quarta-feira, 17 de junho de 2026

ARCTIC PLANT Progressive Metal • Germany

 

ARCTIC PLANT

Progressive Metal • Germany

Biografia do Arctic Plant:
Arctic Plant é um projeto solo de rock progressivo de Bayreuth, Alemanha.

É o projeto solo de Phil Rexilius, maestro criativo de álbuns conceituais desde 2013. Anteriormente, ele tocava bateria e ouvia bandas como King Crimson, Yes e Camel. Músico autodidata,

ele embarca em seu terceiro álbum, baseado na história de um homem errante na floresta, com arranjos orquestrais épicos, assim como os de Neal Morse, seu mentor. Ele se define como um criador de emoções musicais que evocam desejo e uma alegria onírica. Vale ressaltar que todas as vozes foram gravadas em seu carro.

A Wandering Mind
Arctic Plant Progressive Metal

 ARCTIC PLANT é o projeto solo de Phil Rexilius, maestro criativo de álbuns conceituais desde 2013; ele já foi baterista de bandas como KING CRIMSON, YES e CAMEL, o que já dá uma pista. Autodidata, ele embarca em seu terceiro álbum baseado na história de um homem errante na floresta, e os arranjos orquestrais são épicos, como os de seu mentor, Neal MORSE. Ele se define como um criador de emoções musicais para gerar desejo e uma alegria onírica. Vale ressaltar que ele gravou todas as vozes em seu carro. 'The Quest Pt. 1: Desire' começa com uma guitarra sinfônica, característica do Pink Floyd; vocais ao fundo, uma canção de ninar progressiva quase imperceptível, trazendo 'The Forest' para uma introdução de metal sinfônico na tradição do SHADOW GALLERY, com trompa, guitarra vibrante e voz que retorna à melodia inicial; é grandioso e repetitivo ao mesmo tempo, o título que você diz para si mesmo, mas cumpre o que promete. Doçura, crescendos sinfônicos com guitarra e piano para uma pausa ditirâmbica e um final digno de um 'Mario Bros', para não se levar a sério. 'Brothers and Sisters' mergulha em um ritmo frenético desde o início, uma justa divertida, do baixo à aterrissagem, recomeça, então o verso redundante das duas primeiras faixas, afinal, estamos em um álbum conceitual; pausa com um órgão de barril, seguida pela loucura de notas furiosas com um crescendo em duas fases; outro título fabuloso, sinfônico, majestoso no final, de tirar o fôlego, um dilúvio de instrumentos sem fim; sequência com 'The Quest Pt. 2: Contemplation', um nome apropriado para aterrissar após esta jornada musical para o além, um interlúdio sideral.

'Twist of Fate' é uma peça sinfônica como 'Six Degrees part 2' do DREAM THEATER, com cinco minutos de introdução agradável com trombone e maestro; a estrutura do verso é apresentada, fraseado limitado acompanhado por um piano e PINK FLOYD ao fundo, depois TRANSATLANTIC para a cavalgada musical; na metade, a semelhança com o teatro dos sonhos se torna óbvia, apenas o suficiente para entrar em um diagrama vintage na Shadow Gallery; a voz se torna clara, um piano à la 'Silent Hill' e continua para um trecho final, agarrando-se a 'The Quest Pt. 3: Relief', o segundo hino musical depressivo do álbum; começa com uma banda militar colorida, para chorar. O final com 'Perception' e sua pequena cantiga de ninar acústica, depois ascendendo para o final bombástico e onírico, obrigado Phil!

Philipp Rexilius pode não ser tão prodigioso quanto seu ilustre antecessor em sua cidade, mas é um músico excepcional que lançou um álbum de fim de ano que guardo com ciúmes entre os meus favoritos. Ah, droga, com esta coluna você também cairá sob o feitiço provocante; uma pena, este álbum é simplesmente avassalador e brilhante.


Santana: aclamados pioneiros da combinação Blues, Rock e música latina

 

Em abr/70, a banda Santana retornou ao estúdio para gravar seu segundo álbum, "Abraxas" (lembrando que o álbum de estreia havia sido gravado em mai/69 e lançado em 22/ago/69). Este novo trabalho trouxe uma versão retrabalhada para "Black Magic Woman", canção originalmente escrita por Peter Green, guitarrista inglês, que havia a apresentado primeiro num single de sua banda, o Fleetwood Mac, em mar/68, e depois ela reapareceria nas coletâneas "English Rose" (para o mercado dos EUA) e "The Pious Bird of Good Omen" (para o mercado do Reino Unido). "Black Magic Woman" havia tido como inspiração uma namorada de Peter Green, Sandra Elsdon, a quem ele apelidara de "Magic Mamma". Era uma canção influenciada por "All Your Love" (de Otis Rush), que por sua vez havia sido gravada dois anos antes pela antiga banda de Green, John Mayall & the Bluesbreakers (embora com Eric Clapton, antecessor de Green, na guitarra solo da banda). Carlos Santana admirava o trabalho de Peter Green no seu Fleetwood Mac por tê-lo visto ao vivo no Fillmore West, em SF, e decidiu fazer um cover de "Black Magic Woman" (adicionando o instrumental de "Gypsy Queen", de Gábor Szabó, no final). A canção foi um tremendo sucesso e foi ao nº. 4 das paradas nos EUA quando lançada em set/70, depois atingindo o nº 1. A cena Rock da área da baía de San Francisco no final dos anos 60, início dos anos 70, realmente incentivou a experimentação. Quando se observa quão diferentes soavam Santana, Jefferson Airplane, Moby Grape e Grateful Dead (só para citar alguns) fica óbvio isto. Um álbum tão eclético quanto "Abraxas" em outros tempos seria considerado o pior pesadelo de uma gravadora. Mas ali, naquela época, aquela mistura pouco ortodoxa de Rock, Jazz, Salsa e Blues provou ser um enorme sucesso. "Oye Como Va" havia sido um sucesso com Tito Puente no início dos anos 60 e a banda acabou incorporando-a ao vivo por perceber que o público curtia e adorava dançá-la. "Incident At Neshabur", um abraço ao Jazz-Rock instrumental, era uma composição de Carlos com seu amigo Alberto Gianquinto, que tocou piano na faixa (Gregg Rolie tocava os demais teclados contrastando com o estilo jazzy de Gianquinto). "Samba Pa Ti" era outra composição surpreendente escrita por Carlos depois de assistir a um saxofonista de Jazz se apresentando na rua em frente a seu apartamento. Todo o álbum mantinha as coisas bem imprevisíveis, porém coesas. "Abraxas" foi lançado em set/70 e já foi considerado como um dos maiores álbuns da história do Rock.
Em 71, o grupo seguiu forte mantendo a direção musical. De janeiro a julho, gravou "Santana III". Seria o terceiro e último com a formação que tocou no Woodstock. Lançado em set/71, o álbum também alcançou o nº. 1 das paradas. A banda estava no auge da popularidade, mas infelizmente havia muito ressentimento interno desnecessário e problemas gerenciais só agravaram tudo levando à demissão de Bill Graham. Este contexto fez de "Santana III" um álbum injustamente colocado nas sombras atrás da lenda imponente de "Abraxas". Foi o trabalho que marcou a adição do guitarrista Neal Schon (depois líder do Journey), então com apenas 17 anos. O percussionista Thomas "Coke" Escovedo foi contratado para substituir temporariamente José "Chepito" Areas, que havia sofrido um aneurisma cerebral (mas que se recuperou rapidamente e voltaria à banda depois). O restante da banda era o mesmo: Carlos, Gregg Rolie (teclados), Michael Schrieve (bateria), David Brown (baixo) e Michael Carabello (congas). "Batuka", que abria o disco, já era a primeira evidência de que algo estava diferente. A banda era mais crua, mais sombria e mais poderosa com um som mais Rock pesado agregado por Schon. Ela se transformava em "No One To Depend On", de Escovedo, Carabello e Rolie. Havia a queima lenta de "Taboo" e a jam percussiva de "Toussaint l'Overture". O lado 2 abria com "Everybody's Everything", seguida de "Guajira" e "Jungle Strut", canções eternas. "Everything's Coming Our Way" era a única faixa do tipo "sinta-se bem" e o álbum fechava como "Para Los Rumberos", outro cover de Tito Puente. Um trabalho que envelheceu super bem, com sua sonoridade viva, um disco essencial nas coleções roqueiras. Naquele ano, eles se apresentaram em um concerto em Accra, capital de Gana, para comemorações do 14º ano da independência do país. O show foi filmado e lançado nos cinemas como o filme "Soul to Soul". Os problemas atingiram o auge pouco antes do início da turnê do disco em set/71, quando Carlos quis que Carabello deixasse o grupo, caso contrário ele sairia. A banda iniciou a turnê sem Carlos, se apresentando em meio aos gritos da plateia pelo guitarrista. Depois de vários shows, Carlos voltou para descobrir que Carabello, Areas e o empresário/promotor Stan Marcum havia desistido, o que deixou a banda se apresentar sem percussionistas. James "Mingo" Lewis foi rapidamente contratado como um substituto temporário depois que ele viu a banda ao vivo e ofereceu seus serviços. Um show em Lima, Peru, em dez/71, trouxe mais problemas, pois a eclosão da violência resultou no confisco dos equipamentos e na deportação da banda. O incidente foi um alerta para Carlos, que estava determinado a "acabar com toda aquela loucura".
Em 72, Carlos já esta crescentemente sendo influenciado pela música de Miles Davis, John Coltrane, Joe Zawinul e toda a onda Jazz Fusion. Isto se refletiria no quarto álbum, "Caravanserai" (de out/72), que marcou uma série de mudanças na formação. O baixista David Brown saiu em 1971 antes do início das gravações e foi substituído por Doug Rauch e Tom Rutley. Carabello foi substituído por dois percussionistas, Armando Peraza e Mingo Lewis. Gregg Rolie foi substituído por Tom Coster em algumas canções. "Caravanserai", mesmo considerando toda a sequência imaginativa e imprevisível da música da banda até então, foi ainda mais ousado. Carlos estava obviamente muito ligado ao Jazz Fusion, algo que transparece amplamente pelo disco. Entretanto, fosse a abordagem na praia do Jazz-Rock, ou simplesmente no Rock, era um álbum inspirado e totalmente aventureiro musicalmente. Repleto de solos de guitarra introspectivos e sinceros, faltava o imediatismo do álbum de estreia do de "Abraxas". Entretanto, assim como o Jazz que o influenciou, "Caravanserai" (que marcou a entrada do tecladista/compositor Tom Coster, membro altamente benéfico para a banda) requeria uma série de audições para ser absorvido e totalmente apreciado. Mas para aqueles que se dispuseram, descobria-se uma pérola, um dos maiores feitos da banda.


Grandes álbuns do Prog-Rock: Time - "Time " (1972)

 


"Time" foi uma banda de Rock da antiga Iugoslávia formada em Zagreb, em 1971. Eles foram uma das bandas mais proeminentes da cena roqueira do país nos anos 70. Ela foi formada pelo vocalista Adolf "Dado" Topić (ex-Dinamiti e ex-Korni Grupa). A primeira formação contou, ao lado de Topić, Vedran Božić (guitarra), Tihomir "Pop" Asanović (teclados), Mario Mavrin (baixo), Ratomir "Ratko" Divjak (bateria) e Branislav "Labmert" Živković (piano e flauta). A banda ganhou grande popularidade e atenção da mídia com o lançamento de seu álbum de estreia autointitulado em 1972, hoje considerado um dos álbuns mais importantes da história do Rock iugoslavo - que apresentou um peculiar/único Hard-Prog com elementos de improvisações do Jazz. Apesar do sucesso deste disco, a banda não conseguiu manter uma formação estável, com Topić permanecendo o único membro permanente anos seguintes. Apesar das inúmeras mudanças e hiatos na formação, a banda lançou mais dois álbuns de estúdio com sucesso moderado, encerrando oficialmente suas atividades em 1977. Vamos rever toda essa história na postagem de hoje. Adolf "Dado" Topić começou sua carreira musical na segunda metade dos anos 60 como baixista de uma banda da escola de segundo grau, a "Đavolji Eliksiri" (tradução: "Os Elixires do Diabo", nome tirado do livro de 1815, "Die Elixiere des Teufels", do escritor alemão Ernst Theodor Amadeus Hoffmann, conhecido simplesmente como E. T. A. Hoffmann). Esta banda escolar contava com Josip Boček (guitarra solo) e Zoran Knežević (na guitarra-base). Knežević viria a se tornar um renomado astrônomo e presidente da Academia Sérvia de Ciências e Artes. Veja só! Topić e Boček mais tarde se mudaram para a banda "Lavine" (tradução: "As Avalanches"), e em 1967 se juntaram à banda "Dinamiti" com Topić mudando para a guitarra-base e, ao mesmo tempo, tornando-se o vocalista da banda.
Dinamiti em 1969: Dado Topić, Josip Boček, Alberto Krasnići, Ratko Divjak
Aliás, Topić e Božić foram membros da formação que ficou mais conhecida do "Dinamiti", junto com o baixista Alberto Krasnići e do baterista Ratomir "Ratko" Divjak. Esta formação foi responsável por alterar o som inicial do "Dinamiti" para um Rock Progressivo com composições de Topić, improvisações influenciadas pelo Jazz e covers de canções de bandas estrangeiras do Prog-Rock. Composições de Topić como "Novine" (tradução: "Jornais") e "Život moj" (tradução: "Minha Vida") estavam de acordo com as tendências emergentes na cena roqueira iugoslava e foram bem recebidas pelo público. O trabalho da banda e o estilo vocal influenciado pelo Blues e Soul de Topić também foram amplamente elogiados pela imprensa da época. Em 1969, Topić foi convidado a ingressar no "Korni Grupa" como substituto do vocalista Dalibor Brun. Ele aceitou e isto levou o "Dinamiti" a encerrar atividades (sem gravar nenhum disco). O "Korni Grupa" era uma banda de Rock de Belgrado, formada em 1968 sob liderança do tecladista Kornelije Kovač. Foi uma das primeiras bandas a alcançar popularidade maior e o mainstream, o que a tornou muito influente na região. Funcionou entre 68-74.
 Vladimir Furduj, Josip Boček, Bojan Hreljac, Dado Topić e Kornelije Kovač
Logo depois, ingressou no "Korni Grupa" o guitarrista  Josip Boček (que substituiu Borko Kacl). Topić ficou no "Korni Krupa" por três anos (69-71), gravando vários singles Pop de sucesso com a banda e escrevendo diversas canções com orientação progressiva, como "Remember", "Žena je luka a čovek brod" (tradução: "Woman Is a Harbor and Man Is A Ship") e "Prvo svetlo u kući broj 4" (tradução: "A primeira luz na casa número 4"), este último co-escrito por Topić e o líder da banda Kornelije Kovač. Finalmente em set/71, Topić deixou o "Korni Grupa" para formar sua própria banda.
 Tihomir "Pop" Asanović, Vedran Božić, Dado Topić, Ratomir "Ratko" Divjak and Mario Mavrin
Com a ajuda do empresário Vladimir Mihaljek, ele montou a primeira formação do "Time", que tinha Topić nos vocais, Vedran Božić na guitarra, Tihomir "Pop" Asanović nos teclados, Mario Mavrin no baixo, Ratko Divjak na bateria e Branislav "Lambert" Živković na piano/flauta. Todos eles eram músicos experientes: Asanović tocara anteriormente com a banda "Generals", Mavrin anteriormente fora membro do "BP Convention", Divjak (além de ter sido colega de Topić no "Dinamiti") também havia tocado no "BP Convention" e Živković anteriormente havia sido membro do "Grupa 220". O mais experiente era Božić: no final dos anos 60, ele se apresentou com as bandas "Grešnici" e "Roboti" (ambas de Zagreb), e mais tarde formou a banda "Wheels of Fire", que se apresentou em clubes da Alemanha Ocidental. Numa ocasião, em um clube de Frankfurt, o "Wheels of Fire" foi acompanhado no palco por Jimi Hendrix, que tocou várias músicas com a banda (imagine só). Após a dissolução do "Wheels of Fire", Božić tocou com as bandas "Mi", "Nautilus", "Super Session Band" e "BP Convention".
Em meados de 72, o "Time" lançou seu álbum de estreia autointitulado pela gravadora Jugoton, de Zagreb. A maioria das canções do álbum foram escritas por Topić durante o tempo que passou no "Korni Grupa". Eram cinco faixas: no lado 1, "Istina mašina" (tradução: "Truth Machine"), que se tornaria um grande sucesso, a balada "Pjesma No. 3" (tradução: "Song nº. 3") e "Hegedupa upa" (que trazia Topić fazendo scat singing); no lado 2, apenas duas faixas: "Kralj alkohol" (tradução: "King Alcohol"), bem orientada ao Jazz em seus 7 minutos e a épica faixa "Za koji život treba da se rodim" (tradução: "Para qual vida devo nascer") de mais de 10 minutos. Inicialmente, os executivos da Jugoton, duvidando do potencial comercial do álbum, decidiram lançar apenas 500 cópias do disco. No entanto, após o surpreendente sucesso que o álbum teve com o público, ele foi relançado em um número maior de cópias e continuaria a ser relançado em várias ocasiões durante as duas décadas seguintes. É preciso ter em mente que este foi o primeiro LP de Rock Progressivo na então Iugoslávia (hoje Croácia), lançado antes mesmo que o álbum de estreia do "Korni Grupa". A produção era muito básica (com os instrumentos gravados sem toda a gama de timbres), mas há muito é considerado uma obra-prima do Prog-Rock, numa praia mais crossover. As canções chaves estavam no lado 2: "Kralj alkohol", maravilhosa balada jazzy ao piano tratando sobre a triste vida dos alcoólatras (com ótimos teclados Fender Rhodes e órgão Hammond criando atmosferas) e a épica "Za koji život treba da se rodim" (com várias partes, letras filosóficas sobre o papel do homem na vida, uma desbundante interação entre o órgão Hammond e o piano, linhas de baixo cativantes, ótimas guitarras e solos de flauta de tirar o fôlego). No lado 1, havia a forte abertura Hard-Rock com "Istina mašina" (com uma linha de baixo incomum, Moog e letras sobre sexo), a balada acústica "Pjesma No. 3" (pastoral, cheia de acordes jazzísticos, incríveis solos de flauta criando uma sensação chuvosa e melancólica, mais letras de amor) e a alegre instrumental "Hegedupa upa" (que começava com melodia no violão/vocais em uníssono e depois evoluía para uma cacofonia de órgão Hammond, flauta, baixo e vocais, de maneira gradual e de bom gosto). Um discaço mostrando diversidade de estilos em cada faixa, porém de alguma maneira mantendo o som homogêneo. Não era Prog sofisticado tal qual os gigantes do gênero, era algo intermediário entre o Hard Rock e o Prog (um Hard Prog, lembrando por vezes o Uriah Heep em sua fase Prog), talvez mais Proto-Prog. Um álbum curto (de 33 minutos), com os apaixonados e poderosos vocais de "Dado" Topić (cantados na língua iugoslava, hoje chamada servo-croata), toda a importância histórica para o Rock daquela região e a inusitada mistura Blues + Hard Rock + Prog + Jazz selvagem que funciona bem demais. Enfim, essencial. 
Após o lançamento do álbum, o "Time" fez uma série de shows bem recebidos em toda a Iugoslávia. A banda se apresentou na edição de 1972 do BOOM Festival, realizada no Tivoli Hall em Ljubljana (capital e a maior cidade da Eslovénia) - uma versão ao vivo de "Za koji život treba da se rodim" (com 13 minutos) apareceu no álbum duplo ao vivo "Pop Festival Ljubljana 72 - Boom" gravado no festival. No entanto, apesar do sucesso do álbum e das apresentações ao vivo, no início de 1973, Mavrin e Živković deixaram a banda. A saída deles marcaria o início de mudanças frequentes e uma formação instável. No período seguinte, Nenad Zubak (ex-"Grupa 220"), Karel "Čarli" Novak (ex-"Generals", "Srce" e "September") e o próprio Topić se revezaram no baixo. Logo após a saída de Mavrin e Živković, Divjak também deixou a banda. Seu lugar foi preenchido por Petar "Peco" Petej, formado pela Graz University of Music and Performing Arts, ex-"Delfini" e "Indexi". Durante os anos seguintes, Petej permaneceria como um dos raros membros permanentes do "Time", mas foi ocasionalmente substituído por Ivan "Piko" Stančić em apresentações ao vivo. A formação instável resultou em apresentações ao vivo incomuns: em uma ocasião, a banda se apresentou em Osijek (cidade da hoje Croácia) apresentando apenas Topić nos vocais e baixo e Petej na bateria, e em outra ocasião eles se apresentaram em Split sem Topić, contando com Asanović, Petej e Mladen Baraković (baixo).
Aliás, em 74, Topić passou um tempo na prisão por fugir do serviço militar e lá escreveu a maior parte do material para o segundo álbum, "Time II" (lançado em 1975 e gravado por Topic - vocal, baixo, violão e teclados; Asanovic na bateria; Divjak nas congas; Dragi Jelic na guitarra elétrica e Dabi Lukac no Moog e mellotron). Topić então se mudou para Londres, onde tocou baixo no "Foundations" durante cerca de 40 shows pela Inglaterra. No início de 1976, durante uma turnê do "Foundations" pela Iugoslávia, Topić com seus companheiros de banda (Petar Petej - bateria e Chris Nicholls - teclados) decidiram reformar o "Time". Dois membros originais, Božić e Divjak, voltaram à banda para a gravação do terceiro álbum. "Zivot u cizmama sa visokom petom", um trabalho conceitual sobre a vida de uma estrela do Rock'n'Roll, gravado em Munique, Alemanha. Depois de várias turnês durante 76/77, o "Time" finalmente se separou no final de 77 e Topić começou uma carreira solo. Em 1998, Topić, Božić e Divjak com vários jovens músicos ressuscitaram o "Time" para um número limitado de shows ao vivo e novamente em 2001, desta vez na formação original com Mavrin e Asanović, eles fizeram vários shows em Zagreb.




Grandes canções: Marillion - "He Knows You Know" (1983)

 


"He Knows You Know", canção da banda Marillion, foi seu segundo single ("He Knows You Know"/"Charting The Single"), lançado em jan/83. Anteriormente, eles só haviam lançado o primeiro single, "Market Square Heroes", em out/82 (que trouxe ""Three Boats Down From the Candy" e "Grendel" no lado B). Ou seja, ambos saíram antes do álbum de estreia, "Script for a Jester's Tear", lançado em mar/83. "Market Square Heroes" já havia sido um sucesso menor alcançando o nº. 53 das paradas. Produzido por David Hitchcock, que também já havia sido contratado para o álbum de estreia da banda, mas que por conta de um acidente de carro com ele, a EMI Records aproveitou e persuadiu o grupo a substituí-lo por Nick Tauber, então conhecido por seu trabalho com a New Wave e considerado "mais moderno".
Voltando ao single "He Knows You Know", ele alcançou o nº. 35 nas paradas do Reino Unido. Surpreendente para um grupo novo de neo-Prog e para uma canção cujo tema era o abuso com drogas. Aliás, havia alusão particular ao uso intravenoso de drogas. Em concertos, o vocalista Fish frequentemente a introduzia como "The Drug Song" e afirmava que fora inspirado pelo uso de drogas enquanto ele trabalhava no "centro de empregos/benefícios" (espécie de SINE/INSS da Inglaterra), em Aylesbury (cidade do condado de Buckinghamshire). Como em todas as canções do Marillion deste período, as letras foram escritas por Fish. No video clipe desta canção, Fish aparecia lutando numa camisa de força e tendo visões de um camaleão-de-jackson (ou camaleão de 3 chifres), sempre presente nas capas dos três primeiros álbuns da banda. Nem "Market Square Heroes", nem seus B-sides seriam incluídos no álbum "Script For a Jester's Tear". As lindas capas desta fase seriam todos feitas por Mark Wilkinson (até o álbum "The Thieving Magpie", de 1988). 
He Knows You Know / Ele Sabe, Você Sabe
He knows, you know / Ele sabe, você sabe
He knows, you know / Ele sabe, você sabe

Problems problems, problems problems / Problemas, problemas, problemas, problemas

Light switch, yellow fever, crawling up your bathroom wall / O interruptor de luz, febre amarela, rastejando pela parede do seu banheiro
Singing psychedelic praises to the depths of a china bowl / Cantando louvores psicodélicos para as profundezas de uma bacia de porcelana
You've got venom in your stomach, you've got poison in your head / Você tem veneno no seu estômago, você tem veneno na sua cabeça
You should have listened to the priest at the confession / Você deveria ter escutado o padre na confissão,
When he offered you the sacred bread / Quando ele lhe ofereceu o pão sagrado

He knows you know, he knows you know / Ele sabe que você sabe, ele sabe que você sabe
He knows you know, but he's got problems / Ele sabe que você sabe, mas ele tem problemas

Fast feed, crystal fever, swarming through a fractured mind / Alimentação rápida, febre de cristal, escalando através de uma mente fraturada
Chilling needles freeze emotion, the blind shall lead the blind / Agulhas geladas congelam a emoção, o cego guiará o cego
You've got venom in you stomach, you've got poison in your head / Você tem veneno no seu estômago, você tem veneno na sua cabeça
When your conscience whispered, the vein lines stiffened / Quando sua consciência sussurrou, as linhas de veias se enrijeceram
You were walking with the dead / Você estava andando com os mortos

He knows you know, he knows you know, he knows you know / Ele sabe que você sabe, ele sabe que você sabe, ele sabe que você sabe
He's got experience, he's got experience, he knows you know / Ele tem experiência, ele tem experiência, ele sabe que você sabe
But he's got problems, problems, problems / Mas ele tem problemas, problemas, problemas

He knows... slash wrist, scarlet fever, crawled under yourbathroom door / Ele sabe...pulsos cortados, febre escarlate, rastejou por baixo da porta do seu banheiro
Pumping arteries ooze their problems through the gap that therazor tore / Artérias pulsantes fluindo os problemas delas através do buraco que o navalha fez
You've got venom in your stomach, you've got poison in your head / Você tem veneno no seu estômago, você tem veneno na sua cabeça
You should have listened to your analyst's questions / Você deveria ter ouvido as perguntas do seu analista,
When you lay on his leather bed / Quando você deita na cama de couro dele

He knows you know, he knows you know / Ele sabe que você sabe, ele sabe que você sabe
He knows you know, but he's got problems / Ele sabe que você sabe, mas ele tem problemas

Blank eyes, purple fever, streaming through the frosted pane / Olhos vazios, febre roxa, fluindo através da vidraça congelada
You learned your lesson far too late from the links in a chemistchain / Você aprendeu a sua lição tarde demais dos elos numa cadeia química
You've got venom in your stomach, you've got poison in your head / Você tem veneno no seu estômago, você tem veneno na sua cabeça
You should have stayed at home and talked with father / Você deveria ter ficado em casa e conversado com o pai
Listen to the lies he fed / Ouça as mentiras que ele alimentou

He knows you know, he knows you know, / Ele sabe que você sabe, ele sabe que você sabe
He knows you know, but he's got problems / Ele sabe que você sabe, mas ele tem problemas
He knows you know, he knows you know, he knows you know / Ele sabe que você sabe, ele sabe que você sabe, ele sabe que você sabe
He's got experience, he's got experience, he knows you know / Ele tem experiência, ele tem experiência, ele sabe que você sabe
You know, you know, you know, you know, you know, you know / Você sabe, você sabe, você sabe, você sabe, você sabe, você sabe



Tesouros perdidos

 


O grupo focalizado hoje nesta tradicional seção não é tão perdido assim, mas não deixa de ser um tesouro. Uma das melhores bandas do ótimo rock australiano, conheceu o sucesso, vendeu discos, ficou famosa, mas acabou caindo no esquecimento com o passar do tempo. A Rose Tatto surgiu ali na metade dos anos 70, fazendo um som agressivo e com uma postura selvagem. Era um som forte e energético e era produzido pela Albert Productions, da dupla Vanda & Young, que se tornariam famosos por legar ao mundo o AC/DC, liderado pelos sobrinhos de Young. A irregularidade na formação, com constantes mudanças de integrantes e o estrondoso sucesso do AC/DC talvez tenha ofuscado o grupo, cujos primeiros álbuns são verdadeiras porradas, que exalam atitude e ferocidade.

 Depois de alguns singles de sucesso o Rose Tattoo, formado em 1976, estreia em LP homônimo em 1978. O disco é uma sequência de riffs e solos matadores puxado pelo vocal furioso de Gray “Angry” Anderson, uma figura careca intimidadora que se tornou o símbolo da banda e seu único membro original e fixo ao longo da história do conjunto. Ainda hoje, ele se apresenta como encarnação do grupo para shows e tours esporádicos. Afinal, a partir de meados dos anos 80, ele se enveredou pela carreira de ator com relativo sucesso e, posteriormente, se tornou apresentador de tv, se transformando em amigo das donas de casa (é mole?).  Mas o mesmo aconteceu com nosso João Gordo, certo? Mais ou menos, né!!!

De qualquer forma, os primeiros 4 discos do Rose valem a pena (embora o primeiro seja o mais relevante) para quem gosta do rock vigoroso do AC/DC. Eles fizeram muitas turnês conjuntas com o próprio AC/DC, Aerosmith e ZZ Top. Eram sempre aclamados na Europa, onde eram considerados frutos da cena punk. Talvez por isso sua popularidade tenha sido decrescida junto com a força daquele movimento que chacoalhou o mundo do rock no final da década de 70.

No início dos anos 90, a banda já não existia mais, quando o Guns’N’Roses, então o avassalador sucesso mundial daquele período, faz sua primeira excursão pela terra dos cangurus e solicita uma reformulação do grupo para abrir aquela turnê, já que Axl, Slash & cia. eram confessos fãs dos Tattoos australianos. A partir de então, abanda passou a se reagrupar esporadicamente para shows, festivais e continuaram gravando discos até 2020, claro, sem a mesma pegada daqueles tempos iniciais. Mas, sem dúvida, foi um grupo que marcou de forma indelével seu nome no mundo rock como nobre representante do melhor rock australiano.




Santana: aclamados pioneiros da combinação Blues, Rock e música latina

 

Apenas treze meses após "Caravanserai", surgiu "Welcome" (em nov/73). Seria o primeiro de quatro álbuns consecutivos da banda a alcançar certificação de "disco de ouro" (em oposição aos quatro anteriores, todos "disco de platina"). Entre "Caravanserai" e "Welcome", Carlos havia lançado "Love Devotion Surrender", em jun/73, junto com John McLaughlin (da Mahavishnu Orchestra), um tributo a John Coltrane. Ambos haviam se tornado discípulos do guru indiano Sri Chinmoy. Carlos estava migrando do Rock para o Jazz Fusion e experimentando um "despertar espiritual" (seja lá o que isto signifique), enquanto McLaughlin estava prestes à se separar de sua banda. Havia toda uma mútua admiração entre os dois guitarristas com Carlos encantado pelas maneiras inovadoras de tocar de McLaughlin. Este "Love Devotion Surrender" acabou bastante incompreendido na época pelos fãs da banda Santana. Eles ainda se recuperavam da mudança radical na direção do Fusion em "Caranvanserai" (e rezando para que aquilo fosse apenas momentâneo). Por isso, esta parceria com McLaughlin foi recebida com hostilidade. Toda aquela influência da música de John Coltrane/Miles Davis sobre o Rock fazia todo sentido para McLaughlin, um ex-sideman de Davis. Para fãs de Carlos, era preciso contextualizá-la em seu desenvolvimento espiritual e como guitarrista. A profunda espiritualidade dessas sessões, a interação de dois guitarristas muito diferentes que não estavam ali apenas prestando homenagem a Coltrane, mas tentando levar suas ideias sobre ir além do reino da música ocidental (para buscar comunicar com a linguagem do coração ao se unir ao cosmos) e a abordagem completamente radical geraram um álbum único, comovente e muito bonito. As marcas deixadas por "Caravanserai" e "Love Devotion Surrender" em Carlos foram monumentais. "Welcome", quinto álbum do Santana, primeiro com a nova formação (Carlos, Tom Coster e Richard Kermode nos teclados, Douglas Rauch no baixo, Michael Shrieve na bateria, José "Chepito" Areas e Armando Peraza nas percussões e Leon Thomas nos vocais), foi recebido com estranheza ainda maior pelos antigos fãs. Miles Davis havia ganhado um Grammy por "Bitches Brew" (de abr/70) e bandas como o Weather Report (cujo álbum de estreia é de mai/71) e Return To Forever (cujo álbum de estreia é de set/72) já haviam começado a conquistar o público/crítica com seu Jazz Fusion, que estava na crista da onda. A adição do vocalista Leon Thomas ao grupo deu um toque de Blues encorpando o som apresentado em "Caravanserai". A influência de Coltrane ecoava na faixa de abertura, "Going Home", arranjada pela viúva do saxofonista. A fusão Jazz/Funk latino era articulada em "Samba de Sausalito" e em "Love, Devotion & Surrender". McLaughlin fazia uma participação especial em "Flame Sky" e Flora Purim era destaque em "Yours Is The Light" (que agregava música cubana, Samba e Soul-Jazz). No final, "Welcome" era um disco de Jazz com elementos de Rock, mas não um disco de Rock com flertes com o Jazz. Compreensível o desencantamento dos antigos fãs, mas hoje se percebe como "Welcome" estava apenas à frente de seu tempo. Uma viagem musical a desafiar limites e uma das gravações mais inspiradas na obra da banda. Ele alcançou o nº. 25 nas paradas, a marca mais baixa até então.
Mas antes, houve o álbum "Lotus", de mai/74, gravado no Osaka Kōsei Nenkin Kaikan, no Japão, durante a Caravanserai Tour. As sessões para o álbum "Welcome" haviam sido completadas pouco antes deste concerto. "Lotus" foi lançado como vinil triplo e inicialmente apenas no Japão. Nesse período, Carlos também gravou o álbum "Illuminations" (de set/74) com Alice Coltrane.
"Borboletta", de out/74, sexto álbum da banda Santana, foi outro esforço Jazz-Funk-Fusion com bastante espaço para as percussões, sax e teclados, assim como longos solos de Carlos. A capa num azul metálico mostrando uma borboleta era uma alusão ao disco "Butterfly Dreams", de 73, da dupla brasileira Flora Purim/Airto Moreira. O baixista original David Brown reaparecia, mas seria o último com o baterista Michael Shrieve. A música aqui começou a soar "mais do mesmo", repetitiva, não essencial. "Borboletta" ficou nas paradas menos tempo do que qualquer álbum anterior da banda. "Amigos", de mar/76, marcou um retorno ao sucesso e ao som mais próximo do Rock latino inicial (embora com foco Pop). "Let It Shine" levou a banda ao Top Ten nos EUA e a faixa instrumental "Europa (Earth's Cry Heaven's Smile)" foi também grande sucesso em diversos países. O novo vocalista Greg Walker foi apresentado, mas seria o último álbum com o baixista original David Brown. As influências do Jazz foram substituídas por elementos de R&B/Funk e música mexicana. 
"Festival", de jan/77, não conseguiu o mesmo sucesso, ainda que mantendo a fórmula de "Amigos". "The River" era uma balada com vocais, a primeira num álbum da banda. Agora, não restava mais dúvidas: o grupo não era mais uma banda de iguais, mas apenas a plataforma para seu guitarrista, Carlos, o único membro original remanescente. A ausência de um hit single fez o álbum parar no nº. 27 das paradas, pior posição para um disco da banda. "Moonflower", de out/77, foi um LP duplo e foi o mais bem sucedido desde "Santana III" atingindo "disco de platina" duas vezes. E houve uma explicação para isto. Santana, que era uma banda conhecida por seu desempenho no Woodstock Festival (acima de tudo) não possuía até então um álbum ao vivo lançado nos EUA. "Moonflower" foi este disco (ainda que apenas parcialmente ao vivo). A lista das faixas era uma boa mistura do repertório mais antigo como adições mais recentes. Na parte de estúdio (que era caracterizada por um som mais convencional), o destaque ia para o cover de "She's Not There", dos Zombies, que se tornou o primeiro hit do Santana em cinco anos. 
Os dois lançamento seguintes, "Inner Secrets"(de out/78) e "Marathon" (de set/79), trouxeram nova guinada na direção musical, agora distanciando-se do Rock latino e mirando um Rock/R&B mais convencional. Desde que ingressara na banda, o tecladista Tom Coster havia sido o braço direito de Carlos, tocando, co-escrevendo e co-produzindo e geralmente ocupando o lugar do membro fundador Greg Rolie. Mas Coster deixou a banda na primavera de 1978, para ser substituído pelos tecladistas Chris Solberg e Chris Rhyme. "Inner Secrets" ainda produziu três singles, mas estes álbuns tiveram desempenho comercial ruim (uma decepção em relação a "Moonflower"), embora tenham alcançado o status de "disco de ouro" nos EUA. "Marathon" ainda marcou a entrada do tecladista Alan Pasqua e a substituição do cantor Greg Walker por Alex Ligertwood. A fórmula parecia estar se esgotando...

Destaque

Ty Segall – $ingle$ 2 (2014)

Numa das últimas edições da sempre boa revista Mojo, Ty Segall afirma, candidamente: «o meu objectivo é fazer merdas esquisitas e ver o que ...