sábado, 20 de maio de 2023

Conjunto Cuca Monga – Cuca Vida (2020)

 

Totalmente gravado à distância em modo cadáver-esquisito, Cuca Vida é um bem-disposto e despretensioso mergulho no grupo de WhatsApp da Cuca Monga, cheio de private jokes, piscadelas de olho ao mundo digital e reflexões sobre a amizade.

2019 foi um ano com poucas horas mortas para os jovens da Cuca Monga. Com discos novos de Capitão FaustoGanso e Luís Severo, mais a adição de Zarco (com disco de estreia a acompanhar) e de Rapaz Ego às fileiras da editora, desdobraram-se em concertos de apresentação e tours de norte a sul do país. Ora, como dizia Newton, um corpo em movimento tende a permanecer em movimento e era com certeza isso mesmo que se previa para o 2020 da editora de Alvalade: agenda cheia, a aproveitar o embalo feliz, num movimento contínuo e imperturbado. Não terá sido, portanto, fácil o shut down a que foram obrigados em meados de março deste malfadado ano, que, para além de não os deixar tocar ao vivo, os confinou às respetivas casas, tornando de repente distantes relações próximas. Newton também dizia que um corpo em repouso tende a permanecer em repouso, mas parece que neste caso não foi assim.

Terá sido num grupo de WhatsApp, o convívio possível em era pandémica, que Domingos Coimbra lançou a ideia de fazer música à distância, quiçá se para combater o tédio, se para manter os músculos criativos devidamente treinados, numa tentativa de resistir subversivamente ao repouso imposto. Estabeleceu-se uma espécie de jogo, com regras e canais próprios, para evitar batotas, tudo como devia ser. As restrições eram poucas e simples: cada um podia gravar, com os recursos que tivesse disponíveis (mais ou menos instrumentos ou tecnologia), o que quisesse, como quisesse, nomeando o colega que a seguir teria a mesma liberdade para trabalhar no material criado. Era proibido repetir nomeações para que, idealmente, todos participassem em todas as canções, e também ouvir o resultado da corrente antes das participações de todos. O jogo teve tanto sucesso que o que começou como uma brincadeira entre amigos revelou potencial suficiente para evoluir para um disco. Cuca Vida, álbum gravado em apenas dois meses, saiu assim no fim de junho, assinado pelo Conjunto Cuca Monga, ou seja, por vinte dos músicos que já nos habituámos a ouvir em BISPOCapitão FaustoEl SalvadorGANSOLuís SeveroModernosRapaz EgoReis da República e ZARCO.

Embora seja notória a existência de blocos correspondentes a intervenientes diferentes, sobretudo no que às vozes e letras diz respeito, é surpreendente a fluidez da construção e a perfeição das costuras que, em alguns casos, mal se veem, destas dez canções cadáver-esquisito virtual. Até porque o exercício não terá sido fácil – contribuir para esqueletos de músicas sem fazer ideia de como ficaria o resultado ou que volta lhe daria o próximo músico – e, eventuais batotas à parte, o resultado só vem atestar a existência de uma matriz criativa comum e de uma afinidade e compreensão mutua não só dentro de bandas como dentro da editora, o que, só por si, é bonito. Mas vejamos as canções que é por isso que aqui estamos.

Bem-dispostas e sem se levarem demasiado a sério, são como um mergulho no grupo de WhatsApp da Cuca Monga, com private jokes, referências que só eles percebem e piscadelas de olho ao mundo virtual que momentaneamente substituiu o mundo físico. “Sem Razão” abre o disco com uma voz robótica que está “aqui para agradar a você”. Com a dose certa de aleatoriedade e versos poéticos, como aquele em que Luís Severo nos diz que “a vida é bela sem razão”, é um bom exemplo de uma canção composta por blocos diferentes e ligada por um refrão gingão com coros eufóricos. No fundo ouvem-se palmas, campainhas e outros pequenos barulhos que só acrescentam à textura do som. Segue-se “Tou na Moda”, que foi single de apresentação e nos chegou acompanhada de um videoclip que tem tanto de vistoso como de caseiro, e é provavelmente a faixa mais dançante do disco. Sintetizadores saltitantes e coloridos acompanham a letra, que, não fazendo sempre sentido, parece tentar incluir o maior número possível de conceitos “da moda” por minuto, indo desde o abacate, a engates no maat, cuscar perfis digitais ou astrologia. Depois de “Escudo”, bem regada a sintetizadores e referências a jogos virtuais, surge “Celular 4”, interlúdio que, juntamente com “Celular 8”, serve de Making Of, já que as mensagens de voz de Joaquim Quadros nos deixam vislumbrar como terá decorrido a troca de ideias e como gravar um disco à distância nem sempre é fácil.

“Má Vontade”, com a sua bem definida linha de baixo, e “Liberdade”, tropical e quente, falam de temas mais sérios. Enquanto que, na primeira, Fernão Biu discorre sobre arrogância e pessoas que andam “por aí com a razão no bolso”, na segunda fala-se da frustração de quem está fechado há demasiado tempo e já não vê “a hora de ir lá fora”. Pelo meio há “Travessia”, bonita e curta balada para piano e três vozes onde, para além de Tomás Wallenstein e Luís Severo, podemos ouvir em destaque Madalena Tamen, única voz feminina da editora. Mais uma vez encontramos referências à pandemia quando Madalena e Tomás cantam juntos “quando passar esta aflição, e a vida regressar, saímos mais unidos para apanhar o sol do verão”.

A última secção do disco começa com “Proporções Bíblicas (Absolutamente à Porta)”, épica corrente rap em que cada interveniente chama o próximo para falar sobre fazer música, a quarentena, e tudo o resto. Enquanto “Se Algum Dia” dá uma perninha no reggae, “Casa Andante”, que começa por parecer outra balada, transforma-se numa reflexão spoken word, em tom pregador. “Os Amigos” fecha o álbum com uma apologia da amizade e da importância da tolerância e da comunicação, num refrão quase folk, onde, mais uma vez, é clara uma textura criada pelas várias camadas instrumentais e pelos pequenos apontamentos de sons de animais e da natureza.

Para além de ser um objeto interessante enquanto representação do que decidiu fazer um conjunto de músicos durante um período em que se viram confinados às suas casas, Cuca Vida é também uma prova da sua capacidade de adaptação, já que aqui tiveram de pôr de lado todo o conhecimento que tinham sobre como se grava um disco e procurar novos meios, de entre os que tinham à mão, para chegar aos mesmos fins. Esse feito já ninguém lhes tira.

Todo o álbum é fresco e descomplicado. Sem pretender ser muito mais do que uma brincadeira entre amigos, salta de género em género rindo-se de si próprio e da situação esquisita em que o mundo se encontra, ao mesmo tempo que perde tempo a gravar sons de cursos de água ou de passarinhos, numa deliciosa atenção aos pormenores em que começamos a reparar quando desaceleramos. Ainda que dificilmente alguma destas canções consiga competir com composições mais cuidadas de qualquer um dos elementos do Conjunto Cuca Monga, é de louvar que certas faixas não envergonhem ninguém se passarem na rádio ou numa pista de dança. Ficamos com curiosidade de ouvir como soarão as versões ao vivo e, mais importante, como vão fazer caber todos os músicos no palco. O importante é não perder o balanço.



Classificação de todos os álbuns de estúdio dos Gojira

 

gojira

A jornada de Gojira dos subúrbios sonolentos de Bayonne, na França, nunca seria fácil. A história deles é uma das ascensões mais incríveis da história do metal, com Joe e Mario, o vocalista e baterista da banda na vanguarda. A banda foi formada em 1996 como Godzilla e saiu da obscuridade durante a primeira metade de sua carreira para o reconhecimento global na segunda . Em nossa classificação de todos os seus álbuns, olhamos para os dois primeiros álbuns da banda, que foram poderosas apresentações ao vivo que estabeleceram sua crescente reputação como a próxima grande música do metal.atuar na França. Seu terceiro álbum foi o aclamado From Mars to Sirius, que foi amplamente divulgado pela imprensa britânica. Depois de assinar com a Prosthetic Records, a influência da banda cresceu, com o álbum The Way of All Flesh alcançando a parada da Billboard 200 dos EUA. Gojira é considerado uma das melhores exportações da França para os Estados Unidos. Com várias indicações ao Grammy em seu currículo, Gojira também é a primeira banda francesa a liderar a parada de álbuns de hard rock da Billboard dos EUA. Aqui estão todos os sete álbuns do Gojira classificados.

7. Terra Incógnita (2001)


Para começar, temos o álbum de estreia de Gojira, cuja arte da capa resume o álbum como um todo. Segundo Joe Duplantier, o álbum foi uma reflexão e uma exploração da alma de alguém, que permanece um mistério. A música não pode realmente ser limitada a um gênero, mas pode ser classificada como death metal progressivo . O álbum parecia um pouco inconsistente em termos de qualidade da faixa. É seguro dizer que, na época de seu lançamento, muitas pessoas nem sabiam que a França tinha uma cena de metal. Apesar de não ter sido uma estreia ruim, o álbum inteiro não foi tão intrigante quanto outros álbuns que a banda lançou posteriormente.

6. The Link (2003)


Na verdade, o álbum de estreia de Gojira, Terra Incognita, sofria de várias inconsistências, e estava claro que a banda ainda não havia encontrado seu som. No segundo álbum, a banda manteve as coisas um pouco mais frescas, e o álbum soou mais progressivo. O álbum apresenta algumas ótimas canções, como “Indians”, que é uma canção típica de Gojira. A música apresenta ótimos riffs e um incrível trabalho de guitarra. À medida que a música se aproxima do final, podemos ver as grandes qualidades técnicas da banda, com Christian Andreu, o guitarrista principal da banda, a brilhar por toda a parte. Comparado ao álbum de estreia, The Link foi um passo na direção certa para a banda.

5. From Mars to Sirius (2005)



Em quinto lugar está o álbum de produção própria, From Mars to Sirius , que foi escrito principalmente por Joe e Mario Duplantier, embora Christian Andreu também tenha feito algumas contribuições. O álbum apresenta ótimas obras de arte em sua capa que significam a ressurreição de um planeta morto. O álbum abordou alguns temas interessantes, como mudança climática, vida, morte e renascimento. O álbum recebeu críticas positivas dos fãs, com muitos fãs notando as influências de bandas como Pantera e Neurosis. O álbum apresentava um baixo pesado com alguns riffs malucos e vocais rosnados. Com um tempo total de reprodução de mais de 66 minutos, o álbum era muito longo. No entanto, o álbum foi progressivo e um dos álbuns mais impressionantes de Gojira. Minha música favorita do álbum foi “Flying Whales”, que homenageia as baleias e sua incrível inteligência.

4. Fortitude (2021)

 

O processo de composição deste álbum começou em 2018, mas foi suspenso devido à agenda de turnês da banda. O Covid-19 veio e a data de lançamento do álbum foi adiada. No entanto, quando o álbum foi lançado, provou ser bastante popular, tornando-se o álbum mais vendido da banda nos Estados Unidos durante a primeira semana. Embora incorporasse solos de guitarra e alguns elementos de rock clássico, tinha um som mais progressivo, e a mensagem lírica era bastante positiva. O álbum trazia ótimas faixas, como “Amazonia”, que recebeu uma indicação de Melhor Performance de Metal no Grammy Awards de 2021. O álbum estreou em 12º lugar na Billboard 200 dos EUA e ficou em terceiro lugar na lista dos Rolling Stones dos 10 melhores álbuns de metal de 2021.

3. Magma (2016)


Magma se destaca como um dos álbuns de metal mais esperados de 2016. Neste álbum, a banda partiu de seu uso proeminente de vocais limpos e foi dedicado à mãe dos irmãos de Duplantier. Desde a pouco ortodoxa música de abertura, você pode dizer que este álbum era algo diferente. O álbum recebeu críticas positivas dos críticos e recebeu uma pontuação de 79 em 100 do Metacritic. O álbum ficou no topo da lista de prêmios de Álbum do Ano da Metal Hammer e rendeu a Gojira sua primeira indicação ao Grammy.

2. L'Enfant Sauvage (2012)



Quando Gojira lançou este álbum, ficou claro que eles estavam no auge das letras e finalmente encontraram seu som. O álbum, cujo título pode ser traduzido para The Wild Child, é o quinto álbum de estúdio da banda e foi lançado em 2012 pela Road Runners Records. O álbum abre com a faixa “Explosia”, que apresenta batidas e guinchos pesados ​​e os ritmos agitados e imprevisíveis de Mario Duplantier. A faixa-título do álbum exibe a mistura implacável de beleza e brutalidade de Gojira, e é um resumo de todo o álbum, que exala qualidade e profundidade.

1. The Way of All Flesh (2008)



Em primeiro lugar em nosso ranking de todos os álbuns de estúdio do Gojira está o lançamento de 2008, The Way of All Flesh, que foi gravado no estúdio caseiro da banda e produzido por Joe Duplantier. O álbum falava sobre as coisas pelas quais os seres humanos passam em suas vidas até morrerem. É o álbum musical mais denso de Gojira e eclipsa o resto em termos de criatividade, consideração e lirismo. O álbum estreou em # 138 na parada US Billboard 200 e alcançou a posição número um no Top Heatseekers Chart.



Review: "Take Me Back To Eden" de Sleep Token, prog metal avança para outra evolução com eles (2023)



O metal progressivo está em constante transformação, junto com a era tecnológica que vivemos e a quantidade de gêneros que se misturam para dar lugar a uma inovação musical marcada pela cultura pop, onde o sentimentalismo de artistas e amantes da música se mistura . É o caso de uma das muitas bandas 'hype', Sleep Token, que está a deliciar-nos este ano, que está a ser coroado como o ano do metal progressivo. 

Take me Back to Eden não é apenas uma obra musical, mas totalmente artística, com detalhes culturais de minimalismo, de anime ilustrativo que refletem um nicho de música cult. Seu público cresceu muito graças às redes sociais de seus fandoms, bem como ao magnífico trabalho gráfico de Adamross Williams, que se encarregou de ilustrar desde a capa até cada um dos símbolos das canções do álbum. 

TMBTE é o terceiro álbum dos mascarados britânicos que estão arrasando em suas turnês, já que todos os shows anunciados para 2023 estão esgotados e esperamos que um dia eles visitem todo o continente americano.

“Chokehold” abre o álbum com um sintetizador introspectivo cheio de mistério para que Vessel nos delicie com a sua voz maravilhosa com um “quando fomos feitos, não foi por acaso” para nos conduzir ao Éden e nos lembrar que o humano está presente no álbum . À medida que avançamos, começam o djent e as percussões muito estrondosas, uma composição muito bem estruturada, algo melancólica, com fundos em que, se ouvirmos com atenção, percebemos que até aparece um Koto japonês. Uma ode ao sofrimento humano para aprender com a vida.


“The Summoning” estoura nossos tímpanos com muito metal, várias mudanças de tempo super progressivas, totalmente headbanging. Os gritos do Vessel, na minha opinião, são muito mais agudos do que em seus álbuns anteriores, uma composição que silencia muitos para dizer a eles que o metal está mais vivo do que nunca. Considero ser a música que define muito bem a banda, já que metal, sintetizadores eletrônicos e até o ritmo jazzístico com tapa se misturam, deixando você pensando em um transe erótico, já que Vessel continua cantando para sua divindade da noite, curiosamente, a capa do álbum é uma lua ao fundo. 


Com “Granite” começa um pouco a viragem experimental deste terceiro álbum, a presença dos sintetizadores vai-se prolongando e podemos mesmo dizer que vira trap. Uma peça que a princípio me lembra a vibe de estar em um videogame de estratégia com trap-djentozo ao fundo. “Aqua Regia” segue a linha de sua antecessora, mas tem como característica o piano com que a voz se desenvolve, harmonias, coros que tornam a peça mais palatável, fazendo parecer que você nem está ouvindo mais metal. 




“Vore” uma composição majestosa que temos que ouvir para quem tem medo do metal. Gorgeous Vessel guturais intercalados com toda a carga djent. É a mais estrondosa, introspectiva e novamente com arranjos japoneses de toda a discografia do ST. Um dos meus favoritos do TMBTE.


“Ascensionism” a primeira música que não estava nos singles, vira-se para o melancólico, pois a especialidade de Vessel é aquela junto ao seu piano e de repente o trap volta a descer para o metal. Muitas mudanças de gêneros que estão definindo a banda e ao mesmo tempo acho que é nu metal com metal progressivo, baseado na introspecção que lhes dá um toque de inovação. 

"Are you really Okay" uma melancólica peça eletroacústica que nos dá um momento de cura se tivemos dias difíceis ou que nos lembra alguma ferida para curar com amor próprio, mesmo que nos seja difícil sair de uma círculo vicioso ("não se machuque de novo").

"The Apparition" na minha opinião é a composição mais experimental, mais musical do que lírica: beats e trap com metal, mesmo em certos momentos o instrumental me passa a sensação de orquestração, pois a banda cuida muito bem das mudanças, assim como o som que eles projetam para dar muita presença. 

“DYWTYLM” (Did you wish that you love me) a balada do álbum começa com sons semelhantes ao instrumento Hang. Uma composição pensada liricamente, arriscando voltar a sentir, deixar-se amar e amar, mas também reinventar-se para voltar a sentir-se e amar-se primeiro para se doar ao(s) outro(s)   


“Rain” é a composição mais cativante ou mais comercial mas muito agradável, sem deixar os sons atmosféricos de trap e djent, gostei muito dos refrões nela. É a respiração energética antes de entrar no 'Éden'. 

Com "Take me back to Eden" parece que entramos em um mundo novo, sem amarras, fardos ou preocupações humanas. Uma composição muito djent que te faz meditar e também te enche de energia para te dar inspiração para continuar com os propósitos que se escolhe na vida.

“Euclid” encerra o trabalho com entusiasmo, como se a banda estivesse se despedindo ou se preparando para se reinventar. Inclusive termina com o refrão da música “a noite não pertence a deus” nos deixando como se a história continuasse. Até nos fandoms fala-se que poderia ser o encerramento como banda, mas esperamos um dia revê-los e dizer que foi apenas o capítulo final de muitos outros trabalhos que estão por vir. Espero que em breve eles venham para a América Latina para chorar em seu moshpit como todos os talibãs progressivos. 

Review: "Mirror To The Sky" de Yes (2023), as lendas do rock progressivo ainda estão em vigor

 

 “Mirror in the Sky”é o novo álbum da mítica e lendária banda Yes, lançado em maio de 2023 pela InsideOut. Apresenta a nova e definitiva formação da banda após a morte de Alan White: Steve Howe, Geoff Downes, Jon Davison, Billy Sherwood e o novo baterista, Jay Schellen. Este novo material é dedicado a White após sua morte e contém seis músicas, três delas completas, enquanto haverá um disco bônus com mais três músicas. É um formato que já foi testado com o álbum 'The Quest' (2021). Os arranjos orquestrais estiveram a cargo de Paul K Joyce, enquanto a capa, como já se sabia, foi novamente desenhada pelo inseparável ilustrador do grupo, Roger Dean. Os principais compositores são Howe, Downes, Sherwood e Davison, e foi gravado em 2022 nos estúdios dos integrantes do grupo, o veterano guitarrista Steve Howe como produtor, e Curtis Schwartz, como engenheiro de som. O álbum foi lançado em vários formatos, como versão digital, CD e caixa luxo composta por 2 LPs de vinil+2CD+BluRay com ilustrações do encarte. O Bluray inclui uma mistura com som Dolby Atmos.

Uma melodia inquieta dá-nos a entrada nesta viagem que começa com “Cut from the Stars” . De imediato, o conjunto não intercepta com sua polifonia única, e podemos ouvir os vocais característicos da banda com Jon Davison. Vários cortes se sucedem trocando passagens entre harmonias energéticas. Em seguida, “All Connected” nos atinge com um andamento mais leve, porém, com a mesma força, mantendo as texturas de forma contundente. Aqui não há eufonias que não se misturem, e as mudanças de ritmo simplesmente acontecem. Por ali, encontra-se um solo de sintetizadores, e uma inevitável sucessão de climas. A canção se mantém em movimento contínuo, múltiplas eufonias disparam de todos os lados para se entrelaçar e formar sólidas redes sonoras. 

“Luminosidade” ataca com ímpeto, e se posiciona com seu ritmo específico. A guitarra sobressai desde o início, e a voz surge com um carácter épico, onde todos os versos vão de encontro a essa ideia. Parece uma viagem no tempo a outra terra distante, com seus coros e timbres seletos. Podemos praticamente dizer que é uma balada com um andamento bastante animado, com uma pausa no final. A guitarra volta a ocupar o seu lugar, e deixa-nos um belo solo para recordar. “Vivendo seu Sonho”Ele nos acorda com sua bateria que aparece com força e impulso. A mudança no modo tonal nos coloca em um lugar mais agitado e convulsivo. Entre versos verdadeiramente criativos, um solo de guitarra leva-nos numa viagem pelas alturas. Com acordes em tensão, somos inevitavelmente surpreendidos pelo final, que nos faz perceber uma das faixas mais curtas.

Agora, a música que dá nome ao álbum, “Mirror in the Sky”, desenvolve-se aos poucos no início, mas não demora muito para começar com veemência. Tem um progresso incisivo que surge com espírito real e, algumas estrofes após a introdução prolongada, passamos para paisagens diversas verdadeiramente inspiradas. É uma obra que não se decompõe e procura manter-se constantemente em pé, afastando-se da concepção do tempo. Cada seção justifica sua evolução melódica e existência, assim como cada um de seus instrumentos. Ele aproveita seus momentos para respirar, para gerar as atmosferas necessárias de forma natural e orgânica. Talvez a melhor música até agora, muita habilidade na interpretação, com verve, representatividade e determinação. A tudo isto, juntamos o seu grande e marcante final, que nos liga a “Circles of Time”., e suas frases leves correndo por aquelas recorrentes cordas vocais. Uma balada mais do que significativa que pode atingir suas emoções desde que você preste atenção nela. São versos emocionalmente intensos que abalam por dentro, como já fez esta renomada banda em algumas ocasiões. Não poderia haver final melhor do que este, como sua imensidão em apenas cinco minutos. Pura magia de muitas décadas atrás, mas com o som atualizado hoje, vale a pena a odisséia.     

O que resta então compõe o bônus. "Unknown Place" , com um início acústico, destaca um espírito tribal em seus riffs e vários arranjos sugestivos. Os vocais definitivamente combinam com a classe, aos quais são adicionados alguns solos generosos no meio. Notavelmente, poderia ser o melhor desta segunda parte. “One Second Is Enough” pode ser a mais simples até agora, mas com uma mensagem consonantal intrínseca e um órgão em sua introdução, uma grande musicalidade se desenrola. Assim, fecha toda aquela majestade, “Magic Potion” que soa em modo maior, e com algumas sequências divertidas que te envolvem ainda mais em estruturas eufônicas de outrora.

Encontramo-nos aqui com um trabalho árduo, que contém acabamentos muito esmerados em todos os seus detalhes. Quem prefere o tradicional som clássico dos anos sessenta, pode ficar satisfeito, além de algumas fórmulas que se repetem inescapavelmente. Agora, tudo bem atualizar o som, e digitalizar todo o material para que possa ser curtido em todas as plataformas, porém, talvez não haja tantas mudanças em termos de composição e criação. Neste momento, quem puder desfrutar de um bom álbum deverá receber da melhor forma estas novas canções. Músicas que soam verdadeiras e inspiradas, apesar da curta distância das anteriores. Decididamente, há uma firme decisão de continuar fazendo música aproveitando a nova formação emergente, perceptivelmente, já instalada. Entramos totalmente no prog etéreo, atmosférico e carregado de detalhes com um equilíbrio agradável e o mais iluminado em anos, apesar das baixas perceptíveis. Certamente, não há intenções de soar como sombras do passado, eles parecem autênticos, fazendo jus ao que se espera. Essejogo estendido, tem a capacidade de ser maduro, conciso e bom o suficiente para subir ao palco em sua próxima turnê. Uma boa amostra do nível que o grupo pode exibir após mais de cinquenta anos de carreira, e que continuam a fazer jus a lendas vivas, superando as fatalidades do tempo, claro. Eles ainda podem continuar a oferecer material de qualidade e manter essa capacidade de continuar a emocionar com sua arte transcendente.


Resenha: "Mañana" de Nekokatsu, o segundo EP do multi-instrumentista chileno com sua música esotérica e mística

 


“Mañana” es el segundo EP de Nekokatsu, tambem, disponivel em todas as plataformas desde março de 2023. E bastante mais pop convencional que el primero, y su primer track habla sobre esa ansiedade positiva que no te deja dormir el día anterior a um grande dia. Musicalmente, é um ritmo dançável com uma harmonia que pode ser considerada alegre. O segundo tema nos convida a nos reconectar com o tempo finito da vida humana que vivemos. Uma canção de rock simples com muitos backing vocals dissonantes. E a última, de temática teológica, aborda a ideia de nossa eterna busca pela verdade existencial, e como as coisas cotidianas nos afastam dessa busca. Aqui estão alguns arranjos de instrumentos eruditos compostos por Germán Torres. Um material mais do que interessante para apreciar na íntegra. 

"Tomorrow" surpreende-nos com uma bateria contundente. Isso nos dá base para um começo poderoso, onde um baixo bem equilibrado se funde com um piano temperado, e algumas guitarras com um som marcante. Várias passagens são transcendidas, com variantes harmônicas e melódicas, torna-se quase uma paisagem intrínseca que se dissolve em tons de múltiplas cores. É uma canção suportável, atraente para apreciar e com uma propulsão natural. Acompanha todas as suas mudanças climáticas e seu final quase inacabado se destaca entre os demais.   


“El tiempo” nos corta com arpejos intensos e um groove marcante. A voz se destaca por sua mensagem e ganha força à medida que avança. Em cada seção existem ambientes diferentes, e um grande número de nuances é exibido em toda a sua estrutura. Uma faixa que parece composta de sinceridade e integridade. 

Inevitavelmente, concluímos com “La Verdad” , uma balada épica só com voz e piano, muito intimista e bem conseguida. Seu som é tão bem equilibrado que te pega instantaneamente, um belo fechamento para toda essa energia descoberta em pouco mais de onze minutos.    

Escusado será dizer que encontramos outro material produzido ao pormenor. Com a correspondente publicidade, não demorará muito para que seja um sucesso. Idéias originais surgiram com estilos diversos e ótimas performances em cada um de seus instrumentos. Um trabalho curto, mas preciso, que pode transcender fronteiras nesta era da informação. Ele pode facilmente alcançar qualquer ouvido que se atreva a experimentá-lo. Lembremos que Nekokatsu é um cantor e compositor chileno multi-instrumentista, com influências musicais típicas do Rock/pop, Jpop e música de videogame. Suas letras e músicas nos convidam a nos conectar com as experiências de nossa vida cotidiana, e vivenciá-las de uma perspectiva esotérica, mística e filosófica.

Revisão: "Heavener" do Invent Animate, Metalcore Progressivo do Texas (2023)

 


Invent Animate é uma banda de prog metal do Texas, com 12 anos de história. Ao longo do seu desenvolvimento em palco, atraíram a atenção dos amantes da música djent para este ano apresentarem o seu álbum Heavener com uma tendência marcada e já melhor definida que os seus antecessores.

O álbum começa com "Absence Persistent" uma composição muito metal core, estrondosa mas também onde as linhas de baixo e as guitarras djent se destacam muito, assim como um baterista que está presente em todos os momentos do álbum com mudanças rítmicas bem definidas. 

Um aspecto notável dessa banda é o tipo de voz do vocalista Marcus Vik que ingressou a partir de 2020, já que suas mudanças de voz vão do agudo ao gutural, mas também não tão extremo. 


“Shade Astray” me lembra um pouco os sons de um tesseract, sem dúvida uma composição muito instrumental, djent e harmoniosa. Além disso, é mais uma das muitas bandas que incorpora batidas de música eletrônica para orquestrar e/ou entreter o resultado. “Labyrinthine” dá-nos a aparência de algo muito mais complexo, é uma música já mais inclinada ao metal técnico, o que à primeira vista nos dá a sensação de que seria puro ruído, mas não, visto que não ultrapassa linhas tão estrondosas. 

“Without a Whisper” é uma composição que se destaca muito pelos arranjos de guitarra, além de ser um tanto mole pela voz. “False Meridian” está totalmente djent, dando-nos a entender que têm uma clara influência dos grandes animais como líderes, agora com uma voz muito mais a tender para o extremo, mas regressando à nitidez dos momentos. Considero-a a música mais interessante do álbum, pois é onde se reflete a consistência enquanto banda e o seu trabalho é bem projectado. 


“Reverie” uma peça calma depois de toda aquela energia previamente descarregada. Esta peça destaca-se muito pelo seu trabalho vocal introspectivo e harmonioso. “Immolation of Night” é mais uma vez uma peça muito metal core, mas também coberta de djent. "Purity Weeps" segue a linha das primeiras canções; harmonioso e com mudanças momentâneas no tempo, especialmente marcadas pela bateria. 

“Void Surfacing”, “Emberglow” e “Elysium” são composições onde se destacam os aspectos djent, uma voz não tão extrema, quase sem a presença de guturais, a bateria guiando as harmonias a todo momento e anunciando mudanças. De certa forma, na penúltima música cansei de ouvir o álbum, mas ainda me interessa o fato de serem uma banda que aos poucos vai consolidando sua música e apresentando seu material com uma ampla variação de gostos para atrair audiências. mais público. 

Revisão: "Telepathic Minds" do Overhead, o ambicioso disco duplo de 90 minutos dos finlandeses (2023)

 

Foi em 1999 que um grupo de jovens finlandeses de Helsinki resolveram se reunir para formar o Overhead, uma proposta neo-progressista que prometia muito. Durante a primeira década dos anos 2000, a banda lançou uma trilogia de álbuns conceituais que podem facilmente ser considerados uma carta de amor para lendas como King Crimson, Yes, Pink Floyd, Genesis e Jethro Tull. A mesma coisa aconteceu com todos os registros que se seguiram. Não foi à toa, então, que o chão moveu sob os pés de todos os amantes do progressivo quando foi anunciado o lançamento de “Telepathic Minds”, já disponível em todas as plataformas. Hoje formado por Alex Keskitalo na voz e flauta, Jaakko Kettunen nas guitarras, Ville Sjöblom na bateria, Janne Katalkin no baixo; e Jere Saarainen nos teclados; A Overhead volta a surpreender com uma obra monumental. Desta vez é um álbum duplo que fecha a hora e meia de duração. A sua capa, extravagante como sempre, esconde dez temas que, apesar de coincidirem superficialmente com o som dos mandantes da cena neoprog, revelam que os anos 70 nunca deixaram de marcar o coração de todos os músicos pretensiosos na sua forma de compor. Entraremos em detalhes:


"War To End All Wars" começa o álbum sem rodeios, cativando instantaneamente com suas melodias sinfônicas épicas, que são amalgamadas com violões. O interlúdio protagonizado pela doce flauta pode ser vagamente reminiscente de alguns momentos de Genesis e Jethro Tull, notando-se o mesmo na seção final, conduzida por monstruosos solos de órgão e guitarra, cortesia de Saarainen e Kettunen, respectivamente. A introdução de "Ghosts From The Future" continua com a sua majestade, embora se mantenha um pouco mais discreta do que a sua antecessora. Sedutoramente, tece os fios sobre os quais a voz de Keskitalo, também autor de um magnífico solo de flauta, embala a cereja do bolo da peça de doze minutos. As coisas saem do melodrama em "Sail Across The Universe", quando o riff principal convida a um aceno com um ritmo ousado e intrincado. Porém, a canção encontrará seriedade na passagem da guitarra espanhola e no solo final da elétrica. "The Pilot's Not Fit To Fly" oscila constantemente entre a balada e o épico, ou pelo menos é essa a sensação transmitida pelo andamento de Sjöblom. A flauta e a guitarra vão fazer o seu trabalho novamente, apoiando a poderosa quarta música do álbum, que conclui soberbamente graças aos dedos de Kettunen, que destemidamente referencia guitarristas como Steve Hackett e David Gilmour em cada apresentação. Para «Sleep Tight Sweetheart», os instrumentos conseguem gerar um clima um pouco mais sombrio, com o qual se despedem deste primeiro álbum, abrindo expectativas para o que se seguirá, nem mais nem menos que a música mais longa do LP. Com efeito, com os seus 17 minutos, a peça homónima encarrega-se de abrir a segunda parte com a sua secção “I. Hypnotized”, que faz jus ao nome adicionando mistério a cada nota. A música ganha flutuabilidade com "II Random Honesty" e "III Telepathic Minds", culminando com uma passagem intrincada intitulada "IV Back In Time" que grita "progressivo!" aos quatro ventos. As coisas voltarão ao normal, porém, com uma atmosfera sombria que se resolve em "V Reprise: Home Again" com talvez o melhor solo de Kettunen (que mais uma vez se mostra o principal protagonista desta odisséia), seguido do clímax final e o desempenho de Keskitalo. "Tuesday That Never Came" é um interlúdio envolvente que se baseia em sintetizadores suaves e curvas adoráveis. Sustentada pela poderosa linha de baixo de Katalkin durante o verso e pelos vocais angustiantes de Keskitalo no refrão, a força de “Planet Of Disorder” empresta um ar fresco ao segundo disco. O mesmo ocorre com o interlúdio de “Sheep Stay Silent”, onde o arpejo de sintetizador, proposto por Saarainen na introdução, retorna acompanhado de um riff preciso de guitarra e um solo de flauta bem inserido. A presença imponente de “Almost Always Near To The End” destaca a excelente capacidade da banda de evocar Tull e Yes sem imitá-los, o que é demonstrado nas apresentações de teclado e flauta. O maior deleite será sentido, porém, no solo de Kettunen, onde ele finalmente mostra seu virtuosismo em todo o seu esplendor e encerra o álbum tão repentinamente quanto começou. Sustentado pela poderosa linha de baixo de Katalkin durante o verso e os vocais angustiantes de Keskitalo no refrão, ele traz uma sensação de frescor ao segundo disco. O mesmo ocorre com o interlúdio de “Sheep Stay Silent”, onde o arpejo de sintetizador, proposto por Saarainen na introdução, retorna acompanhado de um riff preciso de guitarra e um solo de flauta bem inserido. A presença imponente de “Almost Always Near To The End” destaca a excelente capacidade da banda de evocar Tull e Yes sem imitá-los, o que é demonstrado nas apresentações de teclado e flauta. O maior deleite será sentido, porém, no solo de Kettunen, onde ele finalmente mostra seu virtuosismo em todo o seu esplendor e encerra o álbum tão repentinamente quanto começou. Sustentado pela poderosa linha de baixo de Katalkin durante o verso e os vocais angustiantes de Keskitalo no refrão, ele traz uma sensação de frescor ao segundo disco. O mesmo ocorre com o interlúdio de “Sheep Stay Silent”, onde o arpejo de sintetizador, proposto por Saarainen na introdução, retorna acompanhado de um riff preciso de guitarra e um solo de flauta bem inserido. A presença imponente de “Almost Always Near To The End” destaca a excelente capacidade da banda de evocar Tull e Yes sem imitá-los, o que é demonstrado nas apresentações de teclado e flauta. O maior deleite será sentido, porém, no solo de Kettunen, onde ele finalmente mostra seu virtuosismo em todo o seu esplendor e encerra o álbum tão repentinamente quanto começou.

Como no restante de suas obras, em "Telepathic Minds" os finlandeses reúnem as bases lançadas pelos reis dos anos setenta progressivos com temperos mais atuais. Não vamos negar que, às vezes, torna-se monótono, pecando além de ser excessivamente longo. O fato de que a mesma fórmula se repete em todas as músicas às vezes não pode ser disfarçado, e fica evidente em mais situações do que deveria. Em todo o caso, podemos saborear momentos maravilhosos, dignos de serem apreciados por todos os ouvidos que apreciam o bom rock sinfónico, nas suas formas mais puras e inovadoras. É uma opção muito boa para quem procura algo denso e contundente, com um toque particular de malícia em cada solo de guitarra ou melodia de flauta. O que você está esperando para ouvi-lo?

Destaque

Novos Baianos - Caia na Estrada e Perigas Ver

  Banda: Novos Baianos Disco: Caia na Estrada e Perigas Ver Ano: 1976 Gênero: Pop Rock, MPB, Samba-Rock, Rock Artístico, Bossa Nova, Rock Ps...