segunda-feira, 23 de setembro de 2024
Caetano Veloso e Gilberto Gil - Dois Amigos, um Século de Música (Ao Vivo) (2015)
Djavan - D Ao Vivo Maceió (2024)
Paula Toller - Ao Vivo - Amorosa (40 anos de carreira) (2024)
J. Cole – KOD (2018)

O que é grande em KOD não são as palavras mas a cadência com que são ditas: o balanço incrível do seu rap, gingando como uma banda de funk. Cole poderia até “rappar” em mandarim. Bambolearíamos na mesma, enlaçados no seu ritmo.
J. Cole, o maior rapper da sua geração… a seguir a Kendrick Lamar. É lixado ser o eterno número 2. Mas Cole tem uma vantagem: mandou a indústria musical para a senhora que a pariu; é um homem livre. Isso traduz-se em consistência criativa. KOD, o quinto disco do mestre Cole, é bom do princípio ao fim. Não tem, lá pelo meio, nenhum dueto meloso com as mamas da Rhianna…
De onde vem a força de KOD? Da poesia? Não cremos. Cole sabe driblar as palavras, é certo, mas há um excesso de pregação que irrita: não te drogarás, não venerarás o deus-dinheiro, não fornicarás a mulher alheia, blá, blá, blá… O que é grande em KOD não são as palavras mas a cadência com que são ditas: o balanço incrível do seu rap, gingando como uma banda de funk. Cole poderia até “rappar” em mandarim. Bambolearíamos na mesma, enlaçados no seu ritmo.
As batidas, produzidas pelo próprio Cole, são graciosamente simples, para não distrair o ouvinte do essencial: o baloiçar do seu rap. O estilo dominante é o claustrofóbico trap, com o bombo 808 a fazer rebentar as colunas subwoofer. Ora o trap está tradicionalmente associado a uma certa bazófia gangsta (“bitches”, “dealers”, “big guns”, “big cars”, “uga!-uga!”). Num truque roubado ao seu amigo Lamar (“Dna”, “Humble”), Cole subverte o trap, dizendo o contrário. Quando visto sob esta perspectiva (servir de contrapeso à boçalidade do pós-gangsta rap), o moralismo de KOD surge bem mais simpático…
Big Red Machine – Big Red Machine (2018)

Big Red Machine é um álbum que se estranha nas primeiras audições e que precisa de auscultadores, de atenção a cada nuance para conseguimos sentir, no meio de tanta melancolia, pequenas coisas felizes.
Fruto do trabalho de Justin Vernon (Bon Iver) e Aaron Dessner (The National), o disco Big Red Machine, a versão mais visível do projeto online People, tinha tudo para correr bem. Os mentores do projeto já tinham colaborado numa faixa na compilação “Dark Was The Night” (2009). Esse tema chamava-se precisamente “Big Red Machine”. Agora, convidaram para esta nova incursão outros artistas, como Phoebe Bridgers, This Is the Kit e membros dos Arcade Fire.
Na primeira audição, este trabalho soa-nos, sobretudo, a Bon Iver, no seu último disco, 22, A Million, começando logo pelo tema de abertura, “Deep Green” mas também em “Hymnostic” ou “I Won’t Run From It” (faixa incrível, de uma delicada beleza) ou ainda em “People Lullaby”, onde o falsete e o piano de For Emma, Forever Ago, impera.
Os arranjos, os momentos de falsete, raros mas presentes, com a voz de Vernon (mais ao estilo do que fez em Volcano Choir). Mas, quando ouvimos com mais atenção, encontramos os arranjos de Dessner, alguns ecos de The National, muito pouco, discreto, mas enchendo o disco, como em “Gratitude” ou “Forrest Green”, outro grande momento do disco, lento, melancólico, preguiçoso, com o famoso auto-tune de Vernon.
Este é um disco denso em arranjos, onde os vários instrumentos se misturam com a componente eletrónica e os temas vão crescendo devagarinho, com distorções, com crescendos ligeiros, sem a epicidade quer de Bon Iver quer de The National mas com consistência. “Lyla” é quase funk, com uns ecos de James Brown, mas com a eletrónica sempre presente mas pontilhada com a voz de Verner e um violino ligeiro, o resultado de uma amálgama entre o melhor dos dois mundos – mas sem conseguir provocar arrepio.
O maior defeito desta colaboração é ter, efetivamente, grandes nomes a trabalhar nela. Fica a sensação de perda de identidade, ou de colagem das várias identidades para criar um disco, sem conseguir formar-se uma identidade própria e criando, por vezes, demasiada confusão.
Mesmo sendo um trabalho interessante, conceptual, bem produzido, o que é certo é que, às primeiras audições, quer os fãs de Vernon quer os fãs de Dessner – e, sobretudo, os fãs dos dois – vão ficar desiludidos. É um álbum que se estranha nas primeiras audições para depois se começar a gostar, para se começar a descascar as diferentes camadas e a sentirmo-nos tocados por ele.
Para ouvir de auscultadores, prestar atenção a cada nuance, a cada requebro de voz de Vernon ou de mudança de instrumento ou batida orquestrada por Dessner, conseguimos sentir, no meio de tanta melancolia, pequenas coisas felizes.
Filipe Sambado – Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo (2018)

Num salto de gigante, Filipe Sambado inscreve o seu nome na mais alta categoria de compositores e intérpretes. Um disco essencial em 2018.
Agora que o músico apresentou um vídeo para “Alargar O Passo” e anunciou que ia parar a promoção deste disco para começar a preparar um novo trabalho, vamos lá falar deste disco incrível.
É difícil escolher por onde pegar neste segundo trabalho de Filipe Sambado. Produtor de créditos firmados, chega ao (maior) reconhecimento do público com Vida Salgada (2016), e revela-se ao melhor nível em Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo.
Difícil porque na verdade tudo é bom. Composições e letras brilhantes e o tema da discriminação, sexismo e objetificação, que atravessa todo o álbum, é pertinente e bem trabalhado. De alto gabarito são também os acompanhantes, Alexandre Rendeiro (Alek Rein, Sun Blossoms), Manuel Lourenço (Primeira Dama, Migas), Adriano Fernandes (C de Crochê) e Luís Barros que, fazendo jus ao nome, acompanham Sambado nesta viagem musical.
Enquanto álbum, num todo, as músicas fluem e evitam o eco excessivo nas vozes presente em alguns trabalhos anteriores, como “Vida Salgada”. Opção estilística de Sambado que – talvez por falta de confiança no instrumento vocal – afogava as vozes num mar de sonoridades e tirava um pouco do brilho às letras. Ainda se nota algo disso em “Mentol” e especialmente em “Onda” mas regra geral, neste álbum as letras e a voz de Sambado tomam o centro do palco.
As composições são frescas e bem dispostas, desde o toque tradicional a atirar à música de intervenção de 1975 em “Dá Jeitinho”, que na verdade é mesmo música de intervenção em 2018 e marca o tom do disco, sem medo de se afirmar e encontrar o seu lugar na sociedade.
Um dos melhores exemplos disso é “Deixem Lá”, primeiro single deste álbum, que podia já ser eleito um hino de uma geração sem pudores e medos de se afirmar como é.
Em “É Tu”, a entrada da música é inesperada, algo conceptual e tudo de bom que isso traz, com ajuda deste elenco de luxo que brilha em conjunto sem perder a identidade de cada um, desde os teclados de Primeira Dama à guitarra de Alek Rein. Já na música “Em Paz”, ao estilo de valsa, oitava de dez canções, começam a faltar adjectivos que façam transparecer o bom que este disco é. Devia-se fazer já audição obrigatória nas escolas, para que nunca mais se oiçam barbaridades sobre a qualidade da música nacional.
Um disco para ouvir do início ao fim e presença obrigatória nas listas de melhores do ano, de unhas e lábios pintados ou como quisermos, que ninguém tem nada a ver com isso. “Beijinhos ou bye bye”
Alice in Chains – Dirt (1992)

Dirt é o melhor disco da carreira dos Alice in Chains, e um dos mais fortes trabalhos não só da cena de Seattle mas de toda a década de 90.
1991 foi o ano em que, efectivamente, tudo mudou, graças à explosão nacional e mundial de Nevermind, o segundo disco dos Nirvana. A partir desse momento, a cena de Seattle, que já existia desde a segunda metade da década anterior, tornou-se central para a indústria discográfica e para melómanos de todo o mundo. Se os Pearl Jam – fortes ainda hoje – bateram o recorde de longevidade e os Nirvana ficarão para sempre como o símbolo do grunge, outras bandas apresentavam-se de forma mais correcta como verdadeiras criações daquele caldo cultural: com um pé no metal e outro no hard-rock, os Alice in Chains, os Mudhoney e os Soundgarden, apenas para dar alguns exemplos, faziam a ligação dos anos 80 ao futuro da década seguinte.
Depois da belíssima estreia com Facelift, em Agosto de 1990, o grande impulso veio do colosso que fazia então carreiras, a MTV. O canal agarrou em “Man in the Box”, o que puxou pelas vendas do disco e aumentou exponencialmente o público dos Alice in Chains. Quando a banda se preparava para gravar o seu segundo álbum, os astros estavam alinhados. Com já uns valentes anos de existência, aquele era o momento para a explosão: Seattle estava ao rubro, os Nirvana enchiam estádios por todo o mundo, os Alice in Chains já eram conhecidos e tinham um público à espera do seu próximo passo. Só faltava que o material correspondesse a esse enquadramento favorável. Na verdade, foi ainda melhor do que o antecipado.
Gravado em Los Angeles e em Seattle, Dirt acabaria por ser o ponto mais alto de uma banda, então, no seu topo de forma. É certo que Layne Staley, depois de uma desintoxicação, voltara à heroína, e o álcool trazia reféns outros membros do grupo, mas não ainda ao ponto que chegaria mais tarde, impedindo o trabalho e retirando a inspiração e a vontade de criar. Naquele momento, tudo era ainda excitação e rock n roll.
O resultado é um portentoso monumento rock. Um disco mais maduro, complexo e profundo do que Facelift, mas mantendo aquela infalível combinação metal/sludge/pop que diferencia os bons dos magníficos. Se no álbum de estreia ainda se sentia uma espécie de energia adolescente, com tudo o que isso tem de bom e de mau, em Dirt a banda acreditou como nunca na sua capacidade, naquilo que tinha para dizer. Desse movimento nasceu um disco coeso, coerente, sempre a um nível muito alto, e com alguns dos temas que ficaram para sempre na história. No fundo, é isso que faz um grande trabalho: músicas maiores que a vida.
E como classificar clássicos como o profundo “Rooster“, dedicado ao pai de Jerry Cantrell e até hoje um dos seus esforços mais emblemáticos? Ou a extraordinária e sofrida balada “Down in a hole”? Ou as bombas rock absolutamente imparáveis que são “Would?” ou “Them Bones”? Já para não falar da trilogia de heroína, “Junkhead“, “Godsmack” ou “Sickman”, que retratam na perfeição o ambiente pesado e narcótico que atravessa todo o disco.
Na verdade, Dirt está a explodir de grandes temas. Nunca mais os Alice in Chains soaram tão confiantes, tão inspirados, tão a si próprios, como naquele trabalho que vendeu milhões de cópias em todo o mundo, os colocou na primeiríssima divisão do rock mundial e no coração de adolescentes conturbados um pouco por todo o lado.
Os problemas com álcool e drogas só pioraram, e os Alice in Chains pagaram o preço, ainda que com discos de qualidade até hoje, como pudemos constatar em Rainier Fog. Mas em 1992, com Seattle no centro do mundo e Layne Staley ainda longe da sua morte, a banda de Jerry Cantrell parecia invencível.
A obra fica. E está aqui, entre nós, para que a apreciemos e a celebremos, como um dos melhores discos das últimas décadas.
Anna Calvi – Hunter (2018)

Hunter é ao mesmo tempo uma procura e uma afirmação de liberdade – de género, de vida, sexual e social. É um grande manifesto musical e é, seguramente, um dos melhores discos do ano.
O percurso até aqui não era apenas auspicioso, era imaculado. O primeiro álbum, homónimo, foi editado há já sete anos e recebeu logo uma nomeação para, entre outras distinções, álbum do ano dos reputados prémios Mercury (britânicos). Justamente, porque era uma estreia afirmativa, de uma compositora, cantora e guitarrista de corpo inteiro, que chegou ser muito comparada à sua conterrânea inglesa PJ Harvey. Seguiram-se One Breath (2013), segundo álbum que confirmou os bons indícios da estreia, e Strange Weather (2014), um EP de versões de FKA Twigs, Suicide, David Bowie, Keren Ann e Connan Mockasin, no qual David Byrne cantou em duas das cinco canções.
Eis que Anna Calvi chega a Hunter, cinco anos depois do segundo álbum, sete anos depois do primeiro e quatro anos depois do EP de covers (houve ainda mais um EP, ainda não mencionado, gravado ao vivo e editado em fevereiro de 2017).
Hoje com 37 anos, Anna Calvi move-se num território curioso: é uma artista relativamente consensual no universo indie, tem a crítica a seu lado, mas não teve ainda o reconhecimento pop que a grandeza das canções talvez justificasse. E apesar de Hunter ter-se estreado nos “tops” britânicos com mais notoriedade do que os antecessores, à partida não será este o disco que tornará o nome de Anna Calvi globalmente popular. O que é uma pena, porque trata-se possivelmente de um dos melhores discos feitos nos últimos anos e seguramente um dos melhores álbuns editados este ano. Talvez o reconhecimento aumente nos próximos meses com a digressão de apresentação do álbum, que passará por Portugal, com concertos dia 19 de outubro no Hard Club, no Porto, e no dia seguinte no renovado Cineteatro Capitólio, em Lisboa.
Em Hunter, ouvem-se influências díspares, da urgência e poder da relação guitarra-voz de PJ Harvey (a quem já foi muito comparada), à androgenia de David Bowie, passando mais vagamente pela pulsão dançante do rock dos Talking Heads (do seu amigo David Byrne) e pela apologia de libertação feminista e sexual que se ouve, entre muitas outras coisas, em alguns dos temas de Patti Smith. A influência maior, contudo, vem de outro lado e de um homem, arrisco dizer: a tensão latente – às vezes sensual, às vezes sexual, às vezes quase violenta – é herdeira da que se ouve na música de Nick Cave & the Bad Seeds. Não é por acaso, aliás, que Martyn P. Casey dos Bad Seeds toque baixo neste disco e que Nick Launay, que já produziu discos dessa trupe, tenha sido convocado para ajudar. Dito isto, o álbum define e afirma, mais até do que os antecessores, uma identidade própria, uma sonoridade Anna Calvi, ao mesmo tempo clássica e moderna, devedora das lições do rock como grito social urgente (não burguês, não primaveril, mas impulsivo, afirmativo), incorporando ainda assim algum experimentalismo e técnicas de produção de som modernas.
Hunter não é longo, tem dez faixas que duram perto de três quartos de hora. Numa era em que alguns artistas, nomeadamente do hip hop, estendem exageradamente os seus discos para exponenciar as audições (“plays”) em streaming, é refrescante ouvir um álbum sem pontas soltas, limpo até ao osso, com uma sonoridade coerente do primeiro ao último segundo e onde não se ouve uma única faixa dispensável.
A primeira metade de Hunter é de antologia e regista algumas das melhores canções deste ano. Há “As a Man” como legitimação da androgenia, com os sussurros poderosos e ofegantes com que Anna Calvi pronuncia as palavras que dão título à canção. Há mais respiração ofegante e uma sobriedade encantadora no início da canção que dá título ao disco, Hunter. E há ainda uma voz que se ergue (até no volume) na mais acelerada e até dançante “Don’t Beat the Girl Out of My Boy”, que termina em gritos que não custa ouvir.
Não exageramos quando dizemos que o primeiro trio de canções já tornaria Hunter um disco suficientemente bom, mas as sete canções que se seguem, sendo quase tão pouco palavrosas como as anteriores (a voz serve para para acompanhar e elevar a centralidade da tensão rítmica) e não sendo tão memoráveis, são também elas inatacáveis, destacando-se “Indies or Paradise” com a guitarra de Anna Calvi em modo rock rasgado e ruidoso; “Chain”, com início mais dançável mas na segunda metade com alguns dos melhores riffs de guitarra do ano (não precisam de ser espalhafatosos para isso, basta terem apuro); e ainda “Away”, menos expansiva e mais íntima, de uma beleza arrebatadora.
Aspectos comuns a todas as canções, há alguns: uma tensão sempre latente que já levou Anna Calvi a explicar que está lá porque queria fazer um disco “mais visceral, menos cerebral. Animalista”; a descontrução de convenções antigas sobre o papel da mulher em tiradas feministas, libertadoras e apologistas da androgenia como recusa de “género social”; e uma voz que se ouve sem pruridos, sem receio de sussurrar, de cantar ofegante, de tentar soar afinada mas também de gritar descontroladamente quando é caso disso.
“Queria que a minha voz fosse esta força da natureza porque como mulheres é-nos muitas vezes dito para sermos simpáticas, sossegadas e sorridentes”, explicou recentemente Anna Calvi numa entrevista. Não é, embora pudesse ser, uma indirecta para Pedro Arroja, o comentador famoso pela tirada das “esganiçadas”. É antes um manifesto de intenções. Não é por acaso que no primeiro parágrafo em que descreve Hunter, no seu site oficial, Anna Calvi usa sete vezes a expressão “quero”. Hunter é ao mesmo tempo uma procura e uma afirmação de liberdade — de género, de vida, sexual e social. E é uma procura e uma afirmação belíssima, pensada e provavelmente trabalhada e editada ao pormenor, sem pontas soltas. Estão assim plenamente justificados os cinco anos de espera face ao álbum anterior. Anna Calvi aguardou ter mais coisas para dizer, reinventou-se e fez um álbum pessoal mas que urge ser ouvido, até por ter todos os homens e mulheres como destinatário. Ignorá-lo é imperdoável.
Jim James – Uniform Distortion (2018)

No seu terceiro disco a solo, James muda o chip e coloca a sua guitarra no centro do palco.
Ponto prévio a esta crónica – nunca me debrucei muito sobre os My Morning Jacket. Apanhei-os na primeira parte de Pearl Jam em 2006 no Pavilhão Atlântico (agora altice arena) e foi bom e tal, mas à distância pareceram-me uma banda perdida no tempo, deslocada com as suas guitarradas clássicas à seventies (not that there’s anything wrong with it!). Mas a solo, Jim James agarrou-me desde o início, com o seu Regions of Light and Sound of God (2013), introspectivo e questionador, cheio de camadas diferentes a adornarem as músicas. Entretanto lançou em 2016 Eternally Even, um registo mais psicadélico, e eis que 2018 foi ano para ir buscar a guitarra e tirar-lhe o pó – eis Uniform Distortion.
Basta-nos 5 segundos do arranque do álbum para percebermos que a guitarra será o principal ingrediente deste novo “prato” servido por Jim James. Um riff portentoso, que se vai repetindo mais à frente e é a essência de “Just a Fool”. Em “You Get to Rome” é mais perceptível outra ideia base deste disco – o soar a algo que está a ser gravado no estúdio ao lado do nosso, que está a ser tocado pela primeira vez e é essa que fica em registo. James até se dá ao luxo de uma pequena risada a meio do segundo refrão e não há cá novo take, assim saiu, assim ficou. Afinal de contas, Jim James sempre foi apologista de música de raiz, tão crua quanto possível e mostra aqui que não quer usar subterfúgios para além daquilo que poderia ser uma jam session a decorrer.
“Throwback” é uma canção com tudo a que uma canção rock tem por inerente direito – um solo a meio, um refrão que agarra “(“When we were young”, repetido até à exaustão) uma utopia de regresso à juventude metida ao barulho. E por aqui continuamos em “Yes to Everything” e “No Use Waiting”, malhas rock puro e duro. É um disco bastante conciso e sensível aos desejos de qualquer apreciador de riffs de guitarra em catadupa, coisa cada vez mais rara no ano da santa graça de dois mil e dezoito. Venham mais destes!
Como nota final só deixar incompreensão pelo facto de Jim James nunca ter vindo a Portugal. Tantos festivais feitos com cromos repetidos e depois acontecem situações destas. Vá-se lá perceber…
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