra da música foi fornecida a John pelo experimentalista dinamarquês Martin Hall . E os caças britânicos acabaram com uma verdadeira "pintura a óleo".
Os enredos conceituais simbolistas de Hall são incorporados por meio de passagens doces e conservadoras de Canterbury. A introdução de "Uncle Sea Bird: His Nibs" apresenta a batida forte da seção rítmica e os ganchos de guitarra de Corrado, lindamente embelezados pelos floreios de contralto de Richardson. "The Art of Boeing" flui gradualmente de um dueto de cordas de piano de câmara para um afresco progressivo colorido e cheio de ramificações. Os estudos "Uncle Sea Bird Has No Truck" e "Getting Off The Ground" são mais voltados para fãs de funk psicodélico, enquanto a combinação "The Kittyhawk Strut/Uncle Sea Birds Finest Hour" traz elementos de salsa, traços de etno-rock com um toque africano e sinos de cristal do estilo new age. Pureza sinfônica e transparência distinguem a linguagem melódica de "The Lockheed Lizard". A dilogia final, "Obsoletely True: a) Uncle Sea Bird Remembers Himself; b) The Orchid Lounge", demonstra uma intersecção inteligente de matéria de arte elegíaca com os timbres percussivos-corais dos nômades bosquímanos ou massai; uma oportunidade maravilhosa para demonstrar a engenhosidade do autor.
Resumindo: apesar da péssima produção sonora, trata-se de um excelente ato artístico dos Mestres, com letra maiúscula. Altamente recomendado a todos os amantes do rock de Canterbury.  



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