segunda-feira, 22 de julho de 2024

Review: Halford - Crucible (2002)

 


Crucible chegou às lojas em 21 de junho de 2002. Segundo álbum solo do lendário Rob Halford, o disco mantém o mesmo line-up do aclamado Resurrection, de 2000: a afiadíssima dupla Patrick Lachman e Mike Chlasciak – o folclórico “Metal” Mike – nas guitarras, amparada pela competentíssima cozinha formada por Ray Riendeau no baixo e Bobby Jarzombek na bateria (esse último, mais tarde, faria parte do Iced Earth entre 2004 e 2006).

Pessoalmente, prefiro Crucible a Resurrection, pois considero o primeiro um disco muito mais consistente que o segundo, que, na minha opinião, apesar de ser um bom álbum, tem muito de sua fama ligada ao retorno Rob Halford ao heavy metal do que propriamente por ser um trabalho acima da média - o que, salvo alguns momentos, não o é.


Já em Crucible o papo é diferente. Pra começo de conversa, a banda está muito mais à vontade do que em sua estreia. Halford está em sintonia total com o quarteto de instrumentistas, e isso se reflete de forma violenta nas treze faixas do disco. O timbre animalesco das guitarras, repletas de peso, aliado ao desempenho sensacional de Riendeau e Jarzombek, cria uma base sólida para Halford fazer aquilo que nasceu para fazer: cantar o mais puro heavy metal, a plenos pulmões, com o coração na boca.

Isso fica claro desde o início, com a porrada da faixa título, que abre o play após a intro "Park Manor" com melodias sombrias e um andamento feito sob medida para bater cabeça. “One Will” vem na sequência e soa como um Judas Priest renovado, onde os instrumentistas, ao invés de senhores sexagenário, são garotos recém saídos da adolescência. Essa música tem um refrão sensacional.

Jarzombek arrebenta tudo na abertura de “Betrayal”, uma das melhores composições da carreira de Rob Halford, incluindo aí o seu longo período no Judas. Cantando em tons altíssimos, o eterno Metal God mostra que o peso nunca deixou suas veias. Uma faixa perfeita para mostrar para as novas gerações por quais motivos certos artistas se transformaram em ícones em seus gêneros musicais. Pra fechar com chave de ouro, “Betrayal” conta com melodias faiscantes saídas das guitarras gêmeas de Lachman e Chlasciak.

E o disco segue com um desfile de faixas de cair o queixo. A pesadíssima “Handing Out Bullets” une as características marcantes de Rob Halford a uma sonoridade pra lá de atual. O riff de abertura de “Hearts of Darkness” é puro thrash metal, na medida para bangear até entortar o pescoço. “Crystal” tira um pouco o pé do acelerador, mas sem economizar no peso, e conta com uma grande interpretação de Halford, um dos maiores vocalistas da história do rock. “Heretic” traz Halford transitando com imensa sabedoria e talento pelos caminhos atuais da música pesada, enquanto “Golgotha” é uma verdadeira aula de como uma composição de metal deve ser cantada.

A parte final do trabalho tem ainda a quase death “Wrath of God”, a pesadona “Weaving Sorrow”, a jóia perdida “Sun” (sensacional, introduzida por uma guitarra cheia de efeito que evolui para um hard rock contagiante e com grandes linhas vocais de Rob) e a contemplativa “Trail of Tears”, que fecha o álbum com o refrão “Man will never end your suffering / stealing all your years / God is with you but won't save you / from your trail of tears”.

Produzido por Roy Z - que participou ativamente da composição e toca em algumas músicas -, Crucible foi durante muitos anos o último álbum digno de nota a contar com os vocais de Rob Halford, maldição quebrada apenas com a chegada de Firepower em 2018.

Um pequeno clássico do metal: sem dúvida alguma essa definição cai como uma luva – ou seria como um bracelete de couro repleto de pregos pontiagudos? – em Crucible.



Review: Chickenfoot - Chickenfoot (2009)

 


Sou um grande fã de Sammy Hagar. Inclusive, a minha fase predileta do Van Halen é com o Red Rocker à frente. Este disco, lançado há dez anos, marcou o início de um novo capítulo na carreira de Hagar, em uma nova banda ao lado do brother dos tempos de Van Halen, o baixista Michael Anthony, do guitar axe Joe Satriani e do batera Chad Smith, do Red Hot Chili Peppers e colaborador assíduo de Glenn Hughes.

A alcunha supergrupo, apesar de batida, cai como uma luva no Chickenfoot, tanto pelos nomes envolvidos quanto pela imensa expectativa que o grupo gerou, afinal estamos falando de quatro caras que fizeram história no rock. As onze faixas de Chickenfoot, o disco, trazem uma mescla de hard rock californiano com AOR, um som maduro e muito bem construído, e sem tantas firulas instrumentais como seria de se supor.

O disco abre lá em cima com a ensolarada "Avenida Resolution", repleta de groove e alto astral, além de um bom solo de Satriani. A faixa seguinte, "Soap on a Rope", traz um belo riff e um balanço funk para o play, lembrando, e muito, o que Sammy fazia em seus tempos de Van Halen - o que, para mim, é motivo de alegria. Satriani voa tranquilo em sua guitarra, alternando entre as bases e licks que dão um tempero extra à composição. Destaque também para Michael Anthony e Chad Smith nessa faixa, segurando a estrutura da canção de maneira exemplar. Vale mencionar o interessante timbre utilizado por Joe Satriani no solo de "Soap on a Rope", muito agradável, enquanto o solo propriamente dito é curto e certeito, inserindo-se perfeitamente na canção.

A seguir vem uma das faixas mais legais do CD. "Sexy Little Thing" é um hard rock alto astral total, com ótimas linhas vocais de Sammy alternadas com riffs de Satriani, tudo embalado em um balanço que desafia qualquer um a ficar parado. O refrão dessa música é sensacional, um dos melhores do álbum. 

O clima se mantém lá em cima com a faixa seguinte, que foi justamente o primeiro single liberado pelo Chickenfoot. "Oh Yeah" é um hardão repleto de groove, cantado com extrema classe e competência por Sammy Hagar e com um refrão pra lá de maneiro, daqueles que a gente fica esperando a hora pra cantar junto. Grande música!

O que se percebe em grande parte das composições é o grande entrosamento entre Anthony e Smith, explorando sempre bases repletas de balanço calcadas no funk setentista, o que reforça ainda mais o clima festeiro onipresente nas composições de Sammy Hagar.

O hard bate forte em "Get it Up", uma das mais pesadas, com um andamento meio tribal e muito interessante. "Down the Train", mais cadenciada e com uma estrutura mais solta feita sob medida para Joe Satriani alçar vôos infinitos, nasceu para brilhar nos shows. "My Kinda Girl" é outra com o astral lá em cima e um refrão muito legal. Destaque para os backing vocals de Michael Anthony.

A balada "Learning to Fall" mostra bem a veia AOR do Chickenfoot, e, pessoalmente, não me agradou muito, pois a achei com um refrão meloso demais. Mesmo assim, merecem atenção os backings de Anthony, mais uma vez muito bons, assim como Sammy, que mostra o porque de ser considerado uma das grandes vozes do hard rock.

"Turnin' Left" é uma delícia que em um primeiro momento parece saída de um disco solo de Satriani, para logo depois cair em ótimas linhas vocais onde Hagar canta acompanhado por Anthony, enquanto Joe executa uma base que é puro groove. Muito boa, uma faixa empolgante, com certeza uma das melhores do disco. Ouça no volume máximo e prepare-se para curtir aos montes.

Fechando o álbum temos a contemplativa "Future in the Past", essa sim uma grande balada, que, ao contrário de "Learning to Fall", não apela para melodias fáceis e pra lá de manjadas, alternando-se entre os vocais muito bem encaixados por Sammy e uma base repleta de malícia de Satriani, fechando o disco em grande estilo.

Concluindo, essa estreia do Chickenfoot mostra-se muito acima da média. Sammy Hagar mostra que ainda é um cantor fenomenal, enquanto Joe Satriani demonstra que pode sim, e deve, fazer parte de uma banda, onde o seu talento único na guitarra conspira a favor das composições e não em inúteis exercícios que só agradam o próprio umbigo. Michael Anthony, discreto mas seguro, demonstra que não é preciso reinventar a roda para se destacar em seu instrumento, ainda mais acompanhando figuras tão cheias de brilho próprio como Hagar e Satriani. E Chad Smith atesta, de uma vez por todas, que é um grande baterista, tocando de uma maneira totalmente diferente da que faz no Red Hot Chili Peppers.

Sabe quem vai curtir esse disco? Pessoas como eu, órfãs do Van Halen - que parece ter entrado em um limbo onde a criação de novas canções é muito mais uma utopia alimentada pelos fãs do que um desejo dos músicos - e que agora tem uma excelente banda para fazer companhia naquele papo com os amigos, repletos de histórias pitorescas e bebidas ardentes.

Longa vida ao Chickenfoot! O hard rock agradece.



The Beatles – The Beatles [White Album] (1968)

 

White Album não é só um grande clássico cheio de canções imortais. É o cânone a partir do qual todos os álbuns-duplos são medidos.

Bowie ficou conhecido pelas suas perpétuas ch-changes, mas antes dele já os Beatles mudavam o jogo da pop como quem muda de camisa. Ora, vejamos. Se em ’66 e ’67, os fab four lideram a revolução psicadélica com os caleidoscópicos RevolverSgt. Pepper’s Magical Mystery Tour, quando chegam a ’68 já não querem ver o psicadelismo nem pintado. Onde Sgt. Pepper’s é colorido, alucinogénico, coeso e super-produzido, White Album é branquíssimo, abstinente, fragmentado e frugal. Tudo nele é um regresso à tradição, à simplicidade e desordem criativa, uma declaração de guerra ao perfeccionismo de estúdio dos discos anteriores. Aliás, é esse o espírito do tempo: Dylan, The Band, Creedence Clearwater Revival, todos reagem aos excessos psicadélicos do Summer of Love, reclamando um retorno às raízes.

A maior parte das canções do White Album foi escrita num célebre retiro espiritual nos Himalaias, à viola e sem a cabeça encharcada em LSD (que o mestre Maharishi não o permitiria). A parte da viola explica a prevalência dos temas pastorais e acústicos (baladas lindas de morrer como “Blackbird”,  “I Will”, “Julia”, “Mother Nature’s Son” e “Long, Long, Long”). Donovan teve aqui um importante papel, pois, compincha no dito retiro, fez questão de ensinar alguns dedilhados folkie aos seus camaradas.

Toda a mitologia do rock’n’roll é organizada à volta do poder criativo do excesso. Pois bem, a experiência de Rishikesh diz o contrário. A meditação e a abstinência potenciaram, afinal, a criatividade. Nunca antes os Beatles tinham escrito tantas canções em tão pouco tempo, de tal maneira que apenas um disco não é suficiente para as albergar. “Back in the USSR”, “Revolution” e “Happiness is a Warm Gun” são apenas alguns dos seus clássicos intemporais.

White Album quebra um segundo mito: o de que as melhores obras surgem quando a cumplicidade dentro da banda é maior. Ora, se há coisa que caracteriza a gravação deste disco é justamente o ambiente de cortar à faca que se vivia em Abbey Road. É fácil responsabilizar o emplastro japonês pelo ar irrespirável (Yoko Ono não arredava pé por um segundo, para grande desconforto de todos os Beatles que não dormiam consigo) mas as coisas são mais complexas do que isso. Ringo fartou-se das críticas do pequeno ditador McCartney e abandonou a banda durante uns tempos. Harrison ressentia-se cada vez mais do estatuto secundário a que Lennon e McCartney sempre o relegaram. É sintomático o facto de, mesmo num disco-duplo com três dezenas de canções, só haver espaço para quatro temas seus. Para se vingar, uma delas é “My Guitar Gently Weeps”, talvez o tema mais icónico do White Album (imortal o solo aveludado de Clapton!).

John, Paul, George e Ringo.

Mas, mais importante que essas quezílias, há o efeito do próprio crescimento e individuação criativa de cada um dos BeatlesWhite Album é o gang de outrora a fragmentar-se, quatro personalidades muito diferentes a reivindicarem a sua própria voz. De tal forma assim foi que até Ringo teve direito a uma canção sua: o country (bastante decente, diga-se) de “Don’t Pass me By”. A abundância de estúdios disponíveis também ajudou: Lennon, McCartney e Harrison puderam ir gravando os seus temas em paralelo, envolvendo os outros apenas no fim (como se fossem músicos de sessão). Aliás, há mesmo canções que foram gravadas com apenas um Beatle ao leme: é o caso de “Julia” (Lennon) e “Blackbird” (McCartney).

A fragmentação do White Album não decorre apenas do individualismo dos seus songwriters. Mesmo dentro do universo de cada um dos autores, há uma propensão esquizofrénica para a diversidade. Veja-se o caso de McCartney, que tanto retrocede ao music hall dos anos 20 (“Honey Pie”) como imagina o metal do futuro (“Helter Skelter”); que tanto se passeia pela candura pop de “Ob-la-di, Ob-la-da” como logo chafurda no blues obsceno de “Why Don’t We Do It in the Road?”.

George Martin não gostou da caldeirada, advogando uma triagem dos temas mais fortes para um único disco. Os Beatles disseram “não” e ainda bem, pois é precisamente essa caótica dispersão que lhe dá charme e identidade, sempre coerente na sua incoerência, e com um gosto especial pelos súbitos contrastes. Veja-se a forma como o disco acaba: depois da indigestão avant garde de “Revolution 9” vem a doçura natalícia de “Good Night”!

É verdade que o White Album não é o primeiro disco-duplo da história. Dylan, por exemplo, precedeu-o em dois anos com o seu inventivo Blonde on Blonde. Mas os Beatles levam ao limite as possibilidades do formato, de tal forma que a sua fórmula “vale tudo menos arrancar olhos” tornou-se mesmo a matriz-padrão para o desenho de um álbum-duplo, seguida religiosamente por dezenas de discípulos (Physical Grafitti dos Led Zeppelin e London Calling dos Clash são dois exemplos célebres). Os clássicos gravados entre ’66 e ’74 são cruciais justamente por isso: criaram um cânone para as gerações seguintes. Não há como fugir: sempre que alguém procurar o génio melódico no meio da desordem e da imperfeição, a referência do álbum branco é incontornável.


Madrepaz – Bonanza (2018)


The Clash – The Clash (1977)

Talking Heads – Talking Heads: 77 (1977)

 

Márcia – Vai e Vem (2018)


Iggy Pop – Lust for Life (1977)

 

Sex Pistols – Never Mind The Bollocks, Here’s The Sex Pistols (1977)


Em 18/07/1975: Bob Marley & The Wailers grava o álbum Live!

Em 18/07/1975: Bob Marley & The Wailers grava o álbum Live!
Live! é o primeiro álbum ao vivo da banda de reggae Bob Marley & The Wailers. Lançado em 5 de dezembro de 1975.
Os shows da banda no Lyceum Theatre, em Londres, em 17 e 18 de julho de 1975, foram gravados pelo funcionário da Island Records, Danny Holloway, usando o Rolling Stones Mobile Studio. As faixas selecionadas foram principalmente da apresentação de 17 de julho, com "Lively Up Yourself" (não tocada no dia 17) do dia 18.
Live! foi lançado pela gravadora Island Records como um LP de vinil. Em 2001, foi lançado em CD. Em 2016, um lançamento de três discos chamado "Live! Deluxe Edition", tornou-se disponível em formatos de vinil e CD, com gravações das apresentações de 17 e 18 de julho.
Lista de faixas:
Todas faixas escritas por Bob Marley.
Lado um:
1. "Trenchtown Rock" : 4:23
2. "Burnin' And Lootin" : 5:11
3. "Them Belly Full" : 4:36
4. "Lively Up Yourself" : 4:33
Lado dois:
5. "No Woman, No Cry" : 7:07
6. "I Shot The Sheriff" : 5:18
7. "Get Up, Stand Up" : 4:16
faixa bônus da edição remasterizada de 2001:
8. "Kinky Reggae": 4:21.
Músicos:
Bob Marley e os Wailers
Bob Marley - vocal principal, guitarra base
Carlton Barrett - bateria
Aston "Family Man" Barrett - baixo
Tyrone Downie - teclados
Al Anderson - guitarra solo
Alvin "Seeco" Patterson - percussão
com:
os "I Threes": (Rita Marley, Judy Mowatt,
Marcia Griffiths) - vocais de apoio Nota:
Marcia Griffiths perdeu esta turnê por causa
da gravidez.

 



Destaque

DISCOS QUE DEVE OUVIR - Lisa Nemzo - Tough Girls Can Be Pretty 1985 (USA, Pop-Rock/AOR)

  Artista: Lisa Nemzo Origem: EUA Álbum: Tough Girls Can Be Pretty Ano de lançamento: 1985 Gênero: Pop-Rock/AOR Duração: 36:38 Faixas: Músic...