quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Em Novembro de 1971, o LP “Electric Warrior” do T. Rex estreou na parada de álbuns da Billboard 200 dos EUA em # 196


Em Novembro de 1971, o LP “Electric Warrior” do T. Rex estreou na parada de álbuns da Billboard 200 dos EUA em # 196 (6 de novembro)

O álbum contendo dois dos maiores sucessos da banda ("Jeepster" e "Get it On") alcançou o primeiro lugar no Reino Unido e alcançou a posição #15 na Austrália e #32 nos EUA.

O álbum é creditado como o primeiro exemplo do gênero glam rock.

Paul Weller, do The Jam, citou-o como um de seus discos favoritos de todos os tempos, saudando a guitarra de Bolan como "realmente única. Você conhece o som dele instantaneamente".

Haha Tolhurst do Cure também disse que eles ouviram durante seus anos de formação: "Estávamos ouvindo T.Rex naquela época", [...] "Lembro que Robert [Smith] tinha uma cópia de Electric Warrior"



Em Novembro de 1988, o single “If I Could” de 1927 estreou nas paradas australianas


Em Novembro de 1988, o single “If I Could” de 1927 estreou nas paradas australianas (7 de novembro)

A música foi tirada do LP de grande sucesso de 1927, “…ish”, e foi a continuação de seu single de estreia “That's When I Think of You”, que fez ótimos negócios para a banda, alcançando a posição # 6 na Austrália, e gráficos nos EUA, Reino Unido e Canadá.

“If I Could” acabou sendo o single de maior sucesso em 1927, alcançando a posição # 4 nas paradas australianas.

Uma música pop perfeitamente elaborada, construída com mudanças de tom inteligentes, dinâmicas e progressões, teclados e guitarras de bom gosto, os vocais claros e crescentes de Eric Weideman e as letras ansiosas com as quais tantos poderiam se identificar…

O ex-cofundador, guitarrista e tecladista da Moving Pictures, Garry Frost, escreveu a música, e não era estranho em escrever sucessos, depois de co-escrever o hino "What About Me".

Frost também foi o fundador de 1927 e recrutou Weideman depois de vê-lo cantar "Roxanne" do Police no segmento Hey Hey It's Saturday's Red Faces. 



Crítica Jaloo: “Mau”

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Crítica

Jaloo

 : "Mau"

Ano: 2023

Selo: Elemess

Gênero: Pop

Para quem gosta de: MC Tha e Gaby Amarantos

Ouça: Quero Te Ver Gozar, Profano e Phonk-Me

A música de Jaloo é feito vírus. Chega de repente, como quem não quer nada e, sem que você perceba, acaba completamente contaminado. Terceiro e mais recente álbum de estúdio da cantora, compositora e produtora paraense, Mau (2023, Elemess) é um bom exemplo disso. Fim da jornada emocional iniciada em #1 (2015) e ampliada no colaborativo ft (2019), o registro de dez composições se revela aos poucos, sem pressa, porém, atiça a curiosidade do ouvinte e encanta a cada novo regresso. É como um lento desvendar de informações que estabelece nas diferentes interpretações sobre a morte um estímulo para os versos.

Com a própria faixa-título como composição de abertura, Jaloo apresenta parte das regras e temáticas que servem de sustento ao disco. É como um mergulho na mente da artista que ainda resgata trechos de Say Goodbye, parceria com Badsista extraída do álbum anterior. Frações poéticas que atravessam paisagens noturnas, alternam entre reflexões e diálogos com diferentes personagens, conceito que volta a se repetir na posterior Pode, canção que mais uma vez destaca o reducionismo dos elementos e versos sempre calculados, mas que continuam a reverberar na cabeça do ouvinte mesmo após o encerramento da obra.

Uma vez ambientado ao registro, o ouvinte é atraído por uma sequência de faixas que parecem pensadas para grudar logo em uma primeira audição. Exemplo disso fica bastante evidente em Quero Te Ver Gozar. Enquanto a base da canção estreita laços com a mistura de estilos que marca a música produzida no Norte do país, Jaloo sustenta nos versos uma história de amor, término e reencontro que mais uma vez destaca o lirismo agridoce presente durante toda a execução do trabalho. São sentimentos conflitantes que partem das experiências vividas pela própria artista, mas que em nenhum momento deixam de dialogar com o ouvinte. “Eu te pego de jeito / É puro desejo / Mas pra quê amor?“, questiona a cantora na faixa seguinte.

Claro que isso está longe de parecer uma novidade para quem há tempos acompanha as criações de Jaloo. São canções de amor, momentos de maior vulnerabilidade e conflitos sentimentais que se entrelaçam em meio a batidas reducionistas que reverenciam e atualizam o tecnobrega. A própria sequência formada por Tudo Passa e Ah! torna isso ainda mais evidente. É como um conjunto de ideias e conceitos talvez repetidos, porém, nunca desinteressantes. Exemplo disso pode ser percebido em Phonk-me, música em que discute o conceito de morte a partir do momento de inconsciência pós-orgasmo e atravessa as pistas de dança em um exercício criativo que vai do pop robótico do Kraftwerk à eurodance produzida nos anos 1990 e 2000.

Embora marcado pela fluidez dos elementos e composições que soam como um convite a se perder pelas pistas de dança, interessante perceber nos momentos de maior recolhimento a passagem para algumas das melhores criações de Jaloo. É o caso de Profano. Entre sintetizadores melancólicos que apontam para a década de 1980 e o sopro entristecido de um saxofone, a artista paraense destaca a sensibilidade que toma conta dos versos. “Eu vou dançar com essa gente tão viva / Talvez fritar, ficar arrependida … Seu rosto vai se apagar / Ah, eu vou te esquecer“, canta em um misto de dor e precioso toque de libertação emocional.

Esse mesmo recolhimento, porém, partindo de uma abordagem diferente, acaba se refletindo na música seguinte, Ocitocina. São ambientações sutis que talvez desagradem ao ouvinte mais apressado, mas em nenhum momento deixam de encantar. É como um preparativo para o que se revela de forma ainda mais interessante na canção seguinte, A verdade é que a cidade vai me matar. Composição de encerramento, a faixa cria um elo temático com A Cidade, do primeiro disco de Jaloo, contudo, substitui a euforia de outrora por uma base soturna e versos que se agora voltam às angústias da cantora. O fechamento de um ciclo, mas que instantaneamente abre passagem e deixa o caminho aberto para os futuros trabalhos da artista.



Crítica Explosions In The Sky: “End”

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Ano: 2023

Selo: Temporary Residence

Gênero: Pós-Rock, Instrumental

Para quem gosta de: Mogwai e MONO

Ouça: Ten Billion People e It's Never Going To Stop

Não se deixe enganar pelo título adotado pela banda: End (2023, Temporary Residence) está longe de ser o último trabalho de estúdio do Explosions In The Sky. Mais recente disco de inéditas do quarteto formado por Chris Hrasky, Michael James, Munaf Rayani e Mark Smith, o registro de sete faixas diz a que veio logo na introdutória Ten Billion People. Pouco mais de seis minutos em que o grupo texano não economiza nos detalhes. São incontáveis camadas de guitarras, texturas ocasionais e batidas que parecem seguir uma estrutura marcada, mas que aos poucos transportam o ouvinte para um universo de novas possibilidades.

Mesmo longe de parecer uma novidade para quem há tempos acompanha o trabalho da banda, vem desse senso de imprevisibilidade e esforço continuo do grupo em romper com qualquer traço de conforto a real beleza do repertório de End. Segunda canção do disco, Moving On funciona como uma boa representação desse resultado. Embora curta quando próxima de outras composições reveladas pelo quarteto ao longo do material, chama a atenção do ouvinte a riqueza de detalhes e diferentes mudanças de percurso nos pouco mais de quatro minutos da canção. É como uma interpretação talvez simplificada daquilo que o Explosions In The Sky havia testado no início dos anos 2000, quando apresentou algumas de suas principais criações.

Claro que esse maior dinamismo em nada interfere na produção de composições marcadas pelo forte aspecto contemplativo. É o caso de Loved Ones. Concebida em meio a delicadas camadas de guitarras e ruídos ocasionais, a faixa avança em uma medida própria de tempo, como um aceno para o repertório entregue em The Earth Is Not a Cold Dead Place (2003). E a comparação não vem por acaso, afinal, foi justamente nesse trabalho que a banda deu início à parceria com o produtor John Congleton, que volta agora a colaborar no primeiro álbum de estúdio do quarteto texano desde o bom The Wilderness (2016).

Esse mesmo direcionamento contido volta a se repetir com a chegada de Peace Or Quiet. Talvez livre do mesmo refinamento explícito no restante da obra, a faixa de seis minutos segue em um ritmo lento, mas não menos cativante, ambientando o ouvinte. É como um preparativo para o que se revela de forma ainda mais interessante com a composição seguinte, All Mountains. Contida em uma audição inicial, a música aos poucos ganha forma e cresce, valorizando cada mínima inserção dos instrumentos. Pouco menos de oito minutos em o quarteto faz o que sabe de melhor dentro de estúdio: jogar com a interpretação do ouvinte.

Passado esse momento de maior agitação criativa, The Fight traz de volta o mesmo recolhimento explícito em outras composições ao longo da obra, porém, utiliza disso como um preparativo para o que se projeta de forma ainda mais turbulenta minutos à frente. São as mesmas texturas e bases de guitarras aplicadas em músicas como Loved Ones, porém, partindo de uma abordagem essencialmente grandiosa. Mais de seis minutos em que o quarteto vai de um canto a outro de forma sempre imprevisível, como uma soma de tudo aquilo que integrantes da banda têm incorporado em estúdio desde a já citada canção de abertura.

Escolhida como música de encerramento, It’s Never Going To Stop preserva na mesma medida em que perverte uma série de elementos incorporados pelo Explosions In The Sky ao longo do trabalho. Com os pianos em primeiro plano, as guitarras surgem agora como um elemento complementar, estrutura que ainda se engrandece pelo uso de pequenas experimentações com a música eletrônica. É como um espaço aberto à experimentação em que o quarteto preserva a própria identidade e ainda aponta a direção para o futuro, prova de que o “fim” explícito no título da obra é apenas o princípio de uma nova fase do grupo.



Crítica Viratempo: “Cidade Tropical Pensamento”

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Crítica

Viratempo

 : "Cidade Tropical Pensamento"

Ano: 2023

Selo: Independente

Gênero: Pop Rock

Para quem gosta de: Tagua Tagua e Pluma

Ouça: Solar, Saudade e Prazer

Cada novo trabalho da Viratempo parece servir de passagem para um território criativo completamente transformado. Enquanto o introdutório Cura (2018) apontava para o pop enevoado da década de 1980, com a chegada de Cidade Tropical Pensamento (2023, Independente), a banda formado pelos músicos Vallada (voz, sintetizadores), Danilo Albuquerque (guitarra), Hygor Miranda (sintetizadores, baixo) e Max Leblanc (bateria, samples) continua a viajar pelo mesmo período, porém, o direcionamento proposto agora é outro.

Inaugurada de forma atmosférica, a introdutória Não Volto Mais rapidamente sustenta na linha de baixo funkeada, harmonias de vozes, batidas e bases dançantes uma síntese clara de tudo aquilo que o grupo busca desenvolver ao longo da obra. São ecos de brazilian boogie e outros elementos que orientaram a produção brasileira há mais de quatro décadas, porém, partindo de um delicioso senso de atualização, estrutura que ganha ainda mais destaque na canção seguinte, a hipnótica Solar, composição que evoca nomes como Marcos Valle sem necessariamente corromper a identidade criativa do quarteto paulistano.

Com parte das regras apresentadas ao público, Te Quiero, vinda logo em sequência, potencializa ainda mais esse resultado. São pouco menos de quatro minutos em que o grupo vai do reggae ao soul em uma doce combinação de estilos que sustenta no romantismo dos versos um claro diálogo com a obra de Tim Maia e Cassiano. Nada que a posterior Paubá não dê conta de perverter. Da base cíclica que se conecta aos versos, passando pela riqueza das batidas e arranjos de cordas, cada fragmento da composição parece pensado para ampliar o campo de atuação do quarteto, proposta reforçada com a entrega de Tropical 08.

Embora distante de tudo aquilo que o grupo busca explorar nos minutos iniciais da obra, a composição que se entrega ao drum and bass em nenhum momento deixa de atrair a atenção do ouvinte. É como a passagem para um ambiente renovado, ainda que liricamente preso aos mesmos temas sentimentais que servem de sustento ao disco. Uma curva instrumental que se completa pelo acréscimo da vinheta Pare e ainda abre passagem para a melancólica Saudade. Concebida em parceria com a cantora Gab Ferreira, a faixa contrasta a potência das batidas com a sensibilidade dos versos, destacando a riqueza do material.

Passado esse momento de maior euforia, Azul/Vermelho desacelera consideravelmente, potencializa o uso dos sintetizadores que parecem saídos do repertório de Cura, porém, sustenta na bateria eletrônica e linha de baixo sempre carregada um diálogo consistente com o repertório de Cidade Tropical Pensamento. São ambientações sutis que avançam em uma medida própria de tempo, sem pressa, estímulo para o material entregue na música seguinte, Besbe. Com pouco menos de dois minutos, a canção, assim como a curtinha Pare, soa muito mais como um interlúdio do que necessariamente uma peça importante para o trabalho.

Ainda assim, a faixa de essência reducionista funciona como um preparativo para o que se revela de forma ainda mais interessante com a chegada de Prazer. Escolhida como música de encerramento do trabalho, a canção destaca a riqueza de ideias que orienta o som produzido pelo grupo durante toda a execução do material. São camadas de sintetizadores, batidas bem encaixadas e versos que parecem pensados para atrair a atenção do ouvinte logo na primeira audição. Uma colorida combinação de elementos que vai da imagem de capa a cada mínimo componente instrumental e poético que serve de sustento ao registro. 



Crítica Bru._.Jo: “Bru._.Jo”

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Crítica

Bru._.Jo

 : "Bru._.Jo"

Ano: 2023

Selo: YB Music

Gênero: Experimental

Para quem gosta de: Quartabê e Mariá Portugal

Ouça: Raízes e Troncos e Floresta (Debaixo da Terra)

Autointitulado registro de estreia da Bru._.Jo, identidade adotada pelos irmãos Bruno Qual (eletrônicos) e Joana Queiroz (clarinete, clarone e voz), o trabalho de nove composições é uma obra viva. Concebido na primeira semana de 2020, durante um período de imersão em uma floresta, o álbum levou mais dois anos até ser finalizado. Nesse intervalo de tempo, processamentos e filtragens eletrônicas foram incorporadas ao material que foi gravado sem isolamento acústico, deixando vazar a captação de elementos naturais. Um meticuloso processo criativo que tensiona e recompensa a experiência do ouvinte na mesma proporção.

De essência orgânica, como uma criatura em processo de transformação, o registro se revela aos poucos, sem pressa. Música de abertura do trabalho, Granulares Matinais funciona como uma boa representação desse resultado. São inserções sutis que partem dos sopros de Queiroz, incorporam elementos ao redor, mas que se completam pela tapeçaria eletrônica de Qual. É como um lento desvendar de informações, estrutura que ainda abre passagem para a posterior Formigas e Lagartas, composição de base graciosa, como uma cantiga infantil, mas que assume novos contornos à medida que a dupla avança criativamente.

Reducionista e adornada pelo cricrilar dos grilos, Névoa (Neblina, Bruma), vinda logo em sequência, ganha forma em uma medida própria de tempo. É como um preparativo para o que os dois artistas incorporam de maneira ainda mais interessante na composição seguinte, Floresta (Debaixo da Terra). São pouco mais de cinco minutos em que ambientações sutis, sopros e sobreposições eletrônicas se completam pelos sons da natureza, texturas e vozes, resultando em um remix torto daquilo que a própria Queiroz havia testado durante a produção do último trabalho em carreira solo, o também exploratório Tempo Sem Tempo (2020).

Uma vez apresentados todos os elementos que compõem o disco, Raízes e Troncos leva o trabalho para outra direção. Embora partilhe dos mesmos componentes orgânicos presentes no restante do material, chama a atenção a atmosfera densa e base eletrônica que cresce ao fundo da canção, proposta que faz lembrar das criações mais recentes do saxofonista norte-americano Colin Stetson. Tudo se projeta de maneira tão intensa que Chuva, vinda logo em sequência, quase acaba engolida. Uma desconfortável mudança de percurso, mas que partilha do mesmo refinamento estético e riqueza de detalhes da dupla.

Com a chegada de Líquens e Fungos, Qual e Queiroz mais uma vez brincam com as possibilidades. São pequenos acréscimos e costuras instrumentais que se completam pelo uso de elementos percussivos, proposta que concede à faixa um caráter quase ritualístico. Pena que a mesma riqueza de ideias não se percebe na posterior Bioluminescentes. Concebida em meio a ambientações enevoadas, a canção soa muito mais como um esboço do que necessariamente uma peça importante para o disco. É somente nos minutos finais da composição, quando as batidas ganham forma, que o ouvinte é mais uma vez seduzido.

Passado esse momento de maior instabilidade, Noite, Sobrevôo, Tamboro chega para encerrar o trabalho de forma grandiosa. Com quase dez minutos de duração, a composição avança aos poucos, encanta pela inserção de ruídos e captações de campo, porém, estabelece na forte relação entre os dois artistas o elemento central do registro. Enquanto o sopro de Queiroz detalha paisagens instrumentais, a base sintética de Qual ascende lentamente, culminando em um fechamento totalmente catártico. Um exercício criativo que sintetiza e ao mesmo tempo amplia tudo aquilo que a dupla busca desenvolver ao longo do material.



Review: Jinjer – Macro (2019)

 


Formado em 2009 em Donetsk, na Ucrânia, o Jinjer vem ganhando cada vez mais destaque na cena metálica, e com justiça. Macro, lançado em 2019, é o terceiro álbum de uma discografia que conta ainda com Cloud Factory (2018) e King of Everything (2016), além do EP Micro, também disponibilizado este ano.

O Jinjer se apresenta como uma banda de progressive groove metal, mas esse rótulo é apenas o ponto de partida para uma sonoridade pra lá de variada. O som é pesado, com um instrumental intrincado e criativo que traz elementos de groove, nu metal e metalcore. A banda não tem medo de se aproximar de outros gêneros como é possível perceber em “Judgement (& Punishment)”, que traz passagens de reggae e alterna trechos mais calmos e com influências do pop com explosões sonoras marcantes e até mesmo blast beats.

O grande destaque do Jinjer é a vocalista Tatiana Shmailyuk, que varia com absoluta tranquilidade entre vocais guturais super agressivos e momentos onde canta com a voz limpa, que é forte e cheia de atitude. A produção de Macro intensifica as qualidades da banda, que procura não repetir fórmulas e tenta trazer doses de criatividade para a sua música, alcançando ótimos resultados. Há até momentos onde Tatiana canta no idioma natal do quarteto, como podemos ouvir na introdução de “Retrospection”.

O resultado é um som intenso, pesado e com grandes doses de imprevisibilidade, com a banda optando por soluções inesperadas para o ouvinte. Isso cria uma sensação de surpresa constante, fazendo com que as nove faixas do disco tragam atrativos. Entre elas, destaque para “On the Stop”, “Judgement (& Punishment)”, “Retrospection” (onde o groove harmoniza com blast beats),”Noah” e “The Prophecy”, que é um verdadeiro arregaço.

Macro é um senhor álbum de metal, com uma vocalista singular e um trabalho de composição super competente. Ouça!



Review: Dr. Sin – Back Home Again (2019)

 


O hard rock nacional sempre esteve bem servido de bandas, mas foram os paulistas do Dr. Sin que alçaram vôos mais altos desde o seu primeiro álbum (o autointitulado, de 1993). Após um breve término de atividades, os irmãos Andria (vocal e baixo) e Ivan Busic (bateria e vocal) voltaram à ativa sem o guitarrista Eduardo Ardanuy, e com Thiago Melo em seu lugar. Como resultado, temos uma banda revigorada em seu novo disco, Back Home Again.

Pouco antes, os Busic pareciam quase “perdidos no espaço”, como mandava o prévio single “Lost in Space” (relançado aqui como faixa bônus), uma excelente semi-balada de metal progressivo que remete a um Dream Theater abduzido por alienígenas. No novo disco em si, o sentimento das letras é de superação, inquietações persistentes da vida e alguns respiros intimistas. Já o som é aquele hard rock robusto de costume, com uma modesta quantidade de baladas e com momentos gostosos de interação virtuosa entre os três integrantes.

O ótimo hardão “Breakout” é direto e puxado para o estilo do álbum Brutal (1995), abrindo o trabalho com uma temática autorreferente e desafiadora. Ainda nessa área destaco a excelente “You Had It Coming”, que não apenas manda uma mensagem ácida e sem papas na língua como também nos apresenta o refrão mais grudento do disco. Já a boa “Face to Face” é cadenciada e melódica, lembrando incursões modernas e recentes de bandas como Mr. Big e Tesla.

A melhor faixa é “The Reflection of a Conflicting Mind”, um excepcional hard fusion que evoca a faceta mais alucinada do Extreme e vai entortar a cabeça dos ouvintes. A quase alternativa e nervosa “Shout” é um dos momentos mais intrincados e criativos do álbum, enquanto que a esquisita “Mayday” nos deixa hipnotizados do início ao fim. Já o vibrante speed metal “Run For Your Life” é de uma combustão espontânea reminiscente da clássica “Fire”.

Na área das baladas a qualidade é mais oscilante, como ocorre na apenas razoável “27”. Destaco a boa “Best Friends”, um southern rock eletroacústico que soaria bem na trilha sonora de um Sons of Anarchy rodado no interior de São Paulo. E a digna “See Me Now” traz mais um momento alternativo, com uma vibe sombria e melancólica influenciada pelo Alice in Chains.

Em Back Home Again o Dr. Sin está de volta ao seu combo sônico, munido de uma jovialidade renovada em som e letras, e sem abrir mão de certo senso de variação. Andria mantém seu vocal agudo e poderoso e Ivan continua nos dando belas porradas em sua bateria. Thiago Melo ainda está em seus primeiros passos no grupo mas já mostrou em sua guitarra uma singular união de energia e elegância sonora. Em suma, um dos melhores álbuns dos caras!




Review: DarkTower – Obedientia (2019)

 


Na ativa desde o final da década passada, o DarkTower é um dos principais nomes a emergir da cena underground do Rio de Janeiro para o resto do país e do mundo, e dentre tantos que surgiram e desapareceram naquele meio é bastante louvável o fato deles terem seguido em frente com confiança inabalável na sua proposta musical inteiramente dedicada ao metal extremo – um estilo que, apesar de estar na maioria das vezes longe dos holofotes, conta com uma base de fãs fiel e bastante sólida.

Obedientia é o terceiro álbum de estúdio dos cariocas, e talvez seja o mais maduro trabalho apresentado pela banda até agora. O que chama a atenção logo de cara é o fato de que desta vez, muito mais do que antes, o conteúdo lírico traz um reflexo direto do conturbado momento que o Brasil (e também, de certa forma, o restante do mundo) vive nos últimos anos, e encontra aqui uma espécie de tradução bem pertinente em forma de música. Um notável caso bem similar foi outro lançamento deste mesmo ano: The Heretics, do Rotting Christ, onde também fica clara uma mensagem contra as figuras e instituições autoritárias e obscurantistas que parecem envolver a humanidade mundo afora. Dito isso, vale também tomar nota que Obedientia foi masterizado por George Bokos (ex-guitarrista do Rotting Christ e proprietário do Grindhouse Studios em Atenas, que também já havia trabalhado previamente com a banda em Eight Spears, de 2016), o que por si só já confere um certo “selo de qualidade” ao trabalho em se tratando do estilo em questão.

O álbum abre com a bela instrumental acústica “Punishment”, que serve como um mero prelúdio para a massiva “Downfall”, faixa essa que dá o tom do restante da obra e sintetiza muito bem o som da banda: uma mistura demolidora, porém muito bem trabalhada, de black e death metal. “God Above Nothing” vem na sequência e é a canção que melhor representa o álbum, trazendo o seu recado de forma bem clara já no título, e também é a dona do melhor refrão do trabalho. Após essa sequência inicial impecável chegamos a “Highland Ceremony”, um interlúdio instrumental que começa com uma tranquila melodia indígena e termina com sons de um violento conflito na floresta, mais um prelúdio para outra faixa avassaladora: “Winged Snake’s Communion”, canção que narra a luta do povo Cañari (oriundo do Equador) contra a opressão da antiga colonização espanhola, embalada por um ritmo mais cadenciado que no começo chega a lembrar até um pouco Testament (o que também não é uma surpresa, uma vez que é outra banda com canções que relatam a luta dos povos indígenas do continente americano) e conta com um certo tom mais épico, com direito a um belo solo melódico de guitarra.

“Praxis Against Ignorance” é uma verdadeira mensagem de perseverança na busca pelo conhecimento, mais uma vez num ritmo mais cadenciado, que inclui excelentes solos de guitarra e uma interessante (porém breve) passagem instrumental que evoca até um tom meio progressivo e moderno. A faixa-título traz elementos sinfônicos e também do thrash metal – uma característica que já dava as caras desde os primeiros trabalhos da banda – numa canção que segue bem à risca parte da cartilha do metal extremo, com direito a uma letra denunciando a alienação causada pelas religiões, mas ainda assim está num nível bem acima da média.

“Rites of Conscience” é uma espécie de visceral ode ao renascimento, contando com vocais rasgados narrando um místico processo de transformação com furiosos blast beats ao fundo, numa atmosfera que evoca uma espécie de “ordem vinda do caos”. “The Carnal Splendour” começa de maneira majestosa antes de explodir numa verdadeira espiral descendente de violência sonora que narra um ritual pagão, e que bebe evidentemente da fonte do Behemoth, sendo comparável ao que eles fizeram de melhor durante os anos 2000. Finalizando o álbum da mesma forma que começou, temos outro belo número instrumental: “...As the Obedient Marches to the Abyss...”, dando assim a sensação da conclusão de um verdadeiro ciclo.

Superando todo e qualquer desafio, os cariocas do DarkTower nos convidam a refletir sobre a ignorância e a apatia de nossa época e encerram a década apresentando mais um excelente trabalho, que prova que o metal extremo é a trilha sonora perfeita para tempos sombrios – lírica e musicalmente.



Review: Rise of the Northstar – The Legacy of Shi (2018)

 


Vez ou outra nos deparamos com algumas bandas novas que apresentam propostas inusitadas, e os franceses do Rise of the Northstar são um exemplo disso. Fundado em 2008 na cidade de Paris, o grupo traz uma interessante fusão de hardcore, groove metal na linha dos anos 1990 (por vezes puxando alguns elementos de thrash e do nu metal) e hip-hop, mas com uma temática explicitamente influenciada pela cultura pop japonesa (o nome artístico do guitarrista Eva-B e até o mesmo o próprio nome da banda são só alguns dos muitos exemplos).

Esse curioso encontro de ideias já vem dando as caras há um bom tempo, desde os excelentes EPs Tokyo Assault (2009) e Demonstrating My Saiya Style (2012), além do álbum Welcame (2014), todos produzidos e lançados de maneira independente. The Legacy of Shi é o primeiro trabalho da banda a contar com lançamento e distribuição por um grande selo a nível global – no caso, pela Nuclear Blast – e que obviamente também representa o primeiro contato que muitos terão com sua proposta musical, que dessa vez contou com o auxílio na produção de ninguém menos que Joe Duplantier, dos compatriotas do Gojira – uma escolha que parece ter sido muito bem acertada, levando em consideração algo em comum no som de ambas as bandas: o aspecto “explosivo”.

Uma curiosidade adicional sobre The Legacy of Shi é que se trata, vagamente, de uma espécie de álbum conceitual que narra o contato e a luta da própria banda contra uma espécie de antigo demônio. Por mais que isso soe como algo que não dê pra levar muito a sério, o som em si não tem ares tão necessariamente juvenis: faixas como “Here Comes the Boom”, “Nekketsu” e “This is Crossover” ficam no mesmo nível de algumas das melhores pedradas que bandas da velha guarda como Biohazard, Sickof it All e Hatebreed já fizeram (se eles também incluíssem várias referências à animes e mangás nas letras, é claro), com direito a “gang shouts” empolgados durante os refrãos e toda a fúria característica do hardcore com um toque bem encaixado de thrash.

“Step by Step” é um dos raros momentos onde a pancadaria sai do foco para dar espaço a um clima um pouco mais melódico e até mesmo melancólico, com uma letra que traz um dos paralelos mais interessantes na proposta musical do grupo: as histórias de superação frequentes em muitos trabalhos da cultura pop japonesa têm na verdade bastante em comum com o conteúdo lírico muitas vezes inspirador do hardcore. Porém, chegando perto do refrão a banda retoma o tom furioso do estilo, novamente com “gang shouts” bem encaixados e vocais inflamados berrados à plenos pulmões.

“Kozo” tem uma veia um pouco mais experimental e uma levada que lembra bastante o som do Korn – mais especificamente em “All in the Family”, de Follow the Leader (1998) – mas com muito mais peso e um uso interessante de samples e vocais que reforçam o lado conceitual do álbum. “Cold Truth”, “Furyo’s Day”e “Teenage Rage” também trazem à tona o lado mais hip-hop do som do grupo – inclusive com ocasionais versos cantados em francês – sem nunca deixar de lado todo o peso das guitarras afinadas em tom baixíssimo, com vários momentos que não ficariam fora de lugar em algum trabalho do Machine Head nos anos 1990, por exemplo. Já a intensa “All for One” traz vocais distorcidos que conferem uma atmosfera meio death metal, e no geral chega até a remeter um pouco ao estilo do que o Slipknot fez na virada do século. Encerrando o álbum de forma magistral temos a faixa-título que traz mais uma vez a explosiva combinação de hardcore, groove e thrash e uma semelhança inconfundível com o som dos veteranos do Hatebreed.

Ainda que o som do Rise of the Northstar não seja exatamente tão repleto de novidades, o grupo prova que, muitas vezes, tão importante quanto o conteúdo é também a embalagem. Eles têm tudo para se tornarem uma referência moderna do crossover/hardcore, e se The Legacy of Shi é algum indicativo, este álbum é uma prova disso e eles estão no caminho mais do que certo.



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